Dos
dias 6 a 10 de Maio deste ano foi realizada a 1ª Semana Teológica de 2013, em
nosso Seminário Teológico Presbiteriano Ver. José Manoel da Conceição. O tema
da semana: Apologética e Evangelização. Os temas e preletores foram:
Dia
06 – Islamismo – Ver. Raimundo Montenegro
Dia
07 – Kardecismo – Pr. Paulo Romeiro
Dia
08 – Adventismo – Ev. Luciano Sena
Dia
09 – Ateísmo – Ver. Augustus Nicodemus
Dia
10 – Mormonismo – Pr. Paulo Romeiro
A
semana foi muito edificante. Em todas as noites nossa capela ficou cheia. Entre
os visitantes, havia pessoas de outras religiões, incluindo adventistas.
Filmamos as palestras e as disponibilizamos gratuitamente em nosso Canal do Youtube.
No
dia 08 de Agosto recebi o telefonema do jornalista adventista Leandro Quadros,
questionando a palestra sobre Adventismo e criticando as fontes utilizadas pelo
preletor, o Ev. Luciano Sena. Pediu-me um endereço de e-mail para enviar a
crítica por escrito e, no mesmo dia, eu recebi a comunicação.
Encaminhei
o e-mail ao preletor, para que analisasse a procedência das críticas. Três dias
depois o Ev. Luciano Sena respondeu o e-mail com vários argumentos demonstrando
a exatidão do que havia exposto em sua palestra. Seguindo Lamentações 3.30
“farte-se de afronta” e 2 Timóteo 2.24 “Ora, é necessário que o servo do Senhor
não viva a contender...” guardei a resposta esperando que Leandro Quadros
esquecesse o assunto. No dia 26 de Agosto recebi novo e-mail do jornalista
cobrando a resposta e, no mesmo espírito dos textos acima, respondi tão
somente: “Caro Leandro Quadros, li e consultei o preletor sobre as suas
objeções. Para cada argumento seu, ele tem contra argumentação bem plausível.
Um abraço, Ageu”. Na sequência recebi sua resposta dizendo, dentre outras
coisas:

“... divulgarei a resposta com citações para os milhares
telespectadores que tenho – e que já conhecem o uso que ele faz de tais fontes.
Pena que, desse modo, a Instituição também será envergonhada, pois, postou o
referido vídeo e julgou o uso das fontes como ‘apropriado’.”
O
artigo publicado fez várias referências ao nosso Seminário e foi seguido por
diversos comentários ofensivos, por parte dos visitantes daquele site.
Como
tentamos evitar a polêmica, mas o silêncio começou a aparentar desobediência a
1Pe 3.15 “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando
sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança
que há em vós”, publico abaixo a resposta do Ev. Luciano Sena às críticas de
Leandro Quadros na esperança de que os leitores vejam por si próprios quem está
labutando em erro.
Na
direção do Seminário JMC
Resposta a Leandro Quadros
Ev. Luciano Sena
[Nota: O Rev. Ageu tirou algumas provas e
argumentos do texto que enviei e preservou o que era necessário para o
entendimento de qualquer leitor.]
Essa é minha resposta ao post do Leandro
sobre a minha palestra no JMC. Para ser didático e objetivo minhas respostas
estarão intercaladas ao que ele escreveu. O que ele
escreveu está em vermelho e entre aspas. O texto na cor
preta é meu.
“INTRODUÇÃO
Preferiria
não disponibilizar esse post a você, amigo (a) leitor (a). Afinal, quando
conseguirmos solucionar uma disputa entre irmãos seguindo o conselho de Jesus
em Mateus 18:15-17, Deus é honrado, relacionamentos são preservados e novas
amizades podem corar de alegria nossas vidas.”
Quem
conhece um pouco de Adventismo sabe bem a maneira como Leandro chama o Ageu de
irmão. Em uma perspectiva positiva, Ageu é um “irmão” que recebeu pouca luz da
verdade Adventista, mas se após um bom contato com a verdade do Adventista
permanecer desobedecendo receberá a marca da besta em sua testa. Especialmente
porque o Reverendo Ageu, que é um pastor presbiteriano, é, na visão deles,
de uma igreja “filha de babilônia” defensora do Domingo, da
marca da besta bem como da Predestinação Calvinista, da imortalidade da alma e
do inferno. Leandro Quadros poderia lembrar-se de que já chamou tais doutrinas
de diabólicas, e os que as ensinam são hereges, difundindo ensinos distorcidos
e demoníacos:
UM
TIRO NO PRÓPRIO PÉ
Leandro
Quadros escreveu, acertadamente, que fui “Testemunha de
Jeová por pouco mais de oito anos. Ou seja: um oponente à doutrina da
Trindade.”
Todavia,
ele se engana quando diz: “Não seria conveniência de Sena julgar o
passado de pioneiros adventistas sendo que o passado dele não foi muito
diferente? Medite nisso, amigo (a) leitor (a).”
O
que ele ignora é que os pioneiros adventistas, os “restauradores da verdade”,
não abandonaram o antitrinitarianismo, como veremos a seguir. Eles morreram
negando a Trindade! Sem arrependimento, sem repreensão de Ellen White, sem
correção da igreja.
“1º:
Mesmo havendo um predomínio do antitrinitarianismo no adventismo entre
1846-1888, em 1869 Roswell F. Cottrell observou que nesse período existia “uma
multidão de pontos de vista” sobre a Trindade. Isso significa que qualquer
argumento que sugira que ‘todos’ os pioneiros eram antitrinitarianos, é um
argumento mentiroso.”
Em
seu blog, em defesa do Espírito Santo, Leandro Quadros escreveu:
Parece
que Quadros não vê problema em seus pais pioneiros terem tido tanta divergência
sobre a Trindade. O predomínio do antritrinitarianismo por 42 anos não
pode ser simplificado desta maneira, pois essa celeuma arrastou-se por várias
décadas. Além disso, não são os pais pioneiros do Adventismo chamados de
“restauradores da verdade”? Não é Ellen White reconhecida por eles como “o
espírito da profecia”? Porque todos eles, detentores da verdade e da profecia
não viram erro tão grasso?
[*Capa do livro de Ricardo Nicotra, ex-adventista tradicional, rejeita a Trindade]
Ademais,
em minha palestra não disse que todos os pioneiros foram antitrinitarianos. No
vídeo, em 11:09 o slide mostra “Muitos líderes do grupo
nascente eram ferrenhos opositores da Doutrina da Trindade”. Depois, em 11:38,
eu disse que “várias pessoas e líderes” do grupo nascente eram
contra a doutrina.
