sexta-feira, 23 de agosto de 2019

OS ENOQUIANOS – TRAÇOS DE UM MOVIMENTO SECTÁRIO PELO LIVRO DE ENOQUE

O servo de Deus, Enoque, é citado em Gênesis (5.21-24), em Hebreus (11.5) e na genealogia de Jesus segundo Lucas (3.37). E uma referência a um de seus dizeres (que possui semelhança ao que parece no livro que leva seu nome) na carta de Judas no versículos 14,15. A citação desse livro é no mesmo nível de outras citações que aparecem na Bíblia (At 17.23; Tt 1.12), sem com isso significar que seja um livro canônico e que se tenha concordância geral com o conteúdo.

Daí surge um interesse frenético por esse livro entre grupos de pessoas, em especial nessa era de redes sociais virtuais, alguns jovens bem inexperientes na interpretação bíblica, história da igreja, teologia, muitos sem convivência com uma comunidade cristã madura e saudável, bem como também promovido por alguns mais especializados em questões como essas. Chamarei os fervorosos interessados nesse livro de “enoquianos”. Por que isso ocorre? Alguns traços que atraem pessoas e formam esses enoquianos, bem como o prejuízo que causa, podem ser identificados como se segue:

1. A IDEIA DE UM MISTÉRIO ESCONDIDO. Isso atrai pessoas, aquilo que é misterioso, que quase ninguém sabe, nos coloca em um pedestal privilegiado. A vontade do ser humano de descobrir aquilo que é misterioso é que sustenta muito da curiosidade das vítimas dos enoquianos.

2. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO. Em decorrência do ponto anterior, há também a ideia que o livro de Enoque foi ‘tirado da Bíblia’ pois contém coisas que ‘a igreja não quer que as pessoas saibam’. Assim, os enoquianos são enfeitiçados por um espírito de investigação sobre uma conspiração que eles descobriram, e escaparam dela.

3. OSTRACISMO. Essas pessoas com tempo passam a se isolar e viverem se alimentando sobre isso entre si mesmos. Ficam vendo e revendo as especulações dessas teorias, e cada vez mais isso torna verdade para elas, tendo uma mentalidade de seita ensimesmada.

4. PROSELITISMO. Infelizmente, os enoquianos começam uma missão de convencer pessoas dessa descoberta, e começam confrontos e argumentos em favor do mesmo ambiente que experimentam. Não é incomum que quando você fala com esses sobre a fé cristã, eles arremetem ao assunto “Livro de Enoque”.

5. EXCLUSIVISMO. Outro fator identificável é que os enoquianos começa a se sentirem à parte de outros, começam a olhar outros como enganados e eles iluminados, por uma verdade que eles possuem.

6. FORA DA CENTRALIDADE EM CRISTO. Talvez o que torna essas pessoas sob condições perigosas é que Cristo passa a ser um artigo em toda frenesi enoquiana – ‘anjos que tiveram sexo com mulheres, gigantes, etc’, passa a ser algo muito mais essencial do que a Pessoa, Natureza, Obra, Ensino e Vida de Nosso Senhor Jesus (Veja Colossenses cap 2).

7. SUSPEITA DA PROVIDÊNCIA DE DEUS NA IGREJA. Visto que os cristãos não incluíram o livro de Enoque no Cânon Bíblico, e os enoquianos dizem que deveria estar lá, logo tudo o que o Espírito Santo fez nessa área da preservação da Escritura, é colocada em xeque, e eles se unem aos Mórmons, Muçulmanos, Espíritas, Ateus, entre outros, que duvidam a confiabilidade da Bíblia.

8. ENFRAQUECIMENTO DO ESPÍRITO EVANGÉLICO. Por fim, os enoquianos deixam de celebrar a vida da igreja sob o evangelho, que é falar de Jesus Cristo, cultuar, praticar os sacramentos (batismo e santa ceia) e viver para a glória de Deus em comunidade evangélica, de forma pública, feliz e aberta.

Que Deus ilumine em Cristo, esses cristãos levados por todo vento de doutrina (Ef 4.14-16).

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

COMO SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO – SEGUNDO A ORDEM DE EF 5.18?


COMO SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO – SEGUNDO A ORDEM DE EF 5.18? Seremos cheios do Espírito à medida que Ele se derramar abundantemente em nós pelos seguintes meios:

1.      ORAÇÃO. A Bíblia fala de orar no Espírito Santo. Estar em plena e constante comunhão com Deus por meio da oração. A oração nos coloca em contato com o fluir do Espírito (Ef 6.18; Jd 20).

2.      PALAVRA. O livro santo é inspirado pelo Espírito, suas palavras estão contidas na Escritura, ela é a espada do Espírito. Para estar cheio do espírito, precisamos estar cheio de Sua Palavra (I Co 2.13; Ef 6.17; II Tm 3.15-17 II Pe 1.21).

