sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O que é uma seita?

O que é uma seita? No sentido linguístico, bíblico, seita é “[...] uma divisão desenvolvida e dirigida a um assunto [...]” (Dicionário Vine, p. 979). Por conseguinte, o termo não traz consigo identificação negativa. Qualquer ramificação de um grupo maior pode ser classificada como uma seita. No entanto, a carga semântica recebida com o passar do tempo tem feito com que o termo ‘seita’ tenha uma identificação negativa (At 24.14). Em que sentido?


Os vários fatores que tem sido indicados para se estabelecer se um certo grupo é uma seita, são: se o grupo tem um 'líder' humano e se a religião se coloca como entidade detentora da verdade salvadora, e se com isso existem problemas sociológicos e morais (Respostas às Seitas, p 10-17). Franklin Ferreira e Alan Myatt mostram que, segundo pesquisas sociológicas, traços comuns podem ser percebidos nas seitas as quais são: autoritarismo, oposicionismo, exclusivismo, legalismo, subjetivismo, complexo de perseguição, disciplina reprovadora, esoterismo e anticlericalismo (Teologia Sistemática, p. 917,918).


Aldo Menezes entende que problemas sociológicos e morais não são caminhos adequados para determinar se um grupo é herético ou não. Para ele a identificação deve ser concentrada apenas nos aspectos cardeais da fé (Por que Abandonei as Testemunhas de Jeová, p. 44). Embora a observação dele seja de interessante ao lembrar que fraquezas morais até mesmos os cristãos tem praticado (Ap 2,3), e exclusivismo pode também ser observado em genuinamente grupos cristãos, observando corretamente essa posposta, ela não deve ser levada até as ultimas consequências. Isto é, os aspectos morais devem ser considerados também como determinantes ao se observar o grupo. Um fator importante é observado pela Confissão de Fé de Westminster: “[..]. algumas [igrejas] têm-se degenerado a ponto de não serem mais igrejas de Cristo, e, sim, sinagogas de Satanás [...]” (CFW, XXV. 5). Ou seja, pode ser que o grupo apenas tenha as marcas da fé verdadeira, mas não vivem deliberadamente essa fé. Ou mesmo, o grupo pode ser apenas uma ‘empresa igreja, mística’ que está apenas procurando extrair recursos financeiros das pessoas. A Palavra de Deus diz sobre esse desvio moral:


“Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” (Jd 4).


O ponto de vista cristão, protestante, defende corretamente que seita é todo grupo religioso que se afasta das verdades centrais do Cristianismo (O Império das Seitas, p. 11,12), como a suficiência e inerrância bíblicas, a doutrina da Trindade e a Salvação pela graça, por meio da fé. Wayne Grudem destaca a rejeição da Trindade, a Salvação pela fé como sinais de que a Palavra é fielmente pregada. Bom destacar também quando ele diz: “[...] parece apropriado dizer que muitas igrejas protestantes liberais são na realidade falsas igrejas.” (Teologia Sistemática, p 726). Devemos observar que a seita promove uma distorção da Escritura (2 Pe 3.16).


Alguns ensinos religiosos são periféricos, e em sua natureza não seriam essencialmente problemáticos para a identificação de um grupo religioso ser ou não cristão. A Bíblia admite diferenças de opiniões em assuntos de fé e prática (Rm 14.12; 1 Co 8.1-13). Porém, quando o próprio grupo diz que certa doutrina é o que o identifica como igreja verdadeira, então o assunto periférico deixa de ser apenas uma distinção, torna-se uma exclusão (At 15.1). Um exemplo:

Se um grupo religioso decide lavar os pés no fim dos cultos, esse ato não deve ser preocupação para os cristãos. Mas se o tal grupo diz que por lavar os pés eles são os verdadeiros servos de Deus, sendo os demais, ou vítimas do engano ou promotores do erro.  Pronto! O assunto deixou de ser periférico.


Precisamos na verdade identificar o que é âncora existencial para o Cristianiamo. Em seguida teremos uma bússola para nos guiar.


Três pontos cardeais da Fé Cristã:


1) A Bíblia é a infalível e suficiente Palavra de Deus: João 17.17; Isaías 55.11 e II Timóteo 3.15-17. 2) A doutrina da Trindade! (Mateus 28.19; II Coríntios 13.14; Judas 20.21. 3) Salvação pela graça, somente por meio da fé em Cristo Jesus! (João 3.16; Atos 4.12; Romanos 10.9,11.6; Efésios 2.7,8.

