segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A PROIBIÇÃO DE ALIMENTOS IMPUROS DO ANTIGO TESTAMENTO E NOVO TESTAMENTO



INTRODUÇÃO

Ao lermos a Bíblia, especialmente na sua primeira parte, o Velho Testamento, encontramos muitas estipulações a respeito de dietas alimentares. Deus indicou uma lista de alimentos (Lv 11; Dt 14.3-20, etc) que o seu povo, os israelitas, deveriam abster-se. Devemos lembrar que antes mesmo da lei ser dada a Israel, Deus nos dias de Noé já havia feito separação entre animais ‘impuros e puros’ (Gn 7.2).

Por quais motivos encontramos Deus proibindo certos tipos de alimentos, do mundo animal, ao seu povo? A principal explicação dada é que tais animais poderiam ter um potencial de doenças, bactérias, etc. Outra razão apresentada é que alguns desses comiam presas com sangue, e eram carniceiros, ambas as coisas proibidas por Deus (Gn 9.4; Lv 5.2)1. Essas razões, porém, não podem ser verificadas na Bíblia. Deus não disse por quais motivos ele considerou aquelas animais imundos. A razão não foi claramente revelada. Essa resposta não temos (Dt 29.29). Só temos a determinação de Deus, de que tais eram impuros:

Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra;Para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer.” Levítico 11:46,47


I.                   COMO COMPREENDER A LEI DE DEUS  A RESPEITO DO ASSUNTO?

Na perspectiva protestante, corretamente interpretando a Bíblia, cremos que a Lei de Deus tem três facetas:

III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento. Heb.10:1; Gal. 4:1-3; Col. 2:17; Exo. 12:14; I Cor.5:7; II Cor. 6:17; Col. 2:14, 16-17; Ef. 2:15-16.

IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.Exo. 21, e 22:1-29; Gen. 49:10; Mat. 5:38-39.

V. A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.I João 2:3-4, 7; Rom. 3:31; Tiago, 2:8, 10, 11; Rom-. 3:19- Mat. 5:18-19.”2

Portanto, a Lei de Deus é moral, cerimonial e civil. E um exame bíblico mais ponderado, pode nos indicar quais leis do VT são de cada uma dessas classes.


II.                AS PROIBIÇÕES CONTINUAM AOS CRISTÃOS?

Com a vinda de Cristo, como mencionado na citação acima, algumas leis foram modificadas, outras foram expandidas, e ainda outras, cumpridas (= abolidas). Mas não são os cristãos que devem dizer quais continuam ou não. Foi Deus que ao inspirar os autores do Novo Testamento deu os indicativos diretos e indiretos de quais conclusões devemos adotar. Leiamos alguns textos do Novo Testamento, para deixarmos o próprio Deus falar. Observe as partes que destaquei em negrito:

1. “Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum.” (Atos 10. 10-15).

No caso acima, Deus revelou a Pedro que os gentios (os não judeus) não eram mais para serem excluídos da mensagem. Para isso, Deus usou a questão de alimentos puros e impuros nessa visão a Pedro. Caso não fosse próprio, Deus certamente não usaria um ato pecaminoso para ilustrar a graça aos gentios.

2. “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu. Não seja, pois, vituperado o vosso bem. Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros. Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.” (Romanos 14).

O famoso comentarista bíblico, Matthew Henry, explica a respeito de um versículo dessa passagem: 
“Paulo está bem convencido de que a distinção cerimonial de carnes entre puras e impuras não está mais vigente, mas que cada criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado. Nisto o cristãos forte está limpo ...”3

3. “Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.”(I Tim. 4.3-5).

Por fim, um texto bíblico que bem conclusivo para o debate, especialmente a respeito de acusações que alguns seguidores das leis dietéticas do Velho Testamento constantemente lançam sobre os cristãos. A passagem é muito clara, e deixa os cristãos livres de acusações:

4. “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” (Colossenses 2:16,17).

Sobre esse texto, a Bíblia de Estudo NVI comenta:

“As leis cerimoniais do AT são apresentadas aqui como sombras (cf. Hb 8.5; 10.1) por retratarem simbolicamente a vinda de Cristo; por isso, qualquer insistência na observância dessas cerimônias deixa de reconhecer o fato de que já foram cumpridas em Cristo.”4

Talvez alguém possa perguntar: “Se os alimentos impuros eram cerimoniais, e como tal, foi abolido em Cristo, como não comer alimentos impuros representava a vinda de Cristo?”

