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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A origem do batismo da Congregação Cristã no Brasil

Fórmula Baptismal"

"Gostaria de fazer alguns esclarecimentos sobre a fórmula batismal adotada pela CC.


A CCB somente adotou oficial e uniformente a fórmula bastimal “EM NOME DO SENHOR JESUS TE BATIZO, EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO” no começo da década de 1950, (verifique os Artigos de Fé no hinario No 2 e 3), meus avós foram batizados na CCB usando somente a fórmula trinitária.


Essa fórmula combinada nasceu entre igrejas Holiness depois da Guerra Civil americana, ainda hoje é praticada por algumas igrejas holiness, pentecostais e Bible Fundamentals aqui nos EUA.

Charles Parham, Wm Seymour e outros pentecostais pioneiros usavam batizar EM NOME DE JESUS, EM NOME DO PAI DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO, ou as duas combinadas. (Restoring the Faith: The Assemblies of God, Pentecostalism, and American Culture. by Edith L. Blumhofer)


Apartir de 1913 surgiu a polêmica do “JESUS ONLY” quando alguns criam que deveriam batizar usando o nome de Jesus somente, outros optaram pela fórmula trinitária exclusivamente, e muito poucos oficializaram a fórmula combinada, q alguns chamam de “Fórmula de Concórdia”.


Segundo um ancião daqui o mais antigo registro da fórmula combinada na CC data de 1917 na Argentina.


No estatuto (assinado pelo irmão Francescon em 1925) da CC de Chicago fala para batizar assim: “Upon your request, in the name of Jesus I baptize you in the name of the Father, of the Son, and of the Holy Ghost”. – ["A seu pedido, em nome de Jesus eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".]


Mas para ver a importância que davam quanto à fórmula: na visita que fizemos à igreja de Chicago ano passado, um irmao que estava junto comigo perguntou para o neto do irmão Francescon com quais palavras o avô dele o batizara, ele nao lembra exatamente.


As formulas batismais na CC não eram uniforme antes de 1950. Assisti um batismo na CCNA onde o mesmo ancião batizou a primeira pessoa “Em nome de Jesus” e a segunda com a fórmula trintária.


A CC crê que a salvação é pela fé e o batismo é um sinal do pacto entre o indivíduo e Deus, não depende do oficiante ou da denominação. A fórmula em si é adiáfora.”

....



Fonte: Ccb batismo

http://ccbsemcensuras.forumeiros.com/rea-de-debates-para-assuntos-da-ccb-f1/presbiteriana-confissao-de-fe-de-westminster-1643-x-convencao-ccb-1936-t155-15.htm [Fui conferir o link antes de postar e tal informação não é mais encontrada. Acesso em c. 2011].

Nota MCA: Como percebemos, a Congregação Cristã no Brasil não realiza o ato batismal em Nome de Jesus Cristo, mas na verdade é a fórmula em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo é que é realizada em Nome de Jesus Cristo, embora alguns, ou vários, membros da CCB, aparentemente não percebam que é isso que pronúncia gostaria de dizer.

domingo, 14 de julho de 2013

A Congregação Cristã no Brasil – abandonou a doutrina da Suficiência da Escritura?

Nos últimos anos, a Congregação Cristã no Brasil, aparentemente inexpugnável, viu sua paz atordoada por denúncias, erros e divisões.

Começou com denúncias que envolviam nomes de líderes históricos da denominação. Desvio de verbas, conspiração, e incertezas doutrinárias (quando comparadas com a história da própria denominação), passaram a ser assuntos públicos. A internet fez um grande serviço ao que as pessoas poderiam saber. A CCB mantém suas informações fechadas. O que aumenta as especulações.

O que minou a transparência da liderança da Congregação é o seu nepotismo, mais que exagerado. Apesar de afirmarem que os que recebem o ministério na CCB serem indicado por revelação, tais revelações parecem que estão muito ‘familiares’ (Veja:  http://www.ccbverdade.com.br/nepotismo.htm)

A CCB que era historicamente ‘peixe piloto’, ‘sanguessuga’, da Assembleia de Deus, hoje vê sua denominação em grande concorrência com outros ministérios semelhantes, que ramificaram de seu próprio ceio. Seu arraial agora não tem exclusividade na identidade.