Esses três aspectos podem ser apresentados como um teste, uma diagnóstico, simples, para identificar se o grupo em mira está pregando fielmente a Palavra de Deus.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pastorais de Hernandes Dias Lopes: Missões

Jesus, o Filho de Deus, deixou a glória que tinha com o Pai, no céu, e veio ao mundo, encarnou-se e habitou entre nós. Veio como nosso representante e substituto. Veio para morrer em nosso lugar. Seu nascimento foi um milagre, sua vida foi um exemplo, sua morte foi um sacrifício vicário, sua ressurreição uma vitória retumbante. Jesus concluiu sua obra redentora e comissionou sua igreja a ir por todo o mundo, proclamando o evangelho a toda a criatura. Por essa razão, a obra missionária merece nossos melhores investimentos. Destacamos, aqui, dois investimentos que devemos fazer na obra missionária:

Em primeiro lugar, o investimento de recursos financeiros. A Bíblia diz que aquele que ganha almas é sábio (Pv 11.30). Investir na obra missionária é fazer um investimento para a eternidade; é fazer um investimento de consequências eternas. Nada trouxemos para este mundo nem nada dele levaremos. Os recursos que Deus nos dá não são apenas para o nosso deleite. Devemos empregar, também, esses recursos para promover o reino de Deus, levando o evangelho até aos confins da terra. A contribuição cristã não é um peso, mas um privilégio; não é um fardo, mas uma graça. Deus nos dá a honra de sermos cooperadores com ele na implantação do seu reino. Não fazemos um favor para Deus contribuindo com sua obra; é Deus quem nos dá o favor imerecido de sermos seus parceiros. Estou convencido, portanto, de que a melhor dieta para uma igreja é a dieta missionária. Quando Oswald Smith chegou à Igreja do Povo, em Toronto, com vistas a assumir o pastorado daquela igreja, fez uma série de conferências de uma semana. Nos três primeiros dias pregou sobre missões. A liderança da igreja reuniu-se e disse ao pastor que a igreja estava com muitas dívidas e que aquele não era o momento oportuno de falar sobre missões. Smith continuou nessa mesma toada e no final da semana fez um grande levantamento de recursos para missões. O resultado é que aquela igreja, por longas décadas, jamais enfrentou crise financeira. Até hoje, ela investe mais de cinquenta por cento de seu orçamento em missões mundiais.


Em segundo lugar, investimento de vida. A obra de Deus não é feita apenas com recursos financeiros, mas, sobretudo, com recursos humanos. Fazemos missões com as mãos dos que contribuem, com os joelhos dos que oram e com os pés dos que saem para levar as boas novas de salvação. Tanto os que ficam como os que vão são importantes nesse processo de proclamar o evangelho de Cristo às nações. Os missionários que vão aos campos e as igrejas enviadoras precisam estar aliançados. William Carey, o pai das missões modernas, disse que aqueles que seguram as cordas são tão importantes como aqueles que descem às profundezas para socorrer os aflitos. Os que guardam a bagagem e os que lutam no campo aberto recebem os mesmos despojos. Devemos fazer missões aqui, ali e além fronteiras concomitantemente. Devemos empregar o melhor dos nossos recursos, o melhor do nosso tempo e da nossa vida para que povos conheçam a Cristo e se alegrem em sua salvação. Alexandre Duff, missionário presbiteriano na Índia, retornou à Escócia, seu país de origem, depois de longos anos de trabalho. Seu propósito era desafiar os jovens presbiterianos a continuarem a obra missionária na Índia. Esse velho missionário, numa grande assembleia de jovens, desafiou-os a se levantarem para essa mais urgente tarefa. Nenhum jovem atendeu seu apelo. Sua tristeza foi tamanha, que ele desmaiou no púlpito. Os médicos levaram-no para uma sala anexa e massagearam-lhe o peito. Ao retornar à consciência, rogou-lhes que o levassem de volta ao púlpito, para concluir seu apelo. Eles disseram: “O senhor não pode”. Ele foi peremptório: “Eu preciso”. Dirigiu-se, então, aos moços nesses termos: “Jovens presbiterianos, se a rainha da Escócia vos convidasse para ir a qualquer lugar do mundo como embaixadores, iríeis com orgulho. O Rei dos reis vos convoca para ir à Índia e não quereis ir. Pois, irei eu, já velho e cansado. Não poderei fazer muita coisa, mas pelo menos morrerei às margens do Ganges e aquele povo saberá que alguém o amou e se dispôs a levar-lhe o evangelho”. Nesse instante, dezenas de jovens se levantaram e se colocaram nas mãos de Deus para a obra missionária!


Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes


Fonte: http://ipbvit.org.br/2012/08/22/missoes-um-investimento-de-consequencias-eternas/

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Paul Washer: ‘O batismo infantil é o bezerro de ouro da Reforma Protestante’




O 'spurgeonista de 5 pontos', obvio, para não dizer ‘calvinista’, chamou o batismo infantil "de bezerro de ouro da Reforma" protestante. Que existe rejeição do batismo infantil por parte dos batistas, todos sabemos. Que dizem que é um vestígio do romanismo, embora seja um erro histórico, ainda parece ser mais comum. Mas dizer que tal doutrina é algo como foi o bezerro que desviou os Israelitas no pé do monte Sinai, é algo que não acho graça. Se Washer acerta tanto, se seguiu Spurgeon, é algo louvável. Porém, não o admiro nisso, quando condena Lutero, Calvino, Wesley, Hodge, Berkhof, Stott, Packer, Hernandes, Lidório, etc. de seguirem um bezerro de Roma.


Me desculpem, mas muitos Puritanos (adoradores do bezerro?) pregaram muito mais as doutrinas da graça do que P. Washer. Aos 49 minutos e 54 segundos desse vídeo AQUI, ele afirma essa infelicidade. Os presbiterianos que dizem crer nos postulados da CFW, poderiam comparar essa classificação de Paul Washer com o que ‘dizem’ defender e crer.

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NOTA DIA  11 DE OUTUBRO:
Um irmão me enviou várias mensagens no celular dizendo que eu tirei as palavras de Paul Washer do contexto. Que a crítica dele não foi contra o batismo infantil, mas contra "a atitude da maioria dos crentes [que na época do grande despertamento] que acreditavam que apenas porque foram batizados na visível podiam viver em pecado." que é "a esse período da Reforma que o pregador está se referindo", "que ele menciona dois pedobatistas que foram poderosamente usados naquele período". E que a citação correta é "o batismo infantil PARA A SALVAÇÃO foi o bezerro da bezerro..." E me deu o recado: "Espero que da próxima vez, você não isole a citação de que quem quer que seja!", "Você deturpou o sentido original do autor...", "Se fosse honesto, colocaria o contexto na citação no blog. Sem falar que deveria deveria emitir uma nota se desculpando pelo equívoco."

Parece que esse irmão está confundindo alguma coisa, apesar de ter razão na questão de Washer está discutindo outro assunto (eu nem neguei isso na postagem). O fato porém, é que Washer faz referência do batismo infantil em conexão com a Reforma. Ou seja, ele, Paul Washer, faz uma citação dentro de um contexto, mas sem estar ligado a ele. Para ajudá-lo, e porventura outros que se incomodem com uma postagem que critica um precioso irmão, gostaria de transcrever toda acusação, que  acabei encontrando no http://voltemosaoevangelho.blogspot.com.br/2009/07/paul-washer-quinta-acusacao.html