2º:
Eles rejeitavam veementemente (mesmo sem ter a plena compreensão da doutrina)
era a doutrina da Trindade como apresentada pelos credos cristãos da
época, especialmente um credo Metodista de 1856, que dizia o seguinte:
“[...] existe um único Deus vivo e verdadeiro, sempiterno, sem corpo ou partes
[...]” (Citado em A Trindade…, p. 234). Eles não rejeitavam a
importância da doutrina de Deus manifesto em Três Pessoas (mesmo crendo no
Espírito como sendo o “poder de Deus”), mas a doutrina Tradicional da Trindade
que continha elementos não bíblicos supracitados e que são negados até
hoje pelos adventistas e por qualquer outra denominação Protestante e
Trinitariana.”
A
grande questão aqui é: Onde está o erro na declaração do credo Metodista
citado? Deus não é sempiterno, sinônimo de eterno? Deus tem corpo? Deus tem
partes? Desconfio que Leandro esteja confundindo “partes” com “pessoas”. O fato
de a Trindade ser formada por 3 pessoas, não significa que ela tenha “partes”.
Isso mostra a má compreensão que o adventista possui sobre a doutrina da
Trindade.
O
que o credo Metodista (AQUI) afirma é bem semelhante ao que a Confissão de Fé de
Westminster (1646) diz: “I. Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito
em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo,
membros ou paixões”
Qual
erro tradicional em torno da doutrina da trindade que existia na época que não
existe mais hoje? O livro diz:
“A
única maneira de os pioneiros, em seu contexto, efetivamente separarem as
Escrituras da tradição foi pelo abandono de qualquer doutrina que não pudesse
apoiar-se unicamente na Bíblia. Assim, eles inicialmente rejeitaram a
doutrina tradicional da Trindade, a qual claramente contém elementos não
pertencentes às Escrituras. À medida que prosseguiram trabalhando com base
nas Escrituras, periodicamente desafiados e estimulados pelo Espírito Santo
através das visões de Ellen White, gradualmente convenceram-se de que o
conceito básico de um Deus em três pessoas de fato aparece nas
Escrituras." WHIDDEN, Woodrow, Jerry Moon, John W. Reeve. A
Trindade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, p. 230
“Agora,
após esses breves esclarecimentos, veja a seguir o e-mail em que demonstro, com
base em fontes primárias, as distorções de Luciano Sena, do Ministério Cristão
Apologético, e que, infelizmente, foram tidas como “plausíveis” pelo Seminário
Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição.”
Como
foi demonstrando na palestra eu utilizei fontes primárias e secundárias, a
saber, “O Grande Conflito” (Ellen White), “Nisto Cremos: Crenças Fundamentais
dos Adventistas do Sétimo Dia” (Casa Publicadora
Brasileira – Adventista), “Respostas a Objeções” (Francis D. Nichol -
adventista), “Uma Nova Era segundo as Profecias de Daniel” (C. Mervin
Maxwell – adventista), “1844: Uma explicação simples das profecias de
Daniel” (Clifford Goldstein - adventista) e “Crenças Fundamentais” (Casa
Publicadora Brasileira - adventista). Citei Samuele Bacchiocchi (adventista)
bem como Leandro Quadros. Ademais, citei Carl Josson, Antony Hoekema, Louis
Berkof, Van Groningen, a Confissão de Fé de Westminster, Comentários e Bíblias
de Estudos. Documentei 90% das informações passadas, o que creio, foi
satisfatório dentro do período de 1 hora da palestra.
Mas,
esse não é ponto. Quando Leandro Quadros fala de fontes primárias não se refere
a livros adventistas apenas, mas a livros que promovam o Adventismo,
concordando com seus posicionamentos.
“1º: Luciano
afirma que “os problemas que os adventistas enfrentam para justificar 1844 são
parecidos com o problema das TJ quanto à data de 1914”. Se o referido
palestrante conhecesse a série abalizada de 7 volumes sobre a Teologia
Adventista do Santuário Celestial, jamais faria uma afirmação dessas. Nessa
coleção preparada pelo Comitê de Daniel e Apocalipse do Biblical Research Institute
da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, publicada pela primeira vez
em língua inglesa em 1993, é possível perceber que a base para a crença
adventista na interpretação de Daniel 8:14 são estudos exegéticos realizados
por eruditos adventistas reconhecidos no meio protestante como os doutores
William Shea, Hans K. LaRondelle e Kenneth A. Strand (entre outros). Portanto,
não há qualquer tipo de “rearranjo” que possa ser comparado aos estudos das
Testemunhas de Jeová. Tal “comparação” é tendenciosa e não condiz com a
verdade.”
Obviamente
o registro histórico sobre o caso “1844” não está apenas nessa obra adventista.
William Miller seguiu uma interpretação popular de que Dn 8.14 teria
cumprimento em acontecimentos escatológicos? Citei a obra de Jonsson “Os Tempos
dos Gentios Reconsiderados” mostrando que a tradição de interpretar Dn 8.14 da
maneira que Miller o fez era antiga, e que ele seguiu cálculos judaicos,
místicos. Segui a conclusão de Jonsson de que John Áquila Brow é o pai dos
cálculos adventistas. Tais foram as bases que levaram os adventistas
posteriores, como Nelson Balbuor, a usar Dn 4.24 como se cumprindo em 1914, o
que fez também Charles Russel, o fundador das Testemunhas de Jeová.
O fato de
hoje existir doutores adventistas, que “defendem exegeticamente” Daniel 8.14
como tendo o seu cumprimento em 22 de outubro de 1844 não impressiona. É
erudição a trabalho da seita. A maioria esmagadora de eruditos evangélicos não
endossa a absurda interpretação adventista.
“A
crença adventista na interpretação de Daniel 8:14 são estudos exegéticos
realizados por eruditos adventistas reconhecidos no meio protestante como os
doutores William Shea, Hans K. LaRondelle e Kenneth A. Strand (entre outros).”
Pergunto
a você que é evangélico, protestante: já ouviu falar em algum destes eruditos?
Não ouviu porque não são reconhecidos do mundo protestante - são adventistas.
