quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Jonathan Edwards: Dois sinais da autenticidade do seu cristianismo

"O apóstolo Pedro diz, sobre a relação entre cristãos e Cristo: "a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória." (1Ped. 1:8).Como os versículos anteriores deixam claro, os crentes a quem Pedro escreveu sofriam perseguição. Aqui, ele observa como seu cristianismo os afetou durante essas perseguições. Ele menciona dois sinais claros da autenticidade de seu cristianismo.

(i) - Amor por Cristo. "A quem, não havendo visto, amais." Os que não eram cristãos maravilhavam-se da prontidão dos cristãos em se expor a tais sofrimentos, renunciando às alegrias e confortos deste mundo. Para seus vizinhos incrédulos, estes cristãos pareciam loucos; pareciam agir como se detestassem a si mesmos. Os incrédulos não viam nenhuma fonte de inspiração para tal sofrimento. De fato, os cristãos não viam coisa alguma com seus olhos físicos. Amavam alguém a quem não podiam ver! Amavam a Jesus Cristo, pois viam-nO espiritualmente, mesmo sem poder vê-lO fisicamente.

(ii) - Alegria em Cristo. Embora seu sofrimento exterior fosse terrível, suas alegrias espirituais internas eram maiores que seus sofrimentos. Essas alegrias os fortaleciam, possibilitando que sofressem alegremente.

Pedro nota duas coisas sobre essa alegria. Primeiro, ele nos fala da origem dela. Ela resultou da fé. "Não vendo agora, mas crendo, exultais."

Segundo, ele descreve a natureza dessa alegria: "alegria indizível e cheia de glória." Era alegria indizível, por ser tão diferente das alegrias do mundo. Era pura e celeste; não havia palavras para descrever sua excelência e doçura. Era também inexprimível quanto à sua extensão, pois Deus havia derramado tão livremente essa alegria sobre Seu povo sofredor.

Depois, Pedro descreve essa alegria como sendo "cheia de glória." Essa alegria enchia as mentes dos cristãos, ao que parecia, com um brilho glorioso. Não corrompia a mente, como fazem muitas alegrias mundanas; pelo contrário, deu-lhe glória e dignidade. Os cristãos sofredores partilhavam das alegrias celestes. Essa alegria enchia suas mentes com a luz da glória de Deus, fazendo-os brilhar com aquela glória.

A doutrina que Pedro nos está ensinando é a seguinte: A RELIGIÃO VERDADEIRA CONSISTE PRINCIPALMENTE EM AFEIÇÕES SANTAS.

Pedro destaca as emoções espirituais de amor e alegria quando descreve a experiência desses cristãos. Lembrem-se que ele está falando sobre fiéis que estavam sendo perseguidos.

Seu sofrimento purificava sua fé, resultando em que "redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (v.7). Estavam, assim, em condição espiritualmente saudável, e Pedro ressalta seu amor e alegria como evidência de sua saúde espiritual."

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

SENADO: o que vocês ensinam aos meus filhos?

Não compro material pirata. Tenho vários DVDs originais (de desenhos em especial), mas meus não assistem muitos filmes recém-lançados, pois esperamos passar o tempo e os DVDs ficarem mais ‘barato’. Quando o meu filho (tenho um casal) tinha 4 anos de idade, quando voltávamos de um mercado para casa, no caminho, próximo de casa, ele estava com um maxixe na mão. Perguntamos: “Filho, onde você pegou isso?” Ele disse “Estava no chão do mercado.” Com calma e tato, dissemos que não compramos e não podíamos trazer, e voltamos ao mercado, que já havia fechado, e o vigia na porta, esperando os últimos clientes encerrarem as compras. Pedi para meu filho entregar aquele legume ao segurança, mas segurando ele em meu colo, deixando ele se sentir protegido diante do que faria. Ele entregou e eu expliquei ao guarda que por estar no chão ele achou que podia pegar. Aquele segurança demonstrou no rosto que estava entendendo o que eu estava ensinando ao meu filho. Minha filha, certa vez ficou indignada em saber que um colega de classe que ela viu colando na prova, teria melhor nota que ela. “Pai isso é muito injusto!”, dizia ela a mim, após contar à minha esposa. Quando eles reclamam de alguma ação impensada e injusta de professores, sempre conversamos com eles para que fiquem quietos e respeitem os professores. Até hoje, só recebemos elogios dos professores quanto a educação e comportamento deles, embora crianças tanto quanto as outras, cujos comportamentos podem variar. Devo a isso ao padrão de moral que fé cristã bíblica exige dos pais aos filhos (Ef 6.4), o que se espera até de  pais não cristãos.

Pois bem, todas as manhãs quando levo eles à escola, lá vamos ouvindo o Jovem Pan. As notícias políticas do Brasil é apenas aquilo que percebemos hoje. Corrupção, quando muito, corrupção. Com a notícia da decisão do Senado em favor do Sr Aécio Neves e contra a decisão do STF, percebo que o Senado Brasileiro, entre outros, não possui moral alguma para dizer o que é certo ou errado nem mesmo para crianças. Piorou para os meus filhos! Deixar a política brasileira determinar o que é moral para meus filhos é jogar eles na cadeia na dissimulação, na malandragem, ou no prostíbulo. Os Senadores (não todos) institucionalizaram a corrupção de forma descarada.. Já basta a TV Brasileira (com raras exceções como o SBT) que não sobra quase nada para nossas famílias, agora cada vez mais nossas autoridades se tornam em um grupo desonrado que meus filhos não podem se espelhar - embora legalmente estejam empossados, e assim devem ser considerados.