"A quinta acusação: desconhecimento acerca da doutrina da regeneração, desconhecimento acerca da doutrina da regeneração. Meu prezado amigo — e quero falar aqui sem rodeios —, sei que há calvinistas aqui e sei que há arminianos aqui, e sei que há todo tipo de animal estranho entre um extremo e outro, mas quero que você saiba de uma coisa. Embora eu penda mais para... bem, acho que posso me considerar um “spurgeonista” de cinco pontos... quero que saiba disto. A questão central não é o calvinismo. Não... Vou ter muitos problemas quando esta mensagem estiver na Internet. A questão central não é o calvinismo. Vou dizer para você qual é a questão central: regeneração. E é por isso que posso ter comunhão com Wesley, e com Ravenhill, e com Tozer, e com todos os demais, porque, independentemente de como eles se posicionavam nas demais questões, eles criam que a salvação não pode ser manipulada pelo pregador, e que é uma obra extraordinária do poder do Deus todo-poderoso. E junto com eles, portanto, eu me posiciono, na certeza de que foi uma obra de Deus. Muito maior é a manifestação do poder de Deus na obra regeneradora do Espírito Santo do que na criação do mundo, do universo, porque ele criou o mundo “ex nihilo”, do nada. Mas ele cria o homem a partir de uma massa corrompida. E a regeneração encontra correspondência na própria ressurreição de nosso Salvador. Se você prega... entendo que, quanto à pregação, haja mestres, e pregadores, e expositores, e isso e aquilo, e todos são muito necessários para a saúde da igreja. Mas você precisa entender uma coisa. Quando o velho G. Campbell Morgan – há relatos disso – quando ele ia subir na torre majestosa para pregar, cita-va para si mesmo: “como ovelha para o matadouro, e como cordeiro mudo diante do tosquiador” (A-tos 8: 32). Ele sabia que, sem uma manifestação magnífica da obra regeneradora do Espírito Santo, na-da do que ele dissesse teria vida. É o Espírito que dá vida e, nesse sentido, todos nós que proclamamos sua Palavra devemos proclamá-la como profetas. O que eu quero dizer com isso? Somos sempre, sempre um Ezequiel diante daquele vale de ossos secos. E como eles estão secos! E então saímos para ver tudo aquilo e o que é que fazemos? Profetiza-mos! Dizemos “Ouçam a Palavra do Senhor”. E sabemos que o sopro de Deus deve soprar nesses mortos, caso contrário não ressurgirão. Aí, quando você tiver plenamente captado isso no mais íntimo de seu ser, não vai mais se entregar à manipulação que tantas vezes é feita em nome do evangelismo neste país. Você proclamará a Palavra de Deus. Proclamará. Doutrina da regeneração. Observe os irmãos Wesley. Observe por um instante o que tiveram de enfrentar, e meu querido Whitefield. E o que foi que enfrentaram? Todas naquela época se consideravam cristãos, completamente cristãos. Por quê? Bem, todos tinham sido batizados na infância, e assim ingressaram na aliança. Foram confirmados. Viveram como diabos. A regeneração foi assim trocada por um tipo de atitude meramente confessional, nominalista, que ganhou foros autoridade por parte das mãos de líderes religiosos da época. E é aí que chegam os irmãos Wesley. “Não! Não está tudo certo com a alma de vocês! Vocês não nasceram de novo! Não há nenhuma prova de vida espiritual! Examinem-se. Provem a si mesmos para ver se estão na fé. Certifiquem-se de seu chamado e de sua eleição. Você precisa nascer de novo”. Aqui nos Estados Unidos, por causa dos últimos anos e das últimas décadas de evangelismo, per-deu-se totalmente a percepção do que significa ser nascido de novo. Tudo o que significa é que uma vez, numa cruzada, você tomou uma decisão e acha que o fez com sinceridade. Mas não há nenhuma prova de uma obra sobrenatural de recriação do Espírito Santo em sua vida. Se alguém – não se alguns – “se alguém está em Cristo, nova criatura é”. E agora, o mesmo acontece hoje. O que está diante de nós hoje? Eu vou te dizer o que enfren-tamos hoje. Não é, na maioria das vezes, necessariamente, a questão do batismo infantil. Não é uma confirmação por uma autoridade eclesiástica da Igreja Alta. O que está diante de nós é a “oração do pecador” para aceitar Jesus. E estou aqui para te dizer: se há uma coisa contra a qual eu decidi declarar guerra, é contra essa oração. Você dirá: “Mas irmão Paulo…”. Sim, da mesma forma, em minha opinião, que o batismo infantil foi o bezerro de ouro da Reforma, hoje, para os batistas, e para os evangélicos conservadores , e para todos os que os seguem, vou dizer a você que a “oração do pecador” enviou mais gente para o inferno do que qualquer outra coisa na face da terra. Aí você pergunta: “Como você pode dizer uma coisa dessas?”. Abra a Bíblia aqui para mim e me mostre, por favor. Eu adoraria que você pudesse se levantar e mostrasse onde alguém evangelizou dessa forma. As Escrituras não afirmam que Jesus Cristo veio até a nação de Israel e disse “O tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo, agora quem gostaria de me convidar para entrar em seu coração? Estou vendo uma mão ali.” Não é isso que a Bíblia diz. Jesus disse: “Arrependam-se e creiam no evangelho”. Ora, os homens hoje estão confiando no fato de que, pelo menos, uma única vez na vida, fizeram a “oração do pecador”, e então lhe disseram que estavam salvos porque foram suficientemente since-ros. E assim, na experiência de salvação deles, se você perguntar “Você é salvo?”, eles não dizem “Sim, porque estou confiando em Jesus e porque há provas irrefutáveis que me dão segurança de ter sido nascido de novo.” Não. Eles dizem: “Sim, uma vez em minha vida fiz uma oração”. E vivem como diabos. Mas fizeram uma oração. E alguns deles… fiquei sabendo de um evangelis-ta que estava insistindo com um homem para que fizesse a tal oração. Por fim, o homem ficou tão sem graça que o evangelista disse “Bem, sabe de uma coisa?  Vou orar a Deus por você e, se é o que você deseja dizer a Deus, aperte minha mão”. Contemple o poder de Deus. Decisionismo, a idolatria do decisionismo. Os homens acham que vão para o céu pelo fato deles terem julgado a sinceridade de suas próprias decisões. Quando Paulo veio à igreja de Corinto, não lhes disse “Olhem, vocês não estão vivendo como cristãos, então vamos voltar àquele momento da vida de vocês em que fizeram aquela oração. Vamos ver se vocês foram sinceros”. Não, ele disse: “Examinem-se para saber se estão na fé”. Porque quero que saiba, meu amigo, que a salvação é somente pela fé. É obra de Deus. É graça sobre graça, sobre graça. Mas a prova da conversão não é apenas o seu exame de sua sinceridade no momento de sua conversão. É um fruto contínuo em sua vida. É o fruto contínuo em sua vida. Ah, meu querido amigo, veja em que situação nos metemos. Uma árvore não é conhecida por seus frutos? O que lhe parece: 60%, 70% dos americanos pensam que são convertidos, nascidos de novo. Nós matamos quantos milhares de bebês por dia? Somos odiados em todo o mundo por nossa imo-ralidade. No entanto, somos cristãos.E sem rodeios eu deposito isso, a culpa, aos pés do pregador."