Hoje
Adventistas com Daniel 8.14 e Testemunhas de Jeová com Daniel 4.24, estão
sozinhos em seus esquemas escatológicos. Como Jesus não voltou em 1914, os
Testemunhas de Jeová redefiniram sua volta de maneira invisível, no céu. Como
Jesus não voltou em 1844, os Adventistas redefiniram sua volta para dentro do
santuário, no céu. Percebeu semelhança?
“2º: Ele
também argumenta que “os pioneiros adventistas eram antitrinitarianos”. A forma
como a informação foi apresentada é bastante tendenciosa e, se ele houvesse
feito uma consulta à obra A Trindade: como entender os mistérios da pessoa
de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, na 3ª seção intitulada
“Trindade e Antitrinitarianismo da Reforma ao Movimento Adventista”, ele
saberia que, mesmo pioneiros adventistas sendo antitrinitarianos por serem
oriundos da Conexão Cristã, o antitrinitarianismo predominou entre 1846 e 1888.
Após essa data, o adventismo viveu mais quatro fases, até a mudança
de paradigma entre os anos de 1898 e 1915, tendo Ellen White como
a maior expositora da doutrina Trinitariana. Por isso, a afirmação de Luciano
de que “não se sabe se Ellen G. White era Trinitariana” é absurdamente
infundada, especialmente à luz de citações dela em O Desejado de Todas as
Nações, publicado em 1898, p. 19 e 530, onde ela fala da pré-existência de
Jesus Cristo e inclusive afirma: “Em Cristo há vida original, não emprestada,
não derivada” (p. 530). Além disso, Luciano desconhece por completo (ou
ignorou) as citações Trinitarianas da referida autora na obra Evangelismo,
p. 615-617, onde ela menciona das “três pessoas vivas pertencentes ao trio
celeste” e apresenta o Espírito Santo como uma Pessoa Divina. É muito estranho
que um palestrante ignore o todo da história e fontes
primárias importantes para “provar” que se “a base do adventismo é herética,
então todo o resto o é”. O Reverendo e eu sabemos que mudanças de paradigmas,
mais do que indicar ‘heresia acompanhada de desonestidade’, indicam crescimento
e, no meio acadêmico e científico esse espírito é vital para aqueles que
seriamente se comprometem com a busca pela verdade.”
“Desde
então, vários autores têm aceitado aspectos destes dois grandes pontos de
debate. Russell Holt, em 1969, baseado na tese de Gane, adicionou outra
significativa evidência concernente a Tiago White, J. N. Andrews, A. C.
Bourdeau, D. T. Bourdeau, R. F. Cottrell, A. T. Jones, W. W. Prescott, J. Edson
White e M. L. Andreasen. Concluindo, Holt afirmou que até 1890 o ‘campo
era dominado por’ antitrinitarianos; de 1890 a 1900, ‘o rumo da denominação
foi decidido por declarações de Ellen G. White’, e durante o período de 1900 a
1930 morreram muitos dos principais antitrinitarianos, de sorte que por volta
de 1931 o trinitarianismo ‘havia triunfado e se tornado o ponto de vista
oficial denominacional.’ http://centrowhite.org.br/pesquisa/artigos/o-debate-adventista-sobre-a-trindade/
Quando da publicação do livro “The Trinity:
Understanding God's Love, His Plan of Salvation, and Christian Relationships”
de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve o Blog Cinco Solas postou o
seguinte:
“Na maior
parte de sua história, o adventismo foi anti-trinitariano. E hoje existe um
movimento crescente na IASD para que a mesma retorne à crença de seus
pioneiros. A editora oficial adventista admite estes fatos na sinopse do livro
A Trindade: ‘A doutrina da Trindade faz parte das crenças fundamentais dos
adventistas do sétimo dia. Mas uma crescente minoria tem defendido a volta à
posição antitrinitariana de muitos pioneiros. Em resposta a esse desafio, os
autores dessa obra, cada um especialista em sua área, analisam o tema sob
vários ângulos’. Quem eram esses pioneiros antitrinitarianos e quando a posição
adventista mudou oficialmente? Se alguém dissesse "todos os
pioneiros" não erraria muito. A começar com o marido de Ellen White, que
classificava a doutrina da Trindade como fábula papista e dizia que ela
degradava a redenção. Morreu antitrinitariano. Outros expoentes do adventismo
nascente que foram ferozes combatentes da Trindade são J.N. Lougborough,
J.B.Frisbie, J.N. Andrews (líder da IASD, criador de seus estatutos), D.W.Hull,
R.F.Cottrell e Willie White, filho de Ellen White. Mas se os pioneiros
adventistas eram antitrinitarianos militantes, quando sua posição mudou?
Sabemos que até 1912, três anos antes da morte de Ellen White, a IASD eram
oficialmente não trinitariana. Foi somente depois da morte de Willie White que
o adventismo começou sua guinada para o trinitarianismo, isso porque queria
deixar de ser considerada uma seita e ser reconhecida como igreja evangélica.
Mas foi somente em 1980, na Conferência Geral de Dallas que a IASD passou a ser
oficalmente trinitariana, conforme nos informa o historiador adventista Gerhard
Pfandl.”http://cincosolas.blogspot.com.br/2010/08/eram-os-adventistas-arianos.html
Mas, e
Ellen White? Era trinitariana ou não? Parece que nem seu próprio filho,
Willie White a entendia. Em uma carta ao Pastor H. W. Carr ele escreve o
seguinte:
“Em sua
carta, você me pede para contar o que entendo ser a posição de minha mãe em
relação à personalidade do Espírito Santo. Isso eu não posso fazer porque eu
nunca entendi claramente seus ensinos sobre esse assunto. Sempre houve em minha
mente alguma confusão a respeito do significado das expressões dela que, para a
minha forma de raciocinar, parecem ser um pouco confusas. As declarações e os
argumentos de alguns dos nossos ministros em seu esforço para provar que o
Espírito Santo era um indivíduo como é Deus, o Pai e Cristo, o eterno Filho,
têm me deixado perplexo e algumas vezes eles me tem entristecido. Um mestre
popular disse: "Podemos considerá-Lo (O Espírito Santo) como o companheiro
que está aqui embaixo fazendo as coisas acontecerem. Minhas perplexidades foram
minimizadas quando aprendi, no dicionário, que um dos significados de
"personalidade" era características. Isto está declarado de tal forma
que eu concluí que pode haver personalidade sem uma forma corpórea a qual o Pai
e o Filho possuem. Há muitos textos das Escrituras que falam do Pai e do Filho
e a falta de textos que fazem referência similar ao trabalho unido do Pai e o
Espírito Santo ou Cristo e o Espírito Santo me tem feito acreditar que o
espírito sem individualidade era o representante do Pai e do Filho através do
universo, e vem sendo através do Espírito Santo que eles habitam em nossos
corações e nos fazem um com o Pai e com o Filho.” http://www.adventistas.com/julho2003/carta_willie.htm
Será que o
filho de Ellen White conhecia a mãe e desfrutava de algum crédito? Vejamos o
que ela escreveu sobre ele:
“Desde
minha volta à América do Norte tenho recebido várias vezes instruções de
que o Senhor me deu G. C. White para ajudador, e que nesta obra
o Senhor lhe dará de Seu Espírito.” (Mensagens Escolhidas, Vol. 1, p. 50.)
