terça-feira, 2 de setembro de 2014

A Sincera Oferta do Evangelho aos que não são eleitos – que bicho é esse?

Escrever esse texto é um desafio, pois sempre esse assunto - de calvinismo e arminianismo, gera reações das mais variadas. De todas as formas possíveis e de todos os lados. Algumas manifestações arrogantes e desproporcionais são vistas de ambas as partes. A priori, esse artigo pode até interessar os irmãos arminianos, que estão engajados nesse debate. Mas definitivamente ele está voltado aos calvinistas. Esse é um tema que é espinhoso dentro dos burgos calvinistas.

A doutrina Reformada Confessional – infralapsariana; o supralapsarianismo não é pressuposto na CFW, portanto, é uma posição marginal segundo a essência da CFW - ensina com evidências bíblicas claras, que Deus elegeu na eternidade ‘passada’, um número de pessoas dentre a massa humana caída em Adão, as que serão salvas, portanto irresistivelmente chamadas (Ef 1.1-11; Rm 8.29, etc). Os demais são deixados no estado que voluntariamente escolheram em Adão, que a cada dia em sua vida, demonstram seguir essa escolha Federativa. A Bíblia ensina a doutrina da imputação de forma inequívoca:

“... pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado” (Rm 3.9).

“Pois assim como uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para a condenação [...]” (Rm 5.18).

No escopo calvinista existe um debate a respeito da oferta do evangelho. Alguns acreditam que essa oferta é apenas para condenar os que não foram eleitos, não tendo nela nenhuma disposição divina para com os reprovados. Essa posição é chamada de “hipercalvinismo”. E pelo que tenho notado, tem mais campo no arraial Supralapsariano.

Por outro lado, existem os calvinistas que fazendo uso daquilo que lhe é tão comum em seu sistema doutrinário, confessar paradoxos (Trindade, duas naturezas Cristo, etc.) diante do testemunho bíblico, não reluta em aceitar o que a Escritura diz a respeito do oferecimento do Evangelho, conforme orientado por Deus na Escritura. Esses falam, apesar de ter a doutrina da eleição, igualmente temos a oferta sincera de Deus também todos.

Vincent Cheung, a pior influencia calvinista desse século, o mais agressivo calvinista que conheço de minha geração, cujos escritos apenas fomentou em iniciantes no calvinismo, ira, arrogância, discórdia – sentimentos esses que os calvinistas há muito se desvencilharam de seu período intolerante inicial – [digo isso não como um crítico que desconhece o referido autor, mas como alguém que fez questão no passado de imprimir e ler seus escritos e por muito tempo estive envenenado com o ódio que ele deixa escorrer pelos seus dedos...] escreveu a respeito da livre oferta do evangelho:

“ela faz de Deus um tolo esquizofrênico. Ela é antibíblica e irracional, e assim, deve ser rejeitada e combatida.” (O autor do pecado, p.33 [pdf]).

Na verdade, a livre oferta do evangelho é negada por muitos que não tem a mesma índole do autor acima. Negam que esse ensino seja bíblico e reformado. Muitos, obviamente tratam o assunto também no viés lógico, que impossibilita a digestão de tão pensamento. Um dos nomes eruditos que é sempre citado no escopo desse debate como opositor dessa posição é Herman Hoeksema.

Gostaria de listar aqui, quem no seio Reformado defende a oferta sincera do evangelho. Mas antes de citá-los, para os que carregam consigo mesmo a regra da lógica, e já caminham lendo esse artigo debaixo desse jugo, passo um recado ‘lógico’ aqui. O que é evangelho? A boa notícia da reconciliação com Deus por meio de Jesus Cristo. Se Deus mandou dizer, mesmo que apenas universalmente, uma boa notícia que essencialmente é uma notícia de perdão que chega aos ouvidos dos não eleitos, e não apenas de condenação, - como que se a ameaça não chegasse aos ouvidos dos eleitos que por hora são também filhos da ira (Ef 2.1-3) - claro fica que você também não pode estribar-se na lógica para qualquer coisa nesse debate...

Os REFORMADOS que pensam na sincera oferta do evangelho:

João Calvino -

“Não há nada que Deus deseja mais ardentemente do que, que aqueles que estejam perecendo e correndo para a destruição retornem o caminho de segurança” “Se alguém mais contestar – isso é fazer Deus agir com duplicidade – a resposta está preparada, que Deus sempre quer a mesma coisa, embora por diferentes meios e modo inescrutável para nós.” (Citado em Evangelização Teocêntrica, p. 30).

“Afirmamos que Deus não quer a morte do pecador, uma vez que ele chama todos igualmente ao arrependimento e promete a si mesmo estar preparado para recebê-los se eles seriamente se arrependerem. Se alguém objetasse – então não há eleição de Deus pela qual ele predestinou um número fixo para a salvação – a resposta estaria à mão: o Profeta não fala aqui do conselho secreto de Deus, mas só chama do desespero homens miseráveis, para que eles se apreendam a esperança de perdão, e se arrependam e abracem a salvação oferecida.” (Citado em Salvos Pela Graça, pp. 80,81).

Herman Bavinck -

 “ o chamamento, não obstante, é de grande valor e significação também para aqueles que o rejeitam. Para todos, sem exceção, é prova do infinito amor de Deus, e sela a declaração de que Ele não tem prazer na morte do pecador, mas que ele se volte e viva.” ( Dogmatick, IV, 7 – citado em Evangelização Teocêntrica, p. 31).