Parece claro que não houve na citação, nenhuma referência a um 'batismo infantil PARA SALVAÇÃO' como disse o irmão.  Veja também: http://monergismo.com/forum/index.php?topic=238.0

NOTA DIA 17 DE OUTUBRO: No caso acima, tanto eu como o irmão estavamos certos! Ele estava citando o livro:http://aespera.com.br/wp-content/uploads/2012/05/A-espera-10-Acusa%C3%A7%C3%B5es-Contra-a-Igreja-Moderna.pdf  - onde na página 44 Paul Washer escreveu: "...batismo infantil PARA A SALVAÇÃO...".

Fica outra pergunta no ar: A Reforma ensinou o batismo infantil "PARA A SALVAÇÃO"? 

domingo, 7 de outubro de 2012

‘Quem tirou as palavras de Ellen White daqui !?’


Estou procurando saber se algum Adventista bem informado, ou mesmo não tão bem informado (quanto Leandro Quadros), poderia me dar uma ajuda. No livro Primeiros Escritos disponível hoje em dia, existe uma sentença que está, parece, faltando alguma coisa. Eu já usei essa parte do livro para postar algo no MCA (AQUI), mas o assunto agora é outro. Veja a versão dos Primeiros Escritos (que não são os primeiros, obviamente todo mundo sabe disso!):

 
“Outros temerariamente negavam a existência da luz atrás deles e diziam que não fora Deus quem os guiara tão longe. A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas, de modo que tropeçavam e, perdendo de vista o sinal e a Jesus, caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio.[?] Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus.” P. 15


Essa é a versão do livro na página 15, que pode ser encontrada no site: http://www.ellenwhitebooks.com/ ou  no http://www.bapvarzea.com/images/documentos/livros/PrimeirosEscritos.pdf

Porém, segundo Dirk Anderson, Ellen White escreveu algo que depois se arrependeria. Algo ligado á doutrina da porta fechada, que depois ela mentiu dizendo que nunca ensinou tal doutrina. Veja a primeira versão:

"Mas logo alguns negaram grosseiramente a luz atrás deles e disseram que não fora Deus quem os conduzira até tão distante. A luz por detrás desses extinguiu-se deixando-lhes os pés em total escuridão, e tropeçaram e perderam de vista o marco e a Jesus, e caíram para fora do caminho,mergulhando para o mundo escuro e ímpio em baixo. [Era tão impossível para eles alcançar o caminho novamente e seguir para a cidade, como também para todo o mundo ímpio que Deus havia rejeitado]. Logo ouvimos a voz de Deus como muitas águas. . .