Minha resposta: Com base na visão dada a Pedro (Atos 10), a distinção visava demonstrar a rejeição dos gentios fora de Israel, não sendo antigamente incluídos na aliança. É o que temos revelado na Escritura:

“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” (Efésios 2:13-16).


NOTAS
1.Bíblia de Estudo Genebra, Edição Revista e Ampliada, p. 160.
2. Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XIX.
3. Bíblia de Estudo Matthew Henry, p. 1844.

4. p. 2044.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Evangelização Confessional – Parte 2

Para uma evangelização confessional, isto é, bíblica, você precisa acima de tudo ter duas atitudes em relação aos símbolos de fé presbiterianos - Primeiro conhecê-los e forma abrangente. Ler constantemente, na só a Confissão de Fé de Westminster, mas especialmente seus Catecismos. Segundo, ter fervor, convicção, entusiasmo, a respeito de suas posições bíblicas confessionais. O mundo tem convicção de seu relativismo, os neopentecostais de suas heresias, judeus foram trucidados e muçulmanos morrem e matam pela fé. Porém, muitos Reformados, parecem adotar uma atitude ‘complacente’ e apática em relação á sua fé, que não dá para entender por que são, muitos desses, pastores, presbiterianos. Não há fervor na alma. Se achar que não há fervor na vida Confessional, então duas coisas você não sabe mesmo: A vida dos puritanos, e duas perguntas e repostas do Catecismo Maior – a 104 e 105.

Jamais você verá os frutos de ser fiel aos símbolos de fé presbiterianos se você não conhecer e não ter paixão ardente por eles. Quando me deparo com alguns comentários negativos a respeito dos Símbolos da IPB, não raro identifico isso. O que está decepcionado em usar, não tem nenhum conhecimento a mais, nenhuma experiência de vida a respeito, nenhum plano devocional. Parece que o período no Seminário ou no Instituto esgotou sua paciência com os símbolos de fé, e algum afastamento parece ser um alivio. Outros não negam publicamente, mas negam na prática.

Ainda há os que talvez possuam os dois passos acima, estudam e tem fervor, mas não pensaram muito em usá-los no processo de evangelização e discipulado. Nessa postagem pretendo dar alguns apontamentos a respeito.

I. USANDO OS SÍMBOLOS COMO MATERIAL EVANGELÍSTICO

Talvez o que muitos nunca fizeram, é usar os Símbolos de fé já no processo de evangelização. Como fazer?

Quando produzir folhetos de evangelismo em sua igreja ou congregação, inclua algum trecho dos Símbolos de Fé. Uma parte da CFW ou dos catecismos que seja pertinente ao tema que você está abordando. Eu já inclui em um folheto a definição incomparável que a CFW dá de quem é Deus (presente também nos catecismos). Você talvez use aqueles folhetos das sociedades bíblicas, que são estreitos, com mensagens curtas. Então, faça-os apenas com duas perguntas, ou partes da CFW. Não tenha receio disso!! Imagine um folheto com a pergunta “Quem é Deus?” E antes de entregar para a pessoa, pergunte a ela qual seria a resposta dela. Você notará que as respostas são sempre aquelas, vazias e sem objetividade. É uma grande oportunidade de mostrar a resposta simples, bíblica e irrefutável do Catecismo Maior.

Recentemente escrevi um folheto que tem por tema “QUAL O OBJETIVO DE SUA VIDA?” Ao passo que a evangelização pragmática buscaria as respostas aos anseios do homem caído NO HOMEM, o Catecismo mostra que o foco está para cima, não em nós. A maior parte o folheto se desdobrou em torno do que é dito na primeira pergunta do CMW:

1. Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegar-se nele para sempre.  Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.”

O impacto disso é surpreendente, pois está honrando a Deus, dando testemunho não diluído de Sua Palavra. Faça o teste... ‘lance seu pão sobre as águas’. Quem sabe algumas pessoas saberão o sentido da “voz de grande estrondo” de Ez 3.12 por encontrar o objetivo da vida delas!

II. USANDO OS SÍMBOLOS DE FÉ COMO MANUAL DE DISCIPULADO

Eu costumo dizer que a evangelização bíblica envolve três momentos, ou passos. O primeiro é o anúncio/proclamação: quando você comunica o evangelho a uma pessoa. Depois vem o discipulado/ensino: quando você ensina o evangelho a uma pessoa. Por ultimo, vem a integração/inclusão: quando você a inclui na comunidade do evangelho, na igreja.  A Evangelização é plena.