3.      FRUTO. O fruto do Espírito é o caráter de Cristo na prática. Viver manifestando o fruto do Espírito é viver plenamente cheio dele, andando com ele, sendo influenciado por sua vontade (Gl 5.22,23).

4.      DONS. Não há como ser cheio do Espírito e não ser usado por ele. Para tanto, ele capacita seu povo com dons necessários e disponíveis por Sua vontade, para realizar a obra do Espírito (Rm 12.6-8; I Co 12.4-31).

5.      ATIVIDADES ESPIRITUAIS. Adoração solene, reuniões cristãs, serviço de culto, evangelização, estudos bíblicos, tudo que a Igreja faz como sacerdócio real, é um meios Dele se derramar (Sl 27.4; Jo 4.23,24; At 2.42; 20.7; I Co 14.26).

6.      SANTIFICAÇÃO. É necessário uma vida santa, para sermos cheios do Espírito. Seu nome exige isso, Espírito “SANTO”. Ele não encherá um templo sujo, e o processo de santificação é seu agir em cooperação para conosco, e assim tornar sua habitação em nós digna de sua presença e plenitude (I Co 6.18-20; Rm 8.12,14; Gl 5.24,25).

7.      COMUNHÃO CRISTÃ. Conviver com cristãos maduros, e também os que não são maduros, nos ensina, a comunhão espiritual aguçada é uma forma de o Espírito nos encher também (Gl 6.1-11; Hb 10.23-25).

8.      AVIVAMENTO. Por último, uma forma extraordinária de sermos preenchidos plenamente do Espírito, é quando Ele em sua Soberania responde o clamor da igreja por avivamento e se derrama ‘copiosamente’ sobre seu povo (II Cr 7.13,14; Sl 80; Is 64.1,2 Hc 3.2).

terça-feira, 30 de julho de 2019

O EVANGELHO DE JOÃO E OS MUÇULMANOS


O EVANGELHO DE JOÃO E OS MUÇULMANOS

TENHO uma tradução do Alcorão*, livro sagrado dos muçulmanos, que diz em alguns textos:

“Os anjos o chamaram, enquanto rezava no oratório, dizendo-lhe: Alah te anuncia o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Alah, será nobre, casto e um dos profetas virtuosos.” (3º Surata, 39 – [p. 40]).

“E quando os anjos disseram: Ó Maria, por certo que Alah te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Alah.” (3º Surata, 45 – [p. 41]).

“Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião e não digais de Alah senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Alah e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Alah e em Seus mensageiros e digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Alah é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Alah é mais do que suficiente Guardião.”(4º Surata, 171 – [p. 67]).

Pergunte-se, de qual trecho Bíblico o termo aplicado a Jesus – Verbo – foi retirado? Dos escritos de João! E em uma nota (320) , explicações teológicas e apologéticas Muçulmanas constam que

O Evangelho de João (seja quem for que o tenha escrito) colocou uma grande qualidade de misticismo alexandrino e gnóstico em torno da doutrina do Verbo (Logos, em grego), mas ela é explicada simplesmente aqui. [na citação acima transcrita]” (p. 497).

Ou seja, o uso do termo VERBO, que aparece no Evangelho de João (1.1,14), pode gerar algum problema para negação islâmica da Divindade de Jesus – fora outras afirmações de que Deus é seu Pai. Para tanto, o termo ‘’Verbo”, deve ser revestido de sentido diferente (anacronicamente) em séculos adiante, como diz a nota! No entanto, na tentativa de identificar o profeta Maomé, com as palavras de Jesus, diz uma outra nota (1523) , parece que o Evangelho de João, agora seria confiável e sua expressão, “parácleto” sem nenhum problema:

“"Ahmad" ou "Mohammad", o louvado, é quase a tradução da palavra grega Paracleto. No Evangelho de João 14:16, 15: 26 e 16:7, a palavra "Consolador", na versão portuguesa, refere-se a Paracleto, que significa "Intercessor", "alguém chamado em auxílio de outro, um amigo generoso"; é melhor do que "Consolador". Os nossos doutos afirmam que Paracleto é uma corruptela de Periclytos, e que no dito original de Jesus havia uma profecia sobre um Profeta, chamado Ahmad. Mesmo se lermos Paraclete, isto poderia ser aplicado ao Profeta Mohammad, que foi "uma misericórdia para a humanidade" (21ª Surata, versículo 107).” (p. 638).

