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quarta-feira, 6 de abril de 2011

'O QUE A PRÓPRIA LEI DIZ?' - uma aula Teonomista

Aqui há algo extraordinário, algo que os teólogos não podem ignorar se quiserem entender corretamente a intenção divina em relação à lei do Antigo Testamento. Paulo sabia pela sua experiência que ele precisava morrer para o legalismo, para o uso da lei como um meio de mérito próprio ou justificação diante de Deus. E, exatamente, onde e como Paulo aprendeu essa lição fundamental? Observe cuidadosamente o que ele diz em Gálatas 2.19: “Pois, por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus”. Foi a própria lei que ensinou Paulo a não buscar a justiça e a aceitação de Deus por meio de obras da lei! A lei do Antigo Testamento nunca foi legalista em sua natureza e intenção, embora os judeus a tenham pervertido nesse propósito interesseiro. Eles simplesmente não perceberam que “o fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Rm 10.4). Paulo lamentou que “até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança […] até o dia de hoje, quando Moisés é lido, um véu cobre os seus corações” (2Co 3.14,15). Paulo claramente classificou e incluiu a aliança mosaica — a aliança da lei, que tinha edificado um muro entre judeus e gentios e alienado os incircuncisos da “comunidade de Israel” — como parte integrante do que ele chamava de “alianças da promessa” (Ef 2.12). Havia muitas alianças (plural) no Antigo Testamento, mas todas eram administrações de uma promessa (singular) subjacente de Deus. Os teólogos podem até falar apropriadamente de “lei” e “graça” como rótulos convenientes para as duas administrações da aliança (que são, nova aliança e antiga aliança), mas a Bíblia afirma enfaticamente que as duas são administrações da graça (ou promessa) como o único caminho para aceitação diante dele. A aliança da lei foi uma manifestação da promessa de Deus, não de legalismo. A administração da lei da antiga aliança (ou a própria administração mosaica) não ofereceu uma forma de salvação nem tampouco ensinou uma mensagem de justificação que difere daquela encontrada no evangelho da nova aliança. Ao reconhecer que diante de Deus ninguém podia ser justificado (Sl 143.2), a antiga aliança prometeu justificação fundamentada no nome: “O SENHOR é a Nossa Justiça” (Jr 23.6). O testemunho da antiga aliança era que a justiça tinha de ser imputada, até mesmo ao grande pai dos judeus, Abraão (Gn 15.6; v. Rm 4.3; Gl 3.6). Por conseguinte, a literatura do Antigo Testamento fornece evidências suficientes de que os santos de Deus eram pessoas de fé (v. Hb 11). Paulo compreendeu muito claramente que o próprio Antigo Testamento ensinava que os justos viveriam pela fé (He 2.4; v. Rm 1.17; Gl 3.11). O profeta Isaías proclamou: “Mas no Senhor todos os descendentes de Israel serão considerados justos e exultarão” (Is 45.25); e mais adiante: “Esta é a herança dos servos do SENHOR, e esta é a defesa que faço do nome deles, declara o SENHOR” (54.17). Se permitirmos que a Bíblia se interprete a si mesma e não introduzirmos nessa interpretação uma antítese teológica preconcebida entre a nova e a antiga aliança (lei2 e evangelho), somos levados a concluir que a antiga aliança — a lei de Moisés — foi uma aliança de graça que ofereceu salvação com base na graça por meio da fé, assim como o faz a boa nova encontrada no Novo Testamento. A diferença é que a aliança de Moisés ou da lei olhava para a frente, para a vinda do Salvador, administrando, assim, as alianças de Deus por meio de promessas, profecias, ordenanças rituais, tipos e prefigurações que anteviam o Salvador e sua obra redentora. O evangelho ou a nova aliança proclama a realização daquilo que a lei antevia, administrando a aliança de Deus por meio da pregação e dos sacramentos. A essência do relacionamento salvador de Deus e da aliança é a mesma sob a lei e o evangelho.

As Escrituras não apresentam a aliança de Moisés ou da lei como fundamentalmente opostas à graça da nova aliança — uma perspectiva errônea (essencialmente dispensacionalista) que está no cerne de tantas convicções mal-orientadas sobre a lei hoje. Por exemplo, reflita sobre Hebreus 3—4. De acordo com o Novo Testamento, por que Deus estava insatisfeito com os israelitas a ponto de não permitir que entrassem na Terra Prometida? A resposta é que eles foram desobedientes (Hb 3.18), mas isso é a mesma coisa que dizer que lhes faltou fé (3.19)! Eles ouviram o evangelho pregado a eles assim como nós o ouvimos (4.2), mas eles falharam ao não aceitar a provisão prometida por Deus porque não tiveram fé (4.2) — ou seja, foram culpados de desobediência (4.6)! Não podemos jogar a fé contra a obediência na antiga aliança; elas são diferentes lados da mesma moeda, como na nova aliança (Tg 2.14-26).