·        Eles estão dentro da legalidade – quando corruptos possuem o poder sobre as Leis, podem ser “legais”, mas continuarão imorais!!!

Que Deus tenha misericórdia! Abra os olhos dessa nação, e que nas próximas eleições possamos mudar o que está aí no poder há décadas. Pensemos ao menos em nossos filhos, já que nós mesmos já estamos nesse lamaçal político há muito tempo.

"... quando o ímpio domina, então o povo suspira." 
(Pv 29.2,b - Atualizada Nova Edição).


terça-feira, 17 de outubro de 2017

AUGUSTUS NICODEMUS: ENTENDENDO A IDEOLOGIA DE GÊNERO


Assista essa palestra do Rev. Nicodemus, importante teólogo reformado brasileiro, sobre esse assunto tão febril em nossos dias - a ideologia de gênero.


sábado, 14 de outubro de 2017

Aos Prs Elias Soares e João Flávio: calvinismo é heresia?

Veja no vídeo abaixo uma conversa produtiva entre dois gigantes da apologética brasileira sobre diversos assuntos. A especialidade deles é a heresiologia. Ambos contribuem significativamente para a defesa da fé contra as heresias. Louvo a Deus pela vida desses irmãos. Pastores também no rebanho de Cristo. 

Infelizmente, porém, no mesmo vídeo onde adventismo e catolicismo, são mencionados, ambos os apologistas afirmaram que o Calvinismo é uma heresia. Pensemos o que vem a ser heresia e se o calvinismo se encaixa nessa definição.

Em primeiro momento, devo destacar que ambos fazem uma distinção de heresia e heresias de perdição. Creio que eles não olham para os calvinistas como campo missionário. Em segundo lugar, para mim, em particular, o termo heresia deveria ser aplicado apenas às distorções de ensinos fundamentais, cardeais da fé cristã. Concordo com Ferreira e Myatt:
“[...] devemos fazer uma distinção entre heresia e erro. A heresia é uma negação do que é essencial para a salvação, tema este que nos distingue como evangélicos. Já o erro é uma negação de algum aspecto da verdade revelada que não é essencial a salvação. Por isso, a heresia e o erro devem ser evitados, no entanto, somente a heresia deve ser considerada um obstáculo intransponível para a comunhão.” (Teologia Sistemática, [Vida Nova] p. XXV).

Por exemplo, fazer separação entre Israel e Igreja, é um ensino errado, frágil, e insensato, presente na teologia de Soares e Martinez (salvo o engano). Não sei até que ponto, o dispensacionalismo também é assumido por ambos, mas também é um desvio consistente da Escritura. Isso é heresia? Não a meu ver. Soares e Martinez talvez poderiam responder se outros ensinos dispensacionalistas são heréticos como esses que se seguem:

O dispensacionalista J. Dwight Pentecost, no Manual de Escatologia afirma a respeito da interpretação ‘correta’ do que será restaurado no milênio, segundo os dispensaccionalistas, é semelhante ao arônico, mas não necessariamente o mesmo. Existem diferenças e semelhanças. Que semelhanças são essas? J. D. Pentecost usa texto de Ezequiel e afirma: 

“Existem certas semelhanças entre os sistemas arônico e milenar. No sistema milenar encontramos o centro da adoração num altar (Ez 43.13-17), onde o sangue é aspergido (43.18), e são oferecidos holocaustos, ofertas pelo pecado e culpa (40.39). A ordem levítica é restituída, já que os filhos de Zadoque são escolhidos para o ministério sacerdotal (43.19). A oferta de manjares está incorporada ao ritual (42.13). Existem rituais prescritos para a purificação do altar (43.20-27), dos levitas que ministram (44.25-27) e do santuário (45.18). Haverá observação das luas novas e dos sábados (46.1). Sacrifícios serão oferecidos diariamente pela manhã (46.13). Heranças perpétuas serão reconhecidas (46.16-18). A Páscoa será novamente observada (45.21-15) e a festa dos tabernáculos torna-se um acontecimento anual (45.25). O ano do jubileu observado (46.17). Há semelhanças nos regulamentos dados para governar o modo de vida, o vestuário e o sustenta da ordem sacerdotal (44.15-31). O templo no qual esse ministério é executado torna-se novamente o local onde se manifesta a glória de Jeová (43.3-5). Percebemos então que a forma de adoração no milênio terá grande semelhança com a velha ordem arônica.” (Manual de Escatologia, pp. 524,525).

Embora segundo Pentecost, o que mais importa são as diferenças e não as semelhanças, mas ambas nos preocupam. Achar que por ter diferenças, torna mais sublime, é um meio de nublar toda a problemática. Até mesmo nas diferenças, algumas coisas estranhas são apresentadas. Pois sugerem até que tal Templo e sacerdócio terá um “rei-sacerdote da ordem de Melquisedeque, talvez Davi ressurreto [...]” (p. 529)!!!