No segundo passo, onde temos adotado o termo, ‘discipulado’, não é incomum um curso, alguns materiais de ensino do chamado “ABC” do evangelho. Isso é muito bom mesmo, e muitos materiais têm suprido essa necessidade e tem sido benção de Deus para a vida da igreja. Porém, você pode fazer um material de discipulado mesmo usando os Símbolos de Fé!

Eu organizei um, que expandi recentemente com artigos da Constituição da Igreja Presbiteriana, para ao mesmo tempo servir na classe de catecúmeno. Pensei em fazer assim, pois às vezes em trabalhos nascentes o discipulado já serviria para a recepção de membros. Como se fosse uma classe de catecúmeno pessoal, na casa do novo crente.

Como organizei esse material? Em cinco assuntos principais:

1. Bíblia - 2. Deus - 3. Salvação - 4. Vida Cristã e 5. Igreja

Selecionei o que especialmente o Catecismo Maior de Westminster diz a respeito desses temas e inclui alguns pontos da Confissão. Você pode fazer isso em seu discipulado [De uma certa forma, chamo-o de "Catecismo Médio"]

Se preferir, use o Breve Catecismo de Westminster no discipulado, não tenha medo, nem imagine que é profundo demais para as pessoas. Essa é nossa missão, ensinar todo o desígnio de Deus (At 20.27). Elas aprenderão, esteja certo disso. Jamais deixamos de entregar a Bíblia para alguém, pois nela tem o livro de Levítico, as profecias de Daniel, as visões de Ezequiel ou mesmo o difícil livro simbólico de Apocalipse. Esses são livros inspirados, superiores aos documentos de fé que neles estão baseados. Não fique preocupado se os Símbolos de Westminster pode causar confusão ou dificuldades. Eles causarão em todos que não estão de acordo com eles!!! Aí entra o papel do mestre, do discipulador, de ensinar com esmero (Rm 12.7).

III. TODOS OS MEMBROS DE SUA IGREJA TEM OS SÍMBOLOS DE FÉ?

Infelizmente, a maioria dos presbiterianos no Brasil não possuem os Símbolos doutrinários de sua fé. Isso tem contribuído para a formação de Igrejas Presbiterianas que são mais comunidades evangélicas do que em Igreja Reformadas. Precisamos trabalhar contra isso, com todo ardor e força que temos. Isso virou uma questão de sobrevivência. Aos reformados que estão preocupados com o crescimento das comunidades presbiterianas, eu tenho esse certeza. Já que nossos medalhões reformados estão calados diante das comunidades presbiterianas, só resta-nos a luta pela pulverização dos símbolos nas igrejas e congregações, em uma nova geração de crentes.

Mas se você quer ser um presbiteriano autêntico, se você quer ser um ministro honrado, de palavra, ou um obreiro que seja de confiança, comece a estimular a aquisição dos símbolos de fé por parte de todos os membros de sua igreja ou congregação. Se puder, que a igreja compre e distribua a todos os membros. Se não puder, que pelo menos aos que não tem muitas condições. MAS QUE TODOS TENHAM. Crianças e adultos. [Obs: A Editora Cultura Cristã tem feito promoções significativas para os símbolos de fé e, diga-se de passagem, os livros que contém os Símbolos já possuem os textos bíblicos transcritos. Eu sempre defendi a idéia que deveriam ser impressos em formatos de revista de escola dominical, com letras legíveis, e que fossem vendido a preço de custo. Mas já que não é possível, fico grato a Deus pelas promoções realizadas pela editora, mostrando essa sensibilidade].

Como isso pode contribuir na evangelização? A medida que a pessoa for sendo integrada na igreja local, ela notará que tais documentos de fé são levados a sério. Que a importância deles é indispensável. Irá concluir a evangelização dele à medida que ele notar a cultura doutrinária no contexto de sua nova família da fé. Os crentes começarão a crescer em conhecimento doutrinário, sendo também capazes de dar orientação bíblica aos novos. Isso tudo é o processo de evangelização, até o momento em que ele for batizado e começar gerar para Cristo outros membros. E com essa impressão doutrinária prosseguirá em conduzir outros aos caminhos do Senhor.

Creio nessas coisas, e tenho praticado.