R. B. Kuiper -

 “O Deus de amor dispôs que o Evangelho será pregado em toda parte, e Ele nos informa em Sua Palavra que deseja a salvação de todo pecador alcançado pelo Evangelho.” (Evangelização Teocêntrica, p. 21)

“Fato da maior importância é que a Palavra de Deus ensina inequivocamente, tanto a reprovação divina, como a universalidade e a sinceridade do oferecimento do Evangelho.” (Evangelização Teocêntrica, p. 29).

“[o] sincero oferecimento do Evangelho é firme e ensinado em Ezequiel 33.11, 2 Pedro 2.9 e em outra partes mais.” (Evangelização Teocêntrica, p. 29).

John Murray –

“O amor ou benignidade por detrás dessa oferta, não é nada menos que a vontade para essa salvação.” (http://www.monergismo.com/textos/evangelismo/prefacio-hipercalvinismo_gerstner.pdf).

Antony Hoekema –

“ [...] a pregação do evangelho é uma bem-intencionada oferta do evangelho, não só da parte do pregador, mas da parte de Deus, a todos que ouvem; e que Deus séria e honestamente deseja a salvação de todos aos quais o convite do evangelho chega.” (Salvos Pela Graça, p. 80).


Sínodo de Dort -

“Todos os que são chamados pelo evangelho são seriamente chamados. Séria e genuinamente Deus faz conhecido na sua Palavras aquilo que o agrada: que aqueles que são chamados se acheguem a ele. Seriamente promete também descanso para a alma e vida eterna a todos que venham a ele e creiam.” Cânones de Dort, III, 8.

O Catecismo Maior de Westminster perguntas 67 e 68 mostra que a diferença está no tempo de Deus, na eficácia da oferta por Ele mudar o individuo, e não na sua sinceridade. Pois os homens ímpios “pela sua negligência e o desprezo voluntário da graça que é oferecida, são justamente deixados na sua incredulidade e nunca se chegam sinceramente a Jesus Cristo.”

O Antony Hoekema mostra que os textos de Ezequiel 18. 23, 33; 33.11; Atos 17.30; Mateus 23.37; II Coríntios 5.20; II Pedro 3.9, Apocalipse 22.17, entre outros, são provas irrefutáveis para mantermos a Sincera Oferta do Evangelho. Eu acrescento encontro de Jesus com o Jovem Rico em Mc 10.21.

Desta forma, espero ter deixado claro que muitas posições calvinistas lidas hoje, não é um calvinismo necessariamente confessional. Muito menos, a única faceta calvinista existente. E reafirmo que a posição Reformada é que tem mais coesão com as doutrinas da Soberania de Deus, da Onisciência Divina, da Providência e do Pecado. Ser “Calvinista Moderado” é ler a Bíblia sem régua humana, sem submetê-la ao “crivo lógico” (de limitada mente humana) - é ler e aceitar o testemunho do Espírito Santo, que fala Na e por meio Da Escritura Sagrada (Jo 16.13).




domingo, 31 de agosto de 2014

Material Presbiteriano para Escola Dominical: Doutrinas Bíblicas - Aula 1: O que é doutrina?

           Introdução

1) O termo “doutrina” tem um sentido amplo e uma específico. O sentido amplo é que doutrina significa simplesmente um “ensino”1. Todo processo de ensino, é um processo de doutrinação. Acontece que pensamos mais no ensino como meios pedagógicos do que propriamente no conteúdo do ensino, o que é a doutrina propriamente dita. Mas esse termo recebe forte definição estrita no campo da fé. Doutrina tem têm sua identificação com o padrão de identidade que certo segmento religioso defende. Pode assim significar tanto o ato de ensinar os dogmas, ou a identidade doutrinária, bem como o ensino dado como exercício. As pessoas admiravam doutrina de Jesus (Mt 7.28).

2) O termo “dogma”, é uma doutrina baseada em alguma autoridade reconhecida2. Está relacionado com uma doutrina que ultrapassa o tempo e as barreiras denominacionais pela causa do cristianismo histórico. A importância do dogma é fundamental para uma rápida identificação do que a pessoa crê em relação a assuntos essenciais. Podemos dizer que a doutrina da Trindade, as duas naturezas de Cristo, seu nascimento virginal, a Bíblia como Palavra de Deus, são dogmas do cristianismo como um todo. E podemos incluir que a salvação pela graça por meio da fé é de fato um dogma protestante.

3) No contexto do Presbiterianismo, o leque doutrinário é amplo, e esse é o escopo deste estudo. Vamos mencionar os ‘documentos’ que mostram as doutrinas que os presbiterianos devem crer, para que possam ser considerados realmente presbiterianos3. Sabemos que a Bíblia é a única fonte da fé presbiteriana, os tais documentos, sintetizam e/ou sistematizam as crenças que estão espalhadas pelas Escrituras Sagradas. Na herança cristã, temos os Credos – Apostólico, Nice-Constantinopolitano, Atanasiano e de Calcedônia. Tais credos expressão ensinos relacionados à Divindade Bíblica.

4) Como protestantes reafirmamos a máxima dos cinco Solas (ou somente) – Somente a Escritura, Somente a Fé, Somente Cristo, Somente a Graça, a Glória Somente a Deus. Embora não exista um documento assim codificado, é um consenso universal do protestantismo. E por último, temos como uma sistematização, as doutrinas Reformadas nos documentos de Westminster – Confissão de Fé, Catecismo Maior e o Breve Catecismo. Existem outros documentos reformados, mas a Igreja Presbiteriana do Brasil desde seu início adotou os documentos doutrinários de Westminster.