Por isso Paulo chegou a perguntar tão incredulamente: “Então, a lei opõe-se às promessas de Deus?” Será que a graça da aliança abraâmica deveria ser contradita pela lei revelada por Moisés? A resposta do apóstolo foi um categórico: “De maneira nenhuma!” (Gl 3.21). A lei nunca teve a intenção de ser um caminho para a autojustificação, como Paulo revela logo a seguir. Por intermédio do seu esforço autojustificador de ganhar mérito e favor diante de Deus por meio da obediência à lei, os israelitas não atingiram a lei de forma alguma (Rm 9.31)! E por que não? “Porque não a buscava[m] pela fé, mas como se fosse por obras” (v. 32).

Fonte: Monergismo.com

terça-feira, 5 de abril de 2011

O CRISTÃO PODE SER POLÍTICO: uma reflexão teonomista

“Aos cristãos é licito aceitar e exercer o ofício de magistrado, sendo para ele chamado; e em sua administração, como devem especialmente manter a piedade, a justiça, e a paz segundo as leis salutares de cada Estado, eles, sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões justas e necessárias.”
(Confissão de Fé de Westminster)

PRIMEIRAMENTE, lamentamos que alguns ratos chamados evangélicos, devoram os recursos públicos sem a mínima misericórdia dos que são pobres, roubam descaradamente. Fique claro que não é a esses que a Bíblia autoriza preceptivamente governar, a não ser que sejam ‘diabos’ nas mãos de Deus para julgar o povo.
Observe que ser político é uma vocação de Deus – ‘sendo para ele chamado’.

O que a Confissão de Fé de Westminster diz acima é de suma importância, e que os Presbiterianos Calvinistas, sejam mais audaciosos e pensem em entrar na política com a perspectiva cristã. Caso desonrem depois a Palavra de Deus, sem arrependimento e correção, ficará claro que são répobros no meio da Igreja, destinados ao inferno.

Mas vejamos que o governo deve ser feito conforme as ‘leis salutares de cada Estado’. Tais devem ser para manter a piedade. Ou seja, a SANTIDADE. Vemos que o que está proposto para o governante cristão é a santidade como norma de governo. Pode um cristão aprovar uma lei que garanta o aborto ou homossexualismo?

Se, isso é piedoso, santo, então pode aprovar. (!!!)

Talvez diga: “Mas irmão, um político desses vai ser cassado rapidamente, ou nunca mais vai governar mais nada!”

MAS, E DAÍ?!? A quem ele deve honrar?

A CFW ensina que o governo deve ser feito “sob a dispensação do Novo Testamento” Ou seja, para a CFW as leis e governo do cristão devem ser formulados pela ótica do NT! Isso é espantoso! O que deveriam reger uma nação é a Bíblia! Vejamos que a CFW conclui essa sentença de modo mais coercivo: “sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões justas e necessárias.”

Será que estamos dizendo que para colocar em prática as normas da santidade em uma sociedade, a força pode ser desferida?

Primeiro que não é autorizado ao cristão (ou á igreja cristã alguma) usar força para impor o cristianismo. O que estamos mirando aqui é o que o Estado, dominado por cristãos, deve fazer. O Estado tem de Deus a espada para punir os que são praticantes do mal (Rm 13.1-5). Se um país cristão regulamentar a iniquidade, ele deixa de ser cristão. Se um político cristão votar a favor de uma lei ímpia, ele é um adúltero e infiel a Deus. Ele deixa de ser cristão. Segundo, a força é imposta em todo momento pelo Estado, quer seja em forma de multa, prisão, etc. Ou seja, para impor a paz o Estado usa a força, e isso nenhum cristão critica. Qual motivo de rejeitarem uma visão Teonomista? Se um Teonomista diz que certo pecado poderia e deve ser punido como crime, dizem que é um absurdo. Mas prender alguém que não paga pensão alimentícia, isso pode!? Terceiro, a sentença da CFW não limita a força da guerra apenas ao fato de manter paz com outras nações, observe novamente:
“[...] e em sua administração, como devem especialmente manter a piedade, a justiça, e a paz segundo as leis salutares de cada Estado, eles, sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim, podem licitamente fazer guerra [...]”