Congregação Cristã do Brasil - Ministério Jandira (http://ccmjandira.org.br/) é a grande, e mais forte, concorrente, da que está chefiada pelo Brás em São Paulo. Tendo como líderes anciães de raízes na crença da CCB. Com seus templos semelhantes, deixam claro que vieram para ficar. Veja o depoimento do ancião Samuel Trevisan nesse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=GixMykNtxS4

Visto que várias CCBs  Min. Jandira tem pipocado pelo Brasil, a CCB Brás lançou um Hinário de uso exclusivo. Não sei se este seria uns dos motivos, mas por certo vem “à baila”. O que tem gerado intrigas, por causa dos direitos autorais dos hinos.

A Congregação Cristã Apostólica, denúncia a CCB Brás de fazer uma séria mudança doutrinária em 1995. Agora aqui entra nossa preocupação como Protestantes. Leia o trecho abaixo e entenda:

“A Bíblia “É” ou a Bíblia “CONTÉM” a Palavra de Deus?
Para respondermos a esta pergunta vamos retornar um pouco no tempo.
O nosso primeiro ponto de Doutrina, revelado pelo Nosso Deus, é originário da Assembléia Cristã de Chicago e está conosco desde 1927; veja sua redação a seguir, igual a que está no final do Hinário:
Nós cremos na inteira Bíblia e aceitamo-La como infalível Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. A Palavra de Deus é a única e perfeita guia da nossa fé e conduta, e a Ela nada se pode acrescentar ou d’Ela diminuir. É, também, o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. (II Pedro, 1:21; II Tim., 3:16,17; Rom., 1:16)
Vejam como eles (Anciães) querem que fique a redação no novo Hinário:
Nós cremos na inteira Bíblia Sagrada e aceitamo-La como contendo a infalível Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. A Palavra de Deus é a única e perfeita guia da nossa fé e conduta, e a Ela nada se pode acrescentar ou d’Ela diminuir. É, também, o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. (II Pedro, 1:21; II Tim., 3:16, 17; Rom., 1:16)”
A CCA-MR, lança contra a CCB a possibilidade desta não crer na inerrância da Escritura. E que a mesma estaria em conformidade com a Teologia Liberal.
Particularmente acredito em outra coisa. Dificilmente algum ancião da CCB conheceria algum autor Liberal (como Rudolf Bultmann, Paul Tillich). Eles não leem nada teológico – [se bem que um esgoto desses nem precisa ler mesmo!!!]
O que creio é que com essa mudança, a CCB estaria solidificando a crença deles de que a mensagem pregada na CCB é TAMBÉM a Palavra de Deus. Sabemos como os crentes da Congregação ‘buscam a palavra’ como se essa fosse a voz de Deus, tal como está na Bíblia ou é a Bíblia.
As especulações continuarão. Os mandantes da CCB no Brás não falam. Acreditam que o silêncio com o tempo resolverá as questões. Tanto que o site da denominação é uma prova de seu ostracismo, dizendo:
“A CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL não autoriza a divulgação pública através de meio eletrônico de qualquer informação a seu respeito, não estando autorizado a tanto quem, através de "site" não pertencente à CONGREGAÇÃO CRISTÃ, se afirme como "site" oficial. Quem o fizer estará atuando em nome, interesse próprio e responsabilidade pessoal. A CONGREGAÇÃO CRISTÃ se manifesta através de sua Administração ou Conselho de Anciães.” http://www.congregacaocrista.org.br/
O poder estará centralizado por muito tempo em torno do nepotismo. A Congregação Cristã no Brasil agora sente o que  seu fundador, Louis Francescon, fez com a Igreja Presbiteriana, e o que seus adeptos posteriores fizeram com a Assembleia de Deus.
Espero que não se afastem da Fé Cristã Protestante (Jd 3,4). Apesar de estar instalada em suas almas, uma crendice mística em torno do “ministério da Congregação” e de sua comum crença em "buscar a Palavra". 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Congregação Cristã ensina que o batismo salva?