Quando Leandro Quadros acusou o Pr Natanael Rinald de desinformado, quando este escreveu a ‘Profetisa que Falhou’, ele disse que investigou bem o assunto da questão trazida pelo pastor, a saber; se Ellen White sabia o dia da volta de Cristo (AQUI). Interessante, que o Leandro Quadros não disse nada a respeito. Apesar de sempre dizer que os críticos não usam fontes primárias (poderia ser ‘primeiras’...?). Saberia Leandro Quadros dessa diferença?

 
Quando ele escreveu contra o MCA, afirmando que Ellen White disse que nunca ensinou a tal porta fechada (AQUI), eu respondi dizendo que Ellen White é mentirosa. Veja AQUI. Ela ensinou sim! Mas os atuais defensores dela, fazem de tudo para adulterar a cena do crime, e /ou minimizar a intensidade do mesmo.


Parece que é sobre tal doutrina que Ellen White refere-se na tal parte omitida. Como provar que isso é uma mentira de Dirk Anderson? Se algum Adventista puder me ajudar, retiro essa postagem...




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ao Rev. Marcos Amaral


Prezado pastor, é com tristeza que mais uma vez soube* que o senhor foi em um programa de ética não cristã, se apresentando como REVERENDO PRESBITERIANO.


Gostaria de saber se o senhor deixou claro que foi ali de sua própria vontade e não como representante da IPB? As pessoas não sabem disso, o senhor sabia...? sabe o que significa evangelizar, e dizerem: “essa é a igreja que foi no Amor e Sexo”...?


Pois bem, gostaria de saber se o senhor disse que Deus condenará ao inferno os que praticam o sexo fora do casamento? Que o único escape não é um 'bate papo sobre o tema', mas sim o arrependimento direcionado para A CRUZ DE CRISTO?


Sobre o homossexualismo, o senhor que fez juramento solene diante de uma igreja presbiteriana, leria esse trecho, em conformidade com a sua crença professa que crê na Bíblia:

"Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm."  Romanos 1:22-28


Esse é o meu recado como presbiteriano ao senhor pastor presbiteriano. E acredito que o senhor tem sorte de não me ter como ovelha. Se não, o senhor ficaria muito triste de ver uma ‘ovelha’ com VERGONHA do próprio pastor. Ou pode ser, que o senhor teria vergonha de mim... (estou colocando esse recado no seu blog).


Abraços

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O reconhecimento dos Escritos do NT e os Pais primitivos


"Os Pais primitivos: Os Pais primitivos fornecem algumas pistas úteis sobre a situação. As cartas de Inácio contêm diver-sas referências a um considerável intercâmbio entre as igrejas (as da Ásia Menor, Grécia, Roma) por intermédio de mensageiros (muitas vezes oficiais), o que parece indicar um profundo sentimento de solidariedade vinculando-as, e uma ampla circulação de notícias e atitudes — um problema com um herege em um lugar logo ficaria conhecido em todos os lugares, etc. Que havia forte sentimento sobre a integridade das Escrituras, Policarpo deixa claro (7:1): “Quem perverter as palavras do Senhor…esse é primogênito de Satanás.” Críticos de nossos dias podem não gostar da terminologia de Policarpo, mas o uso de termos tão fortes deixa claro que ele estava mais do que atento e preocupado.


Semelhantemente, Justino Mártir afirma (Apol. i.58): “os demônios iníquos também destacaram Mar-cion de Pontus.” E em Trifo xxxv ele diz a respeito dos hereges ensinando doutrinas dos espíritos do erro, que esse fato: “nos incita, nós que somos discípulos da verdadeira e pura doutrina de Jesus Cris-to, a sermos mais fiéis e firmes na esperança anunciada por Ele.”