Deus nos fortaleça em Cristo


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

FALÁCIAS ARGUMENTATIVAS DOS ANTITRINITÁRIOS

Por Bruno dos Santos Queiroz

 A doutrina da Trindade está baseada em três pressupostos bíblicos: (1) Unidade: "Há absolutamente um só Deus e Deus é absolutamente um só" (Deuteronomio 6.4; 1 Timóteo 2.5; Marcos12.32; 2 Samuel 7.22; Romanos3.30; Tiago 3.19). (2) Deidade: o Pai é Deus absoluto, o Filho é Deus absoluto e o Espírito Santo é Deus absoluto (1Coríntios8.6; Filipenses 2.11; Isaías9.6; João1.1; Hebreus1.8; Colossenses2.9; Judas.4; 2Coríntios3.17-18; Romanos8.9) e (3) Distinção: O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas (Subsistências) distintas (João8.17-18; Atos7.55; João 14.26; Mateus12.31-32. Mtateus 3.16,17; Mateus 28.19).1 Apesar da clara base bíblica da fórmula trinitária alguns argumentos têm sido levantados contra ela, os quais pretendo refutar abaixo:

1. ARGUMENTO DO SILÊNCIO:
       Defende que para uma doutrina ser bíblica ela precisa aparecer de maneira explícita nas Escrituras. Assim é comum vermos antitrinitários perguntando: “Onde a palavra ‘trindade’ aparece na Bíblia? ’’, ou ainda “só acredito na Trindade se você me mostrar o verso que diz ‘o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só’”. Evidentemente, como a Bíblia não é um tratado de Teologia Sistemática, não se deve esperar encontrar nela a palavra Trindade, mas sim seu conceito e textos sobre as quais está embasada.

2: ARGUMENTO DA ADULTERAÇÃO
       Argumenta que se um texto apoia a Trindade, ele foi adulterado. Ainda que não haja argumentos sólidos e consistentes, e até mesmo fortes evidências contrárias, atribuem adulterações a textos como Mateus28.19 e Isaías 9.6. No entanto as credências desses textos estão acima de qualquer contestação séria. Geralmente, os antitrinitários preferem o duvidoso Textus Criticus do que o tradicional Texto Majoritário, comumente cometendo uma falácia cronológica, como se a veracidade de um manuscrito fosse determinada por sua antiguidade2.

3: ARGUMENTO DA POSSIBILIDADE DE TRADUÇÃO
Textos como Tito 2.13 e Romanos 9.6 podem ser traduzidos tanto se referindo a divindade do Filho, quanto do Pai. Na realidade as duas possibilidades de tradução não só não contrariam a Trindade, como a apoiam. É importante ressaltar que uma possibilidade de tradução que ignora o contexto pode levar ao erro, a exemplo de traduções equivocadas de João 1.1 “um deus” e Hebreus 1.6 “prestar homenagem”, quando o contexto favorece mais a tradução “Deus” e “adorar”.

4: EXIBICIONISMO CRONOLÓGICO
       Afirma que a Trindade é falsa porque foi desenvolvida e sistematizada após o término da escrita bíblica. No entanto, embora tenha sido sistematicamente formulada tempo depois do término da escrita bíblica, a Trindade sempre esteve presente nas Escrituras. Desde o início do Cristianismo tinha-se a noção de que o próprio Cristo, enquanto Logos, era Deus absoluto (Jo1.1), em Paulo ele preexiste na forma de Deus (Fp2.6), em hebreus, Ele é o Senhor que no princípio fundou a Terra (Hb1.10). Nas cartas paulinas os Três são vistos como constituindo um só, “Jeová é o Espírito” (2Co3.17), e o Espírito de Deus é o Espírito de Cristo (Rm8.9). A Trindade foi espiritualmente revelada nas Escrituras, mas precisava-se de tempo e distância para chegar-se a uma formulação dos conteúdos revelados. A Trindade está presente espiritualmente, desde os primeiros tempos da Igreja, e seria pura questão de palavras insistir que a Trindade só foi descoberta tempo depois.

5: PARALELISMO INDEVIDO DE PASSAGENS
Deve-se tomar muito cuidado com o método comparativo e o paralelismo textual. Nem sempre uma expressão ou construção textual de uma passagem tem o mesmo sentido da de outra. Não é porquê “deus” se refere a Moisés e juízes num sentido que deverá ter o mesmo sentido para Cristo3. Nem que “espírito” por poder se referir a um aspecto antropológico humano ou a um elemento impessoal, que terá o mesmo sentido ao se referir ao Espírito Santo. Palavras em contextos diferentes tem significados diferentes.