O sistema sacrificial: 
Segundo os defensores desse erro, os sacrifícios serão comemorativos e não expiatórios. Diz J. D. Pentecost que nem no VT os sacrifícios eram expiatórios, pois apontavam a Cristo, assim também serão os sacrifícios no milênio dispensacional: “Que insensatez argumentar que um ritual poderia realizar no futuro o que nunca pôde ser realizar, ou realizou, ou foi projetado para realizar no passado.”(Manual de Escatologia, p. 530). Os sacrifícios, então, “serão memoriais quanto ao caráter” escreveu o dispensacionalista. Enquanto no VT era algo que apontaria para o futuro, os sacrifícios do milênio dispensacionalista, serão em retrospectiva (p. 531).

Os sacrifícios de animais durante o milênio, proposto na escola dispensacionalista, talvez guiado por Davi, exercerá uma mesma função semelhante da santa ceia. Veja: 
“o pão e o vinho da ceia do Senhor são, para o crente, símbolos e memoriais físicos e materiais da redenção já adquirida. E esse será o caso com os sacrifícios reinstituídos em Jerusalém; eles serão comemorativos, como sacrifícios antigos se davam em perspectivas.” (Manual de Escatologia, p. 532).

O que nossos apologistas acham disso? Quando comparo tais ensinos com a doutrina do Juízo Investigativo de Ellen White, creio que ela tem menos problemas com sua lenda do que os tais ensinos dispensacionalistas.

Uma pergunta importante ainda é: o calvinismo é heresia em comparação a o que? Nem Soares nem Martinez podem apontar heresias em assuntos como a doutrina de Deus, do pecado, da salvação, ou da revelação no sistema reformado. Certamente só pode ser heresia em comparação ao Arminianismo e ao Catolicismo. Nesse ponto, os nossos irmãos Elias e Martinez, seriam exclusivistas, haja vista que apenas o sistema doutrinário deles seria correto. 

O que faz o calvinismo ser herético para Elis Soares e João Flávio Martinez? Respondo: Visto que o pecado destruiu a boa intenção do homem em direção a Deus, Deus ser Soberano da extensão de sua salvação, e para realizar isso, O Espírito santo chamar irresistivelmente seus eleitos, aplicando neles os benefícios salvadores da Redenção de Cristo, visto que o mesmo morreu eficazmente pela igreja, e preservando-os em sua graça sob as exortações e santificação do Espírito!

Ambos, não são capazes ainda de notarem, que o baixo nível que os evangélicos se encontram no Brasil é devido os desvios do pentecostalismo místico (chamado de neopentecostal) ou do pentecostalismo antigo (mais legalista) e do arminianismo humanista, que impactou até mesmo igrejas reformadas, mas que agora estão sendo despertados pela força das doutrinas reformadas. Aliás, se hoje há arminianismo clássico, é mais um reação ao calvinismo do que remédio para o semi-pelagianismo que existe na mente da maioria dos evangélicos. 

Mesmo assim... assista o vídeo!






sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A profecia Bíblica previu o avanço do ativismo gay

O que estamos vendo no Brasil e no mundo, é nada menos que um cumprimento profético. Algo estranho, é saber que por um lado o Islã é uma ameaça e em muitas alas, uma ameaça agressiva contra a Igreja de Cristo, com seus radicais massacrando os cristãos, ao cínico silêncio da mídia mundial, vejo outro extremo, o ativismo gay – que por natureza seria um absurdo oposto ao que o Islamismo defende. Mas ambos estão oprimindo a Igreja do Senhor Jesus.

Minha leitura bíblica cada vez mais me convence que temo uma clara profecia bíblica indo em vias de aumentar seus efeitos. Em Apocalipse 11 existe uma visão de “duas Testemunhas”, que os intérpretes mais conservadores e ortodoxos indicam como sendo símbolo da Igreja – autores como Russel Shedd (Escatologia do Novo Testamento, p. 60) e William Hendriksen (Mais que Vencedores, p. 155) entre outros indicam essa interpretação. Essas "duas Testemunhas" por fim serão mortas pela besta, isto é, serão massacradas pelo anticristo. Em qual terreno ele fará isso? Veja o que a profecia diz:

“E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado. (Ap 11.8)

Percebemos que nessa linguagem simbólica, Egito sempre foi sinônimo do império que oprimiu o povo de Deus, e Sodoma, sinônimo da perversão sexual e homossexual. Estamos sim, diante do cenário que perseguirá a Igreja. Claro, outros agentes e seguimentos, também entraram nessa furiosa perseguição. Mas o que destaco aqui, é que o que sinaliza a nós claramente, essa guerra contra a Igreja de Jesus Cristo.


Ore, batalhe, persevere, apoie e ore pelos que estão na frente da batalha, acumule vigor espiritual, pois o ‘dia mau’ se aproxima!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

As deturpações da Nova 'Tradução' do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová

Uma comparação detalhada, com uma conclusão flagrantemente comprometedora, que deixa os apologistas da Torre (da internet), sob condições indefensáveis!



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Edson Reis e o enfraquecimento da doutrina de 1914 das Testemunhas de Jeová

No vídeo abaixo, de maneira objetiva, o irmão em Cristo Edson Reis, chama a atenção para uma sutil informação onde parece que a Liderança 'profética' das Testemunhas de Jeová está começando a enfraquecer em seu bojo doutrinário a lenda de que em 1914 Jesus começou a Reinar no Céu. Data essa tão cara e importante para a história da religião do Corpo Governante.