Parece, que esse sentido anacrônico, posterior, ou mesmo que seja um não pretendido no contexto, dado pelos teólogos Muçulmanos, teria um espaço em outra parte do Evangelho de João:

“[Nota] 935. Eles nunca dizem nada, antes que recebam ordem de Alah, e suas orações são igualmente condicionadas. Este é, também, o ensinamento de Jesus, como está relatado no Evangelho de João (12:49-50) "Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, me deu a ordem no tocante ao que eu deveria dizer, ao que eu deveria falar. E eu sei que a Sua ordem é para a vida toda; o que quer que eu fale, portanto, é o que o Pai disse que eu falasse". Se corretamente compreendido, "Pai" tem o mesmo significado de "Rabb", - Sustentador e Velador, e não Procriador, ou Progenitor.”(p. 565).


A tentativa apologética Islã é autoexcludente! A fonte usando é o Evangelho de João, que claramente ensina que Jesus é Deus associado com o termo “Verbo”(Jo 1.1), e Filho de Deus (Jo 3.16). Verdade essa, infelizmente, rejeitada pelo Islã.

Seguramente, apontamos a Jesus Cristo, Filho de Deus Pai, conforme revelado nos Evangelhos (Mt, Mc, Lc e Jo), e predito em Moisés,  nos Profetas e nos Salmos, e explicado nas cartas apostólicas da, como sendo o Salvador, que morreu pelos pecados e pecadores, cuja autoridade deve ser reconhecida, Nosso Senhor, que convida a todos os cansados a irem a Ele, pois em amor e perdão receberá os arrependidos (Mt 11.28-30). Jesus, o único caminho, a única verdade e a única vida, sem ele, ninguém se achegará a Deus Pai (Jo 14.6).


*Versão em PDF - http://www.coran.org.ar/portuges/Indices/indicesuras.htm

sexta-feira, 7 de junho de 2019

CLIFFORD GOLDSTEIN: A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DO JUÍZO DE 1844 PARA O ADVENTISMO


“O Senhor tirou-me do pecado, da morte e da alienação e vazio de uma vida afastada de Deus, e elevou-me não apenas a um conhecimento de Jesus, mas ao adventismo, á verdade presente, ao movimento mais importante desde a Reforma Protestante”

“...nossa [Adventista] mensagem está ligada ao que aconteceu em 1844.”

“ Se a doutrina de 1844 não era bíblica, Ellen White pertencia à mesma classe de Mary Baker Eddy e Joseph Smith.”

“ Se o juízo de 1844 não era bíblico, a igreja tampouco o era.”

“ A lógica me dizia que se a data de 1844 não fosse bíblica, o adventismo não seria nada mais do que uma seita.”

“ Se alguém quisesse usar o Antigo Testamento – sem consultar o Novo – teria tanta evidência para o juízo investigativo em 1844 quanto teria para provar que Jesus de Nazaré é o Messias!”

“...minha confiança na verdade de 1844 permitiu-me vê-la [Ellen White] como um dos maiores profetas que já existiram!”

“Minha compreensão da verdade a respeito de 1844 deu-me uma nova experiência com Jesus..”

“...os ensinamentos sobre 1844 provam, além de qualquer dúvida, que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja remanescente da profecia bíblica.”

“O juízo investigativo – mais que o estado dos mortos, o sábado e a segunda vinda – estabelece a validade do adventismo.”

“Enquanto não entendermos a verdade de 1844, percebendo que os adventistas são os únicos que a ensinam...”

“...se não tiver profundo conhecimento a respeito dessa data [1844] ...então estará mal preparado para a sacudidura e o tempo de angustia.” 

“A data de 1844... não nos salva. Mas, se 1844 não for uma data bíblica, nossa mensagem é falsa: somos uma igreja falsa ensinando uma falsa mensagem, e levando as pessoas por uma caminho enganoso. Ou a data de 1844 é verdadeira e temos a verdade, ou é falsa e nós herdamos uma mentira e a temos propagado.”

“O juízo investigativo de 1844, o pilar teológico de nosso movimento...uma vez que ela [a doutrina de 1844] desapareça, imediatamente desaparece o adventismo”

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O que Ellen White disse sobre Mateus 24.36 e a previsão de 1844?

Todos sabemos que Guilherme Miller, enganado pelo diabo, desobedeceu arrogantemente ao que Jesus disse em Mt 24.36 e At 1.6,7 e marcou a volta de Jesus para as datas de março de 1843, março de 1844 e outubro de 1844, (essa última geralmente os apologistas adventistas jogam a culpa em Samuel Snow, nome esse que Ellen White jamais atribuiu a data de 22/10/1844, pelo menos até agora não achei nada...).

Então, qual explicação os mileritas davam sobre Mt 24.36? Essa que Ellen White relata em seu livro O Grande Conflito. Veja por você mesmo o tom de aprovação dada por ela para a explicação (distorção) que davam sobre o que o Senhor Jesus disse, e julgue por si mesmo se o texto não foi 'violentado' para defender o grande desapontamento adventista, provando que aquele movimento não era guiado por Deus. No fim, guarde isso - tudo pelo adventismo, nada pela verdade!

