quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Mateus 10.28 ensina a aniquilação?

Não temam os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; pelo contrário, temam aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. (Mt.10.28 - NAA)

Introdução
A fala de Jesus em Mateus 10.28 tem dado munição para ambos os lados na discussão sobre o destino final dos ímpios. Digo ambos os lados, pois há pelo aos menos três perspectivas de interpretação possíveis. Considerando isso, se pinçarmos palavras isoladas e sem levar em consideração o contexto em que são utilizadas, a tendência é obviamente forçar a afirmação a se encaixar no ponto de vista que se busca defender. Temos então três leituras:

1. Imortalista: Que entende que o texto afirma a imortalidade da alma e consequentemente refere-se a um castigo eterno e consciente dos perdidos.
2. Aniquilacionista: Essa vertente interpreta que perecer, significa literalmente ser destruído. Portanto, tanto o corpo quanto a alma serão destruídos após o juízo final. Alguns adeptos dessa leitura podem ate considerar o estado intermediário consciente pós-morte antes do juízo final.
3. Aniquilacionista Materialista: Ramo do aniquilacionismo que nega que o ser humano tenha uma existência imaterial que sobrevive a morte. Portanto não existiria um estado intermediário consciente pós-morte.

O contexto imediato como podemos ler em Lucas 12.4,5 é que existe algo além do corpo, que pode sofrer castigo divino após a morte: — Digo a vocês, meus amigos: não temam os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vou mostrar a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo que a esse vocês devem temer. (NAA)

Um detalhe interessante é que Lucas aqui não fala em “matar” ou “destruir” ou qualquer outra palavra que remeta a isso para a alma, alias, ele também sequer utiliza essa palavra. Aqui fala-se em um castigo que vai além de “matar o corpo”. O castigo é “lançar no inferno”. A palavra grega Psiché (alma)significa personalidade, mente, vida (no sentido de existência) e era utilizada também para designar a existência espiritual do ser humano. Está muito claro nos dois textos que trata-se de uma existência pós-morte do corpo. Algo que sobrevive a morte física. Podemos comprovar isso em Apocalipse 6.9,10 e 20.4:

“Quando o Cordeiro quebrou o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram Clamaram com voz forte, dizendo: — Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap.6.9,10 – NAA)
“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade para julgar. Vi ainda as almas dos que foram decapitados por terem dado testemunho de Jesus e proclamado a palavra de Deus. Estes são os que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam a sua marca na testa e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.” (Ap.20.4 – NAA)

Portanto a primeira visão que podemos descartar aqui é o aniquilacionismo materialista. A segunda questão é se o texto em questão ensina a aniquilação. Os mortalistas (aniquilacionistas) argumentam que a palavra grega traduzida por “perecer”, é apollumi que significa não somente destruição, mas também: extravio, ruina, etc. A palavra pode carregar o sentido de desgraça ou miséria em vida. Se conectarmos esse texto a outros que falam de tormento eterno, chegaremos a conclusão que o texto não trata de tornar o corpo e alma inexistentes, mas de uma situação de ruina eterna. Temos exemplos bíblicos onde essa palavra aparece e não significa aniquilação:


  • Mas, de preferência, procurem as ovelhas perdidas (apollumi) da casa de Israel. (Mt 10:6 – NAA)
  • E quem der de beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade lhes digo que de modo nenhum perderá ( apollumi) a sua recompensa. (Mt.10.42)


Podemos fazer uma tradução desse texto da seguinte forma: Não tenham medo dos que matam o copo e não podem matar a alma, temam aquele que pode arruinar no inferno tanto a alma como o corpo. A ideia é de causar dano, castigo, sofrimento e não de tornar inexistente.



Conclusão
Concluímos, à luz das evidencias, de forma sucinta e objetiva, que o texto Bíblico em questão não pode ser usado como subsidio para os argumentos Aniquilacionistas. Outra coisa em questão é que ficou claro que Alma é de fato uma parte imaterial do ser humano. Fica claro que há existência e castigo além da morte físico."

Rev. Francisco Belvedere Neto

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

ELLEN WHITE, MAIS 'CALVINIANA' DO QUE EU


AS CITAÇÕES ABAIXO SÃO DO FAMIGERADO LIVRO (PORÉM, EM BOA PARTE PLAGIADO) “O GRANDE CONFLITO”. ATÉ EU QUE SOU CALVINISTA, NÃO CHEGO A TANTO EM MINHA ADMIRAÇÃO POR CALVINO:

“Deus estava ainda a preparar obreiros para ampliar a Sua causa. Em uma das escolas de Paris havia um jovem refletido, quieto, e que dava mostras de espírito robusto e penetrante, e não menos notável pela correção de vida do que pelo ardor intelectual e devoção religiosa. Seu gênio e aplicação logo o fizeram o orgulho do colégio, e tinha-se como certo que João Calvino seria um dos mais hábeis e honrados defensores da igreja.” Pag. 219 - Paragrafo 4.

“Mas um raio de luz divina penetrou até ao próprio interior das paredes do escolasticismo e superstição em que se achava Calvino encerrado. Estremeceu ao ouvir das novas doutrinas, nada duvidando de que os hereges merecessem o fogo a que eram entregues. Contudo, sem disso se dar conta, foi posto face a face com a heresia, e obrigado a submeter à prova o poder da teologia romana no combate ao ensino protestante.” Pag. 220 - Paragrafo 1.

“Calmamente deu Calvino início à sua obra, e suas palavras foram como o orvalho que caía para refrigerar a terra. Deixara Paris, e então se encontrava numa cidade provinciana sob a proteção da princesa Margarida, que, amando o evangelho, estendia seu amparo aos discípulos do mesmo. Calvino era ainda jovem, de porte gentil e despretensioso.” Pag. 221 - Paragrafo 5.