Coloco abaixo as duas imagens que ele mostra no vídeo






terça-feira, 3 de outubro de 2017

1844: O pai dos cálculos de Guilherme Miller

De onde Guilherme Miller e seu companheiro Samuel Snow, tiraram suas conclusões para a interpretação de que Jesus voltaria em 1843/1844? Havia na época um grande número de crentes e intérpretes oriundos de varias igrejas, que especulavam qualquer tipo de predições com base no livro de Apocalipse e Daniel. Esses, evidentemente, deixaram uma hermenêutica sadia, que norteava a teologia das igrejas históricas protestantes, já amadurecida na época1, enveredando-se por especulações proféticas.

Ellen White assegura que Miller chegou a essa conclusão sozinho. Ela dedica um capítulo do livro O Grande Conflito para mostrar que em outros países diversos haviam chegado a uma conclusão semelhante, como que se fosse algo divinamente direcionado. Porém, essa senhora ou estava enganada, ou engana seus leitores.

Quais são os fatos? Qual a real origem desse volume de mensageiros proféticos no século XIX?

Um ex-ancião das Testemunhas de Jeová, Carl Olof Jonsson, publicou um importante livro questionando a data profética de 1914 das Testemunhas de Jeová. É o melhor e mais profundo trabalho existente sobre o assunto.

Para levantar a origem da data de 1914, Jonsson teve que percorrer uma parte da história que nos interessa agora:

“Na longa história da especulação profética, John Aquila Brown, da Inglaterra, desempenha um papel destacado. Embora não tenha sido encontrada qualquer informação biográfica sobre Brown até agora, ele influenciou fortemente o pensamento apocalíptico de sua época. Ele foi o primeiro expositor que aplicou os supostos 2.300 anos-dias de Daniel 8:14 de forma que terminassem em 1843 (depois 1844)”2

Mesmo que desde os primeiros séculos de nossa era, rabinos judaicos preparam o terreno hermenêutico para tais interpretações3, J. A. Brow foi, segundo Jonsson, o pioneiro da interpretação que se tornara o eixo da existência adventista. A expectativa de Brown era a mesma que Miller pregou:

“Esperava-se que o segundo advento ocorreria durante o ano 1843/44, contado da primavera a primavera [setentrional] como se fazia no calendário judaico.” 4

Ainda que alguns rejeitem, Jonsson refuta a possível objeção:

“Argumentou-se que os expositores nos Estados Unidos chegaram à data 1843 como sendo o fim dos 2.300 anos independentemente de Brown. Embora isso possa ser verdade, não pode ser provado, e é interessante que O Observador Cristão, de Londres, Inglaterra, um periódico iniciado em 1802 que tratava freqüentemente de profecias, tinha também uma edição americana publicada em Boston, que publicava simultaneamente artigo por artigo da edição britânica. Portanto o artigo de Brown sobre os 2.300 anos poderia ter sido lido por muitos nos Estados Unidos já em 1810. Logo depois disso, a data 1843 começou a aparecer em exposições proféticas americanas.5

Carl Jonsson apresenta em seu livro uma cópia de um periódico de J. A. Brown, mostrando assim evidência de sua afirmação. Quem precisa agora provar ao contrário, são os adventistas para salvaguardar a versão da história que Ellen White deu.

Segundo Miller, ele entendeu o tempo de Dn 8.14 como terminando em 1843/44, - em 1818 seriam oito (8) anos após  a possível presença dos escritos de J. A. Brow em solo americano.

Portanto, diante desses fatos, mas especialmente diante dos resultados do movimento adventista, não foram os anjos que guiaram Miller em suas interpretações. Nem o Espírito Santo. Não foi uma interpretação independente, como sugere Ellen White, nem mesmo uma grande movimento mundial legitimamente bíblico. Melhor pensarmos que foi uma grande euforia mundial.

NOTAS
1. Tome como exemplo a Confissão de Fé de Westminster que norteia o pensamente presbiteriano: “XXXIII,3. Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de juízo, assim também quer que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que eles se despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que hora virá o Senhor, e estejam prontos para dizer - "Vem logo, Senhor Jesus". Amém.II Ped. 3:11, 14; II Cor. 5:11; II Tess. 1:5-7; Luc. 21:27-28; Mat. 24:36, 42-44; Mar. 13:35-37; Luc. 12:35-36; Apoc. 22:20.” Faz parte da construção de fé Reformada aceitar a verdade bíblica de Mt 24.36. Qualquer presbiteriano/reformado que se aventurar em marcar datas para a volta de Cristo, deixa de ser bíblico, isto é, Reformado.
2. Carl Olof Jonsson. Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, p. 37-40 [Versão em PDF: http://pt.scribd.com/doc/22871648/Carl-Olof-Jonnson-Tempos-Dos-Gentios-Reconsiderados].
3. Ibid, pp. 29,30.
4. Ibid, p. 40.
5. Ibid, p. 40.



terça-feira, 19 de setembro de 2017

Palestrante Adventista reconhece que trindade adventista é diferente

Há algum tempo tenho batido na tecla que há um engodo teológico adventista em relação a doutrina da trindade. Esse assunto veio à tona quando o apresentador da TV adventista, questionou uma palestra que fiz no Seminário Presbiteriano JMC (AQUI). Na ocasião achei estranho uma de suas objeções, que parecia questionar a doutrina clássica da Trindade. Então, um leitor do blog, o irmão Paulo Cadi em um comentário me fez esse apontamento, o que demandou pesquisas de minha parte.

A prova documentada que depois publiquei em meu livro, A Conspiração Adventista e a expandi de forma significativa em uma postagem aqui no blog, até hoje não foi questionada. Nem pode!