“Daquele dia e hora ninguém sabe", era o argumento mais freqüentemente aduzido pelos que rejeitavam a fé do advento. do Céu, nem o Filho, mas unicamente Meu Pai." Mat. 24:36. Uma explicação clara e harmoniosa desta passagem era apresentada pelos que aguardavam o Senhor, e o emprego errôneo que da mesma faziam seus oponentes foi claramente demonstrado. Estas palavras foram proferidas por Cristo na memorável conversação com os discípulos, no Monte das Oliveiras, depois que Ele, pela última vez, Se afastou do templo. Os discípulos haviam feito a pergunta: "Que sinal haverá de Tua vinda e do fim do mundo?" Jesus lhes deu sinais, e disse: "Quando virdes todas estas coisas, sabei que Ele está próximo às portas." Mat. 24:3 e 33. Não se deve admitir que uma declaração do Senhor destrua outra. Conquanto ninguém saiba o dia ou a hora de Sua vinda, somos instruídos quanto à sua proximidade, e isto nos é exigido saber. Demais, é-nos ensinado que desatender à advertência ou recusar saber a proximidade do advento do Salvador, ser-nos-á tão fatal como foi aos que viveram nos dias de Noé o não saber quando viria o dilúvio. E a parábola, no mesmo capítulo, põe em contraste o servo fiel com o infiel e dá a sentença ao que disse em seu coração - "O meu Senhor tarde virá". Mostra sob que luz Cristo olhará e recompensará os que encontrar vigiando e pregando Sua vinda, bem como os que a negam. "Vigiai, pois", diz Ele; "bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim." (Mat. 24:42-51.) "Se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei." Apoc. 3:3. Mostrou-se assim que as Escrituras não oferecem garantia aos homens que permanecem em ignorância com relação à proximidade da vinda de Cristo. Aqueles, porém, que unicamente desejavam uma desculpa para rejeitar a verdade, fechavam os ouvidos a esta explicação; e as palavras - "Daquele dia e hora ninguém sabe" - continuaram a ser repetidas pelos audaciosos escarnecedores e mesmo pelos professos ministros de Cristo. Ao despertarem os homens e começarem a inquirir do caminho da salvação, interpuseram-se ensinadores religiosos, entre aqueles e a verdade, procurando acalmar-lhes os temores com interpretações falsas da Palavra de Deus. Infiéis vigias uniram-se na obra do grande enganador, clamando: "Paz, Paz!" quando Deus não havia falado de paz. Muitos, tais quais os fariseus do tempo de Cristo, se recusaram a entrar no reino do Céu e embaraçavam aos que estavam entrando. O sangue dessas almas ser-lhes-á requerido.” (GC 370-372).

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A Trindade e a Marca da Besta segundo o profeta do Tabernáculo da Fé



O chamado profeta do século XX, profeta do pessoal do Tabernáculo da Fé, e admiradores particulares, escreveu algo bem bizarro sobre a doutrina da Trindade, (de tantas que escreveu) no livro sagrado dele, "As Sete Eras da Igreja". Veja:

“Com o sistema mundial de igrejas sujeito a ela, Roma estará controlando, e esta imagem (sistema de igrejas) será obediente à Roma, porque Roma controla o ouro do mundo. Desse modo, todas as pessoas têm que pertencer ao sistema mundial de igrejas ou ficar à mercê da situação porque não podem comprar nem vender sem a marca da besta na mão ou na cabeça. Esta marca na cabeça significa que terão que aceitar a doutrina do sistema mundial de igrejas a qual é o trinitarismo, etc., e a marca na mão que significa fazer a vontade da igreja mundial. Com esse grande poder esse sistemas eclesiásticos perseguirão a verdadeira noiva.” (p.341).

terça-feira, 30 de abril de 2019

As Testemunhas de Jeová e a Divindade de Cristo - Colossenses 2.9

A seita que mais milita contra a doutrina da Trindade e a Divindade de Cristo, é a religião da Torre de Vigia. É incrível como que em quase todos os textos bíblicos que eventualmente e/ou claramente, ensinam e fazem alusão a essas doutrinas, é vertida na tradução da Torre de Vigia de uma maneira que procura enfraquecer ou mesmo rejeitar as doutrinas históricas do cristianismo relativas à doutrina de Deus.

Antes da Tradução do Novo Mundo ser lançada, as Testemunhas de Jeová se viam em um constante dilema, um problema em seu trabalho. Usavam e reproduziam traduções que tinham o nome de Deus “Jeová” no VT, mas ao mesmo tempo, sofriam com o Novo Testamento, quando esse trazia textos como João 1.1; At 20.28; Rm 9.5; Fl 2.6; Cl 2.9; Hb 1.6,8, entre outros.