“Calvino, se bem que fosse hábil lutador nos campos da controvérsia religiosa, tinha a cumprir uma missão mais elevada do que a daqueles teólogos ruidosos. O espírito dos homens estava agitado, e esse era o tempo para lhes desvendar a verdade. Enquanto os salões da Universidade ecoavam do rumor das discussões teológicas, Calvino prosseguia de casa em casa, abrindo a Escritura ao povo, falando-lhes de Cristo, o Crucificado.” Pag. 222 - Paragrafo 2

“Calvino ainda estava em Paris, preparando-se pelo estudo, meditação e oração, para os seus futuros labores, e continuando a disseminar a luz. Pag. 223 - Paragrafo 3.

“Pessoas de todas as classes ouviam alegremente o evangelho. Não havia pregação pública, mas na casa do magistrado principal, em seus próprios cômodos, e algumas vezes num jardim público, Calvino desvendava as palavras de vida eterna aos que as desejavam ouvir. Depois de algum tempo, aumentando o número dos ouvintes, foi considerado mais seguro reunirem-se fora da cidade. Uma caverna ao lado de uma garganta profunda e estreita, onde árvores e pedras salientes tornavam a reclusão ainda mais completa, fora escolhida como o local para as reuniões. Pequenos grupos, que deixavam a cidade por estradas diferentes, dirigiam-se para ali. Neste ponto isolado, a Escritura era lida e explicada. Ali, pela primeira vez, foi pelos protestantes da França celebrada a Ceia do Senhor. Dessa pequena igreja foram enviados vários fiéis evangelistas.” Pag. 224 - Paragrafo 2.

“Farel confiava em que houvesse encontrado em Calvino a pessoa que o pudesse assistir naquela obra. Em nome de Deus conjurou solenemente o jovem evangelista a que ficasse e ali trabalhasse.” Pag. 233 - Paragrafo 4.

“Durante quase trinta anos, Calvino trabalhou em Genebra, primeiramente para estabelecer ali uma igreja que aderisse à moralidade da Bíblia, e depois em prol do avançamento da Reforma pela Europa toda. Sua conduta como dirigente público não era irrepreensível, tampouco eram suas doutrinas destituídas de erro. Mas foi instrumento na promulgação de verdades que eram de importância especial em seu tempo, na manutenção de princípios do protestantismo contra a maré do papado que rapidamente refluía, e na promoção da simplicidade e pureza de vida nas igrejas reformadas, em lugar do orgulho e corrupção favorecidos pelo ensino romanista.” Pag. 236 - Paragrafo 2.

De Genebra saíram publicações e ensinadores para disseminar as doutrinas reformadas. Daquele ponto os perseguidos de todos os países esperavam instrução, conselho e animação. A cidade de Calvino tornou-se um refúgio para os perseguidos reformadores de toda a Europa Ocidental. Fugindo das terríveis tempestades que duraram séculos, chegavam os foragidos às portas de Genebra. Famintos, feridos, despojados de lar e parentes, eram afetuosamente recebidos e tratados com ternura; e encontrando ali um lar, por meio de sua habilidade, saber e piedade abençoavam a cidade de sua adoção. Muitos que ali buscaram refúgio voltaram a seu próprio país para resistir à tirania de Roma. João Knox, o bravo reformador escocês, não poucos dos puritanos ingleses, protestantes da Holanda e da Espanha, e os huguenotes da França, levaram de Genebra a tocha da verdade para iluminar as trevas de seu país natal.” Pag. 236 - Paragrafo 3.

Calvino manda aos cristãos "não hesitarem, desejando ardentemente o dia da vinda de Cristo como o mais auspicioso de todos os acontecimentos"; e declara que "a família inteira dos fiéis conservará em vista aquele dia". "Devemos ter fome de Cristo, devemos buscá-Lo, contemplá-Lo", diz ele "até à aurora daquele grande dia, em que o nosso Senhor amplamente manifestará a glória do Seu Reino." Pag. 303 - Paragrafo 3.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

‘O reverendo Nicodemus precisa se informar melhor...’ - Leandro Quadros?


Eu já estou acostumado com a apologética adventista de duas vias – todo crítico adventista, que os classificam como seita, ou é 1. desinformado, ou é 2. desonesto. Quem mais tem popularizado essa defesa entre os adventistas é o apresentador da TV Novo Tempo, Leandro Quadros. Infelizmente, podemos dizer que nem toda crítica é livre de erros da natureza indicada por ele, afinal ninguém domina um assunto plenamente, porém, Leandro Quadros já popularizou isso de forma tal, que quando ele começa dizer “se o fulano tivesse lido tal e tal coisa” soa como que uma solução irrefutável para os seus fãs contra os críticos adventistas.

Sabemos que o reverendo Nicodemus deu uma aula sobre a o adventismo em uma igreja que pastoreava, ele apontou que o adventismo crê que Jesus tinha uma natureza pecaminosa – com base em uma afirmação em uma obra adventista, intitulada Estudos Bíblicos. Como lhe é peculiar, Leandro Quadros assumiu a defesa da IASD diante de Nicodemus em um vídeo (AQUI) em que seleciona informações desse debate, que não é unanimidade no arraial adventista, e dá a entender que tal afirmação do Dr. Nicodemus, foi parcial e sem base em uma pesquisa profunda. 

Daí, Quadros diz que Ellen White, não ensinava isso. Claro, isso é significativo, já que essa autora é considerada profetisa, inspirada, nos burgos adventistas. No entanto, será mesmo que Ellen White não ensinava que Jesus tinha uma natureza pecaminosa? Será que não estamos diante do fato que o Pr Natanael alertava, que 'o adventismo fala com os dois lados da boca'?