Assistindo alguns vídeos na internet me deparei com a palestra de um adventista de nome Lucas Higor (ex-pastor do movimento antitrinitário adventista, hoje novamente na IASD tradicional), em uma Igreja Adventista, onde ele afirma isso categoricamente, a partir do tempo 14:50 onde faz uma seleção de citação de crenças oficiais dos Presbiterianos, Batistas e Metodistas, e então fala abertamente que os Adventistas creem em outra trindade.

Apesar de sua avaliação sobre a crença oficial protestante sobre a trindade ter sido  de um reducionismo empobrecido, e com uma conclusão imprecisa, perceba a clara rejeição da Trindade Clássica. Além disso, há mais problemas nessa histórica de pioneiros adventistas que não coaduna com essa ‘justificativa’ que ele apresenta.


Espero que mais teólogos brasileiros atentem a esse fato. Apesar de ser difícil, já que o Adventismo ganhou espaço no cenário evangélico nacional. Que Deus nos ajude, e que isso seja mais conhecido!



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Nova Edição da Almeida Atualizada removeu a Cláusula Joanina – I Jo 5.7

Há um acordo entre as Sociedades Bíblicas de tempos em tempos, atualizarem a linguagem das Bíblias. Chegou mais uma vez, a vez da Almeida Revista e Atualizada. Por enquanto, apenas o uma edição com o Novo Testamento – Salmos e Provérbios, está disponível. As mudanças aplicadas a esse novo texto são explicadas na Apresentação – relacionadas especialmente em pronomes (tu ficou quando o relato demonstra um tratamento com Deus, e você com pessoas). Uma mudança necessária também foi colocar a ordem dos sujeitos antes dos verbos, como é a estrutura em nossa língua.  Excluíram-se as mesóclises, “louvar-te-ei” para o simples “te louvarei”, mais comum em nossos dias.

No entanto, houve algumas mudanças significativas que foge da área gramatical apenas. O que fez com essa Nova Edição da Almeida Atualizada se aproximasse mais da Almeida Século XXI (antiga Almeida Revisada) do que da Almeida Corrigida. Vou citar alguns exemplos:

1º) Novos colchetes. Sabemos das questões envolvem Marcos 16.9-20 [o fim longo ou curto]; Jo 7.53-8.11[a mulher adúltera]. A Almeida Atualizada não colocava colchetes no texto de Marcos. Nesse ponto nem emitia nenhuma informação no texto, tal como as Edições da Almeida Corrigida. Nessa Nova Edição, porém, o trecho de Marcos está em colchetes com nota informando que a passagem “se encontram apenas em manuscritos mais recentes.”

A validade e refutação dos argumentos críticos dessas, e de outras passagens, podem ser lidas na tese do Dr. Wilbur Pickering: AQUI

2º) I João 5.7. Talvez a mudança mais significativa se encontra na chamada “glosa joanina” ou “parênteses joanino”, das três testemunhas no céu. Até então, na Almeida Atualizada o texto polêmico aparecia pelo menos em colchetes. 

7 Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. 8 E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.

Veja a imagem agora da Nova Edição da Almeida Atualizada:



Devemos destacar que tal texto não aparece nem nos mais antigos nem na maioria dos MSS do NT. Portanto, ele não é apoiado também no Texto Majoritário, caso alguém ainda entenda que Textus Receptus e Majoritário, hoje, seria termos intercambiáveis em serem supostamente 100% semelhantes.

O professor de grego do NT, João Paulo Aquino, do Centro de Pós Graduação, Andrew Jumper, afirma categoricamente:

“Em suma, a história textual aponta fortemente para o fato de que o texto aumentado [...] não é original e não deveria aparecer em nenhuma Bíblia, nem mesmo entre colchetes. Além disso, não há nenhuma razão para supor que esse texto seja original e tenha sido excluído por copistas em centenas de manuscritos.”



Provavelmente essa ‘exclusão’ na Nova Edição provocará novas e ardentes críticas pelos aderentes do Receptus

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O maior desastre para as Testemunhas de Jeová

Como se não bastasse o abalo que a Torre de Vigia sofreu desde o advento da internet, onde a sua história verdadeira passou a ser conhecida, cresce o número de informações da existência dos Estudantes da Bíblia Associados, herdeiros da visão de C. T. Russel. Para quem conhece bem a identidade profética que essa religião imprime na sua teologia, sob as veredas de sua história, sabe que isso é um desastre total para as pretensões proféticas dessa religião.

É mais que certo, que o J. F. Rutherford, que colocou o nome nos Estudantes da Bíblia que o seguia, de "Testemunha de Jeová", se apoderou da herança histórica de Russel sem muito pudor. Talvez inúmeros Estudantes da Bíblia na época, também não se deram conta disso, mas muitos não o seguiram, desde o golpe jurídico que deu nos anos que seguiram após a morte de Russel (1916). Aí, percebe-se o porquê a Torre de Vigia precisa sempre acoplar outras datas e reajustes de doutrinas, posteriores a 1914, para que possam se tornar mais diferentes dos verdadeiros Estudantes da Bíblia Associados.