Caso esteja enganado, peço o esclarecimento a algum irmão. Mas temos que nos lembrar que as forças de um estado também são empregadas contra revolucionários. Se houvesse uma manifestação em massa em favor da legalidade do uso das drogas, seria impróprio usar a força (=guerra) contra tais?

Porém, mesmo que a lei mantenha a piedade isso jamais significará regeneração. Por exemplo, em alguns estados nos EUA onde a pena capital é usada como punição, resulta em uma coerção para impedir o homicídio em vários casos (obvio que não em todos e nem na maioria). Isso não significa que um assassino potencialmente não exista. Ele está lá, no interior do homem não regenerado. Mas a Lei de alguma maneira impede, como uma manifestação da graça comum, que o assassino manifeste ou exteriorize essa sua natureza.

Alguns que são contra esse ponto de vista se esquecem de um fato muito interessante. Quando Jesus veio aos Judeus esses viviam debaixo da Lei de Moisés, dentro dos limites impostos por Roma. Virtualmente, esses Judeus cumpriam as exigências legais da Lei de Deus. Entre os judeus havia uma escola mais minuciosa no cumprimento dessas leis. Esses eram os fariseus. E foi a exatamente a um desses que Jesus disse: ‘Deveis nascer de novo para entrar no Reino de Deus’!(Jo 3.1-15). Ou seja, ainda que a lei norteasse a vida civil, social e familiar deles, jamais isso resultou em regeneração.

Estou postando esse assunto fora do tempo, pois quando nos aproximarmos das eleições no próximo ano, sempre uma grande quantidade de assuntos ‘inflamam/ infeccionam’ a nossa disposição, nos impedido de pensar no assunto de uma maneira mais livre.

Irmão, pense em entrar na política! Caso seja vocacionado para isso, Deus o conduzirá.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

RESUMO DA PERSPECTIVA TEONÔMICA DA LEI DE DEUS

1. As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são, em parte e no todo, a revelação verbal de Deus por meio de palavras humanas, sendo infalivelmente verdadeiras acerca de tudo que ensinam sobre qualquer tópico.

2. Desde a Queda sempre foi considerado ilegítimo usar a lei de Deus com a expectativa de estabelecer seu próprio mérito ou justificação. A salvação vem por meio da promessa e da fé; o compromisso com a obediência é o estilo de vida da fé, um sinal da gratidão pela graça redentora de Deus.

3. A Palavra do Senhor é o padrão único, supremo e inquestionável para as ações de qualquer pessoa em todas as áreas da vida; essa Palavra naturalmente inclui as orientações morais de Deus (lei).

4. A nossa obrigação de cumprir e guardar a lei de Deus não pode ser julgada por nenhum padrão extra-escritural, por exemplo, se as suas exigências específicas são adequadas a tradições passadas ou a práticas ou sentimentos modernos.

5. Deveríamos pressupor que as leis permanentes do Antigo Testamento continuam moralmente obrigatórias no Novo, a não ser que sejam abolidas ou modificas por revelação posterior.

6. Com relação à lei do Antigo Testamento, a nova aliança supera a antiga aliança em glória, poder e finalidade, e assim faz cumprir tarefas anteriores. A nova aliança também supera as sombras da aliança antiga, e assim muda a aplicação de princípios sacrificais, de pureza e de “separação”, redefinindo o povo de Deus e alterando o significado da Terra Prometida.

7. As leis permanentes de Deus são um reflexo do seu caráter moral imutável e são absolutas no sentido de serem não-arbitrárias, objetivas, universais e estabelecidas antes de circunstâncias particulares; portanto são aplicáveis a tipos gerais de situações morais.

8. O envolvimento do cristão na política requer o reconhecimento da lei de Deus transcendente, absoluta e revelada como padrão segundo o qual todos os códigos sociais são julgados.

9. Magistrados civis em todas as épocas e lugares são obrigados a exercer sua função como servos de Deus, como agentes da ira divina contra criminosos e como aqueles que prestarão contas no Dia Final do seu trabalho diante do Rei dos reis, o seu Criador e Juiz.

10. A continuidade geral que pressupomos com respeito aos padrões morais do Antigo Testamento se aplica igualmente a questões sociopolíticas, assim como se aplica à ética pessoal, familiar e eclesiástica.