5) O estudo doutrinário é importante pois ele possui algumas características interessantes. Primeiro, ele é temático. O tema específico faz com que você identifique rapidamente o que quer saber e o que deve crer a respeito do assunto questionado. Por exemplo, o que acontece conosco na morte (Lc 16.19-31)? Como será o juízo final (Ap 20.11-15)? Qual é o significado dos sacramentos (Mt 28.19,20)? Em segundo lugar é mais prático para evangelização. Os assuntos geralmente são reunidos debaixo de temas específicos, e as pessoas geralmente pensam nesses assuntos (Jo 4.19-24). As pessoas estão preocupadas com assuntos diversos da vida, e tais assuntos sempre estão relacionados com alguma doutrina bíblica. Especialmente a doutrina do pecado responde muitas questões que hoje atormenta a vida das pessoas (Rm 3.23). Em terceiro lugar, o conhecimento das doutrinas faz você conhecer várias passagens bíblicas a respeito do assunto específico e como se expressar de maneira que leve em consideração as realidades doutrinárias na maioria dos versículos.

6) Existe uma quarta razão de conhecer as doutrinas. Visto que as crenças protestantes são geralmente atacadas por hereges das seitas ‘cristãs’, que vivem à espreita das igrejas cristãs para destruir a fé dos cristãos, caluniando a Igreja, e dando informações distorcidas a respeito das nossas crenças (I Jo 4.1). Além dessa ameaça, temos também a ameaça ateísta, que procura sempre colocar as doutrinas cristãs sob o ataque da ridicularização, na mídia, nas universidades, etc. Por isso, é necessário conhecer bem as doutrinas cristãs para que não caiamos nos laços desses ataques, tenhamos conhecimento para a causa apologética (defensa). A Palavra de Deus diz que devemos estar sempre prontos para responder a cada um que questionar a nossa fé, a nossa esperança (II Pe 3.15,16).

Doutrinas

7) Depois da introdução acima, podemos perguntar: quais doutrinas devemos estudar? Na verdade, existem doutrinas mais importantes que outras, pelo menos em um sentido, porém, todas são necessárias para um desenvolvimento sadio e pleno. Uma pessoa pode viver se alimentando apenas de alguns tipos de alimentos? Não, obviamente se ele quer ter uma vida desenvolvida e saudável, será necessário ter uma nutrição equilibrada. Jesus comparou a Palavra de Deus e a obra de evangelização como alimento (Mt 4.4; Jo 4.31-38). Assim, devemos nos alimentar de todas as doutrinas bíblicas.

8) Já que nossas doutrinas são variadas e bem mais amplas que as vezes imaginamos, vamos então ordenar as doutrinas relacionadas com os seguintes assunto: I. A Bíblia, II. Deus, III. Salvação, IV. Vida Cristã e V. Igreja. Acredito que todas as doutrinas cristãs estão dentro desses tópicos. E cada um desses tópicos pode ser desenrolado para temas ligados a ele mesmo. Por exemplo, onde encontraríamos nesses tópicos o assunto “volta de Cristo”? Em salvação, visto que é a faceta final da soteriologia é a glorificação.

9) Qual deve ser a nossa disposição em aprender e em ensinar? Várias pessoas cansam da Escola Dominical, pois os professores não estão preocupados em ensinar com “esmero”(Rm 12.7) e os alunos não estão preocupados em ouvir como quem ouve “o Espírito”(Ap 2.29). Precisa haver cooperação mútua. Os professores devem investir em melhorar seu ensino por se prepararem e por aprenderem a ensinar. Geralmente os professores se esquecem disso, mas uma prova de que está ensinando bem é se os alunos estão entendendo e produzindo frutos em direção ao que foi proposto no estudo. Os alunos, por sua vez, não se envolvem com a matéria de forma antecipada, ou mesmo posteriormente. Pouca importância é dada. Mas esses fatos negativos que são generalizados podem ser superados. Vejamos algumas sugestões que o Catecismo Maior de Westminster4 dá para os que pregam a Palavra, o que por extensão, podemos ver que se aplicam a todos quanto Deus chamou na Igreja para ensinar.

10) A Pergunta 157 pode ajudar a todos, os ensinam e os que aprendem nas programações de ensino da Igreja de Deus: 157. Como a Palavra de Deus deve ser lida? As Santas Escrituras devem ser lidas com um alto e reverente respeito; com firme persuasão de serem elas a própria Palavra de Deus e de que somente Ele pode habilitar-nos a entendê-las; com desejo de conhecer, crer e obedecer à vontade de Deus nelas revelada; com diligência e atenção ao seu conteúdo e propósito; com meditação, aplicação, abnegação e oração. Dt 11:13,14; Sl 1:2;119:18,97; II Cr 34:21; Ne 8:5; Is 66:2; Pv 3:5; Mt 13:23; Mc 4:20; Lc 22:44-48;24:45; At 2:38,39;8:30,34;17:11; I Ts 2:13; II Pe 1:16-21;2:2; Gl 1:15,16;Tg 1:21,22.”

11) Pergunta 159 está direcionada para os que ensinam (especialmente os que pregam) a Palavra de Deus: 159. Como a Palavra de Deus deve ser pregada por aqueles que para isto são chamados? Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina, diligentemente, em tempo e fora de tempo, claramente, não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; fielmente, tornando conhecido todo o conselho de Deus; sabiamente, adaptando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso para com Deus e para com as almas de seu povo; sinceramente, tendo por alvo a glória de Deus e procurando converter, edificar e salvar as almas. Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.”