Abaixo um vídeo de um dos Estudantes da Bíblia no Brasil, explicando alguns desses problemas e o site desse movimento. As Testemunhas de Jeová, geralmente não se desligam delas, por que apenas elas, em tese, negariam a Trindade, o inferno, etc. Creio, que o número de ex-Testemunhas de Jeová se tornará o grande número desses Estudantes da Bíblia, à medida que o tempo passar e elas verem que mais uma vez, a Torre de Vigia omitiu informações. Isso, como aconteceu com as informações de Carl O. Jonsson, Raymond Franz, custarás novas demandas apologéticas nas entrelinhas, e uma outra onda de apologistas autônomos. 

Não que os Estudantes da Bíblia Associados tenham alguma luz do Evangelho verdadeiro conforme a interpretação clássica, mas ao menos são pessoas que estão falando a verdade a respeito de sua história. 




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os Presbiterianos e o Sábado, segundo Adventistas

O artigo adventista intitulado, Os Presbiterianos, a Lei e o Sábado, apresenta uma imagem a respeito da teologia oficial presbiteriana, para que de alguma forma ofereça subsídios para a defesa adventista a respeito do Sábado. Quero fazer alguns apontamentos a respeito desse artigo. Apesar de que o sábado se efetivou no Adventismo via Ellen White e suas visões, vou fazer uma avaliação sobre o artigo desconsiderando esse fator nevrálgico.

1. O patrono do presbiterianismo. O autor do texto fala que o Reformador João Calvino, é o mentor da teologia presbiteriana. Ele, porém, apenas deixou de mencionar que, em matéria de Sábado, a posição de João Calvino, não foi seguida exatamente pela teologia puritana, que produziu os Símbolos de Westminster. James M. Boice diz

“Em geral, há três abordagens para a questão do Sábado. Primeiro, tem sido ensinado por alguns que os cristãos devem guardar o sábado. Esta é a posição, por exemplo, dos adventistas do sétimo dia e também de outros. Segundo, há a visão de que o domingo é equivalente no Novo Testamento ao que é o Sábado no Antigo, e, portanto, é para ser guardado de maneira similar. A Confissão de Fé de Westminster chama o Dia do Senhor de Sabbath cristão [...] Terceiro, há a visão de que o sábado foi abolido pela morte e ressurreição de Jesus, e que um novo dia, O Dia do Senhor, que tem características próprias, substituiu-o. Essa foi a visão de Calvino que disse com clareza que “o dia sagrado para os judeus foi descartado e que outro [dia] foi colocado em seu lugar”. (Fundamentos da Fé Cristã, p. 203).

No livro Do Shabbath para o Dia do Senhor capítulo 11, demonstra que esse foi o fato. Nem Lutero, nem Calvino, defenderam uma postura idêntica daquela que viera a ser mantida pela Teologia Reformada posterior em seus postulados confessionais, no tocante ao quarto mandamento, em especial os de Westminster. Ainda que haja significativa semelhanças.

2. Os Dez Mandamentos – ‘resumidamente compreendida’. O artigo também cita a pergunta do Catecismo Maior de Wesminster que diz que a Lei Moral está “resumidamente compreendida” nos Dez Mandamentos. Precisamos qualificar melhor isso. A Lei Moral encontra um resumo, não seu detalhamento nos Dez Mandamentos. Possuem uma semente, que se expande em toda Bíblia. Jesus demonstrou isso no Sermão do Monte (Mt 5.21-32). Creio que uma diferença significativa aqui é que Adventismo tem um olhar muito místico nas duas tabuas, não seu valor pedagógico claramente pretendido, conforme advoga a Teologia Reformada. Nas tábuas da Lei não havia proibição nem punição para a fornicação entre solteiros, mas a lei exigia o casamento – caso o pai da moça não proibisse. Também, se compararmos a Lei em Êxodo 20 com Deuteronômio 5, percebe-se diferenças.

Veja um exemplo claro no Catecismo Maior de como o resumo é detalhado depois com inúmeras passagens bíblicas e em outras perguntas. Repare bem que a questão 123 recebe depois outras 10 questões de amparo para explicar o 5º mandamento:

