A postura
Adventista a respeito da Lei é uma cópia da doutrina da Lei segundo defendeu os
Puritanos e os Reformadores – especialmente na influência que a Confissão de Fé de Westminster, e outras
confissões reformadas, imprimiram na tradição Batista, e esta, influenciou um grupo de desviados das
igrejas cristãs, que esperaram Jesus voltar em 22 de outubro 1844, isto é,
os Adventistas/Mileritas. Por vezes, até mesmo da parte de alguns ministros
presbiterianos, que provavelmente se esqueceram das aulas nos Seminários, ou no
que os Símbolos de Fé Presbiterianos dizem, sucumbem em um argumento
dispensacionalista na crítica ao Adventismo.
A diferença
mais específica está, certamente, na mistificação do quarto mandamento,
em sua antiga formatação, o sábado, como carro proselitista do Adventismo.
Embora a posição puritana defenda que o Verdadeiro Dia do Senhor, o Domingo, possui
elementos pedagógicos diferentes de outros mandamentos, e um exemplo de devoção
litúrgica externa, que não pode ser visto em outros mandamentos, não existe,
porém, nada de uma mistificação em tal dia a ponto de substituir o selo do Espírito por um cumprimento da lei.
A Crença
Fundamental Adventista 19 é um reflexo, em seus próprios termos, da doutrina
Reformada da Lei, vista nas Confissões Reformadas e especialmente a CFW no Cap.
XIX. E a crença a respeito do Sábado, contida na Crença Fundamental 20, pode
ser uma postura inversa ao Verdadeiro Dia
do Senhor do Cap. XXI da CFW.
Portanto, o
problema entre o Adventismo e a Fé Reformada, a genuína tradição Protestante,
não está na teologia da Lei, necessariamente. O Adventismo é que se apropriou
dessa doutrina Reformada e Protestante, para levar a cabo seus ensinos
judaicos. As mesmas Confissões que pensaram a respeito da Lei, que fizeram
distinção entre Lei Moral e Cerimonial, e que defendeu o tríplice uso da Lei, é
a mesma que com esse pressuposto, defendeu a substituição da Circuncisão pelo Batismo, a Páscoa pela Santa Ceia, Israel pela Igreja, O Sacerdócio Levítico pelo
Sacerdócio Universal, e foi
nessa mesma linha que entendeu na base da Lei e da revelação progressiva contida
no Novo Testamento, a substituição do Sábado pelo Dia do Senhor, o Domingo (Ap 1.10).
O grande
erudito Gleason Archer apresenta extensas razões da substituição em sua obra Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas,
das páginas 125 a 130. E uma interpretação de Colossenses 2.16 pode ser vista
nos seguintes dizeres:
“o
v.16 parece referir-se primordialmente às estipulações obsoletas do AT, umas
dos quais é o sábado, como sétimo dia da semana, e a outra festa chamada
sábado.” (p.129).
E o que dizer do dispensacionalismo?
Existem vertentes dessa escola. Algumas que são mais enfáticas em sua faceta
escatológica, que possuem loucuras proféticas, tal como a de 1844, e com falsas
profecias. Existe, no entanto, um dispensacionalismo mais responsável, que
apesar de ser moderado em sua escatologia está mais preocupado em fazer a
distinção entre Israel e a Igreja. Não apenas encontramos isso em arminianos,
mas até mesmo em calvinistas, como temos o exemplo de John MacArthur, e no
Brasil temos o conhecido pastor calvinista Marcos Granconato, que é um
dispensacionalista dessa linha (Fundamentos da Teologia da Vida Cristã,
pp.88-96).
Não deixar
de dizer também que existe um
dispensacionalismo herético que nem mesmo o Senhorio de Cristo apresenta como
necessário. Esse assunto é debatido por John MacArthur em O Evangelho Segundo Jesus, e em O Evangelho
Segundo os Apóstolos
Por fim, há
os que defendem o fim da Lei Moral, mas com outra Lei Moral, revelada no NT,
como padrão de vida para os cristãos. Que é na verdade bem semelhante aos 10
mandamentos – que não raro é apresentado como sendo um resumo da Lei Moral de
Deus, porém, sem o Domingo como substituição do quarto mandamento, mantendo-se como tal. Embora, até mesmo muitos desses,
olham o Domingo como legítimo da prática cristã neotestamentária [e patrística]. Como é o caso do Teólogo
Assembleiano, Esequias Soares, que recentemente em uma excelente obra escreveu:
“A
estrutura dos Dez Mandamentos se resumem no amor a Deus e ao próximo, diz
respeito a Deus e à sociedade, que envolve pensamento, palavras e obras [...] A
lei estabeleceu para Israel o sétimo dia da semana e, na graça, o sábado foi
substituído pelo primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Jesus, e
deixou de ser mandamento para ser praticado naturalmente, sem coerção alguma.”