Vejamos se respeitado historiador adventista, George R. Knigh autor de livros adventistas e autor das notas do badalado livro adventista Questões sobre Doutrina, tem a nos dizer sobre isso. É curioso, que no vídeo que Quadros diz que Nicodemus selecionou informações limitadas, mas ele próprio fez o mesmo que os autores de Questões, na entrevista que deram ao evangélico W. Martin, fizeram. Omitiram deliberadamente algumas afirmações de Ellen White sobre o tema:

“A desconfiança de que os delegados adventistas podem ter ocultado a verdade da posição tradicional adventista é aparentemente confirmada na seção do apêndice do livro Questões Sobre Doutrina sobre "A Natureza de Cristo Durante a Encarnação". No apêndice das citações de Ellen White, os autores do livro acrescentam um título afirmando que Cristo "Assumiu a Natureza Humana Sem Pecado". Esse título é problemático, pois implica que essa era a ideia de Ellen White, quando de fato ela foi bem enfática em declarar repetidamente que Cristo tomou a "nossa natureza pecaminosa" e que "tomou sobre Si a natureza humana caída e sofredora, degradada e contaminada pelo pecado".12 (Ver as anotações históricas ampliadas sobre esse tópico nas páginas 437-445 do livro impresso [Apêndice B, III], 277, 278 [Cap. 33, IX].)”
“Dessa maneira, de acordo com Ellen White, na encarnação Cristo de fato, em vez de vicariamente, tomou sobre Si a "nossa natureza pecaminosa" (Review and Herald, 15 de dezembro de 1896, p. 789).”
“Vestido com as roupagens da humanidade, o Filho de Deus desceu ao nível daqueles a quem desejou salvar. NEle não havia engano ou pecaminosidade; Ele foi sempre puro e incontaminado; embora tenha tomado sobre Si a nossa natureza pecaminosa" (Review and Herald. 15 de dezembro de 1896, p. 789).”
“Pensemos na humilhação de Cristo. Ele tomou sobre Si a natureza humana caída, sofredora, degradada e contaminada pelo pecado. Ele tomou as nossas dores, carregando as nossas aflições e humilhações. Suportou todas as tentações com as quais o homem é assediado. Uniu a Sua humanidade com a divindade: um espírito divino habitou em um templo de carne. Uniu-Se com o templo. 'O verbo Se fez carne e habitou entre nós', porque ao assim fazer poderia associar-Se com os pecaminosos e aflitos filhos e filhas de Adão" (The Youth's lnstructor, 20 de dezembro de 1900, p. 394).”
“O título número III tem sido visto como problemático porque implica que Ellen White acreditava que Cristo "tomou a natureza humana sem pecado", quando de fato ela reivindicava o oposto. Por exemplo, em 1896 ela escreveu que Cristo "tomou sobre Si a nossa natureza pecaminosa" (Review and Herald, 15 de dezembro de 1896, p. 789). Novamente em 1900, ela registrou que "Ele tomou sobre Si a natureza humana caída, sofredora, degradada e corrompida pelo pecado" (The Youths histructor, 20 de dezembro de 1900. p. 394). Essas citações, como se poderia esperar, foram deixadas de fora da compilação em Questões Sobre Doutrina. Assim, o livro não apenas supriu um título equivocado, mas também negligenciou a apresentação da evidência que teria contestado aquele título. O resultado foi que o livro Questões Sobre Doutrina vem sendo difamado por muitos adventistas e provavelmente tem feito mais para criar divisão teológica na Igreja Adventista do que qualquer outro documento, nos seus mais de 150 anos de história.”
“Dessa maneira, eles estavam usando ambas as definições de natureza humana sem pecado. Com essa compreensão em mente, o título da página 437 (do livro impresso) [III. Assumiu a Natureza Humana Sem Pecado] e a não inclusão das declarações de Ellen White reivindicando que Cristo possuía uma natureza pecaminosa foram menos que honestos e transparentes.”
“Não é totalmente surpreendente que os autores de Questões Sobre Doutrina procurassem evitar aquelas declarações de Ellen White reivindicando que Cristo possuía uma natureza humana pecaminosa e também deixar a impressão de que ela sustentava que Ele tinha uma natureza humana sem pecado.”
“Como resultado, ao que parece, os autores de Questões Sobre Doutrina foram tentados a evitar algumas das fortes declarações de Ellen White em sua compilação e prover títulos equivocados. O resultado foi paz com os evangélicos, mas problemas dentro do acampamento adventista.”
Primeira, contrário às claras declarações de Ellen White sobre o assunto, adicionaram um título inferindo que ela cria que Cristo "tomou a natureza humana sem pecado".  Segunda, providenciaram uma visão unilateral de Ellen White sobre o tópico da natureza humana de Cristo ao apresentar em Questões Sobre Doutrina a evidência mais forte que puderam de que Cristo não era semelhante aos outros seres humanos, enquanto negligenciaram aquelas declarações nas quais Ellen White inferia ou reivindicava que Ele possuía uma natureza humana pecaminosa.”
Terceira, deliberadamente levaram Barnhouse e Martin a crer que a posição dos autores do livro Questões Sobre Doutrina acerca da natureza humana de Cristo tinha sido sempre sustentada pela denominação, "a despeito do fato de que alguns dos seus escritores ocasionalmente têm impresso material com pontos de vista contrários, inteiramente repulsivos à igreja de maneira geral".  É nesse contexto que os autores do livro se referiram àqueles que sustentavam a posição antiga como "extremidade lunática" e como sendo "pessoas irresponsáveis de visão extravagante" (Eternity, setembro de 1956, p. 6; ver nota 11 da Introdução Histórica e Teológica). Da perspectiva dos autores de Questões Sobre Doutrina, o principal entre os que compunham a "extremidade lunática" aparentemente não era outro senão M. L. Andreasen, o mais preeminente teólogo da denominação no final dos anos de 1930 e durante a década de 1940, mas agora relegado a segundo plano.”
“Andreasen não deixou escapar o fato de que LeRoy Froom e os seus associados no diálogo com os evangélicos não haviam contado a verdade acerca do ensino de longa data da denominação sobre a natureza humana de Cristo...”
“Para Andreasen, a mudança sobre a natureza humana de Cristo não foi nada mais do que uma traição a fim de ganhar o reconhecimento dos evangélicos. Infelizmente, parece haver elementos de uma traição na manipulação de dados e nas inverdades que foram transmitidas a Barnhouse e Martin sobre o tópico. Froom e seus associados estavam corretos em sentir, a partir do material que tinham sobre o tópico da natureza humana de Cristo, que a interpretação básica da denominação sobre o assunto precisava ser mudada, mas eles, ao que parece, não viram como poderiam ser completamente abertos com todas as declarações de Ellen White e ao mesmo tempo ganhar a aceitação dos evangélicos sobre esse ponto crucial de diferença. Como resultado, algumas fortes citações de Ellen White afirmando claramente que Cristo possuía uma natureza humana pecaminosa foram deixadas fora da compilação sobre o tópico no Apêndice do livro Questões Sobre Doutrina, enquanto um título equivocado implicando que Ellen White sustentava que Cristo tinha uma natureza humana sem pecado foi suprido.”
Se dizer que Jesus tinha uma natureza pecaminosa é uma heresia, e é, como afirma enfaticamente Leandro Quadros, então Ellen White a ensinou. Mas, como para tudo se dá um jeito, a tentativa de se justificar tais declarações é; versando que as afirmações de Ellen White devem ser entendidas como sendo uma natureza degradada pelo pecado, mas não a presença do mal moral na natureza de Jesus. 