12) Pergunta 169 auxilia-nos a receber a Palavra com um coração temente e frutífero: “160. Que se exige dos que ouvem a Palavra pregada? Exige-se dos que ouvem a Palavra pregada que atendam a ela com diligência, preparação e oração; que comparem com as Escrituras aquilo que ouvem; que recebam a verdade com fé, amor, mansidão e prontidão de espírito, como a Palavra de Deus; que meditem nela e conversem a seu respeito uns com os outros; que a escondam nos seus corações e produzam os devidos frutos em suas vidas. Dt 6:6,7;Sl 84:1,2,4;119:11,18; Lc 8:18; I Pe 2:1,2; Ef 6:17,18; At 17:11; Hb 2:1;4:12; Tg 1:21.”

13) Oremos uns pelos outros. Os professores devem orar pelos seus alunos e os alunos devem orar por seus professores. É a palavra de Deus que está sendo explanada e somente Ele tem o direito e poder de fazer com que ela seja aplicada em nossa alma. Invista. Hoje temos muitos recursos para melhorar nosso aprendizado e nosso ensino. Alguns livros, leituras e cursos, podem aprimorar nossa qualidade de ensino.* Ensine e aprenda as doutrinas bíblicas de uma forma que glorifique a Deus.

Perguntas para reflexão:

1.   Qual é o sentido da palavra doutrina e qual seu significado no contexto religioso?

2.      O que é um “Dogma”? Dê exemplos.


3.      A Bíblia é o único texto inspirado por Deus. Qual o valor então dos Credos e/ou das Confissões?


4.      A Fé Presbiteriana está baseada em qual documento doutrinário?


5.      Que razões são apresentadas como utilidade das Confissões e dos Credos?


6.      A quarta razão pode ser chamada de razão  ....................................................


7.      É um fato que existem doutrinas mais importantes que outras. Mas isso não significa o quê?


8.      Agrupamos as doutrinas que estudaremos em cinco tópicos principais. Poderia decorá-los?


9.      A falta de interesse pela Escola Dominical, em muitos casos, deve ser considerada culpa de quem? Como tentar resolver essa situação?


10.   Destaque o que as sugestões extraídas do Catecismo Maior de Westminster ensinam para todos nós?


11.   O que se espera de quem ensina? O que isso exigirá dele?


12.  Devemos ouvir de que maneira? Como nos afetará?


13.  O que principalmente devemos fazer e geralmente nos esquecemos em relação aos professores e alunos da EBD?

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Notas
1. A História das Doutrinas Cristãs, Louis Berkhof. Editora Os Puritanos. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Myer Pearlman. Editora Vida, p. 16. Dicionário Vine, CPAD, p. 579.
2. Novo Dicionário de Teologia, Editora Hagnos, p. 308.
3. Para uma explanação da história dos dogmas e dos símbolos de fé, o limite e os objetivos dos mesmos, veja em Eu Creio,  - No Pai, Filho e Espírito Santo, Hermistein Maia P. da Costa, Edições Parakletos, p. 29-76.
4. As citações do Catecismo foram extraídas do site: www.monergismo.com

* Ensinando Para Transformar Vidas, Ed. Betânia é um livro bem prático para ajudar o professor. Um livro que causa impacto em repensar maneira de ensinar é Pregação Indutiva, Ed. Cultura Cristã.

domingo, 24 de agosto de 2014

Na Mira da Verdade: Pedantismo e confusão dos apologistas Adventistas

Qualquer pessoa que se arriscar criticar o Adventismo provará a oposição de um discurso amargo, depreciador, muito comum entre seus apologistas. Dizem eles que as suas obras oficiais, autorizadas, a versão dos fatos, NUNCA é citada de forma verdadeira, ou que os ‘detratores’ são “desinformados” e desconhecem essas obras. Acusam de ignorantes e desonestos todos os que questionam suas doutrinas ou que duvidam da procedência ortodoxa do adventismo. Um espírito interno de ‘coitadismo’, ‘vitimismo’, autocomiseração, síndrome de perseguição, conduz a mentalidade adventista a acreditar que sempre há uma trama maquiavélica por detrás de toda crítica contra o Adventismo (sentimentos semelhantes entre Mórmons e Testemunhas de Jeová). Isso acaba se desdobrando em afirmações de defesas que visam à desqualificação em ridicularizar todo crítico, e de uma forma inevitável, resulta logrando êxito entre os seguidores da seita Adventista.

Algo muito estranho é dizer que se alguém quer saber sobre a Igreja Adventista deve consultar apenas os próprios representantes oficiais, e/ou a TV Novo Tempo. Isso não é verdade. Quanto a colher informações, e na maioria dos casos isso tem acontecido, não se pode misturar as informações que os tais dão e o direito de julgamento, e investigação posterior, que os protestantes ortodoxos que recebem tais informações podem desferir. Pergunte a um pastor Adventista: a IASD é uma seita? – pensa-se que já que os tais dizem que “não”, logo, é assim que as coisas devem ser julgadas. Uma posição infantil demais para ser levada a sério.

Não raro, os apologistas adventistas, citam Walter Martin como um exemplo a ser imitado. De alguém que pesquisou na fonte e tirou conclusões embasadas, por isso, dizem os expoentes do Adventismo, ele chegou à conclusão que a Igreja Adventista do Sétimo Dia NÃO É uma seita, como são os Mórmons e Testemunhas de Jeová.