(Os Dez Mandamentos, pp. 9,10[ele repete a mesma ideia na página 72]).
Existem na
proposta de Soares, acordos e desacordos com a Teologia Reformada – ele
fez uma distinção entre o sábado institucional
e o sábado legal; o primeiro é eterno
e pode ser cumprido em qualquer dia – e ele mesmo, não nega o Domingo como essa
alternativa; o segundo foi apenas para Israel para ser cumprido no sétimo dia (essa
distinção, parece ser, o argumento mais fraco de Soares no livro citado). Obviamente,
nem de longe o dispensacionalismo de Soares deve ser identificado com um
antinomianismo (sem lei).
J. I. Packer
lista em sua Teologia Concisa seis (6) tipos de antinomianismo (pp.155,156). O
antinomismo dualístico, centrado ‘no Espírito’, em Cristo, dispensacional,
dialético e situacionista. Todos os tipos de antinomismo apresentados são
perigosos.
Deve ser
dito, que mesmo Calvino tinha uma concepção diferenciada, e o que veio a ser a
Teologia Puritana do sábado, não tinha total coesão com Calvino, a respeito do sábado e de sua substituição.
Para ele [assim como penso], Cl 2.16 é uma expressão clara de que o sábado do
sétimo dia foi abolido. E que o Domingo entrou em seu lugar.
O SÁBADO E O DOMINGO
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Tradição Protestante antiga, e confessional
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Adventismo do Sétimo Dia
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Dispensacionalismo moderado
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O quarto mandamento é anterior ao Sinai. E
é uma Lei eterna, assim como é os dez mandamentos. Essa
Lei no NT continua em uma nova roupagem, a
saber, o domingo, o dia do Senhor (Ap
1.10).
Calvino entendia que Cl 2.16 se refere ao
sétimo dia.
Os puritanos entendiam que se refere aos
sábados cerimonais e não ao moral.
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O quarto mandamento é anterior ao Sinai. E é uma Lei eterna, assim como é
os dez mandamentos. Essa Lei no NT continua
com a mesma roupagem,
a saber, o descanso deve continuar sendo no
sétimo dia.
O domingo é do diabo e será a marca da
besta.
Eles entendem que Cl 2.16 se refere aos
sábados cerimoniais.
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O quarto mandamento
é sinaítico, e era uma
lei apenas para Israel.
Essa Lei não foi repetida para a Igreja, assim o como outras foram. O domingo é
o dia da
adoração do NT, não no mesmo molde do
sábado
é o dia do Senhor (Ap 1.10).
Para essa escola
Cl 2.16 é uma evidencia de sua rejeição ao
sábado.
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CONCLUSÃO
Portanto,
dizer que o Adventismo é mais próximo da tradição protestante, por causa do
assunto da Lei, é um disparate, pois assim podíamos dizer que eles são arminianos/wesleyanos,
já que usam esse sistema para algumas explicações fazerem sentido na doutrina
do santuário de 1844, nem mesmo podemos dizer que são eles pentecostais apenas
porque defendem a continuidade dos dons, para sustentarem a crença em Ellen
White!!!
Já que o
adventismo oficialmente rejeita todos os demais postulados dos documentos
reformados, a saber: A Trindade, a Doutrina da Escritura, dos Dons, do Batismo,
da Alma, do Inferno, do Juízo, da Ressurreição, entre outros.
Na abordagem
com o Adventismo, não devemos nos preocupar com a postura teológica plagiada
(como Ellen White gostava disso!!) deles em relação a Lei de Deus, mas sim, no
que leva eles a defenderem o que dizem respeito do sábado e sua mistificação –
na verdade, só dizem o que Ellen White disse...