“Depois
desse incidente, foi-me dada compreensão de que o Senhor me erguera para dar
testemunho dEle em muitos lugares, e de que Ele me daria graça e força para a
obra. Foi-me mostrado também que meu filho, G. C. White, seria meu
ajudante e conselheiro, e que o Senhor poria sobre ele o espírito de sabedoria
e são discernimento. Foi-me mostrado que o guiaria, e que ele não seria
desviado, porque reconheceria as direções e orientação do Espírito Santo.”
(Idem, p. 54)
“Esta
comunicação foi-me feita em 1882, e desde então tem-me sido assegurado que lhe
era dada a graça da sabedoria. Mais recentemente, em uma ocasião de
perplexidade, o Senhor disse: "Dei-te Meu servo, G. C. White, e
dar-lhe-ei discernimento para ser teu auxiliar. Dar-lhe-ei habilidade e
entendimento para dirigir sabiamente." (Idem, p. 55)
Revelador
também é o fato de Ellen White nunca ter utilizado a palavra Trindade em seus
escritos. “Além disso, é impossível que ela não tivesse conhecimento das
heresias de seu marido e de seu filho, e se não as reprovou jamais, como fez
com o panteísmo de Kellogs, por exemplo, é porque concordava com eles.” http://cincosolas.blogspot.com.br/2010/08/eram-os-adventistas-arianos.html
Quanto a
Ellen White ter usado a palavra Trindade, os adventistas responderão que sim.
Porém, a análise de edições de seus livros, feita por adventistas
antitrinitarianos, tem revelado alterações nas edições de seus livros na
tentativa de torná-la trinitariana:
Por
exemplo, compare o trecho abaixo copiado do original do livro “Evangelismo” de
Ellen White com o que consta em edições recentes:
Original:
“Existem as três personalidades vivas no trio celestial nas quais cada alma
arrependida dos seus pecados recebendo a Cristo por meio de fé viva por eles
são batizados.”
Edições
recentes: “Há três pessoas vivas pertencentes à trindade
celeste; em nome destes três grandes poderes– o Pai, o Filho e o Espírito
Santo – os que recebem a Cristo por fé viva são batizados”
O fato é
que, como disse na palestra, não existe certeza se Ellen White creu ou não na
Trindade, enquanto profetisa do movimento.
“3º: Ele
também alega que rejeitamos nossa origem denominacional atribuindo a marcação
de datas ao batista William Miller. Porém, isso não é verdade. Mesmo o
adventismo sendo interdenominacional em seus primórdios, reconhecemos nossa
origem milerita, tanto que um dos mais de 20 grupos que surgiram após o
desapontamento, é o que hoje se conhece como Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Uma leitura da obra História do Adventismo, de C. Merwyn Maxwell teria revelado
isso a Luciano Sena, pois, nela o historiador adventista constantemente cita
Miller como pai do milerismo adventista. A alegação de que “os adventistas hoje
não compartilham do conceito que Ellen White tinha de Miller” também é falsa.
Há biografias inteiras escritas por historiadores adventistas sobre o pai do
movimento milerita, entre elas a obra de Sylvester Bliss, intitulada Memoirs of
William Miller (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2005)”
Eu não
disse que o Adventismo nega “qualquer ligação” com Miller. Eu disse que negam a
falsa profecia e a decepção como parte de sua história de fé. Veja o que
afirmaram ao ICP: “Os Adventistas nunca marcaram uma data para a Volta de
Jesus. Foram os Mileritas (seguidores de Guilherme Miller, um pregador batista)
que fizeram isto. Eles anunciaram que Jesus viria no ano de 1843; depois,
deduziram que seria em 1844; como os Adventistas do 7º Dia iriam marcar uma
data, se eles ainda não existiam? Surgimos como movimento organizado no ano de
1863 (declaração constante da carta em apreço)." Pág. 12 (Série Apologética,
Vol. III. São Paulo. Editora ICP, 2001, p.222).
O próprio
Leandro Quadros escreveu no site do “Na Mira da Verdade”: “Ellen White,
assim como os demais adventistas, nunca marcaram datas para a volta de Jesus.
Quem se aventurou nisso foram os mileritas (seguidores de Guilherme
Miller), observadores do domingo e que pertenciam a várias denominações
evangélicas da época: Batista da Comunhão Restrita, Batista da Comunhão Livre,
Batista Calvinista, Batista Arminiana, Metodista Episcopal, Metodista Evangélica,
Metodista Wesleyana, Metodista Primitiva, Congregacional, Luterana,
Presbiteriana, Protestante Episcopal, Reformada Alemã, etc. Poderíamos dizer
que esses sim eram “profissionais” na “arte” de marcar datas. Não negamos
nossa origem milerita, mas jamais iremos aceitar que como movimento organizado
os Adventistas do Sétimo Dia marcaram datas para a o retorno glorioso do Salvador.(http://novotempo.com/namiradaverdade/2009/03/30/ellen-g-white-%e2%80%93-a-profetisa-que-nao-falhou-parte-3/).
Foi sobre
esse comportamento de “1844 não tem nada conosco” que me referi na palestra.