“As Testemunhas de Jeová reconhecem a sua dívida para com todas as muitas versões da Bíblia que ela tem usado no estudo da verdade da palavra de Deus. Entretanto, todas essas traduções, mesmo as mais recentes, têm suas falhas. Existem incoerências ou trechos insatisfatórios, que estão contaminados por tradições sectárias ou filosofias mundanas, e, portanto, não estão em plena harmonia com as verdades sagradas de que Jeová registrou em sua Palavra. (Toda Escritura, p. 324).

No fim da década de 40, resolveram começar o projeto de tradução da Bíblia, finalizando todo o trabalho no início da década de 60. Segundo um livro de história das Testemunhas de Jeová, isso resultou no crescimento numérico:

“Com que resultado? No Brasil,  acima de 11 vezes mais louvadores ativos de jeová; e, em Portugal, 22 vezes mais.” (Proclamadores d Reino, p.612 – na página 613 o livro mostra um gráfico do crescimento em outros países, tudo em decorrência do lançamento da TNM).


  • Portanto, o lançamento da TNM serviu para os propósitos proselitistas da seita, não porque a Palavra de Deus chegou às mãos das pessoas, mas porque as pessoas passaram a ler as doutrinas das Testemunhas de Jeová, na (suposta) Bíblia.

Tradução do Novo Mundo passou por algumas revisões, mas em todas elas, a tradução de textos que tratam da divindade de Cristo, permaneceram, como desde o primeiro lançamento. Vejamos o texto de Colossenses 2.9, que é o foco da postagem, em algumas revisões da TNM:

“porque é nêle que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina.” – TNM Versão de 1961.

“porque é nele que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina.” - TNM Revisão de 1986.

“porque é nele que toda a plenitude da qualidade divina mora corporalmente.” – TNM Revisão de 2013.

Qual o problema com essa tradução? Vejamos o que outras traduções nos mostram:

“porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Almeida Corrigida Fiel).

 “Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Novo Testamento, tradução oficial da CNBB).

“Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Nova Versão Internacional).

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Novo Testamento, Ed. Vozes).

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.” (Tradução Brasileira, primeira edição e edição de 2010).

 “É em Cristo, que habita em forma corporal, toda a plenitude da divindade.” (Edição Pastoral).

“porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Almeida Revisada).

“Pois somente em Cristo habita corporalmente toda plenitude de Deus.” (King James – Atualizada).

Pelo que podemos notar, a Tradução do Novo Mundo acrescenta a palavra “qualidade”, na tradução – o que não foi feito nas traduções mais respeitadas. Também, os tradutores jeovitas não colocaram a palavra “qualidade” em colchetes, conforme usado nas primeiras versões da TNM em outros textos. A Revisão de 2013 não usa mais os colchetes em outros casos. Isso, pelo que entendemos, significa que os tradutores assumem que a palavra acrescentada é necessária para a tradução. No caso de Colossenses 2.9, o texto grego literal reza assim:

“porque em ele habita toda a plenitude da divindade corporalmente.” (Novo Testamento Interlinear, grego-português – SBB).

De modo simples e direto, qualquer que seja a interpretação do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, ao acrescentar o termo “qualidade”, ele diluiu a proposta e leitura do autor original, que não disse isso. É verdade que em Cristo também habita toda a qualidade divina – Seus atributos, mas o texto está dizendo mais do que isso.

“O tempo presente indica o estado contínuo e aponta para a realidade presente (Lohse) ... natureza divina, divindade. A palavra difere da expressão “ser divino” em Rm 1.21 porque enfatiza mais a natureza ou essência divina, e não tanto os atributos divinos. Em Jesus não estavam apenas os “atributos” da divindade que, temporariamente, O iluminaram e o exaltaram com esplendor; pelo contrário, Ele mesmo era e é o Deus perfeito e absoluto.” (Chave Linguistica do Novo Testamento Grego, p. 425).

“(Cl 2.9), Paulo está declarando que no Filho habita toda a plenitude, a abundância da deidade absoluta; eles não eram meros raios da glória divina que enfeitavam, iluminando Sua Pesso por um período de tempo e com um esplendor não dEle mesmo. Mas Ele era, e é, o Deus absoluto e perfeito; e o apóstolo Paulo usa o termo theotes para expressar esta Deidade essencial e pessoal do Filho (New Testament Synonims, de Trench, S ii). A palavra theotes indica a essência “divina” da divindade, a personalidade de Deus; a palavra theites, os atributos de Deus, a Sua natureza e propriedades divinas.” (Dicionário Vine, pp. 573,574).

Um site não autorizado de defesa da Tradução do Novo Mundo, pasmem, chega a dizer:

“[...] uma avaliação semântica de theótes revela que a Tradução do Novo Mundo está bem a frente no entendimento etimológico de palavras. Superando até mesmo léxicos bastante conhecidos.”

Fica difícil imaginar qual o arcabouço mental e religioso de alguém que escreve algo assim...