Essa explicação não é obtida da pena de Ellen White, mas no cruzamento de afirmações dela a respeito da impecabilidade de Jesus, e de quem ela geralmente plagiava que fazia uma certa distinção.

“Poirier enfatiza que o sermão de Melvill intitulado "The Humiliation of the Man Christ" é especialmente útil em capacitar-nos para compreender e reconciliar o aparente conflito nas declarações de Ellen White sobre a humanidade de Cristo. De acordo com Melvill, a queda teve duas consequências básicas: (1) "debilidades inocentes" e (2) "propensões pecaminosas". Por "debilidades inocentes", Poirier escreve, "Melvill quer dizer coisas como fome, dor, fraqueza, tristeza, morte. 'Há consequências da culpa que são perfeitamente inocentes. O pecado introduziu a dor, mas a própria dor não é pecado.' Por 'propensões pecaminosas', [...] Melvill se refere à inclinação ou 'tendência' para pecar. Em seu sumário da discussão, Melvill argumenta que, antes da queda, Adão não possuía 'debilidades inocentes' nem 'propensões pecaminosas', que nascemos com ambas e que Cristo tomou as primeiras mas não as segundas" (Ministry, dezembro de 1989, p. 7, 8).”
Porém, a explicação de G. Knigh não logra êxito, e é flagrantemente falha, pois a tal distinção entre degradação do estado físico resultado da presença do pecado na natureza humana, já estava incluído nas afirmações de Ellen White, e acrescentava a natureza pecaminosa. O fato é que, a compreensão que julgo correta é que Ellen White ensinou sim que Jesus tinha natureza pecaminosa – no sentido comum dos termos, mas não tinha tendências pecaminosas, muito menos pecou.

Mas, o ponto aqui não é avaliar esse assunto em si, mas a forma que Leandro se comporta ao defender o adventismo. Concordo com o incansável apologista João Flávio do CACP, em um vídeo tratando do assunto (AQUI), - se a IASD dissesse, ‘olha erramos’, essa expressão não é feliz, Ellen White deveria usar outra expressão, ela errou, etc’ assunto encerrado. Mas não, como sempre precisam manter a imagem de que Ellen White jamais errou em matéria de doutrina, daí precisam ficar fazendo esses remendos.

Embora o rev. Nicodemus não expandiu a pesquisa – nem era o momento e ambiente para uma longa e exaustiva explanação, mas se ele o fizesse, teria muito mais combustível para queimar tal assunto nessa floresta de heresias que são os escritos de Ellen White. Tal como o caso do Bode Azazel, é Ellen White que é culpada, não os críticos com suas legítimas conclusões, em sua cadeia de sistemas doutrinárias.

Encerro aqui com um recado a Leandro Quadros, mais uma vez. Você diz que os críticos devem ler livros como o Questões sobre Doutrina, e curiosamente você não recomendou esse livro ao Nicodemus, não é? Para ser mais informado! Mas como seremos bem informados com tal livro sendo que o que norteou boa parte foi a dissimulação dos autores adventistas – [mais] desonestos e desinformados?

“Naturalmente, Questões Sobre Doutrina não está livre de erros. Os autores às vezes forçam um pouco mais os fatos em tais questões como a compreensão histórica do adventismo em relação à Trindade, e mesmo apresentam seus dados de maneira a criar uma falsa impressão sobre a natureza humana de Cristo. Mas, tendo em vista o desejo de agradar e a importância das respostas, o livro todo é uma declaração notavelmente corajosa da compreensão doutrinária tradicional adventista.”

Você apenas aproveitou-se dos emaranhados históricos que a seita possui – afinal, negavam a trindade, a divindade de Cristo – dizer que Jesus tinha natureza pecaminosa, não era um grande problema na época, e nessa celeuma apontou pontos que são compensadores ao peso final do produto. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

POR QUE CREIO QUE A IGREJA ADVENTISTA É UMA SEITA?


1º Razão: A teologia atual Adventista nega a inerrância bíblica. Apesar de encontrar evidência nos escritos de Ellen White que ela cria na inerrância bíblica, é por causa dela (já que eles creem que ela foi inspirada, mas há inegavelmente erros no que ela escreveu) que a erudição adventista nega a inerrância bíblia, ficando junto com os teólogos liberais neste assunto.