“Já a
afirmação de que Ellen White ensina que Miller foi o “primeiro a calcular o
período dos 2.300 anos de Daniel 8:14” também é inverídica e não pode ser
apoiada pelo que ela escreveu e nem mesmo pelas obras adventistas. Em sua tese
doutoral traduzida para língua portuguesa em 2002 com o título “O Santuário e
as Três Mensagens Angélicas: Fatores Integrativos no Desenvolvimento das
Doutrinas Adventistas”, Alberto R. Timm é muito claro em sua exposição quando
afirma que, mesmo Miller tendo provido “um dos cálculos cronológicos mais
precisavamente ‘elaborados e aperfeiçoados’ das profecias bíblicas mostrando o
iminente cumprimento desse evento [2ª vinda de Cristo]” (p. 15), esse pioneiro
não foi o primeiro a realizar esse tipo de estudo em torno de Daniel 8:14. Na
p. 14 Timm informa que antes de Miller “muitos intérpretes protestantes ficaram
convencidos, mediante estudos das profecias bíblicas, de que Cristo viria em
seus dias”. Na obra Questões Sobre Doutrina (ed. de 2009), também negligenciada
por Luciano Sena, na página 233, são mencionados eruditos protestantes que
assim como Miller chegaram ao ano de 1843 no estudo de Daniel 8:14 antes do
fundador do milerismo. Na referida obra são mencionados John A. Brown, que
publicou suas convicções em 1810; Birks, em 1843; William C. Davis, também em
1810, que do mesmo modo olhava para os anos 1843, 1844 ou 1847 como marcando o
início de acontecimentos importantes na profecia bíblica. Entre esses eruditos
que chegaram a tais conclusões antes mesmo de William Miller se destacam também
o Dr. Joshua L. Wilson, da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana; o bispo
episcopal John P. K. Henshaw; Alexander Campbell. Mais de 60 homens no começo
do século 19 aguardavam o término da profecia de Daniel 8:14 (2.300 tardes e
manhãs) para uma dessas três datas.
O crítico
não prestou atenção no vídeo. Aos 06:54 é possível verificar o que afirmei: Eu
disse que Miller repetiu uma popular interpretação em seus dias. Que
Daniel 8.14 indicava o período do fim do mundo. Aos 08:12 eu disse que O
Grande Conflito atesta essa popular interpretação.
No livro
“O Grande Conflito” Ellen White mostra que Miller estudou a Bíblia
independentemente e chegou, sob a orientação angélica, à conclusão de que Jesus
voltaria em 1843/4. Ela informa em capítulos posteriores que em várias regiões
isso acontecia, mas ela não diz nada que Miller foi influenciado por
outros autores. Isso hoje nós sabemos, mas ela, pelo jeito, não. Veja por si
próprio:
“...
deixou de lado as opiniões preconcebidas, dispensou comentários e usou apenas
as concordâncias das referências bíblicas” (O Grande Conflito, 1975, p.
319)
“anjos
estavam guiando a compreensão de Miller” (O Grande Conflito, 1975, p.
320).
“Assim
como Eliseu foi chamado (...) também Guilherme Miller foi chamado para deixar o
arado e desvendar ao povo os mistérios do reino de Deus” (O Grande
Conflito, 1975, p. 330).
"...
multidões se convenceram da exatidão dos princípios de interpretação profética
adotados por Miller e seus companheiros, e maravilhoso impulso foi dado ao
movimento do advento" (O Grande Conflito, 1975, p. 335).
“4º: Sobre
a expiação realizada pelo bode Azazel, que cremos ser Satanás, não se pode
realizar uma exposição do que pensa o adventismo sobre o assunto sem a leitura
do capítulo “O Significado de Azazel”, da obra Questões Sobre Doutrina (publicada
na década de 50), disponível em português desde 2009. Na p. 286 da referida
obra Sena saberia que a identificação de Azazel com Satanás (reconheço que é um
assunto muito controverso entre adventistas e evangélicos) não é feita apenas
por adventistas, mas, por eruditos de outras confissões religiosas, entre eles
Samuel M. Zwemer, presbiteriano. Já a leitura das páginas
288-290 revelaria ao palestrante que, na concepção adventista, a expiação de
Azazel não era vicária, mas, retributiva. Por isso, pôde ser afirmado em tal
obra, com a consciência tranquila diante de Deus, que ‘Os adventistas do sétimo
dia rejeitam, portanto, inteiramente qualquer ideia, sugestão ou inferência de
que Satanás seja em certo sentido ou medida o portador de nossos pecados. Esse pensamento
nos causa horror, é terrivelmente sacrílego [...]’ (p. 289).”
É estranho
o estranhamento de Leandro Quadros, pois as afirmações que fiz foram com base
nos próprios livros adventistas “O Grande Conflito” e “Nisto Cremos”. Senão
vejamos:
“O
sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes
perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados
nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim
do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para a redenção
do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário”. (O Grande
Conflito, p. 420).
“Em o novo
concerto, os pecados dos que se arrependem são, pela fé, colocados sobre
Cristo e transferidos, de fato, para o santuário celeste. E como a purificação
típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos
quais se poluíra, igualmente a purificação real do santuário celeste deve
efetuar-se pela remoção, ou pagamento, dos pecados que ali estão registrados.
Mas antes que isso se possa cumprir, deve haver um exame dos livros de registro
para determinar quem,pelo arrependimento dos pecados e fé em Cristo, tem
direito aos benefícios de expiação. (O Grande Conflito, p. 421).
“A
purificação do santuário, portanto, envolve uma investigação – um julgamento.”
(O Grande Conflito, p. 423).
“Como o
sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessa-os sobre a cabeça do
bode emissário, semelhantemente Cristo porá todos esses pecados sobre
Satanás, o originador e instigador do pecado”(O Grande Conflito, p. 485).
“Ao
completar-se a obra de expiação no santuário celestial, na
presença de Deus e dos anjos do Céu e dos exércitos reunidos, serão postos
sobre Satanás os pecados do povo de Deus” (O Grande Conflito, p. 655).
“Tendo
sido os pecados dos justos transferidos para Satanás, tem ele de sofrer
não somente pela própria rebelião, mas por todos os pecados que fez o povo de
Deus cometer”(O Grande Conflito, p. 669).
“Passo
seguinte, representando a Cristo como mediador, o sumo sacerdote assumia sobre
si próprio os pecados que haviam poluído o santuário e os transferia para
o bode vivo, Azazel, o qual era então conduzido para fora do acampamento
do povo de Deus [...] é mais coerente ver o bode do Senhor como símbolo de
Cristo e o bode emissário – Azazel – como símbolo de
Satanás.” (Nisto Cremos, p. 414).