O texto de Colossesnses 2.9, prova além de dúvida, que em Jesus Cristo tem TUDO de Deus. E parece que isso deve ser interpretado, mesmo em sua encarnação, isto é, quando desde quando veio ao mundo por meio da virgem (Comentário Bíblico NVI, p. 2024). Quando O Filho Eterno se revestiu de Humanidade, e abriu mão de Sua glória (Fl 2.5,6), ele voluntariamente deixou toda a obra que devia ser realizada Nele nas mãos do Pai. Percebemos isso em João 17.5. Por ser homem, ele pôde ser tudo que foi, e passou de modo real – fome, tentação, dor, tristeza e morte (Mt 4.1-11). Mas em momento algum, ele deixou de ser o que ele É. Por habitar em Cristo Jesus a plenitude da divindade, é que ele poderia ser adorado, mesmo na terra, e ainda assim, o adorador não incorrer em idolatria (Mt 2.11; 8.2, etc). Por habitar em Cristo Jesus a plenitude da divindade, ele podia dizer tudo que disse a respeito de si mesmo e não blasfemar (Jo 5.23; 10.30). 

Infelizmente, as Testemunhas de Jeová seguem um falso Cristo, um falso deus, baseadas em uma falsa Bíblia, que por fim, resultará em uma falsa salvação. E quando a salvação não é verdadeira, o que se recebe é a perdição. Que o Espírito Santo abra os olhos dessas pessoas (Jo 16.7-15).

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O CREDO ATANASIANO - A DEFINIÇÃO DA DOUTRINA DA TRINDADE

ORIGEM

"O Credo de Atanásio, subscrito pelos três principais ramos da Igreja Cristã, é geralmente atribuído a Atanásio, Bispo de Alexandria (século IV), mas estudiosos do assunto conferem a ele data posterior (século V). Sua forma final teria sido alcançada apenas no século VIII. O texto grego mais antigo deste credo provém de um sermão de Cesário, no início do século VI.

O Credo de Atanásio, com quarenta artigos, é um tanto longo para um credo, mas é considerado "um majestoso e único monumento da fé imutável de toda a igreja quanto aos grandes mistérios da divindade, da Trindade de pessoas em um só Deus e da dualidade de naturezas de um único Cristo."2

TEXTO3

  1. Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que sustente a fé universal.
  2. A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre.
  3. Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade.
  4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.
  5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra.
  6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade.
  7. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
  8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado.
  9. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado.
  10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
  11. Contudo, não há três eternos, mas um eterno.
  12. Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado.
  13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
  14. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
  15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
  16. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus.
  17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor.
  18. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor.
  19. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou Senhores.
  20. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado.
  21. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado.
  22. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.
  23. Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
  24. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor.
  25. Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a trindade em unidade deve ser cultuada.
  26. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade.
  27. Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.
  28. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem.
  29. Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; homem nascido no tempo da substância da sua mãe.
  30. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana.
  31. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade.
  32. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois, mas um só Cristo.
  33. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade.
  34. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa.
  35. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo.
  36. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.
  37. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
  38. Em cuja vinda, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, e prestarão conta de suas obras.
  39. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.
  40. Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Louis Berkhof: O Filho, a segunda pessoa da Trindade (Parte 1)

"O nome “Filho” em sua aplicação à segunda pessoa. A segunda pessoa da Trindade é chamada “Filho” ou “Filho de Deus” em mais de um sentido do termo.

(1) Num sentido metafísico. Deve-se sustentar isto contrariamente aos socinianos e aos unitários, que rejeitam a ideia de uma Divindade tripessoal, vêem em Jesus apenas um homem, e consideram o nome “Filho de Deus” a Ele aplicado, primariamente como um título honorário conferido a Ele. É muito evidente que Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus na Escritura, independentemente de Sua posição e obra como Mediador. (a) Ele é mencionado como o Filho de Deus do ponto de vista da pre-encarnação, por exemplo em Jó 1.14, 18; Gl 4.4. (b) É chamado o “unigênito” Filho de Deus ou do pai, expressão que não se aplicaria a Ele, se Ele fosse o Filho de Deus somente num sentido oficial ou ético, Jo 1.14, 18; 3.16,18; 1 Jo 4.9. Comparar com 2 Sm 7.14; Jó 2.1; Sl 2.7; Lc 3.38; Jo 1.12. (c) Nalgumas passagens o contexto evidencia muito bem que o nome indica a divindade de cristo, Jô 5.18-25; Hb 1. (d) Embora Jesus ensine os Seus discípulos a falarem de Deus e a dirigir-se a Ele como “Pai nosso”, Ele mesmo fala dele chamando-lhe simplesmente “pai” ou “meu Pai”, e com isso mostra que estava cônscio de uma relação única, singular, com o Pai, Mt 6.9; 7.21; Jo 20.17. (e) De acordo com Mt 11.27, Jesus, como o Filho de Deus, arroga-se um conhecimento único de Deus, conhecimento que ninguém mais pode possuir. (f) Os judeus certamente entendiam que Jesus afirmava que era o Filho de Deus num sentido metafísico; pois consideravam blasfêmia o modo como Ele falava de Si mesmo como o Filho de Deus, Mt 26.63; Jo 5.18; 10.36. - 