Parece óbvio que atividade herética causaria que os fiéis ficassem com maior cuidado e os obrigaria a definir nas suas próprias mentes aquilo que iriam defender. Assim sendo, o cânon truncado de Marcion evidentemente incitou os fiéis a definirem o verdadeiro cânon. Mas Marcion também alterou a redação de Lucas e das Epístolas de Paulo, e através de suas recriminações amargas fica claro que os fiéis estavam tanto cientes quanto preocupados. De passagem podemos observar que a atividade herética também fornece evidência indireta que os escritos do Novo Testamento eram considerados como Escritura — para quê falsificá-los se não tinham autoridade?

Dionísio, Bispo de Corinto (168-176), queixou-se de que as suas próprias cartas foram adulteradas e, pior ainda, também as Sagradas Escrituras.

E insistiram em que tinham recebido uma tradição pura. Assim Irineu disse que a doutrina dos apósto-los havia sido entregue através da sucessão de bispos, sendo guardada e preservada, sem qualquer alteração das Escrituras, sem permitir nem acréscimos nem diminuições, envolvendo leitura pública sem falsificação (Contra Hereges IV. 32:8).

Tertuliano também atesta o seu direito às Escrituras do Novo Testamento: “Eu tenho os verdadeiros registros oficiais desde os próprios donos… Eu sou herdeiro dos apóstolos. Assim como prepararam com cuidado o seu testamento e o outorgaram a uma custódia…mesmo assim eu a retenho.”317

Irineu

A fim de assegurar precisão na transcrição, os autores às vezes incluiriam no final de suas obras literárias uma intimação dirigida a copistas futuros. Assim, por exemplo, Iri-neu anexou ao final do seu tratado Sobre o Ogdoad o seguinte: “Eu te conjuro, quem copiar este livro, por Nosso Senhor Jesus Cristo e por seu glorioso Advento, quando vier julgar os vivos e os mortos, que compares o que transcreves e o corrijas a partir deste manuscrito do qual estás copiando, e também que transcrevas este conjuramento e o coloques na cópia.”318

Se Irineu tomou tais precauções extremas em prol da transmissão precisa de sua própria obra, quanto mais ele teria preocupação pela transcrição exata da Palavra de Deus? De fato, ele demonstra a sua preocupação pela exatidão do texto por defender a leitura tradicional de uma única letra. A questão é se o apóstolo João escreveu χξς' (666) ou χις' (616) em Ap. 13:18. Irineu assevera que 666 se acha “em todas as cópias mais antigas e aprovadas” e que “aqueles homens que viram João face a face” atestam esta leitura. E ele adverte aqueles que fizeram a alteração (duma só letra) que “o castigo sobre aquele que aumenta ou diminui qualquer coisa da Escritura não será leve” (xxx.1). Parece que Irineu está impondo Apoc. 22:18-19.

Considerando a intimidade entre Policarpo e João, a sua cópia pessoal do Apocalipse provavelmente foi feita sobre o autógrafo. E considerando a veneração de Irineu para com Policarpo, a sua cópia pessoal do Apocalipse provavelmente foi feita sobre a de Policarpo. Embora Irineu evidentemente não mais poderia se referir ao autógrafo (nem noventa anos depois deste ter sido escrito!) claramente ele estava numa posição para identificar uma cópia fiel e declarar com certeza a leitura original — isto no ano 186 DC. Que nos conduz até Tertuliano.

Tertuliano

Por volta do ano 208 ele instou aos hereges:

Percorrer as igrejas apostólicas, nas quais os próprios tronos dos apóstolos ainda estão nos seus lugares proeminentes, nas quais os seus próprios escritos autênticos (au-thenticae) são lidos, expressando a voz e representando o rosto de cada um deles individualmente. Acáia fica bem perto de vocês, (na qual) vocês acham Corinto. Já que vocês não estão longe de Macedônia, têm Filipos; (e ali também) têm os Tessalonicenses. Já que vocês podem atravessar para Ásia, encontram Éfeso. Além disso, estando perto da Itália, vocês têm Roma, donde chega às nossas mãos a própria autoridade (dos apóstolos mesmos).319