6: INVALIDAÇÃO PRESSUPOSICIONALISTA
       Relembrando, existem três pressupostos básicos na fórmula trinitária: (i) Unidade; (ii) Divindade e (iii) Distinção. A falácia 6 argumenta que uma pressuposição da Trindade invalida a outra. Assim pensa-se que o primeiro pressuposto (unidade), contraria os outros dois. Assim é comum vermos antitrinitários citando textos que falam que “há um só Deus”, no entanto isso não é argumento contra a Trindade, mas sim a favor. Além do mais o pressuposto primeiro não invalida os outros dois, pois estes se referem à hipóstase, e aquele à essência.

7: CONFUSÃO CONCEITUAL
       Alguns confundem a Trindade com o modalismo, e assim querem refutar a Trindade mostrando que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são a mesma pessoa, enquanto é justamente isso que a Trindade ensina. Outros confundem também com tríade, e assim alegam que a Trindade é um politeísmo disfarçado, ou “três deuses” ou ainda com tripartidismo, e assim acham que a Trindade ensina que existem três seres divinos em um só Deus, ou ainda que Jesus é parte de uma Trindade, ou que para a Trindade Deus é uma unidade composta, que Jesus é uma pessoa separada de Jeová, ou mesmo que a Trindade ensina um Deus com divisões e separações.

8: ALEGAÇÃO DE PAGANIZAÇÃO
      Ensina que a Trindade é pagã por usar termos filosóficos ou por haver conceitos semelhantes em culturas pagãs. O erro desse argumento é esquecer-se da Revelação Geral de Deus, da origem comum das culturas e geralmente se baseia numa confusão conceitual dos pressupostos da Trindade ou em um uso equivocado do método histórico-comparativo.

9: ARGUMENTO ANTIFILOSÓFICO
       Afirma que a Trindade é falsa por usar termos filosóficos gregos em sua formulação. Esquecem-se da Revelação Geral de Deus e ignoram que a Trindade é derivada primariamente das Escrituras e não da filosofia. A realidade é que por influência da filosofia grega pagã, argumentos neoplatônicos foram usados para defender tanto a trindade como o unitarismo, nas discussões de Atanásio e Ário, por exemplo. Ário, um antitrinitário fez uso da filosofia platônica da ideia de Monas. Vários elementos da filosofia grega invadiram o Cristianismo, e foram usados tanto para defender doutrinas bíblicas como antibíblicas. Existe uma falsa ideia, entre aqueles que querem 'purificar' o Cristianismo do paganismo, segundo a qual tudo o que possui influência da filosofia grega é heresia. É verdade que não podemos menosprezar a Bíblia (nossa única regra de fé) em favor de filosofias humanas, nem ignorar que muitas heresias têm sua origem no pensamento greco-romano. No entanto, será um equívoco de nossa parte achar que a filosofia grega não trouxe nenhuma contribuição positiva para a epistemologia cristã, embora não como fundamento base para derivar uma doutrina. O próprio apóstolo Paulo não ignorou a literatura grega (At17.28). Segundo Gordon Clark: "Não importa o quanto um estudante principiante gostaria de evitar a filosofia, mais cedo ou mais tarde ele enfrentará essas dificuldades ou resignará a teologia em desespero."4

10: ARGUMENTO ANTICATÓLICO
       Há por parte de alguns, um ódio contra tudo que possa remeter às palavras, “pagã” e “católico”, de modo que qualquer dogma que supostamente tenha alguma ligação com essas palavras são atacadas com todas as forças. Embora seja verdade que a Igreja Romana seja a mãe de muitas heresias, alguns só negam a Trindade por amor ao judaísmo e ódio ao catolicismo, e não por apreço à verdade. É comum vermos pessoas levantando fatos históricos como a inquisição para invalidar a Trindade. Ignoram que quem revelou a doutrina da Trindade foi Deus e não a Igreja Romana.

11: CONFUSÃO ENTRE ECONOMIA E ONTOLOGIA
       Por economicamente o Pai ser maior que o Filho e o Filho maior que o Espírito, acreditam que isso também seja válido ontologicamente. Boa parte das críticas levantadas contra a Trindade erra justamente neste ponto, apresentado a hierarquia funcional como argumento contra a igualdade essencial das Pessoas da Trindade. Esse equívoco se vê por aqueles que insistem em provar que o Pai é maior que o Filho e o Espírito menor que o Filho e que assim a Trindade é invalidada. É comum insistirem, a partir daí, que um sabe mais que o outro, que há diferença de poderes entre Eles, etc.. Tais argumentos acabam por confundir função com essência e por isso conduzem a essas conclusões desastrosas. Uma compreensão clara da hierarquia funcional entre as hipóstases da divindade e da igualdade essencial entre elas eliminaria muito dos argumentos falaciosos levantados contra a Trindade.