(2) Num sentido oficial ou messiânico. Nalgumas passagens este sentido é associado ao sentido mencionado acima. As passagens subseqüentes aplicam o nome “Filho de Deus” a Cristo como Mediador, Mt 8.29; 26.63 (onde este sentido vem ligado ao outro); 27.40; Jo 1.49; 11.27. Naturalmente, esta filiação e a messianidade se relacionam com a filiação originária de Cristo. É somente porque Ele era o Filho de Deus essencial e eterno, que podia ser chamado Filho de Deus como Messias. Além disso, a filiação e a messianidade refletem a filiação eterna de Cristo. É do ponto de vista desta filiação e messianidade que até Deus é chamado Deus do Filho, 2 Co 11.31; Ef 1.3, e às vezes é mencionado como Deus em distinção do Senhor, Jo 17.3; 1 Co 8.6; Ef 4.5, 6. 

(3) Num sentido natalício. Também se dá a Jesus o nome “Filho de Deus” em vista do fato de que deveu o Seu nascimento à paternidade de Deus. De acordo com a Sua natureza humana, ele foi gerado pela operação sobrenatural do Espírito Santo, e nesse sentido é o Filho de Deus. Lc 1.32, 35 o indica claramente, e provavelmente se pode inferir também de Jo 1.13." 

(Teologia Sistemática, Louis Berkhof, p. 94, 95).

domingo, 3 de março de 2019

A vantagem da Fé Reformada na apologética contra as seitas


Cornelius Van Til define apologética como “a vindicação (defesa) da filosofia de vida cristã em contraste com as várias formas de filosofia de vida não cristã.” (Apologética Cristã, p. 19).  Como a Fé Reformada é útil no debate com as seitas? O campo da apologética que tenho aqui em mente é aquela que lida com a Heresiologia. Pois muito da apologética reformada lida cosmovisão filosófica, e com a defesa da soteriologia contra arminianos, e semi-pelagianos. Isso tem levado muitos apologistas e até pastores reformados, a se preocuparem desnecessariamente com quem está salvo em Cristo – em corrigir sua visão a respeito das doutrinas da graça.

Antes de apontar quatro temas em que a Apologética Reformada tem vantagens sobre outros sistemas filosóficos cristãos, é fundamental destacar que muitas seitas são racionalistas. E como tal, não raro, preferem caminhar com o livre-arbítrio como pressuposto. Na verdade nem todas podem ser classificadas como “arminianas clássicas”, flertam mais com o semi-pelagianismo do que com o arminianismo. E não é incomum rejeitarem a doutrina da imputação da Queda.

1º Profetismo/Apostolado/Papismo: O Apologista Reformado leva o “somente a Escritura” até as suas últimas consequências, quer essas sejam latentes ou patentes. Com base na Bíblia (II Tm 3.15-17), sabemos que ‘cessaram aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade’(CFW cap. I). Portanto, nosso debate com os Mórmons, Adventistas, Católicos, Tabernáculo da Fé, é na base fundamental da heresia, não em seus efeitos ou evidências. Um apologista cristão pentecostal precisará, evidentemente, sofrer com decepções proféticas dentro de seu movimento, pois existe em ambos os sistemas falsas profecias e acertos. Depois ele ainda terá que perceber que seus argumentos serão semelhantes a respeito do chamado ‘graus de inspiração’ – que algumas seitas usam também, onde diz que a inspiração atual é menor que a Bíblia! Para o Apologista Reformado, se certa profecia de um líder herético deu certo ou não, não resolverá finalmente a questão, já que para ele, não é isso que está em jogo, mas sim a suficiência da Escritura (I Tm 3.15-17).

2º Salvação/Méritos/Sacramentos: Nesse caso, o Apologista Reformado está em evidentemente seguro, pois não há nada, na construção Confessional Reformada, que dependa de alguma ação humana para ser salvo como princípio essencial e regente – nem mesmo o sim do pecador, que infelizmente, acaba desbocando em alguma impressão de virtude no indivíduo, nos modelos não Reformados. Nem mesmo o fato de estar em uma Igreja Reformada, determina ao Apologista Reformado se certo individuo está ou não salvo. O salvo deve estar em Cristo, e o que assegura isso é a eleição, não a decisão humana, méritos, decisões, ou obras, etc (Rm 11.6). Assim, quando um Mórmon diz para um Reformado que ele deve receber o batismo para ser salvo, essa afirmação está inócua e prejudicada, pois a Bíblia ensina outra coisa - anteriormente, no tempo e no espaço quem decidiu a salvação ou não dos que seriam batizados, se eles estão em Cristo é por decisão soberana (Ef 1.1-11).

