terça-feira, 13 de setembro de 2016

25 PERGUNTAS AOS AMILENISTAS

1º) Para o Amilenista, os eventos de Apocalipse 19,20 são análogos aos capítulos 11 e 12. Porém, o diabo em Apocalipse 12 foi lançado para a terra (no tempo do ministério de Cristo), é dito que ele ‘engana todo o mundo’ e ai da ‘terra, pois ele tem grande ira’ (v. 9,12) - Acha mesmo que isso seja análogo à realidade descrita em Apocalipse 20.3 que diz que o diabo foi preso para não mais enganar as nações?

2º) O que é dito do diabo em Apocalipse 12  tem correspondência com II Co 4.4; I Jo 5.19, textos esses escritos após o ministério terrestre de Cristo (portanto, após o inicio do evento de Ap 20.1-3)?

3º) Em Apocalipse 12.9 e 12, diz que o diabo foi lançado para a terra. O anjo de Apocalipse 20.1 ‘desce’ para prender o diabo em que lugar?

4º) O ministério terrestre de Cristo restringiu o poder do diabo, onde o Evangelho chega, e também onde o evangelho não chega? – leia I Jo 5.18,19.

5º)Em Apocalipse 9.1,2 quem é a ‘estrela’ que recebe a chave do abismo? O tempo da visão de Ap 9 e a natureza do abismo, sendo no mesmo livro, não causa dificuldades a sua interpretação Amilenista de Ap 20.1,2,3? Se não, explique com o texto de Ap 9.

6º) Com sua consciência tranquila, e fazendo uso dos símbolos do livro bíblico em questão, acha que no relato de Ap 20.1,2,3 – ao descrever, “corrente”, “chave”, “trancar no abismo”, “selar”, “para não mais”, descreve apenas a limitação circunstancial defendida pelo Amilenismo? Obs: Sinceramente, não creio que o Amilenista lê esses termos sem uma ‘camisa de força hermenêutica’.

7º) Usando a figura de linguagem de Jesus em Mateus 12.29, é possível dizer que a realidade descrita em Apocalipse 20.1,2,3 é a mesma? Leia Mateus 12.45.

8º) O relato de Apocalipse 20 é mesmo obscuro? O que você entende por obscuro?

9º) Você crê na revelação progressiva? Por qual motivo não aplicar esse princípio no caso em tela? Por exemplo: Compare João 14.1,2 com Apocalipse 22.9-22.5. Informações posteriores são acumulativas.

10º) A ressurreição de Apocalipse 20.4, é interpretada pelos amilenistas como sendo o estado intermediário. Sem nenhuma base bíblica para isso. Acredita ser uma interpretação consistente atribuir um sentido diferente e estranho a um termo que está tão bem definido na Escritura?

11º) Qual dicionário linguístico dá o sentido etimológico de ressurreição como ‘estado intermediário’? Isso é uma interpretação dogmática?

12º) Alguns Amilenistas, fazendo coro com Pós-milenistas, dizem que se trata de regeneração. O que é de fato incomparavelmente melhor do que dizer estado intermediário. Mas o texto diz que eles foram mortos porque eram cristãos. Ou seja, já eram regenerados! Então, eles eram regenerados e foram mortos para serem regenerados? Essa morte se fosse o caso, é a conversão?

13º) O reinado e juízo dos santos revelado em Apocalipse 20, é descrito em outras partes da Escritura? (Mt 19.28; Rm 16.20; I Co 4.8; 6.2, etc.)

14º) O fato de não termos detalhes da natureza exata desses mil anos, é um erro dos Pré-Milenistas importarem textos da Nova Terra para esse período. Mas também, os Amilenistas não cometem erro semelhante por fazer que esse período seja o período da Igreja Militante, enquanto claramente temos em Apocalipse 20. 1-6, um relato da Igreja Triunfante?

15º) Os números em Apocalipse não devem ser interpretados literalmente. Mas se 1000 anos para o Amilenismo já dura 2000 mil anos, qual problema teria de pensar em um tempo bem menor de 1000 anos? [Às vezes Amilenistas fazem caricaturas, dizendo que todos os Pré-Milenistas pensam em 1000 anos literais. O Dr. Russel Shedd, pré-milenista histórico, escreveu: “se esse tempo é literal ou não, não nos preocupa.” (Escatologia do Novo Testamento, p.80).]

16º) Em Apocalipse 19.20 fala que a besta e o falso profeta são lançados no lago de fogo. Em Apocalipse 20.15 diz que o diabo foi lançado onde estão (ou já estavam) a besta e o falso profeta. Não é uma prova clara no texto que foram em momentos diferentes, ainda que dentro do mesmo Dia escatológico diferentes?

17º) Qual leitor da Bíblia, livre de uma concepção Amilenista, não veria uma sequência do Ap 19 para o 20?