Porém, se você ler o livro e as notas de George Knight em Questões sobre Doutrina (QSD), livro que é o resultado da dessa conversa entre evangélicos ortodoxos e representantes adventistas [livro muito recomendado por Leandro Quadros do programa Na Mira Da Verdade, da TV Novo Tempo], você perceberá que distorção e desinformação é encontrada nesse livro – além de ser uma conversa dúbia, ‘dado com uma mão e pegando com a outra’, como alerta J. K. Baalen. O autor das notas de Questões Sobre Doutrinas reconhece honestamente, em momentos pontuais, que os representantes Adventistas, omitiram e manipularam informações para temas específicos. Obvio que com isso, Walter Martin, e seu companheiro Donald G. Barnhouse, foram mal assessorados, além de, é claro, não darem um julgamento justo às questões de importância.

Na página 14 do QSD, lemos que diante de forte oposição que o livro recebeu dentro do arraial adventista, os autores do livro disseram que a maneira com que falaram foi sob pressão, o que causou algum desconforto: “Se você conhecesse as raízes, as atitudes e o contexto de tudo isso, compreenderia a razão pela qual afirmamos essas coisas da forma como fizemos.” E o autor das notas e da introdução histórica, diz que os representantes adventistas “estavam lidando com alguns líderes fundamentalistas claramente preconceituosos e agressivos.” Ou seja, diante de Barnhouse e Martin, os representantes Adventistas minimizaram as tensões por ceder com uma linguagem dissimulada, pois “Questões Sobre Doutrina foi uma clara e vigorosa reafirmação da teologia tradicional adventista, embora em alguns casos com uma nova terminologia.” (p.27)

Os dois assuntos mais problemáticos no QSD são pelo autor das notas são a natureza pecaminosa de Cristo, e a arianismo em peso na liderança da igreja ‘Remanescente’, em seu período pioneiro. A respeito dos dois assuntos, o historiador George Knight afirma que os representantes adventistas não foram honestos para com os representantes adventistas. Embora o livro foi polido e dúbio em outros pontos importantes também, vejamos apenas esses dois aspectos agora

I. Jesus tinha ou não natureza pecaminosa?

O autor das notas diz que esse foi o assunto central para toda a polêmica nos burgos adventistas, com um teólogo adventista que defendia uma postura de perfeição total na santidade. Já que Jesus tinha natureza pecaminosa, e não pecou, os adventistas também poderiam viver próximo disso. Assim, o tema era necessário para manter tal conceito fundamentalista interno -“A Última Geração”. Veja o reconhecimento de manipulação do assunto:

“[...] é muito mais difícil justificar a apresentação e a manipulação de dados dos delegados adventistas sobre a natureza humana de Cristo.” (p.14).

“alguém pode apenas especular sobre o diferente curso da história [...] se Froom e seus associados não tivessem sido divisivos na sua manipulação das questões relacionadas à natureza humana de Cristo [...]” (p. 21).

George Knight após citar algumas afirmações confusas de Ellen White a respeito da natureza pecaminosa de Cristo, e compará-las ao que os autores de QSD disseram e apresentaram, ele afirma honestamente: “Essas citações, como se poderia esperar, foram deixadas de fora da compilação de Questões Sobre Doutrina.” (p. 438).

II. Arianismo e Trinitarianismo

Antes de ver as notas a respeito do assunto, veja um exemplo de informação limitada dada aos evangélicos ali, a relação do Adventismo daqueles dias com os erros dos adventistas pioneiros do passado. Os autores de QSD escreveram:

“Alguns continuam extrair citações extraídas de nossas publicações mais antigas, há muito obsoletas, e que não mais são impressas. Citam-na determinadas declarações, frequentemente torcidas e descoladas do contexto, de modo a darem uma descrição totalmente desvirtuada das crenças e ensinos que a Igreja Adventista do Sétimo Dia hoje sustenta.” (p. 58).

Eles se engaram e enganaram a Martin. Ellen White MANDOU imprimir os antigos livros para que os pioneiros falassem! Tanto que hoje existe no site Centro White disponível uma série intitulada “Eco dos Pioneiros”, em obediência ao que ordenou a Papisa White. Veja isso:

“Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixem os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência.” (www.adventistas.com/dezembro2005/diagnostico_iasd.htm (24 de Maio de 1905 - Manuscript Release Vol. 1 pág. 55.).

Assim, ela não reprovaria o uso e autoridade dos pioneiros falar, pois eles não estariam, pelo menos para ela, tão obsoletos assim. Obviamente, o pensamento dela em relação à ‘trindade’ não era alinhado com os pioneiros, mas também não tão distante, haja vista o montante todo de seus escritos, e comunhão com os tais. Seu próprio filho não sabia o que sua mãe pensava em relação a personalidade do Espírito.

É verdade que o pensamento dos autores de QSD (em 1950) não era o mesmo em relação aos pioneiros Adventistas a respeito da ‘trindade’, porém, também É verdade que o pensamento neo-trinitário da denominação ASD não é mesmo em relação aos credos ortodoxos. O livro afirma algo que agora se tornou enganoso. Na página 50 diz que os adventistas possuem “harmonia com os cristãos credos protestantes históricosem assuntos como a Trindade. Mas hoje, sabemos que isso é negado. O Adventismo de HOJE, [após 1980?] nega a trindade dos credos. Já provamos isso diversas vezes aqui no Blog, e em breve postaremos um estudo completo e histórico no site A Conspiração Adventista.