1http://brunosunkey.blogspot.com.br/search/label/Trindade
2http://aprendiz.witnesstoday.org/ARTIGO_TEXTUS_RECEPTUS.htm
3http://www.ia-cs.com/2014/07/testemunhas-de-jeova-jesus-e-deus-assim.html

4http://www.monergismo.com/textos/trindade/A_Trindade_Gordon_Clark.pdf

sábado, 12 de dezembro de 2015

IPB: Evangelização Confessional x Pragmatismo das Comunidades – Parte 1

É com profunda dor e decepção escrever essa breve introdução dessa série de postagens, especialmente com alguns que caíram pelos caminhos da dura pressão de resultados. Que acabaram cedendo ao que é a pior ameaça contra a herança litúrgica e reformada histórica, que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem sofrido na última década. Creio que isso é pior que a pressão pentecostal sofrida na década de 90. Sem dúvida alguma, a IPB deixa de ser IPB onde uma Comunidade Presbiteriana é plantada. Esse é um câncer, um sistema corrosivo, destruidor para as igrejas presbiterianas.

Para acalmar alguns, a determinação de não usar o nome Comunidade foi desferido pelo Supremo Concílio da IPB. Devo, porém, dizer três coisas: 1. Foi apenas isso, o que de fato não mudou nada na prática. As comunidades continuam com suas mesmas características litúrgicas e eclesiológicas, quando não, humanistas. 2. Algumas demonstram que não estão nem um pouco submissas a essa decisão, continuam com o nome “comunidade”. 3. Muitos pastores de renome no Brasil não querem ‘mexer’ nisso, pois já estão envolvidos com os congressos promovidos pelas Comunidades.

Daqui a mais dez anos, talvez, não existirá mais IPBs em muitos lugares - sociedades internas, cultos solenes, hinos, símbolos de fé, farão parte da história de uma igreja morta, morta por um parasita que se tornou um monstro. A única coisa que se respeita da CI da IPB são as garantias de salários para os pastores. Se até lá o Senhor não voltar, estaremos cheirando o vômito do Senhor Jesus.

Apesar de dizer assim, Ele pode causar uma mudança (Mt 16.16-18).

I. QUAL É O GRANDE PROBLEMA?

As comunidades perderam na prática a compreensão da doutrina bíblica da depravação total (Rm 3.9-18). E passaram a buscar um estilo de igreja que agrade as pessoas. Isso causa um prejuízo incalculável na proclamação do evangelho. A advertência de Paul Washer é sábia:

 “[..] àqueles que estão constantemente buscando formas inovadoras de comunicar o evangelho para um nova plateia [seeker-sencitive], faria bem começar e terminar uma pesquisas nas Escrituras. Os que enviam milhares de questionários perguntando aos não convertidos o que mais desejam em um culto devem perceber que dez mil opiniões de homens carnais não carregam a autoridade de um “i” ou “til” da palavra de Deus. Devemos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordenou nas Escrituras e o que a atual cultura carnal deseja.” (O Poder do Evangelho e Sua Mensagem, p. 20).

Van Til, apesar de focar a questão da lógica, comenta algo bem interessante:

“O Deus do cristianismo é para ele [para o homem caído] logicamente irrelevante para a experiência humana.” (Apologética Cristã, p.138).

Em um resumo bem simples, mas real e verdadeiro, as Comunidades não estão erradas em querer plantar igrejas, mas o tipo de igreja que querem plantar, não é uma que agrada a Deus em primeiro lugar, mas que agrada a cultura e os gostos dos filhos da ira (Ef 2.1,2).

Em certo sentido, enquanto as igreja neopentecostais procuram agradar o misticismo brasileiro, usando elementos abolidos do Antigo Testamento, eles pelo menos estão buscando na Bíblia, com péssima exegese, a formatação de seus métodos, enquanto as Comunidades Presbiterianas estão indo direto à cultura popular caída (Veja AQUI). Ambos os seguimentos são iguais.