18º) O último dia abarca todos os desdobramentos da volta de Cristo. Esse “dia” terá 24 horas? Ou podemos entender que a expressão dia aqui é uma descrição figurada do último momento da história desse mundo?

19º) O Paralelismo Progressivo aceito pelos Amilenistas, não seria como uma concepção importada para o livro de Apocalipse? Obs: Que há paralelismo no livro e que há progresso, isso qualquer leitor perceberia. Mas a uniformidade rígida imposta pela escola Amilenista, não é extraída do texto, mas uma inferência a ele.

20º) Fazendo uma concessão ao argumento do Paralelismo Progressivo, por qual motivo encerrar a última sessão em Apocalipse 19.18 e não em Ap 20.15, sendo que o relato do caso acrescentou uma informação que não foi colocada em sessões anteriores, a saber – a eliminação do Dragão?

21º) O reinado dos santos a quem foi dado o julgamento, nesse período chamado de mil anos, dentro do último dia, não corresponde às passagens bíblicas onde é dito que os santos ‘julgarão o mundo e os anjos’? Obs: Mesmo o Catecismo Maior (90) infere esse juízo como doutrina escatológica. O grande problema dos Pré-Milenistas é acrescentar como será a terra nesse momento. Prefiro manter o mesmo silencio da Escritura, apenas dizer o que ela diz no texto em tela.

22º) Os mil anos que aparece no texto tem o mesmo sentido (no quesito tempo) para o diabo e para os santos? Se sim, que implicações terá no estado intermediário, pois é dito que ele terminará (v 3,7)?

23º) Em Apocalipse 6.9,10 temos um registro do estado intermediário. A realidade espritual descrita nesse texto é bem diferente de Apocalipse 20.4,5 – e oposta ao rumo da interpretação Amilenista. Como você resolve essa diferença?

24º) Segundo os Amilenistas, o texto de Apocalipse 20.11-15 é uma descrição diferente do mesmo evento de Apocalipse 19.11-18. Porém,  uma comparação com Mt 25.31-46, temos uma semelhança de todo o texto de Apocalipse 19.11 a 20.15. Esse texto de Mateus, não une e sincroniza os acontecimentos na mesma ordem cronológica?

25º) É verdade que Apocalipse 20 é o único trecho que fala de “mil anos”. Mas os assuntos ali descritos são exclusivos desse capítulo? Reinado dos santos, anjo guerreando com o diabo, julgamento de Satanás, ressurreição, estão em outras partes da Bíblia?!
  •  ESCLARECIMENTOS: 

*Sou da tradição Reformada Confessional, mas não sou Amilenista, por convicção. Embora fiz um esforço em anos passados a aceitar essa interpretação, que carrega com ela algumas garantias de manter-se coesa com as confissões reformadas. Infelizmente alguns pensam que o Amilenismo é posição oficial da Fé Confessional Presbiteriana. O que não é. A tradição de vultos reformados teria uma identificação com o que é mais conhecido como Pós-Milenismo, mas eles pessoalmente, nãos as Confissões Reformadas. Nenhuma Confissão reformada esboça favorecimento a um Milênio judaico, ao mesmo tempo, não há também um tipo de Amilenismo nas Confissões. Uma Confissão Reformada nega de forma clara um ‘milênio judaico’. Porém, para o espanto de muitos, alguns teólogos da Assembleia de Westminster, que produziram a Confissão, eram pré-milenistas (VEJA - Alegrem-se os povos, p. 55). O respeitadíssimo calvinista J. C. Ryle era pré-milenista.


O que devemos ver claramente é que Apocalipse 19 vem antes do 20, não apenas em número, mas em eventos, e também deixar de achar que para pensar assim temos que ser exaustivamente pré-milenistas. Não precisamos, nem podemos compartilhar de tudo que os Pré-Milenistas ensinam – entre ser um pré-milenista pleno (mesmo o histórico), melhor ser sim Amilenista, mas não por causa do texto de Apocalipse 20, mas dado ao fato que a escola pré-milenista contém compromissos estranhos a um reino ‘meio santo e meio pecador’ de Cristo na terra e em por vezes, associado a Jerusalém literal. 

Ao mesmo tempo, apresentei perguntas aos Amilenistas que se posicionam no presbiterianismo brasileiro, como que se fossem os herdeiros da herança reformada nesse quesito. De fato, eles tem lugar na herança reformada, mas essa escola é recente – comparada ao pós-milenarismo, se assim ele se codificou no passado. Mas devo dizer, honestamente, que nem de longe o Amilenismo possui um sistema hermenêutico à prova de fogo. Essa escola tem graves dificuldades, é que nós no arraial Reformada, queremos diluir tais dificuldades não dando muita importância a assuntos escatológicos.

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