O famosos apologista adventista Leandro Quadros disse isso, provavelmente ele não fazia ideia de que revelaria ali esse problema para nós, ao questionar minha palestra no JMC, escreveu: “Eles [os pioneiros] rejeitavam veementemente (mesmo sem ter a plena compreensão da doutrina) era a doutrina da Trindade como apresentada pelos credos cristãos da época, especialmente um credo Metodista de 1856, que dizia o seguinte: “[...] existe um único Deus vivo e verdadeiro, sempiterno, sem corpo ou partes [...]” (Citado em A Trindade…, p. 234). (http://novotempo.com/namiradaverdade/o-sentimento-antiadventismo-e-a-imprecisao-academica/)

Se isso já estava maduro no pensamento dos representantes adventistas e autores do QSD, eles apenas manipularam, mas se ainda estavam formalizando a ‘divindade’, não tinham condições alguma de afirmarem nada nessa areia movediça das tradições místicas de Ellen White.

A nota 11 da página 69 é assustadora:

“A declaração mais problemática nessa seção é [...] “nosso povo sempre creu na divindade e preexistência de Cristo”. Enquanto é verdade que os primeiros adventistas criam em alguma forma de preexistência de Cristo, também é verdade que muitos deles acreditavam que Ele não possuía eternidade no passado, e uns poucos, como Uriah Smith, criam que Cristo era um ser criado. Assim, muitos adventistas antes da década de 1890 eram antitrinitarianos e semi-arianos. Isto é, eram opostos à doutrina da Trindade e à plena divindade de Cristo [...] a declaração feita na página 46 da edição original de Questões Sobre Doutrina de que os “adventistas do sétimo dia têm sido frequentemente mal-entendidos quanto à sua crença relativa à divindade de Cristo e à natureza da Divindade” é falsa no sentido histórico. A verdade é que muitos dos primeiros adventistas não eram ortodoxos quanto à Divindade. Tiago White, José Bates, J. N. Andrews, Uriah Smith, Ellet. J. Waggoner e outros líderes estavam entre esse número. A posição deles era bem conhecida na maior parte da comunidade protestante. Dessa maneira, poderia ser argumentado que a denominação havia sido compreendida em vez de mal-interpretada nessas discussões em relação à Trindade.”

Depois G. Knight mostra duas vertentes para o caso – ou os delegados adventistas não sabiam desses fatos, ou eles sabiam e omitiram. Qualquer que seja o fato, a recomendação do livro Questões Sobre Doutrina, é perigosa, pois seus autores eram DESINFORMADOS, DETRATORES E NÃO LIAM AS “FONTES PRIMÁRIAS”.

III. Outras Questões

Também, houve a manipulação de afirmações em assuntos não tão essenciais, mas que prova distorção (por ignorância ou não). Na página 50,51 ao mostrar pontos em que os adventistas estão em concordância com os “credos protestantes históricos” citam 19 tópicos. O 11º afirma que creem no advento antes do milênio. Como foi apontado a mim por um amigo, qual credo protestante histórico é prémilenista? Depois, sobre as doutrinas distintivas, na página 52 não citou que a crença no milênio da Papisa Ellen White é TOTALMENTE diferente de qualquer crença protestante/evangélica atual. Quem crê em um milênio onde o diabo ficará aqui na Terra sozinho por mil anos???

Outro tema que recebeu uma nota desfavorável foi o debate arminiano/calvinista entre o Adventismo. Os autores de QSD disseram que “A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é calvinista nem totalmente arminiana em sua teologia”. O autor das notas escreveu que é “difícil compreender o que se quer dizer ao afirmar” isso acima.

CONCLUSÃO


Percebemos que o pedantismo apresentado por apologistas adventistas só tem complicado a eles mesmos. Os apologistas adventistas demonstram ter sabedoria, por desqualificarem a todos, mas o que notamos é que estão em um pântano de confusão doutrinária por estarem afastados da ortodoxia. Seria melhor, já que não sabemos se querem ou não isso, abandonarem as crenças distintivas adventistas e se tornarem protestantes logo. Assim estariam embasados em uma tradição cristã “Ortodoxa” de verdade, sob a Voz do Espírito Santo na Escritura (Jo 16.13; II Tm 3.15-17), e não sobre as estranhas visões interpretativas de uma pessoa que sofria moléstias mentais. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Qual o sentido de Daniel 8.14? Ao apresentador do Bíblia Fácil/TV Novo Tempo

INTRODUÇÃO
O programa Bíblia Fácil da TV Novo Tempo, vez por outra volta com seus assuntos “proféticos” *AQUI*. O apresentador disse em um programa, que Daniel 8.14 é a maior profecia da Bíblia[!!!]. E obviamente, seu esforço é, e sempre será mostrar que Daniel 8.14 é um texto que confirma a doutrina do Santuário de 1844 (Crença Fundamental 24), uma doutrina exclusivamente Adventista. Mais especificamente das visões de H. Edson e de Ellen White, sendo esta última, segundo o apresentador do Bíblia Fácil “a única chamada por Deus” para ser profetisa na IASD. Apesar de ser uma fraude doutrinária e profética, a explicação do apresentador é bem didática e eficaz, para seus interesses.