II. QUAL É O SEGUNDO GRANDE PROBLEMA?

Não posso deixar de dizer algo de máxima importância. Muitos dos presbiterianos conservadores estão apáticos e não estão envolvidos na evangelização árdua em suas igrejas. Não evangelizar é o mesmo de evangelizar errado. Ser inativo é ser tão reprovável quanto ser pragmático.  Criticar eles por fazerem errados, e não FAZER o certo é também cair em erro. Recentemente, um conhecido reformado em uma palestra sobre evangelização disse:

‘Vou falar de evangelização urbana, mas eu mesmo não evangelizo.’

O nosso doutor, foi ‘sinceramente hipócrita’. Ele não deveria dar a tal palestra nessa igreja. Aqui é onde estamos perdendo espaço para as Comunidades, que apesar de estarem erradas, não estão erradas na disposição.

Bom lembrarmos que não existe uma forma de evangelização, ela deve ser feita sempre e de diversas maneiras. Na pregação no culto solene, na visitação, no discipulado, nas reuniões, nas ruas, isso deve estar impregnado na vida do ministro, dos obreiros, dos líderes locais e de todos os crentes. Joel Beeke mostra que os puritanos eram evangelizadores por excelência, ao estilo da época (Espiritualidade Reformada, cap. 7º). A visitação de Richard Baxter demonstra um pastor evangelista (Manual Pastoral do Discipulado, Editora Cultura Cristã).  O conteúdo, sabemos, nunca foi formatado aos ditames do mundo caído.

A Bíblia adverte que temos essa obrigação e promessa (Mt 28.18-20; I Pe 2.9,10). E temos dois documentos na IPB que deixam em relevo que nossa missão envolve a evangelização, juntamente com outras ações nobres da Igreja:

“Catecismo Maior de Westminster - 159. Como a Palavra de Deus deve ser pregada por aqueles que para isto são chamados? Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina, diligentemente, em tempo e fora de tempo, claramente, não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; fielmente, tornando conhecido todo o conselho de Deus; sabiamente, adaptando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso para com Deus e para com as almas de seu povo; sinceramente, tendo por alvo a glória de Deus e procurando converter, edificar e salvar as almas. Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.”

“Constituição da IPB - “Art. 2º. A Igreja Presbiteriana do Brasil tem por fim prestar culto a Deus, em espírito e verdade, pregar o Evangelho, batizar os conversos, seus filhos e menores sob sua guarda e "ensinar os fiéis a guardar a doutrina e prática das Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, na sua pureza e integridade, bem como promover a aplicação dos princípios de fraternidade cristã e o crescimento de seus membros na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo".

“Art. 14. São deveres dos membros da igreja, conforme o ensino e o Espírito de nosso Senhor Jesus Cristo: a) viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; b) honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra; c) sustentar a igreja e as suas instituições, moral e financeiramente; d) obedecer às autoridades da igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras; e) participar dos trabalhos e reuniões da sua igreja, inclusive assembleias.”

Se é assim que se estabelece a Igreja Presbiteriana do Brasil, me parece que muitos estão se escondendo na crítica ao pragmatismo, o que de fato deve ser feito, mas estão parados. Outros nem na crítica a esse movimento cancerígeno, estão na Torre de Marfim, intocáveis, desde que sua fama e títulos sejam honrados.

O QUE FAZER NA PRÁTICA?


Na próxima postagem a respeito do tema, irei trazer mais informações a respeito da evangelização confessional, querendo Deus.

sábado, 17 de outubro de 2015

O chifre pequeno de Dn 7 é o mesmo de Dn 8? Outro problema adventista...

As seitas que constroem seu império teológico em cima de especulações e interpretações proféticas andam constantemente em areias movediças. O caso adventista é notório. Um teólogo adventista escreveu que a religião adventista tem sua principal sustentação da doutrina de 1844.

“Se a doutrina de 1844 não era bíblica, Ellen White pertencia à mesma classe de Mary Baker Eddy e Joseph Smith.”

“Se o juízo de 1844 não era bíblico, a igreja [adventista] tampouco o era.”

“A lógica me dizia que se a data de 1844 não fosse bíblica, o adventismo não seria nada mais do que uma seita.”

(1844: uma explicação simples das principais profecias de Daniel, pp. 9,10)

Se ele estiver certo, estamos diante de uma religião construída na areia! Por isso, os adventistas precisam defender a fábula de 1844, tal como as Testemunhas de Jeová a fábula de 1914.