Isso eleva a questão da Igreja Invisível a um patamar real e verdadeiro. ‘Deus sabe os que lhe pertence’, pois os introduziu em Cristo. Insistir com um Reformado a respeito de uma igreja verdadeira visível, é chover no molhado, visto que o Reformado sabe que a Igreja verdadeira é algo invisível, e está no rol de membros do céu, os tais foram lavados por Cristo de fato e de verdade. O que piora o discurso herético, é que a fé Reformada reconhece que todas as igrejas fieis possuem erros, mas esses erros não podem ser de caráter essencial, pois assim, deixam de ser ‘igrejas verdadeiras’ e passam a ser seitas, sinagogas de Satanás.

3º Deus/Atributos: O Deus Bíblico é Trino, e ninguém mais que os Reformados preservam a doutrina da Trindade, conforme delineada nos credos históricos, como o Reformado. Outros podem até ser semelhantes, mas melhor compreensão da Trindade não existe:

“Pergunta 8: “Há mais de um Deus? Resposta: Há um só Deus, o Deus vivo e verdadeiro (Dt. 6. 4; Jr 10. 10; I Co8. 4).” “Pergunta 9: “Quantas pessoas há na divindade? Resposta: Há três pessoas na divindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo; estas três pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais”(Mt 3. 16-17; Mt 28.19; II Co 13. 13; Jo 10. 30).” (Catecismo Maior de Westminster) Percebemos que o modelo reformado reflete os Credos Históricos da Trindade.

Com isso, o Apologista Reformado já sabe que os Mórmons, Testemunhas de Jeová, etc, não falam com o mesmo Deus em mente, causando assim um descompasso total na avaliação de quem É Deus e de tudo que revelou de Si na Escritura. O Reformado sabe que os tais oferecem um falso deus. Além disso, com a perspectiva correta da doutrina da trindade, o Apologeta Reformada vai rapidamente identificar caricaturas, e não uma definição exata.

O Deus Bíblico - da Fé Reformada também é um ser ilimitado no conhecimento, no domínio no tempo e no espaço, e mesmo assim a Fé Reformada diz que Deus é “simples” e pessoal. Neste ponto, as seitas deixam de lograr disputa. Um deus que não sabe de tudo, como é dos Testemunhas de Jeová; um deus complexo como o é dos Espíritas; três espíritos corporalmente distintos sendo Deus como ensina o Adventismo; três deuses sendo que dois tendo corpo e um não como ensinam os Mórmons não pode ser o Deus da Escritura. A Fé Reformada ensina como diz a Bíblia:

“Pergunta 07: “Quem é Deus? Resposta: Deus é Espírito (4.24), em si e por si infinito em seu ser (I Rs 8. 27), glória, bem-aventurança e perfeição (Ex 3. 14); todo-suficiente (At 17. 24, 25), eterno (Sl 90. 2), imutável (Ml 3. 6), insondável (Rm 11. 33), onipresente (Jr 23. 24), onipresente (Ap 4. 8), infinito em poder,(Hb 4. 13), sabedoria (Rm 16. 27), santidade( Is 6. 3), justiça( Dt 32. 4), misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade”( Ex. 34. 6).” (Catecismo Maior de Westminster).

4º Vida Cristã: em um quarto campo está o debate a respeito de como a vida cristã é exercida. Mais uma vez a Apologética Reformada tem uma vantagem. Quando dizemos o lema protestante que “A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática” isso é verdadeiro em nosso caso. A Bíblia inteira e não o apenas o Novo Testamento! Claro, é o Novo que interpretou e cumpriu o Velho, mas não estamos reféns como estão os dispensacionalistas, e cedem campo considerável para algumas seitas, especialmente os Adventistas criticarem virtualmente essa posição. O Novo Testamento usou os Dez Mandamentos, expandindo, melhorando, substituindo, mas nunca rejeitando. O Espírito Santo demonstrou isso quando várias vezes usou o decálogo e/ou o VT, como fonte de instrução para a Igreja na Nova Aliança (Ef 6.1,2,3). Com a mesma certeza, para o Apologeta Reformado o Novo Testamento revelou luz maior - notamos que o Senhor Jesus substituiu Moisés e Arão, os Apóstolos substituíram os Profetas, A Igreja substituiu Israel, o Batismo substituiu Circuncisão, a Santa Ceia substituiu a Páscoa e o Domingo substituiu o sábado, o culto simples substituiu as cerimonias do VT. Nesse sentido, não abandonamos o Velho Testamento, e podemos dizer que a Bíblia é a nossa regra em seus 66 livros, enquanto interpretados pela Nova Aliança.