Alguns já pensaram que Tertuliano estivesse afirmando que os autógrafos de Paulo ainda estavam sendo lidos no seu tempo (208), mas pelo menos ele queria dizer que estavam utilizando cópias fiéis. Era de esperar algo diferente? Por exemplo, quando os cristãos em Éfeso viram que o autógrafo da carta de Paulo a eles estava ficando gasto, não iriam com cuidado fazer uma cópia idêntica para o seu uso continuado? Eles deixariam o autógrafo perecer sem fazer uma tal cópia? (Deveria ter havido um fluxo constante de pessoas vindo para fazer suas cópias da carta ou verificar a leitura correta.) Creio que somos obrigados a concluir que no ano 200 a Igreja de Éfeso ainda estava em condições de atestar a redação original de sua carta (e assim também para as outras igrejas detentoras de autógrafos) — mas isto é contemporâneo com P46, P66 e P75!

Ambos Justino Mártir e Irineu afirmaram que a Igreja estava espalhada por toda a terra, no tempo deles — lembremos que Irineu, em 177, tornou-se bispo de Lions, na Gálea, e ele não foi o primeiro bispo daquela região. Juntando esta informação com a afirmação de Justino que as memórias dos apóstolos eram lidas todos os domingos nas congregações, torna-se claro que deveria haver milhares de cópias dos escritos do Novo Testamento em uso, em torno de 200 DC. Cada congregação precisa-ria de uma cópia para fazer leitura, e deveria haver cópias particulares entre aqueles que podiam cus-tear o trabalho.

Temos evidência objetiva na História para sustentar as seguintes proposições.

• O texto verdadeiro jamais “se perdeu.”

• Em 200 DC a exata redação original dos diversos livros ainda podia ser verificada e certificada.

Portanto não havia nenhuma necessidade de praticar a crítica textual, e qualquer esforço nesse sentido seria espúrio.

Contudo, certas regiões presumivelmente estariam em situação melhor para proteger e transmitir o texto verdadeiro do que outras."



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Exegetas com Síndrome de Etimologia Compulsiva

Alguns exegetas sofrem do que chamo de Síndrome de Etimologia Compulsiva. O principal sintoma é acreditar que a etimologia é onipotente para explicar o significado de todas as palavras encontradas na Bíblia em grego ou hebraico. Depois que novas ferramentas eletrônicas viabilizaram a consulta da etimologia das palavras a partir do texto grego ou hebraico até mesmo nos celulares, o número de casos da Síndrome de Etimologia Compulsiva aumentou. Vejamos dois sintomas típicos da Síndrome de Etimologia Compulsiva – aquela mania de explicar tudo a partir da pesquisa etimológica.


Todos nós criamos peixes em aquários e nadamos em piscinas; mas, para o exegeta que sofre da Síndrome de Etimologia Compulsiva, o correto seria criar os peixes nas piscinas e nadar nos aquários. A etimologia da palavra piscina vem do latim piscinæ, ou seja, viveiro de peixes; e a etimologia da palavra aquário vem de aquarius para designar algo que é relativo à água. A prática da natação é relativa à água, é um esporte aquático. Aquário e aquático são palavras da mesma origem etimológica. Bem, isso tudo é muito lógico somente na cabeça do exegeta com Síndrome de Etimologia Compulsiva. Concorda?


Certa vez um testemunha de Jeová tentava me convencer que cronologia é a composição das palavras gregas cronos (tempo) e logos (palavra). Seu erro foi querer desdobrar a palavra logos em lego, que significa falar ou contar. Sua conclusão foi que cronologia significa o contar (cômputo) do tempo, querendo justificar sua busca por calcular quando seria o início do milênio do reinado de Cristo. Lego pode ser contar na acepção de relatar ou falar, mas sempre dentro do campo semântico da palavra falar, nunca de calcular! Existe o contar com significado de falar – eu conto uma história, e existe contar de calcular – eu conto as moedas do bolso. Quando ele insistiu que sua etimologia estava correta, repliquei: OK... vou contar uma história: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11... resumindo, 98, 99, 100. Entendeu?


Um dos grandes legados da reforma protestante foi a luta pelo direito de livre exame das Escrituras Sagradas. Não podemos transformar esse direito ao livre exame em uma livre interpretação inconsequente e descompromissada com a busca pela verdade – não apenas através nossas experiências com Deus, mas também pelo exercício de nosso intelecto em todo o seu potencial alimentado e ajustado pelo Espírito Santo.

Fonte: André R. Fonseca