"O ministério da Congregação Cristã no Brasil ensina que o batismo em águas é necessário para a salvação?

Sim e não.

Nos 12 pontos de doutrina oficiais da Congregação Cristã que se encontra na contra capa dos hinários não existe nenhuma menção de que o batismo é condição necessária para a salvação.

Agora observem esses dois tópicos de ensinamentos, de 1991 e 2004, respectivamente.



Tópico de 1991

"Os que vão ser batizados devem crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ele é quem salva e não o batismo, em si. O batismo é obediência à Palavra de Deus."

Tópico de 2004

"Nos batismos deve ser mencionado e esclarecido o fundamento desse santo mandamento, conforme disse o Senhor Jesus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado."  Portanto, a finalidade principal do batismo é o perdão dos pecados e a salvação da alma."


Se em 1991 foi dito que o batismo não salva como pode ser possível que a sua finalidade principal é a salvação da alma conforme o tópico de 2004? Os tópicos são no mínimo contraditórios."


*Esse é um excelente e esclarecedor Blog de informações sobre a igreja CCB.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O uso do véu... mais uma vez.

Não existe povo evangélico mais exclusivista do que os membros da CCB [Depois destes apenas os Batistas Fundamentalistas]. Esse exclusivismo tem arrastado essa denominação para a classe de ‘grupo controvertido’ e/ou ‘seita’. Entre os assuntos mais explorados deles é I Co 11. 1-16 rendendo-lhes o apelido de ‘Igreja do Véu’. Mas outros também poderiam ser citados como ‘Igreja do Beijo’, ‘Igreja do Joelho’, ‘Igreja’ do anti-pastor, anti-dízimo, etc, etc.

No entanto, precisamos reconhecer que o assunto do Véu não é apenas uma bandeira deles. Esse assunto ocupa uma parte da Escritura Sagrada de maneira significativa e com uma explicação razoável para reconhecermos que a prática da CCB neste assunto não é errada em si mesmo. Eu tenho dito que esse é o único ponto que a CCB tem razão em praticar, mas não em contrapor com os cristãos protestantes por causa de sugestões viáveis de interpretações.

A esposa de R. C. Sproul usa o véu na igreja, e ele entende que esse é um mandamento litúrgico transcultural.

Mas gostaria de compartilhar algo desse assunto que creio ser interessante para o tema.

Em resumo, alguns dizem, que as prostitutas e as adúlteras da cidade portuária de Corinto, tinham a prática de ter os cabelos curtos ou rapados, isso as identificava para tais serviços imorais. As mulheres de bem cobriam a cabeça e tinham cabelos longos, diferenciando-as.

1º) I Co 10.32,33: Estava ocorrendo em Corinto problemas de comportamento culturais, morais e teológicos que eram perceptíveis. Neste texto percebemos que Paulo também estava preocupado com a fama que a Igreja poderia ter na sociedade em Corinto, tornando-se um ‘tropeço’ para eles. Ao tratar do Véu, não podemos deixar de perceber que ele tinha algo cultural em mira. Não existe uma indicação patente na explicação de Paulo do costume do uso do véu em Corinto. Com essa omissão, a CCB, e outros cristãos tem sugerido que trata-se de um mandamento para a Igreja Cristã em todos lugares e em todas as épocas. A isso devemos declinar diante da força da argumentação. Mas, além do texto já citado quero indicar três em I Co 11 que podem revelar, a intenção cultural do assunto.

2º) I Co 11.3: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.”

O peso da argumentação é o que ele quer ensinar com isto. ‘Entre tantos assuntos’ poderia se o raciocínio de Paulo, ‘o importante é saber que Cristo é...!’ Os meios que levam a isso podem ser culturais, teológicos (?) ou não, mas tudo deve levar a esse fim supremo. O que devemos saber sobre Deus! O véu ensina isto entre vocês, diz Paulo, não há problema em usá-lo. Afinal esta prática demonstra o que Deus quer que saibamos.