11. Os preceitos civis do Antigo Testamento (leis “judiciais” permanentes) são um modelo de justiça social perfeita para todas as culturas, até mesmo no castigo de criminosos. Fora das áreas em que a lei de Deus determina a intervenção e a aplicação da retribuição penal, governantes civis não estão autorizados a legislar ou usar a coerção (e.g., no mercado

econômico).

12. A forma moralmente apropriada para o cristão corrigir os males sociais que não estão sob a jurisdição legal do Estado ocorre por meio de empreendimentos voluntários e de caridade ou da censura na casa, na igreja ou no mercado, assim como o método apropriado para mudança da ordem política da lei civil não passa pela revolução violenta, mas pela dependência da regeneração, reeducação e reforma legal gradual.

Fonte: Monergismo

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Teonomia: insensatez ou verdade? Resposta ao blog do irmão Ricardo Mamedes

O irmão Ricardo criticou em seu Blog a posição teológica teonomista* de maneira dura. Gostaria de interagir com o que ele analisou.
Quero antes de tudo dizer que os demais colaboradores do MCA não tem compromisso comigo nesse assunto, pelo menos nenhum ainda se manifestou contra.

No início da postagem o irmão Ricardo disse que ‘nunca leu um autor Teonomista’, mas se que sabia muito bem o que é, baseado nas ‘discussões pessoais com aqueles que são’. Acho que isso depõe contra ele. Seria bom, antes de postar uma crítica a uma posição teológica de irmãos reformados, pelo menos interagir com os que são reconhecidos como autoridade no assunto. Além disso, ele disse que nunca foi refutado.

O irmão se arriscou muito mesmo quando disse, e reconheceu isso: “Se a lei é "boa" - e é , pelo menos sob o ponto de vista ético e moral - daí a instituí-la como força coercitiva estatal demanda hermenêutica completamente torta e tortuosa. Logo, teimo em contradizer os defensores da tal teonomia acusando-os de superficiais em sua "interpretação" (sei que estou correndo enorme risco ao fazer tal afirmação).

Se merece uma refutação ao que ele disse é muito simples.

No Brasil a proibição de homicídio baseada na Bíblia, é uma ação coerciva?

O que Paulo disse sobre a Lei em I Tm 1.8-11 é um exemplo claro que a lei poderia e pode reger uma nação. Isso é uma boa hermenêutica?(Ele mesmo citou essa passagem, mas não atentou ao fato que Paulo disse ‘se promulga lei para...’)
O irmão Ricardo indica uma incongruência nos Teonomistas, 'pois nunca, nem ninguém obedecerá a Lei de Deus, nem mesmo os Cristãos!'

Ora, não é o que eu devo fazer, mas o que o Espírito faz em mim e por mim.  A Bíblia é contra a colocação do irmão, quando ela nos diz: “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.”

No Espírito, a Lei de Deus é cumprida em mim! Todo cristão tem essa promessa, desde que seja cristão nascido de novo, e não carnal, que sempre fala do pecado que pratica e nunca da nova vida que tem!

Ele faz uma caricatura, constrói um monstro de palha, que na verdade nem merece refutação, mas indignação diante de uma conclusão distorcida (não acho que seja propositalmente, mas é em decorrência da ânsia de refutar aquilo que ele não aceita).
Ele disse:
“A raciocinar com os teonomistas, a Lei, então trazida para a esfera estatal institucionalmente, forçará justos e justificados, ímpios e crentes, eleitos e réprobos. Novamente será estabelecida a velha aliança e voltaremos aos rituais e aos holocaustos; verteremos sangue de bois e ovelhas nos novos altares sacrificiais.”(?????????????????????????????????????????????????????????????????????????)

A próxima parte é um vai e volta. Ele sabe da resposta, mas inventa uma refutação, observe: “por que a sanha em restabelecer a Lei quando se tem a graça? Ora, se o maior bem que o cristão possui é a salvação, trazida pela graça, qual a necessidade da Lei? Os teonomistas responderiam que a Lei traria "equilíbrio" à sociedade, que seria " a Lei de Deus" aplicada ao homem, etc, etc. Tantos outros argumentos surgiriam e se materializariam, e ainda assim eu os refutaria dizendo que a "Lei", mesmo sendo boa e justa, não se aplica a justificados através do sangue de Cristo vertido na cruz do calvário.”

Irmão, difícil entender o que você disse, se foi um motejo ou não. A Bíblia no NT tem várias vezes proibições aos Cristãos. Essas são reflexos da lei de Deus. Quando a Bíblia diz ‘não mintais uns aos outros’ (Cl 3.9). Isso é uma lei? Para quem?