UM BREVE PANO DE FUNDO HISTÓRICO
Segundo relata a história, um fazendeiro americano de nome Guilherme Miller, pegou a Bíblia, leu Daniel 8.14, fez suas ponderações e chegou à conclusão que Jesus voltaria em março de 1843. Depois mudou para março de 1844, e por fim, com a influência de um amigo, Samuel Snow, obteve certeza que seus cálculos estavam errados em poucos meses, a data do retorno de Cristo seria em 22 de outubro de 1844.

O diabo cegou Miller, a ponto de ele nem mesmo se dar conta de textos como Mateus 24.36 e Atos 1.7, uma mulher que é aclamada como uma constante ‘fonte de verdade’ da igreja verdadeira no tempo do fim, a senhora Ellen White, chegou a dizer a respeito de Miller “Anjos celestiais estavam a guiar-lhe o espírito e a abrir as Escrituras à sua compreensão.” (O Grande Conflito, p. 321).

O dia 22 de outubro de 1844 passou, causando uma das maiores vergonhas proféticas que o mundo já conheceu. Sim, a pobre jovenzinha Ellen White também falhou e foi enganada em esperar isso, tinha apenas 17 anos na época. Mas disse também posteriormente que Miller era orientado por anjos. Naquela época ela já sofria convulsões visionárias – bem típico do que ocorre hoje nos meios pentecostais (não todos), com seus possíveis distúrbios mentais. Caia ao chão, ficava falando glórias sem parar, com olhar fixo no ar, andando de forma profética... enfim, toda a histeria que conhecemos hoje.

Como o orgulho é uma arma diabólica para nos manter em erros, ela não seguiu Miller com suas conclusões posteriores. Visto que o mesmo chegou a dizer que foi um erro e qualquer tentativa de reinterpretar o fato seria mais um erro. Ellen White, a papisa, disse que algo desvendou qual foi o único detalhe que Miller errou. Ele esperava que Jesus voltasse para a terra, mas na verdade Jesus entraria não no mundo, mas no santíssimo celestial. Daí ela afirma:

“O assunto do santuário foi a chave que desvendou o mistério do desapontamento de 1844. Revelou um conjunto completo de verdades, ligadas harmoniosamente entre si e mostrando como a mão de Deus dirigia o grande movimento do advento [...]” (Ellen White. O Grande Conflito, p. 422).

Pois é isso mesmo. Os teólogos adventistas também dizem que foi ocorreu algo inverso, de ‘uma grande decepção para uma poderosa mensagem’, dizem eles fazendo eco ao que Ellen White escreveu.

A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA
 A doutrina diz em parte que: "Ele [Jesus Cristo] foi empossado como nosso grande Sumo Sacerdote e começou Seu ministério intercessor por ocasião de Sua ascensão. Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório." Essa doutrina, por sua vez, é a principal doutrina adventista. Segundo um autor adventista, essa doutrina leva consigo o sustentáculo adventista: “A lógica me dizia que se a data de 1844 não fosse bíblica, o adventismo não seria nada mais do que uma seita.(1844 – uma explicação simples das profecias de Daniel).

Veja que interessante. Para os que têm conhecimento da fé ortodoxa, esse ensino é uma das provas que a IASD é uma seita, para um teólogo adventista não; para ele essa é a prova que a IASD é uma igreja e não uma seita!!!

E qual é o texto chave para essa doutrina, segundo os adventistas? Qual é a principal base bíblica apresentada pelos seguidores da seita? Ellen White responde:

“A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento, foi: ‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado’. Daniel 8:14” (O Grande Conflito, p. 408).

Portanto, diante das citações, podemos dizer que o Adventismo é 1844 por que Ellen White assim determinou, e 1844, segundo ela, está baseado em Daniel 8.14. As perguntas simples que podem causar um grande embaraço ao sistema adventista são: o que indica o contexto de Daniel 8.14? Será que temos indicações no contexto de que esse versículo dê alguma base para a doutrina de que apenas a partir de 22 de outubro Jesus tenha entrado no santíssimo celestial, para iniciar a segunda etapa de seu ministério celestial, com objetivo de investigar a vida dos que serão salvos?

Vamos ao texto, e extrair dele nossas conclusões.

DANIEL 8.8-14 segundo a Nova Versão Internacional:

“O bode tornou-se muito grande, mas no auge da sua força o seu grande chifre foi quebrado, e em seu lugar cresceram quatro chifres enormes, na direção dos quatro ventos da terra. De um deles saiu um outro chifre, que começou pequeno, mas cresceu em poder na direção do sul, do leste e da Terra Magnífica. Cresceu até alcançar o exército dos céus, e atirou na terra alguns componentes do exército das estrelas e os pisoteou. Tanto cresceu que chegou a desafiar o príncipe do exército; suprimiu o sacrifício diário oferecido ao príncipe, e o local do santuário foi destruído. Por causa da rebelião, o exército dos santos e o sacrifício diário foram dados ao chifre. Ele tinha êxito em tudo o que fazia, e a verdade foi lançada por terra. Então ouvi dois anjos conversando, e um deles perguntou ao outro: "Quanto tempo durarão os acontecimentos anunciados por essa visão? Até quando será suprimido o sacrifício diário e a rebelião devastadora prevalecerá? Até quando o santuário e o exército ficarão entregues ao poder do chifre e serão pisoteados? "Ele me disse: "Isso tudo levará duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será reconsagrado".

O que aprendemos com a profecia?