“Se Azazel
representa Satanás, como podem as Escrituras (Lev. 16:10) conectá-lo com a
expiação? Assim como o sumo sacerdote, depois de haver purificado o santuário,
colocava os pecados sobre Azazel – o qual era para sempre removido dentre o
povo de Deus – assim Cristo, depois de haver purificado o santuário
celestial, colocará os pecados confessados e perdoados de Seu povo sobre
Satanás, que será então removido para sempre dos santos. “Quão apropriado
é que o último ato de Deus no trato com o pecado, seja fazer retornar
sobre a cabeça de Satanás todos os pecados e culpas que, partindo
originalmente dele, causaram uma vez tal tragédia na vida daqueles que
agora foram libertados pelo sangue expiatório de Cristo. Completa-se desta
forma o ciclo, encerra-se o drama. Somente quando Satanás, o instigador do
pecado, for finalmente removido, poder-se-á afirmar apropriadamente que o
pecado foi erradicado do Universo de Deus. Neste sentido harmonizado
podemos entender de que modo o bode emissário tomava parte na ‘expiação’ (Lev.
16:10). Com os justos estando salvos, os pecadores ‘desarraigados’ e
Satanás não mais existindo, então – e somente então – estará o Universo no
mesmo estado de harmonia em que se encontrava antes do surgimento do pecado”
(SDA Bible Commentary, edição revista, vol. 1, pág. 778).” (Nisto Cremos,
p. 428).
Eu não disse
que os adventistas ensinam que o diabo é um redentor. Eu disse que os
adventistas dizem que essa expiação é uma expiação punitiva e não redentiva,
como pode ser verificado no tempo 26:50 do vídeo.
Sobre o
fato de um presbiteriano ter crido como os adventistas, isso é de pequena
importância. Nenhuma confissão reformada ou documento presbiteriano estabelece
o assunto desta maneira.
O Rev.
Onezio Figueiredo, professor e capelão do Seminário JMC, sobre este assunto
escreveu:
“Em todas
as incidências, o termo azazel aparece com a preposição prefixal “para”.
Portanto, a palavra significa: “para Azazel”. Desta maneira, o bode emissário,
carregando os pecados do povo de Deus, é levado “para Azazel”, isto é, para um
local ou para um espírito maléfico com esse nome. Dona White sustenta que
Azazel é protótipo de Satã no sacrifício expiatório prefigurativo; sendo,
portanto, o próprio Satanás, na expiação final do juízo investigativo, quem levará
os pecados dos justos para a terra milenar desolada. Assim, o bode emissário,
em vez de ser “para Azazel”, convertese em “Azazel”, o Demônio expiatório.”http://new.pippaod.com/accounts/95/483/98569662-9662-471E-B223E98816C96763.pdf
“5º: Ao
citar a obra Nisto Cremos, Sena literalmente reinterpretou a crença
fundamental
número 18 (“O Dom de Profecia”) para afirmar que “seguimos Ellen G.
White”. Se ele tivesse lido (ou não ignorado) a página 289, teria informado aos
alunos do Seminário que “Os escritos de Ellen White não constituem um
substituto para a Bíblia. Não podem ser colocados no mesmo nível. As Escrituras
Sagradas ocupam posição única, pois são o único padrão pelo qual os seus
escritos [de Ellen White] – ou quaisquer outros - devem ser julgados
e ao qual devem estar subordinados”.
A
interpretação que dei ao “espírito de profecia” tem base em minha pressuposição
Reformada da Suficiência da Escritura: “Isto torna indispensável a
Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua
vontade ao seu povo.” (Confissão de Fé de Westminster, cap. I.)
Quando
citei a “Crença Fundamental” eu não reinterpretei nada. Apenas demonstrei a
exclusividade mística e profética que Ellen White recebe. Veja o que diz a 18ª
Crença Fundamental dos Adventistas:
“18. O Dom
de Profecia: Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é uma
característica da Igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen
G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e
autorizada fonte de verdade e proporcionam conforto, orientação, instrução e
correção à Igreja.”
Sobre esta
“exclusividade profética”, um pastor adventista pode nos ajudar. A TV NOVO
TEMPO tem um programa intitulado “Bíblia Fácil”. Em um destes programas o
pastor fala de Ellen White e afirma que ela foi uma profetisa verdadeira, e que
nunca escreveu nada antibíblico. Diz que ela “antecipou a ciência em mais de 40
anos” em assuntos pontuais. Ressalva o pastor que nenhuma doutrina da IASD se
baseia em Ellen White, e que seus escritos não estão em pé de igualdade com a
Bíblia, mas nos orientam para a Bíblia. Neste momento do vídeo, uma
participante do programa pergunta: “Então devemos concluir que a Igreja
Adventista é a Igreja Verdadeira?”(39:45) A resposta contundente do pastor Arilton
é: “Sim. Se o Apocalipse indica, no cap. 12.17, que a Igreja
Verdadeira observa toda a lei de Deus, inclusive o sábado, e tem um profeta
moderno, e nós temos em nossa história, o ministério de Ellen G. White,
nós acreditamos sinceramente nisso.”
Outra
pessoa pergunta “se existe além de Ellen White outros profetas na IASD”. A
resposta do pastor é: “Chamada por Deus, como profetisa, só Ellen G.
White.” (40:40). Segundo o pastor, Ellen White ficava até duas horas sem
respirar no momento de suas revelações... (41:39) (http://novotempo.com/bibliafacil/videos/14-bf-verao-profetas/)
Além
disso, a mudança de visão do Adventismo sobre a doutrina da Trindade não teria
se dado por meio de mais estudo das Escrituras, mas segundo o livro “A
Trindade”, por causa das revelações de Ellen White:
“As
evidências mostraram que as visões recebidas por Ellen conduziram a denominação
através de estágios claramente discerníveis rumo a uma plena aceitação do
conceito bíblico da Trindade." (WHIDDEN, Woodrow, MOON, Jerry REEVE, John
W. A Trindade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2003. p. 248.)
“6º: Ao
comentar sobre a Inerrância Sena diz que “suspeita” ser Ellen White adepta da
Inerrância absoluta, para argumentar que os adventistas atualmente “negam” a
posição da própria profetisa. Não sei como um pesquisador pode chegar a uma
conclusão dessas ao ler os que ela escreveu sobre o assunto na obra Mensagens
Escolhidas, vol. 1, p. 21. Em 1886 ela afirmou: A Bíblia foi escrita por homens
inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus. Esta é da
humanidade. Deus, como escritor, não Se acha representado. Os homens dirão
muitas vezes que tal expressão não é própria de Deus. Ele, porém, não Se pôs à
prova na Bíblia em palavras, em lógica, em retórica. Os escritores da Bíblia
foram os instrumentos de Deus, não Sua pena. Olhai os diversos escritores. Não
são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A
inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio
homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As
palavras, porém, recebem o cunho da mente individual. A mente divina é difusa.