Na sua postagem o irmão coloca Jesus dizendo que deveríamos guardar tesouro nos céus... isso é piedoso e verdadeiro, mas o que está em jogo isso aqui? Olha, no sermão Jesus foi Teonomista e disse que Não veio para destruir a Lei.

Além disso, o exemplo de Jesus é interessante para os Teonomistas. Ele aceitava a lei como estando vigente (os dispensacionalistas também aceitam isso). Mas qual governo regia a nação de Judá? Roma! Estamos em situação similar. Cremos que a lei de Deus é suprema, mas lamentavelmente estamos debaixo de leis humanas, algumas boas, outras más*.

(*Por exemplo, caso a lei homofóbica entre em vigor, ou mesmo que o casamento seja vituperado nessa nação, ou mesmo o homicídio de crianças no ventre seja morto com garantias da lei.)

Os demais erros do irmão giram em torno de uma confusão entre o que pensamos sobre a Lei, como norma de regência estatal ou mesmo de princípio, com a justificação salvadora. As passagens que ele usa é a discussão da justificação pelas obras para salvação. Não acho que devo dizer algo contra tal asseveração do irmão, visto que está fora de propósito.

Insensatos Gálatas! Isso Paulo disse. Eles estavam se apegando nas leis cerimoniais, com o objetivo de serem aceitos por Deus. Eles já haviam sido aceitos em Cristo! Nem mesmo a lei moral podia conduzir eles a uma posição justificada, muito menos as intermináveis práticas litúrgicas. Eles caíram da graça, pois estavam buscando Deus não pela cruz de Cristo, mas pelas obras da lei!

Irmão, acho que R. C. Sproul tem um recado melhor para te dar:
“A Confissão de Westminster nos convoca a adotar o que os teólogos na época chamavam de ‘equidade geral’ da lei. Isto é, embora haja princípios fundamentais da justiça de Deus em operação na instituição da lei civil do Antigo Testamento, talvez seja necessário dar os ajustes apropriados e levar em conta que o nosso contexto é diferente daquele. Um exemplo comum é o seguinte: no Israel do Antigo Testamento, os proprietários de imóveis tinham que ter cercas nos seus telhados. Tal lei faria pouco sentido nos nossos dias, pois não temos o hábito de passar o tempo em cima das nossas casas. A ‘equidade geral’ sugere que o objetivo desta regra é a segurança física dos familiares e dos eventuais hóspedes. Assim, pode-se dizer que os proprietários modernos deveriam ter ‘cercas’ nas suas piscinas. Uma medida para o seu nível de proximidade em relação à teonomia como ideologia é refletido na precisão da sua aplicação dessa ‘equidade geral’. Em segundo lugar, cuidado! Não dê ouvidos àqueles críticos que não entendem coisa alguma de teonomia ou de reconstrução. Aqueles de esquerda (teológica e politicamente) gostam de retratar os teonomistas e reconstrucionistas, herdeiros dos puritanos, como se fossem ‘jihadistas evangélicos’ do inferno que desejam impor um regime fascista calvinista sobre o resto do mundo. Isso é uma calúnia sem par! Os teonomistas, bem como o resto de nós cristãos, querem ver justiça no âmbito político. Eles querem ver as nações serem disciplinadas. Eles querem que o reino se manifeste. Eles querem ver todo joelho se dobrar e toda língua confessar que Jesus Cristo é Senhor. E quem é que, estando em Seu reino, poderia desejar outra coisa?”

Espero que tenha contribuído para nossa paz em Cristo.


POR FAVOR, QUEM QUISER LER ALGUMA REPRESENTAÇÃO TEONOMISTA CLICK AQUI

* Me tornei teonomista sem nunca saber o que isso era! Certa vez lendo Vincent Cheung, e percebendo como para esse autor a Bíblia é um pressuposto absoluto e final para qualquer afirmação, inseri isso na minha visão de que a Evangelização deveria dominar o mundo, e a obediência ao Senhorio de Cristo é uma ordem a todo homem e a toda nação. Outra coisa que pensava era que se a Bíblia tem leis, o que deveria impedir que uma nação se submetesse a essas leis para reger seus súditos? Se ela terá leis, qual motivo para não basear tais leis na Palavra infalível de Deus? Isso era um pensamento incipiente, somente depois que percebi que existia uma tal ‘teonomia’. No princípio achei que isso era um compromisso com o pós-milenismo, o que é quase regra. Depois percebi que não era necessário ser um pós-milenista para ser teonomista. Não sou pós-milenista.