A)    Dentre de um dos chifres*, que saíram do chifre quebrado, surgiu um “pequeno chifre”. Esse se tornou grande a ponto de causar perseguição ao povo de Deus.
B)    Na perseguição ao povo de Deus, esse chifre interrompeu a adoração a Deus que era dada por meio de sacrifícios.
C)     Um anjo pergunta a outro anjo, quanto tempo duraria essa perseguição, essa opressão e esse impedimento da adoração.
D)    O anjo responde que durariam 2.300 dias (um pouco mais de 6 anos), e tudo voltaria ao normal, ao seu estado original.

*Os teólogos adventistas observam que no texto original, não é dito que esse chifre menor sai de um dos chifres, mas de um dos quatro ventos. As versões tradicionais dizem apenas “de um deles” – isso pode ser dos ventos e/ou dos chifres. No entanto, um dos mais importantes pioneiros Adventistas, U. Smith, Roma já havia dominado a Macedônia em 168 a.C, “Portanto ao profeta parecia sair de um dos chifres do Bode”(Série Eco dos Pioneiros: Daniel e Apocalipse, p.104,105). Ellen White provavelmente pensava assim, já que estudar o contexto do capítulo foi algo que menos ela  se empenhou em seus escritos. Mas ela sabendo ou não disso, o fato é - o que estava dentro daquela massa de ventos na visão de Daniel? O versículo 8 antecipou dizendo que eram os chifres que estavam lá, portanto, o texto apenas relata a forma da visão. O chifre saiu de um desses chifres pois eles estavam envoltos pelos “quatro ventos do céu”.

Daniel não podia entender, mas um anjo o assistiu novamente e explicou. O carneiro de dois chifres era o império da Média e da Pérsia. Que foi destruído pelo Bode, que veio ‘voando’, com uma velocidade extrema e derrotou o carneiro. Esse Bode era o império Grego. No auge de sua força, o chifre do Bode foi quebrado e partido em quatro – que seriam 4 reinos (v.22).

Sem recorrer à história, por enquanto, já podemos perceber apenas com a leitura do texto que o reino da Grécia com essa profecia seria fragmentado em quatro reinos menores. E que no fim dos vestígios da dinastia Grega, vista nesses quatro reinos, surge um reino feroz que persegue o povo de Deus e impede a adoração que esses devem prestar. Porém, não mais que 2.300 dias, isso terminaria! E o verdadeiro Deus seria adorado novamente entre o povo da Aliança, segundo Seus termos.

No momento, não irei explorar nada a respeito de Antíoco Epifânio. Basta olharmos para o texto e seu contexto, e podemos extrair dele uma interpretação correta. Nenhum malabarismo, nem violência do contexto, como faz recorrentemente o Adventismo. Trato das objeções de C. Meryn Maxwell (Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel) contra a interpretação tradicional de Daniel 8.14, no capítulo 5 do meu livro A Conspiração Adventista.

Uma das tentativas enganosas, por parte dos intérpretes adventistas, (proposital ou não, Deus o sabe) é de confundir o chifre pequeno do capitulo 7º de Daniel com o do capítulo 8º. Embora haja semelhança, ela é só isso - semelhança. No capítulo 7º as figuras são outras, são representados reinos diferentemente. No quadro abaixo mostro isso:

Os símbolos de Daniel cap. 7
Os símbolos de Daniel cap. 8
O império Medo Pérsia – um Urso comendo tudo pela frente
O império Medo Pérsia – um Carneiro que dava ‘marradas’ para todos os lados
O império Grego – um Leopardo com Quatro asas, muito veloz.
O império Grego – um Bode muito violento e feroz.
O Chifre pequeno sai de um dos dez chifres de um animal grande e temível, que não existe na visão de Daniel 8.
O Chifre pequeno sai de um dos quatro chifres do Bode, que na visão de Daniel 7 é o Leopardo.

Quanto a falta de nexo entre os serviços sacerdotais da doutrina adventista a respeito do que Jesus fazia antes de 1844 e após, com a profecia e contexto de Daniel 8.14, é um detalhe desesperador. Não dá para acreditar como pessoas tão inteligentes, como são os apresentadores da TV Novo Tempo, acabam acreditando em uma doutrina sem coerência mesmo com o texto que segundo eles, é a base dessa doutrina.

O estado que o santuário se encontra no relato de Daniel 8.14 é em decorrência das atividades do chifre pequeno e não de pecados ali lançados. Por isso, é que o texto original não diz “purificado”, mas sim “restaurado/reestabelecido”. A Bíblia Judaica Completa traduz assim, a NVI como notamos na citação acima traz “reconsagrado”, também o erudito Reformado Dr. Antony Hoekema, e vários outros.

Que Deus livre as pessoas do engano do espírito por detrás da TV Novo Tempo, que está, seguindo a cartilha de Ellen, oferecendo outro sacerdote aos pecadores, que nada se assemelha com o que a Bíblia ensina em Hebreus - que no dia da sua ascensão entrou na presença de Deus, para interceder por nós, e deste mesmo modo permanecer, até o seu retorno, quando eliminará os que rejeitaram o Seu sangue justificador, por confiaram nas religiões mentirosas, que lhe oferecia uma exclusividade profética “distintiva”.

NENHUM CRISTÃO NO MUNDO DEFENDE ESSA INTERPRETAÇÃO ADVENTISTA A RESPEITO DE DANIEL 8.14 COMO SENDO UM SERVIÇO NO SANTUÁRIO CELESTIAL INAUGURADO EM 22 DE OUTUBRO DE 1844.