2º Razão: A teologia Adventista inclui em seu sistema doutrinário a crença em Ellen White. Nenhuma denominação cristã de tradição protestante incluiu uma crença mística em seu fundador ou reformador (consulte a confissão de fé das Igrejas Históricas). Curioso que para ser Católico é preciso crer no Papa, para ser Testemunhas de Jeová é preciso crer no ‘Escravo Fiel’, para ser Mórmon é preciso crer em Joseph Smith, para ser do Tabernáculo da Fé é preciso crer em W. M. Branham. Para ser adventista, precisa crer no ministério profético de Ellen White. Uma maneira comum de definir uma seita é: um grupo que segue um líder humano.

3º Razão: A teologia Adventista enfraquece a suficiência da Escritura. Esse erro decorre do anterior. Os escritos de Ellen White está presente na vida espiritual do adventista, são oficialmente confessados como constante fonte de orientação para a igreja remanescente.

4º Razão: A teologia Adventista afirma que apenas a denominação Adventista é a Igreja Remanescente (isto é, a verdadeira Igreja!). Se a sua Igreja guardar o sábado, não significa que está certa. Segunda a seita adventista a Igreja Remanescente precisa de um sistema de crenças que inclua Ellen White, a reforma de saúde, que negue o tormento eterno, ensine a entrada de Jesus no santíssimo celestial em 1844, etc.

5º Razão: A teologia Adventista associa a salvação escatológica à guarda do sábado. Na prática, todo adventista sente que está salvo por causa do sábado, visto que a seita ensina que este é o selo de Deus. Mas oficialmente, dizem que no tempo da angustia final, na grande tribulação, esse será a marca da salvação.

6º Razão: A teologia Adventista considera o Domingo como marca da besta. O cristianismo, desde os seus primórdios, antes de cair na apostasia romana, guardava o sábado cristão, isto é, O Domingo, como celebração da ressurreição do Senhor, em lugar do sábado judaico. Na atualidade o espírito adventista odeia o que cremos a respeito do dia de domingo e vê a crença como diabólica. Consideram assim, toda a herança cristã com erro demoníaco. Apesar de crerem que exista inocentes entre os ‘dominguistas’.

7º Razão: A teologia Adventista mistura a expiação de Cristo com a punição de Satanás. Esse erro de interpretação só terá influência quando, e até mesmo o mais coerente adventista dificilmente irá pensar logicamente aqui, desejar a punição de satanás para que seus pecados sejam finalmente expiados. O adventista coerente sabe que a expiação só estará completa quando o diabo for punido! Eles não confessam que o diabo seja um co-redentor, mas confessam que o diabo sofrerá pelos pecados dos que foram justificados em Cristo.

8º Razão: A teologia Adventista atribui a restauração da verdade aos pioneiros, mesmo esses sendo antitrinitários. Como uma igreja que sabe que a doutrina da trindade é necessária para a existência do cristianismo, pode ver em heréticos antitrinitários o Espírito de Deus? Chama-os de ‘pais na fé’, aqueles que eram filhos das trevas.

9º Razão: A teologia Adventista diz que a principal verdade deles, e de Ellen White, é a doutrina de 1844. Segundo os adventistas, Jesus ficou no céu esperando desde sua ascensão até 22 de outubro de 1844 para entrar no santíssimo celestial e dar continuidade ao que iniciou na Cruz. Isto está em confronto direto com as afirmações da carta inspirada aos Hebreus.

10º Razão: A Teologia Adventista diz que a doutrina da Trindade Clássica não é a doutrina verdadeira. Segundo a erudição adventista, quem restaurou a doutrina correta da trindade foi Ellen White. Embora seja fato tenha sido dois teólogos nas décadas de 70 e 80, tenham sido os reais articuladores. Dizem que todas as tradições cristãs estão erradas na concepção trinitária.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

HERESIAS E DOUTRINAS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ


1. Deus não é onipresente – ele não está em todo lugar.
2. A onisciência de Deus é seletiva – ele não sabe de todas as coisas.
3. Deus possui um copo espiritual que ocupa um lugar fixo no universo.
4. Deus deve ser tratado com o nome Jeová.
5. Jesus Cristo é o Arcanjo Miguel.
6. Jesus Cristo não é Deus.
7. Jesus Cristo morreu em uma estaca.
8. Jesus Cristo ressuscitou em espirito. Seu corpo desapareceu.
9. Jesus Cristo reina no reino celestial desde 01/10/1914.
10. Jesus Cristo não voltará visivelmente.
11. Jesus é Mediador apenas dos 144 mil.
12. O Espírito Santo não é uma pessoa.
13. O Espírito Santo é a força de Jeová em atividade.
14. O Espírito Santo não é Deus.
15. O Espírito Santo só gera para vida celestial os 144 mil.
16. A doutrina da trindade é pagã e não bíblica.
17. A Bíblia é exata apenas nas versões que a liderança das TJs traduzem.
18. Todas as demais traduções estão corrompidas.
19. Sem o Corpo Governante ninguém pode entender a Bíblia.
20. Todas as religiões são Babilônia, serão destruídas por Jeová no Armagedom, exceto as Testemunhas de Jeová.
21. Jesus Cristo escolheu a religião da Torre de Vigia em 1919.
22. A liderança TJ já especulou acontecimentos proféticos para vários períodos, todos sem sucesso: 1874, 1878, 1881, 1914, 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975, Geração que nasceu em 1914, século XX, Os que foram ungidos até 1935 veriam o fim do mundo.
23. A liderança TJ já proibiu: vacinas, transplantes de órgãos, casamento, frações de sangue, serviço militar alternativo, proibições posteriormente abandonadas.
24. As Testemunhas de Jeová são proibidas desde 1961 de receber ou doar sangue, embora já antes diziam que era errado a transfusão.
25. A salvação vem de Jeová por seguir os ensinos do Corpo Governante – por isso são muito dedicados no trabalho e nas regras morais.
26. Testemunha de Jeová é proibida de comemorar aniversário, natal, ano novo, não serve o exército, não vota, não comemora nenhuma data (pais, mães, crianças).
27. As Testemunhas de Jeová pregam de casa em casa para cumprir uma quantidade de horas, visitas e estudos, e desta forma ser considerada espiritualmente exemplar.
28. Qualquer pessoa que sai ou é expulsa da religião TJ não é nem cumprimentada.
29. O grupo dos salvos estão divididos em duas classes: a classe celeste e a terrestre.
30. No céu só irão 144 mil, que reinarão com Cristo durante o milênio.
31. Apenas os 144 mil são filhos espirituais de Jeová, os demais salvos serão amigos.
32. Na terra, os que não fazem parte dos 144 mil, serão salvos apenas depois do milênio.
33. No paraíso na terra a vida será eterna, mas não imortal. Todos que viverem na terra poderão cair novamente em pecado e serem subitamente destruídos.
34. Os patriarcas da fé, e todos os servos de Deus de Abel até João Batista, viverão no paraíso na terra.
35. No paraíso na terra vão se casar e ter filhos, até encher a terra.
36. O diabo, os demônios e os ímpios serão destruídos para sempre.
37. O tormento eterno não existe e nem existirá.
38. A alma é mortal. É a pessoa, e deixa de existir na morte.
39. O espírito é o fôlego, ou a força de vida.
40. A ressurreição dos 144 mil começou em 1918 e vai até o Armagedom.
41. A ressurreição terrestre se dará durante o milênio, de todos que não tiveram oportunidade ou não entenderam a mensagem do Corpo Governante.
42. A ressurreição será recriação da mesma pessoa com a mesma memória.
43. Durante o milênio as Testemunhas que passaram com vida no Armagedom vai ensinar as novas doutrinas aos ressuscitados.
44. Os ímpios (ex. Judas, ou quem saiu da religião TJ) não serão ressuscitados.