A mente divina, bem como Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade
humanas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus. Na página 22 ela
continua explicando sua posição sobre o processo de inspiração das Escrituras
sem dar qualquer margem para a opinião infundada de Luciano Sena de que ela,
“talvez”, acreditasse na Inerrância absoluta.”
Não vejo
algo plenamente desenvolvido contra a inerrância. Qualquer um que crê na
inerrância diz isso. Talvez Leandro não saiba a diferença entre inspiração e
inerrância, conforme define o protestantismo fiel, por isso acha que “Deus
falar em linguagem humana” é garantia de erros. A Declaração da Inerrância
de Chicago poderia ajudá-lo.
Um
trabalho acadêmico adventista contra a inerrância bíblica pode ser visto em:
“Na mesma
palestra Sena se contradiz. Enquanto ele “acha” que Ellen G. White cria na
Inerrância absoluta, num determinado momento ele afirma que os adventistas
“rejeitam a Inerrância [absoluta] por causa de Ellen G. White”. Essa
contradição aberta revela que Sena desconhece por completo a posição de Ellen
White sobre o método de inspiração das Escrituras, e que ele foi bastante
arrogante em querer colocar “na boca” da co-fundadora do adventismo algo que
ela nunca sonhou em dizer. Avalie, irmão e Reverendo Ageu, o tipo de informação
que tal palestrante levou até os alunos do Seminário Presbiteriano JMC e veja
se esse vídeo no YouTube, assistido até o momento por mais de 700 pessoas, não
compromete a credibilidade acadêmica de uma Instituição séria como a de vocês.
Além disso, Sena não fez questão de informar aos alunos que a crença adventista
na autoria humana da Bíblia nada tem a ver com a posição dos teólogos
liberais.”
Leandro
Quadros não entendeu essa parte, ou mais uma vez não prestou atenção no vídeo. Não
existiu contradição alguma. Perceba que eu mostrei aos 43:48 que é para salvar
os escritos de Ellen White que os adventistas da atualidade negam a inerrância
bíblica. “Por causa” de Ellen White não significa que ela influenciou
ativamente o tema. A prova para minha conclusão pode ser vista nessas palavras:
“Alguns
têm tropeçado no fato de que há imperfeições nos escritos de Ellen White. (...)
Não há acusação que possa ser levantada contra Ellen White, em seu papel
profissional como profeta, que não poderia e não tenha sido primeiro levantada
contra os escritores da Bíblia (...) Não reivindiquemos mais para a Sra. White
do que reivindicaríamos para os escritores bíblicos (...) “Precisamos ser
consistentes; precisamos tratar Ellen White exatamente como trataríamos
qualquer profeta dos tempos bíblicos. Se não rasgamos de nossa Bíblia os
salmos escritos por Davi, as profecias de Jeremias e Jonas e as duas epístolas
de Pedro, então não temos direito de lançar fora os escritos de Ellen White.”
“Se ele
tivesse lido atentamente o capítulo “A Natureza da Bíblia: Isenta ou Repleta de
Erros?”, escrito por Samuele Bacchiocchi (citado repetidas vezes por Luciano
Sena) na obra Crenças Populares: o que as pessoas acreditam e o que a Bíblia
realmente diz (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 11-47, teria
informado aos alunos que, mesmo não sendo Inerrantes absolutos por crer que a
Bíblia é a perfeita Palavra de Deus na imperfeita linguagem humana, cremos que
“As Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem o
padrão de caráter, a prova da experiência, o autorizado revelador de doutrinas
e o registro fidedigno dos atos de Deus na história” (Nisto Cremos, 2003, p.
14).”
Isso não
trata da questão que foi apontada na palestra, a saber, que o adventismo ensina
que a Bíblia tenha erros de natureza não doutrinaria. Como o próprio Leandro
Quadro afirmou em 08:04: “Mesmo Deus guiando a mente do profeta para não errar,
no aspecto doutrinário e moral, em aspectos ortográficos e lapsos de memória, é
claro que o profeta errou.” Diz que a Palavra de Deus é perfeita em seu
contexto moral, ético e doutrinário. E afirma que não descarta a possibilidade
do próprio autor ter errado no caso em mira!http://novotempo.com/namiradaverdade/2012/09/11/a-biblia-e-inerrante-04-09-2012/
“7º: Também
absurda e inverídica é a afirmação de que “os adventistas creem que em cada
mundo há seu próprio Adão e que só o nosso caiu”. Não é isso o que o Nisto
Cremos (ed. de 2008), p. 90 e 91, afirma. Na referida obra o termo “Adões” no
plural é empregado, realmente, como referência a seres de mundos não caídos
(com base em Jó 1:6-12), porém, não há a mais remota ideia de que “cada mundo
tenha seu próprio Adão”. O termo plural usado no contexto se refere aos “Filhos
de Deus” (Jó 1:6-12) de mundos não caídos, de modo que a “explicação” de Sena é
pura invenção da própria mente dele, resultante de uma leitura superficial ou
manipulação do texto.”
Leiamos,
então, o trecho do livro:
“O mais
provável é que a Terra, em vez de ter sido a primeira obra do Criador, tenha
sido, na verdade, a última. A Bíblia retrata os filhos de Deus
– provavelmente os Adões dos mundos não caídos – encontrando-se com
Deus em alguma parte distante do Universo (Jó 1:6-12). Até o presente
momento, as experiências espaciais não conseguiram descobrir nenhum outro
planeta habitado. Aparentemente eles se situam na vastidão do espaço
– muito além do alcance de nosso sistema solar poluído, onde se acham
garantidos contra a infecção do pecado.” (Nisto Cremos, p. 103).