123. Qual é o quinto mandamento? O quinto mandamento é: “Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma longa vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.” Ex 20.12.
124. Que significam as palavras “pai” e “mãe”, no quinto mandamento? As palavras “pai” e “mãe”, no quinto mandamento, abrangem não somente os próprios pais, mas também todos os superiores em idade e dons, especialmente todos aqueles que, pela ordenação de Deus, estão colocados sobre nós em autoridade, quer na Família, quer na Igreja, quer no Estado. Gn 4:20,21;45:8; II Rs 2:12;5:13; Is 49:23; Pv 23:22,25; I Tm 5:1,2;Gl 4:19. 125. Por que são os superiores chamados “pai” e “mãe”? Os superiores são chamados “pai” e “mãe” para lhes ensinar que, em todos os deveres para com os seus inferiores, devem eles, como verdadeiros pais, mostrar amor e ternura para com aqueles, conforme as suas diversas relações; e para levar os inferiores a cumprirem os seus deveres para com os seus superiores, pronta e alegremente, como se estes fossem seus pais. Ef 6:4; I Ts 2.7,8,11,12; I Co 4:14-16. 126. Qual é o alcance geral do quinto mandamento? O alcance geral do quinto mandamento é o cumprimento dos deveres que mutuamente temos uns para com os outros em nossas diversas relações como inferiores, superiores ou iguais. Ef 5:21; I Pe 2:17; Rm 12:10. 127. Qual é a honra que os inferiores devem aos superiores? A honra que os inferiores devem ao superiores é toda a devida reverência sincera, em palavras e em procedimento; a oração e ações de graças por eles; a imitação de suas virtudes e graças; a pronta obediência aos seus mandamentos e conselhos legítimos; a devida submissão às suas correções; a fidelidade, a defesa, a manutenção de suas pessoas e autoridade, conforme os seus diversos graus e a natureza de suas posições; suportando as suas fraquezas e encobrindo-as com amor, para que sejam uma honra para eles e para o seu governo. Gn 9:23; Ml 1:6; Pv 31:23,38,39; Lv 19:3,32; I Sm 26:15,16; I Rs 2:19;Sl 127:3-5; Mt 22:21; Rm 16:6,7; Ef 6:1,2; I Pe 2:13,1,18-20;4;3:6;  I Tm 2:1,2;5:17,18; Fl 3:17;Tt 2:9,10; Hb 12:9;13:7. 128. Quais são os pecados dos inferiores contra os seus superiores? Os pecados dos inferiores contra os seus superiores são: toda negligência dos deveres exigidos para com eles; a inveja, o desprezo e a rebelião contra suas pessoas e posições, em seus conselhos, mandamentos e correções legítimos; a maldição, a zombaria e todo comportamento rebelde e escandaloso, que vem a ser uma vergonha e desonra para eles e para o seu governo. Êx 21:15; Dt 21:18,20,21; Pv 19:26;30:11,17; I Sm 8:7;10:27; II Sm 15:1-12; Is 2:25;3:5; Sl 2:25;106:16; Mt 15:5,6. 129. Que se exige dos superiores para com os seus inferiores? Exige-se dos superiores, conforme o poder que recebem de Deus e a relação em que se acham colocados, que amem os seus inferiores, que orem por eles e os abençoem; que os instruam, aconselhem e admoestem, aprovando, animando e recompensando os que fazem o bem, e reprovando, repreendendo e castigando os que fazem o mal; protegendo-os e provendo-lhes tudo o que é necessário para a alma e o corpo; e que, por um procedimento sério, prudente, santo e exemplar glorifiquem a Deus, honrem-se a si mesmos, e assim preservem a autoridade com que Deus os revestiu. Dt 6:6,7; Cl 3:19; I Sm 12:23; Jó 1:5; Pv 29:15; I Rs 3:28;8:55,56; Is 1:17; Ef 6:3,4; Rm 13:3,4; I Pe 2:14;3:7; Tt 2:4,15; I Tm 4:12;5:8. 130. Quais são os pecados dos superiores? Os pecados dos superiores, além da negligência dos deveres que lhe são exigidos, são a ambição incontrolável, a busca desordenada da própria glória, repouso, proveito ou prazer; a exigência de coisas ilícitas ou fora do alcance de os inferiores poderem realizar; aconselhando, encorajando ou favorecendo-os naquilo que é mau; dissuadindo, desanimando ou reprovando-os naquilo que é bom; corrigindo-os indevidamente; expondo-os descuidosamente ao dano, à tentação e ao perigo; provocando-os à ira; ou de alguma forma desonrando-se a si mesmos, ou diminuindo a sua autoridade por um comportamento injusto, indiscreto, rigoroso ou negligente. Gn 9:21; Ex 34:2,4; Lv 19:29; Dt 17:17; I Rs 12:13,14; Is 56:10,11;58:7; Jr 5:30,31;6:13,14; Dn 3:4,6; Mt 14:8;23:2,4; Mc 6.4; Jo 5:4;7:18,46-48; At 4:18; Ef 6:4; I Pe 2:19,20; Fp 2:21;Hb 12:10. 131. Quais são os deveres dos iguais? Os deveres dos iguais são o considerar a dignidade e o merecimento uns dos outros, tendo cada um aos outros por superiores; e o alegrar-se com os dons e a promoção uns dos outros como sendo de si mesmos. Rm 12:10;15-16; Fp 2:3,4; I Pe 2:17. 132. Quais são os pecados dos iguais? Os pecados dos iguais, além da negligência dos deveres exigidos, são a depreciação do merecimento, a inveja dos dons, a tristeza causada pela promoção ou prosperidade dos outros, e a usurpação da preeminência que uns têm sobre outros. Nm 12:2; Pv 13:21; Is 65:5; Mt 20.15;25-27; Lc 15:28,29;22:24-26; Rm 13:8; II Tm 3:3; At 7:9; Gl 5:26; I Jo 3:12; III Jo 9. 133. Qual é a razão anexa ao quinto mandamento para lhe dar maior força? A razão anexa ao quinto mandamento, para lhe dar maior força, contida nestas palavras: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”, é uma promessa de longa vida e prosperidade, tanto quanto sirva para a glória de Deus e para o bem de todos quantos guardem este mandamento. Ex 20.12; Dt 5:16; I Rs 8:25; Ef 6:2,3.

Por que se dá isso? Porque o Decálogo possui um resumo da Lei Moral, não sua extensão. Daí a conclusão do autor do artigo, que o CMW diz que o Decálogo é “A DECLAÇÃO DA VONTADE DE DEUS”, é reducionista, e não apresenta com precisão o que o CMW disse nas partes indicadas por ele.