*45. Apenas os que pertencem os 144 mil participam da Santa Ceia. Os demais são observadores respeitosos.
*46. No batismo não usam nenhuma fórmula Bíblica - nem em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nem em nome Jesus. Nada é dito, o candidato é apenas imergido..

sábado, 7 de dezembro de 2019

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ – A RESSURREIÇÃO CELESTIAL COMEÇOU EM 1918


A LIDERANÇA das Testemunhas de Jeová, o Corpo Governante, ensina que haverá duas classes no grupo dos salvos – os 144 mil que reinarão com Cristo no céu, e a grande multidão, e outros, que viverão no paraíso na terra. Acontece que os integrantes da primeira classe mencionada, os Ungidos, 144 mil, já estão sendo ressuscitados!

Segundo a especulação da Torre – ora mais firme, ora menos firme, dependia muito do período de quem era o mandante do Corpo Governante – essa ressurreição em andamento iniciou-se em 1918. Sim, 1918 – e mais curioso ainda é que o Corpo Governante diz que esses que foram ressuscitados orientam o entendimento doutrinário da Torre de Vigia hoje em dia. Em breve demonstraremos isso. Por enquanto, veja algumas declarações sobre a ressurreição que ocorre desde 1918!

“Visto que Jesus foi entronizado por volta do início de outubro de 1914, será que poderíamos concluir que a ressurreição dos seus fiéis seguidores ungidos começou três anos e meio depois disso, em meados do primeiro semestre de 1918? 
Essa é uma possibilidade interessante. Embora isso não possa ser confirmado diretamente na Bíblia, está em harmonia com outros textos bíblicos que indicam que a primeira ressurreição teve início pouco depois que começou a presença de Cristo.(w07 1/1 pp. 25-30 - A Sentinela — 2007).

“Três anos e meio depois, ou em 1918, seria o tempo para ele vir ao templo espiritual de Deus. ... Portanto, em harmonia com o quadro de há 1.900 anos, decorreu apenas pouco tempo depois da purificação do templo em 1918 até que se deu a ressurreição celestial dos cristãos ungidos que dormiam na morte, invisível aos olhos humanos.” (w61 1/1 pp. 8-11 - A Sentinela — 1961).

“Todos êstes participam com Jesus na primeira ressurreição, sendo que êle foi o primeiro a tê-la. ... O cumprimento da profecia bíblica indica que a ressurreição dêstes membros do corpo de Cristo começou quando êle veio à sua casa para julgamento, em 1918.” (w59 1/11 pp. 661-664 - A Sentinela — 1959).

“Sua promessa de ressurreição nos deve incitar a maior atividade agora. ... O tempo se aproxima a passos firmes em que será uma realidade, não só para os membros dos 144.000, ressuscitados desde 1918, mas para os que viverão na terra.” (w55 1/2 pp. 23-27 - A Sentinela — 1955).

“O que indicam as Escrituras que tem acontecido desde 1918? (b) O que revelam Paulo e João sobre os do restante ungido hoje em dia? Outro espantoso acontecimento durante a presença de Cristo é o início da ressurreição celestial. ... Tem-se apresentado evidência, no decorrer dos anos, que isso parece ter acontecido a partir de 1918.” (w93 1/5 pp. 10-15 - A Sentinela — 1993).

“No caso dos ungidos ‘adormecidos na morte’, esta convocação feita como que a toque de trombetas exige a ressurreição espiritual deles, para sua entrada no céu. ... A Sentinela já há muito apresentou o conceito de que esta ressurreição de cristãos ungidos começou no ano de 1918.” (w86 1/10 pp. 10-14 - A Sentinela — 1986).