Este
ensino é repetição das visões de Ellen White:
“O Senhor
me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo
me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um
verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do
lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a
expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma
expressão da liberdade e felicidade do lugar. Perguntei a um deles por que eram
muito mais formosos que os da Terra. A resposta foi: Vivemos
em estrita obediência aos mandamentos de Deus, e não caímos em desobediência,
como os habitantes da Terra. Vi então duas árvores. Uma se assemelhava
muito à árvore da vida, existente na cidade. O fruto de ambas tinha belo
aspecto, mas o de uma delas não era permitido comer. Tinham a faculdade de
comer de ambas, mas era-lhes vedado comer de uma. Então meu anjo assistente me
disse: Ninguém aqui provou da árvore proibida; se, porém,
comessem, cairiam. Então fui levada a um mundo
que tinha sete luas. Vi ali o bom e velho Enoque que tinha sido trasladado... Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa.
Pedi ao meu anjo assistente que me deixasse ficar ali. Não podia suportar o
pensamento de voltar a este mundo tenebroso. Disse então o
anjo: Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144.000 terás
o privilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de
Deus. “(Vida e Ensinos) http://www.ellenwhitebooks.com/index2.asp?lista=21
Percebe-se
que o que eu disse na palestra não foi fruto de minha imaginação...
8º: “Desconheço
até o momento qualquer fonte primária adventista que afirme ter sido a Igreja
Católica quem “inventou o domingo”. Na verdade, a leitura de algumas obras
essenciais revelam que mesmo os adventistas sendo convictos de que a
observância do domingo esteja intimamente relacionada ao papado (veja-se O
Grande Conflito, p.p. 54, 446, 449 e 579), a história da observância do domingo
é muito mais abrangente do que isso. Se ele tivesse lido, por exemplo, a obra The
Sabbath in Scripture na History, editada por Kenneth A. Strand e publicada em
1982, ele veria que os eruditos adventistas abarcam a substituição do sábado
pelo domingo de uma perspectiva histórica bem mais sólida especialmente na
segunda parte do livro, intitulada “Sabbath and Sunday In Christian Church”.
Sete capítulos foram dedicados ao assunto, sem que a origem do domingo tenha
sido atribuída unicamente ao papado. Outra obra muito útil para o palestrante
seria o livro de Alberto R. Timm, intitulado O Sábado na Bíblia, publicado
em 2010, onde o autor faz menção à tese de Samuele Bacchiocchi defendida na
Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, intitulada From Sabbath to
Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early
Christianity. A mesma foi publicada em 1977 e nela se percebe que, além de o
papado ter certa influência no estabelecimento do domingo, a origem da
observância do primeiro dia foi na igreja de Roma, por volta do 1º século,
entre cristãos primitivos que observaram o sábado juntamente com o domingo. O
papado entra em cena alguns séculos depois, bem como o edito de Constantino em
321 d.C que exaltou o domingo na esfera civil.”
Leandro
Quadros comete um engano escandaloso, talvez para granjear alguma credibilidade
do Reverendo Ageu. Se o inspirado e autorizado livro “O Grande Conflito” não é
fonte primária, não sei qual outro livro será. Veja o que ele diz sobre papado
e domingo:
“O papado
tentou mudar a lei de Deus. O segundo mandamento, que proíbe o culto às
imagens, foi omitido da lei, e o quarto foi mudado de molde a autorizar a
observância do primeiro dia em vez do sétimo, como sábado.” (O Grande Conflito,
p. 446)
“É
apresentada uma mudança intencional, com deliberação. ‘Cuidará em mudar os
tempos e a lei.” A mudança no quarto mandamento cumpre exatamente a profecia.
Para isto a única autoridade alegada é a da Igreja. Aqui o poder papal se
coloca abertamente acima de Deus.” (O Grande Conflito, p. 446)
“Enquanto
os adoradores de Deus se distinguirão especialmente pelo respeito ao quarto
mandamento - dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e testemunha
de Seu direito à reverência e homenagem do homem - os adoradores da besta
salientar-se-ão por seus esforços para derribar o monumento do Criador e
exaltar a instituição de Roma. Foi por sua atitude a favor do domingo que o
papado começou a ostentar arrogantes pretensões; seu
primeiro recurso ao poder do Estado foi para impor a observância do domingo
como ‘o dia do Senhor’.” (O Grande Conflito, p. 446)
“O fato de
Luciano Sena utilizar dessa metodologia antiacadêmica não me surpreende porque
já tive diversos contatos com ele, dando respostas às suas acusações sem,
contudo, obter da parte dele pelo menos um reconhecimento de que errou na forma
como citou as fontes primárias.”
É óbvio
que para Leandro Quadros nenhuma citação será acadêmica quando for contra o
Adventismo. As obras que citei na palestra estão documentadas. Fiz questão de
usar obras adventistas e não apenas de oponentes. O que se percebe é que
Leandro Quadros defende de qualquer maneira a IASD, ainda quando não está com a
razão, e geralmente tenta desqualificar seus oponentes.
“Porém, quando
a questão envolve um Seminário Teológico como o JMC, a coisa fica mais séria
porque alunos estão obtendo informações falsas que, além de desonrar a Deus (Êx
20:16), podem comprometer todo um trabalho de ensino realizado por
profissionais comprometidos como vocês. Por isso, assisti a toda a palestra no
YouTube e decidi escrever e telefonar para o Reverendo.”
Creio que
ficou claro e evidente onde estão as informações falsas.
“Há muita
coisa que ele disse sobre a teologia da Lei, da Expiação e da Trindade que não
refletem o posicionamento oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Porém,
não me delongarei mais do que já fiz porque não devo ocupar seu tempo que, com
certeza, é precioso em vista dos seus diversos compromissos acadêmicos.”
Concluo
esta resposta dizendo que o trabalho do apologista é ser verdadeiro na
exposição dos fatos e fiel a Deus na avaliação dos mesmos, ainda que seus
oponentes digam que ele não é. Mantenho um blog que, junto com outros, tem
trilhado o caminho de tentar abrir os olhos dos adventistas. Conheço bem o modo
como Leandro Quadros age para com os críticos. Em sua visão, todos são
desonestos ou desinformados. Homens como Paulo Romeiro, Franklin Ferreira,
Natanael Rinaldi, D. Anderson, Walter Rea e institutos sérios como o Instituto
Cristo de Pesquisas (ICP) e o Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) já
experimentaram dessa carga.
Minha
resposta acima só teve uma preocupação: Honrar ao meu Deus na abordagem
apologética (2Co 10.4-6), na esperança de que Deus aja no coração dos
adventistas, de modo a reconhecerem o Senhorio Absolutamente Salvador de
Cristo, sem as interpolações das heresias do Adventismo.
Ev.
Luciano Sena