Um dos pilares indispensáveis para o adventismo começar sustentar qualquer coisa em relação a 1844, é necessário que a interpretação de Daniel 8 case com Daniel 7, na identificação do chifre pequeno. Consciente disso, os adventistas fazem um exercício hermenêutico para que essa suposição seja possível.

O chifre pequeno de Daniel 8 é Roma. O verdadeiro cumprimento do chifre pequeno de Daniel 8 só pode ser realmente encontrado em Roma pagã (ou império romano) e sua sucessora, a igreja romana; estas são vistas propositalmente – tal como em Daniel 7 – sob seu pior aspecto. As seguintes considerações oferecem apoio a esta conclusão: 1. Baseados no princípio de que as sucessivas visões de Daniel são paralelas e ampliam as visões de Daniel 8 representa, percebemos que em vários sentidos o chifre pequeno de Daniel 8 representa um paralelo e uma ampliação das informações que obtivemos a respeito do chifre pequeno de Daniel 7 e da besta a partir da qual esse chifre cresceu. Em Daniel 2 e 7 Roma vem depois da Grécia; portanto, Roma também deve seguir a Grécia em Daniel 8.”  (Uma Nova Era segundo as Profecias de Daniel, C. Marvyn Maxwell, pp.158,160).*

Para começo de conversa, há um consenso maciço de que a profecia de Daniel 8.14 se cumpriu nos dias de Antíoco Epifânio, no período dos Macabeus, por mais que os adventistas lutem contra a onda dos interpretes. Uma das maiores autoridades em Velho Testamento da atualidade assevera a respeito dessa interpretação:

“Não pode haver qualquer dúvida de que o chifre pequeno no capítulo 8 indique um rei do império grego, a saber, Antíoco Epifânio.” (Gleason L. Archer Jr. Panorama do Antigo Testamento, p. 504. Edições Vida Nova).

Em segundo lugar, perceba que a conclusão de Maxwell é totalmente gratuita – “portanto”, já que seguia lá uma sequencia assim, aqui tem que ser também’, é a conclusão de Maxwell. Qualquer forma de interpretar desta maneira é possível!! Desde que queira...

As visões de Daniel 2 e 7, não esmiuçaram com mais detalhes das sequencias no período do império Grego (como foi o caso do capítulo 8), e isso não deve ser tomado como prova da pressuposição adventista.

Em terceiro lugar, a conclusão é forçada, diante do número de Reinos e figuras abrangidas em cada visão. Na visão do Capítulo 2, a estátua está em quatro divisões principais (ouro, prata, bronze e ferro com barro) Na visão do capítulo 7, também há quatro divisões principais, mas não com as mesmas figuras (leão, urso, leopardo e um monstro, um animal não identificado).

Já na visão do capítulo 8, há apenas duas divisões principais – um carneiro e um bode. Nos capítulos 2 e 7, o ultimo reino recebe atenção em divisões subsequentes. No capítulo 8, também o último também possui subdivisões. Mas é outro reino, não Roma, mas sim a Grécia.
O aclamado pregador brasileiro, Hernandes Dias Lopes, adverte bem a respeito dos dois chifres:

O pequeno chifre do capítulo 8 não deve ser confundido com o pequeno chifre do capítulo 7.8. A origem do 7.8 é o quarto império (império romano). A origem do 8.9 é o bode, o terceiro reino: o império grego.”

‘Portanto, a confusão é facilmente identificada e eliminada: o chifre de Daniel 7.8 é um dos dez chifres que o quarto animal tem da visão deste capítulo, enquanto o chifre de Daniel 8.9 sai de outro chifre, que está em um dos quatro ventos cardeis, de outro reino, de um dos quatro reis que dividiriam o Império Grego. Cronologicamente, o chifre de Daniel 8.9 sai do terceiro animal, o Leopardo com asas e quatro cabeças, da visão de Daniel 7.6. O chifre de Daniel 7 sai do Império Romano. Na visão de Daniel 8, o Império Grego é um Bode e não um Leopardo, como o é na visão de Daniel 7.’


*No meu livro A Conspiração Adventista apresento respostas aos questionamentos de Maxwell contra a interpretação tradicional de Antíoco Epifânio. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"Posso ouvir músicas de cantores Adventistas?" - AUGUSTUS NICODEMUS

Temos aqui um breve esclarecimento vindo de uma das maiores autoridades teológicas do Brasil.

Que a advertência  possa servir para as igrejas evangélicas e protestantes, tomando cuidado com o principio de associação. Os adventistas estão usando as músicas para abir as portas das igrejas para seu proselitismo.