“Segundo as Escrituras, quando devia ocorrer a “primeira ressurreição”? (b) Explique o significado de 1 Tessalonicenses 4:14-17 e de 1 Coríntios 15:51, 52. As Escrituras ligam essa “primeira ressurreição” com a “presença [grego, parousía]” de Cristo. (1 Coríntios 15:23) ... O apóstolo Paulo escreveu: “O próprio Senhor descera do céu com uma chamada dominante, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, e os que estão mortos em união com Cristo [desde o primeiro século até a vinda de Cristo ao templo espiritual em 1918] se levantarão primeiro.” (w82 1/10 pp. 20-25 - A Sentinela — 1982).

“Quando começou a ressurreição deles? (b) Como é que Revelação 20:4-6 representa a ressurreição deles? Segundo indicações da Bíblia sua ressurreição começou no ano 1918 E. C., ou três anos e meio depois de Jesus Cristo ser entronizado e coroado qual Rei celeste, para começar a dominar no meio de seus inimigos. (Sal. 110:1, 2; Heb. 10:12, 13; Rev. 14:13)”. (w65 1/9 pp. 517-523 - A Sentinela — 1965).

“Era a vontade de Deus que o despertamento do restante na terra seguisse a ressurreição celestial dos ungidos, em 1918, que tinham morrido antes daquele tempo. (Apo. 11:18).” (w61 15/1 pp. 54-61 - A Sentinela — 1961).

“Quando começou o ano de 1918, aumentaram as expectativas entre os irmãos. ... As profecias sugeriam que ele marcaria o início da “primeira ressurreição” e de a classe da noiva de Cristo ser levada para o céu. (Rev. 20:5, 6).” (yb91 pp. 116-185 - Anuário — 1991)
“Em que sentido é que os ungidos ressuscitados ‘descansam mais um pouco’, e até quando? Toda a evidência indica que essa ressurreição celestial começou em 1918, após a entronização de Jesus, em 1914, e ele sair cavalgando para iniciar sua vitória como rei por eliminar dos céus a Satanás e seus demônios.” (re cap. 17 pp. 100-104 - Clímax de Revelação (re))

“À base de paralelos bíblicos, tais como a purificação do templo por Jesus, três anos e meio depois de ter sido ungido Rei, há razão para se crer que Jesus, três anos e meio depois de ter sido empossado como Rei, ou em 1918, voltou no céu a sua atenção para o julgamento dos seus seguidores fiéis, que compõem o templo espiritual. ... Naquele tempo ele recompensou os que dormiam na morte com a ressurreição à glória celestial.” (w70 15/2 pp. 97-102 - A Sentinela — 1970).

“Aqueles que morreram antes do estabelecimento do Reino, foram ressuscitados na ocasião da vinda de Jeová ao templo junto com seu mensageiro do pacto, em 1918. ... Juntam-se a ele por meio de uma ressurreição, sem demora. — 1 Tes. 4:15, 16; 1 Cor. 15:51-54.” (w68 15/1 pp. 60-64 - A Sentinela — 1968).

“Desde o estabelecimento do reino celestial em 1914, e desde a vinda de Jeová e de seu Mensageiro do pacto, Jesus Cristo, ao templo espiritual em 1918, foram ressuscitados os apóstolos mortos e outros cristãos gerados do espírito, que faleceram fieis antes destes eventos. ... Nesta ressurreição foram revestidos de imortalidade e incorrução.” (w59 15/8 pp. 492-501 - A Sentinela — 1959).

“Quando se deu a ressurreição dos membros do corpo de Cristo? (b) Que se pode dizer dos que hoje ainda estão na terra? O tempo da ressurreição dêles é mostrado nestas palavras: “No Cristo todos serão vivificados. ... Desde 1918 tem voltado sua atenção a êstes membros do corpo, e os que estiveram mortos êle levantou.” (w55 1/2 pp. 19-22 - A Sentinela — 1955).





segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O Que as Testemunhas de Jeová Não Querem Que Saibamos Acerca de Beth-Sarim


 "Em 1926, sob a liderança de Joseph F. Rutherford, a Watch Tower Bible & Tract Society comprou dois lotes de terreno: o lote Cento e Dez (110) e o lote Cento e Onze (111), em Kensington Heights, unidade n.º 2, no Condado de San Diego, Estado da Califórnia.

Isto em si mesmo não parece estranho. O que é estranho é a razão porque estes lotes foram comprados. Os dois lotes foram comprados para construir uma mansão, mas não era uma mansão qualquer, era uma mansão chamada Beth-Sarim (expressão hebraica que significa "Casa dos Príncipes").

Então qual era o propósito que motivou a construção de Beth-Sarim? Rutherford e todos os que o seguiam acreditavam numa profecia da Watchtower que dizia que em 1925 todos os homens mencionados no livro bíblico de Hebreus, capítulo 11, seriam ressuscitados:

"Podemos esperar confiantemente que 1925 assinalará o regresso de Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas da antiguidade, em especial aqueles mencionados pelo Apóstolo em Hebreus capítulo onze, à condição de perfeição humana." (Millions Now Living Will Never Die [Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão] (1920), pp.88-90)

A Watchtower [Sentinela] declarou em 1922 que "esta cronologia não é do homem, mas de Deus." (The Watchtower [A Sentinela], 17 de Julho de 1922, p.217)

Portanto, se foi Deus quem a pronunciou, essa profecia deveria ser capaz de passar no teste de um verdadeiro profeta, apresentado em Deuteronómio 18:21, 22, que diz:

E se disserdes no vosso coração: como saberemos a palavra que o Senhor falou? Quando um profeta falar em nome do Senhor, se a coisa [predita] não acontecer, nem se verificar, essa é a coisa que o senhor não falou, mas o profeta falou-a presunçosamente: não deveis ter medo dele.