3. Deus deu a Lei antes da Queda. O artigo também ventila, sem melhores esclarecimentos, que Deus deu a Lei a Adão como pacto de obras. Sem perdermos espaço com a questão do pacto da obras, deve ser dito que Adão recebeu a Lei de Deus em primeiro lugar de forma positiva. ‘Não ter outros deuses, não fazer imagens, não matar, não adulterar’, etc, são proibições negativas que levam em conta um estado de pecado presente na pessoa e no mundo, que não estavam presentes no Éden, muito menos no céu. Obviamente, Adão recebeu em sua consciência a Lei Moral, e também a proibição expressa da proibição de comer o fruto. O renomado teólogo reformado Louis Berkhof nos explica:

“Essencialmente, a lei moral, como Adão a conhecia, era sem duvida semelhante aos dez mandamentos, mas sua forma era diferente. Em sua presente forma, a lei moral pressupõe o conhecimento do pecado e, portanto, é primordialmente negativa; no coração de Adão, porém, só pode ter tido caráter positivo. Mas justamente por ser positiva, não trazia à consciência a possibilidade de pecar. Portanto, foi acrescentado um mandamento negativo.” (Teologia Sistemática, p. 200).

Outro teólogo reformado, A. A. Hodge diz:

“[...] essa lei moral, pelo menos em princípios essenciais, e até onde era necessária para guiar os homens num estado de inocência, foi revelada na própria constituição da natureza do humana” (Confissão de Fé Comentada, p. 340).

Em segundo lugar, alguns detalhes da lei, não estavam presentes na eternidade, já que o descanso sabático decorre da criação, na eternidade não devemos achar que havia sábado!

4. Colossesnses 2.16. Na avaliação do articulista, no tópico anterior em sua postagem, ele chamou a atenção a distinção da lei, entre moral e cerimonial. Obviamente essa é uma distinção feita pela teologia, que não é declarada na Escritura. Nós que devemos fazer o julgamento entre lei e lei, para chegarmos à essa conclusão. Daí, ele introduz um texto muito debatido – Colossesnses 2.16.

Esse texto é interpretado de duas maneiras na tradição reformada, e o autor adventista omite isso, se é que ele o sabe. Uma interpretação, que é que tal texto prova ao menos que o sábado foi abolido. Podemos demonstrar em um exemplo. 

Vejamos o que João Calvino escreveu sobre esse texto:

...escreve o Apóstolo em outro lugar que o sábado tem sido uma sombra da realidade futura, e que o corpo, isto é, a sólida substância da verdade, que bem explicou naquela passagem, está em Cristo... Portanto, que esteja longe dos cristãos a observância supersticiosa de dias... ainda que o sábado esteja cancelado, entre nós, não obstante, ainda tem lugar isto: primeiro, que nos congreguemos em dias determinados para ouvir a Palavra, para partir o pão místico, para as orações públicas; segundo, para que se dê aos servos e aos operários relaxação de seu labor.” (As Institutas, Vol II p. 159).

A interpretação de Calvino sobre Colossenses 2.16,17 é diferente daquela mantida pelos interpretes confessionais puritanos que encaram esse texto como destacando os outros dias sabáticos, e não o quarto mandamento – nesse ponto os adventistas plagiaram a teologia puritana. Veja quando a CFW cita o texto de Colossesnsses 2.17:

III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas abrogadas sob o Novo Testamento. Heb.10:1; Gal. 4:1-3; Col. 2:17; Exo. 12:14; I Cor.5:7; II Cor. 6:17; Col. 2:14, 16-17; Ef. 2:15-16.

(Sempre insiro um qualificativo, na soma dessas interpretações reformadas: O sábado foi abolido pela substituição – digo isso por causa de minha concordância confessional com a CFW e com a exegética de João Calvino a respeito de Cl 2.16. Tire o texto de Cl 2.17 citado nessa parte da CFW, e sua doutrina continua a mesma.)

5. A desonestidade acadêmica. Nos pontos 6 ao 8, em especial o ponto 8, o autor demonstra sua ‘competência’ de dar impressões distorcidasEle não mencionou em nenhum momento nessas partes, as doutrinas oficiais presbiterianas a respeito do assunto. Por que não? Para omitir a continuidade da argumentação dos Símbolos de Westminster de forma a levar leitores a terem uma impressão que a defesa do sábado favorece a interpretação adventista! Ele não colocou a parte da CFW que responderia pergunta! Veja a pergunta que ele formulou:

“(8) Por Quanto Tempo Deve Durar o Mandamento do Sábado?” 

Daí ele falou dos comentários de presbiterianos que usam o termo sábado, mas ele não explica que para esses, “sábado cristão” é sinônimo de primeiro dia da semana, domingo, e não sétimo dia!

E se ele colocasse os Símbolos de Westminster que responderia a pergunta? Veja:

CFW: Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão. Exo. 20:8-11; Gen. 2:3; I Cor. 16:1-2; At. 20:7; Apoc.1:10; Mat. 5: 17-18.

CMW: 116. Que se exige no quarto mandamento?  No quarto mandamento exige-se que todos os homens santifiquem ou guardem santos para Deus todos os tempos estabelecidos, que Deus designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em cada sete; que era o sétimo desde o princípio do mundo até à ressurreição de Cristo, e o primeiro dia da semana desde então, e há de assim continuar até ao fim do mundo; o qual é o sábado cristão, que no Novo Testamento se chama Dia do Senhor. Gn 2:3; Is 56:2,4,6,7; I Co 16:2; At 20:7; Jo 20:19-27; Ap 1:10.

Omitir isso, foi evidentemente intencional!!!

Isso é adventismo...