Quando a profecia não se cumpriu, em 1925, a Watchtower admitiu: "Pode não acontecer. No seu devido tempo Deus cumprirá os seus propósitos a respeito do seu próprio povo." (The Watchtower [A Sentinela], 1.º de Janeiro de 1925, p.3)



Beth-Sarim

Assim, em 1930 a Watchtower construiu Beth-Sarim como um testemunho da fé que eles tinham de que Deus cumpriria essa profecia e como um lugar para os homens mencionados em Hebreus capítulo 11 poderem governar o Reino Teocrático de Deus desde o Armagedom em diante. O "Juiz" Rutherford convenientemente incluiu o nome dos príncipes no nome que deu à casa ["Beth-Sarim" significa "Casa dos Príncipes" em hebreu] e na escritura pública de Beth-Sarim de modo que ele e os seus assistentes pudessem viver na mansão palacial até à sua morte ou até ao regresso dos homens mencionados no livro bíblico de Hebreus. Quando estes voltassem, era suposto que a propriedade lhes seria entregue pelo resto da eternidade, para que eles vivessem nela e governassem com uma presença visível no Paraíso.

No título e escritura da propriedade, com a data de 24 de Maio de 1926, é dito o seguinte:

"A condição aqui expressa é que a acima mencionada WATCHTOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY conservará o título mencionado, PERPETUAMENTE, para uso de todo e qualquer dos homens acima mencionados como representantes do Reino de Deus na terra." [ênfase acrescentada]

Noutra parte do título, diz-se:

"Esta propriedade foi adquirida e foram feitos nela melhoramentos a pedido e sob a direcção do acima mencionado Joseph F. Rutherford e foi dedicada a Jeová Deus e ao Seu Rei Cristo, que é o governante legítimo da terra, e para o propósito expresso de ser usada por aqueles que são servos de Jeová Deus. Por esta razão, é feita a provisão nesta escritura de que a propriedade será usada PARA SEMPRE no propósito sujeito a qualquer incumbência que possa ser colocada sobre ela." [ênfase acrescentada]

Portanto, segundo as declarações acima, que constam no título e escritura da propriedade, a Watchtower Bible and Tract Society ainda devia ter em seu poder hoje o Lote 110 e o Lote 111, nos quais Beth-Sarim foi construída, certo?

Joseph F. Rutherford faleceu no dia 8 de Janeiro de 1942. Pouco tempo depois, Beth-Sarim foi vendida e já não pertence à Watchtower Bible and Tract Society.

Será que acontecimentos com esta importância, relacionados com a Sociedade, podem ser esquecidos tão facilmente? Podem ser tão facilmente varridos para debaixo do tapete? Ou será que o caso foi apenas "outro erro" cometido por "homens imperfeitos"?

Parece que é assim que a Watchtower pensa. Até agora, ainda não encontrei nenhuma TJ que soubesse da existência de Beth-Sarim antes de eu a ter informado [N. do T.: isto foi provavelmente escrito antes de 1993.] A Watchtower já há muito tempo que tem sido bem sucedida em encobrir e apagar os seus "erros" embaraçosos. Não só tentou esconder os factos, mas chegou mesmo a mentir descaradamente para esconder os detalhes embaraçosos. No livro Testemunhas de Jeová -- Proclamadores do Reino de Deus (publicado em 1993), p.76, a Watchtower escreveu:

"Casa dos Príncipes"

O irmão Rutherford contraiu uma pneumonia aguda depois de ser solto em 1919 de encarceramento injusto. Após isso, ele só tinha um pulmão sadio. Nos anos 20, sob tratamento médico, ele foi a San Diego, Califórnia, e o médico instou com ele para que passasse tanto tempo quanto possível ali. Desde 1929, o irmão Rutherford passava os invernos trabalhando numa residência em San Diego que ele chamara de Bete-Sarim. A construção de Bete-Sarim foi realizada com fundos contribuídos diretamente para esse fim. A escritura, publicada na íntegra na revista "Golden Age" de 19 de março de 1930, transferia essa propriedade a J. F. Rutherford e depois à Sociedade Torre de Vigia, dos EUA.

Sobre Bete-Sarim, o livro "Salvation" ("Salvação"), publicado em 1939, explica: "As palavras hebraicas 'Bete-Sarim' significam 'Casa dos Príncipes'; e o intento de adquirir essa propriedade e edificar a casa foi para que houvesse alguma prova tangível de que existem pessoas na terra actualmente que acreditam plenamente em Deus e em Cristo Jesus e em seu reino, crendo que os fiéis da antiguidade serão brevemente ressuscitados pelo Senhor, voltarão à terra e se encarregarão dos negócios visíveis da terra."

Aqui a Watchtower explica cuidadosamente que a escritura de Beth-Sarim transferiu essa propriedade para Rutherford, o que é uma mentira. A casa foi registada em nome de Davi, Jefté e outros indivíduos do Velho Testamento -- que era suposto ressuscitarem em San Diego, Califórnia, em 1925! Mais tarde a Watchtower vendeu a mansão -- coisa que tinham dito (na escritura da propriedade) que nunca fariam, porque era suposto a casa ser "uma testemunha por toda a eternidade."

De facto, a casa tem sido uma "testemunha" -- uma testemunha da loucura da Watchtower e do seu presidente alcoólico, Rutherford.

Portanto, este artigo foi escrito como um lembrete oportuno, para as Testemunhas de Jeová que não conhecem o caso e para as pessoas que as Testemunhas tentam recrutar.

Deuteronómio 18:22 diz: "Quando um profeta falar em nome do Senhor, se o que ele disser não acontecer, nem se verificar, essa é a palavra que o Senhor não falou, mas foi o profeta que falou presunçosamente: não tenhais medo dele."

Este versículo das escrituras diz que se a profecia falhar, é algo que o Senhor NÃO falou! O texto não diz nada acerca de admitir que se cometeu um erro, nem diz nada acerca de os homens serem imperfeitos. A única coisa que diz é isto: Se a profecia não se cumpriu, então foi uma FALSA PROFECIA!"

FONTE: http://corior.blogspot.com/2006/02/o-que-as-testemunhas-de-jeov-no-querem.html