3º) I Co 11.13: “... julgai entre vós mesmos...” Pelo visto, o que ele disse, bem como uma reflexão sóbria do assunto, levaria uma resposta, positiva ou negativa, a essa pergunta. Estaria Paulo deixando um terreno teológico para um cultural? Ou estaria ele apenas estimulando um raciocínio com base (na cultura?) na argumentação teológica proposta por ele anteriormente? Ainda que tenha algum fator contextual é impossível escapar da conclusão que, pelo menos para eles, a questão do véu e/ou cabelo, era muito séria.

4º) “Não diz a própria natureza...?”: Aqui entendo que está o cerne de toda questão (Gordon Clark, ao contrário, entende que o verso 16 resolve quase tudo). A ‘natureza’ a que ele se refere não é a concepção universal da questão. Antes, deve ser, a natureza ou concepção que os corintos tinham do assunto. As razões são bíblicas:

A) O Nazireu tinha cabelo cumprido, embora fosse homem.

B) Quando o voto terminava, rapava-se a cabeça. Se a mulher fosse a ‘votante’, ela ficaria com a cabeça rapada!

Isso posto, torna claro que ‘a natureza’ de 1 Co 11 não é a concepção universal do assunto, nem o que Deus considera sobre o assunto.

Por causa disso, entendo, que temos neste texto (V. 14) a explicação viável para a justificativa de não exigir o uso do véu na igreja. (Sei que com isso, não posso argumentar de maneira alguma que um homem não possa ter o cabelo cumprido.)

Veja a opinião do respeitado Gordon Clark: AQUI.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A IPB aceita o batismo da Congregação Cristã no Brasil !...?

Estou postando isso como apelo para que o assunto tome algumas proporções Conciliares, se Deus quiser. Certo missionário da IPB conversando comigo sobre as inúmeras fragilidades doutrinárias da CCB, além do misticismo impregnado em torno de ‘buscar a Palavra na Congregação’. Lembrei-me de que o batismo da CCB é ainda aceito na IPB.

O que temos é a seguinte posição, antiga, mas que até agora desconheço alguma mudança:

"SC-54-137 - Quanto às consultas dos Presbitérios de Niterói, de Sorocaba e da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo sobre como devem ser recebidos na IPB membros de igrejas pentecostais, congregação cristã ou Assembléia de Deus, bem como pessoas que professam a fé em igrejas reconhecidamente evangélicas mas que não pertencem à Confederação Evangélica do Brasil e também não concedem carta de transferência para outras denominações, o SC resolve responder que essas pessoas sejam recebidas por pública profissão de fé, independente de novo batismo." (negrito e itálico meu)


Como podemos ver, a IPB considerou a CCB como uma dentre várias igrejas pentecostais. Mas uma diferença marcante na CCB é que eles pregam a salvação batismal, além de sua exclusividade.
O que fica difícil para estabelecer algo, é que em um dos seus ‘12 pontos de fé’ eles dizem que a salvação vem por meio da fé! Veja:

5. Nós cremos que a regeneração, ou o novo nascimento, só se recebe pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoriua, justiça, santificação e redenção. (Rom. 3:24 e 25; I Cor., 1:30; II Cor., 5:17)


Ou seja, é pregado uma heresia, mas é oficialmente ensinado outra coisa... Embora documentos internos da CCB ensinem a salvação batismal, o que chega ao público externo é o Hinário com os ‘’12 pontos’’. (Além disso o Batismo na CCB é uma inovação, eles batizam ‘Em nome de Jesus e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!’ Acho que isso foi inventado no inicio do século XX.)

O que fazer? Por enquanto temos que seguir a sugestão do SC, embora casos particulares possam ser examinados e conselhos locais propor, em base individual, um Batismo verdadeiro. Mas não existe uma posição oficial da IPB sobre isso. Ou seja, não devem ser batizados aqueles que saem da CCB e se tornam Presbiterianos.

A IPB se posicionou sobre a Igreja Mundial e IURD. Obviamente a Internacional da Graça e Renascer em Cristo, que são da mesma linha, por inferência também recebem a mesma classificação. São seitas. A Congregação Cristã não pode ser deixada de ladom, pois é uma denominação extremamente exclusivista, com uns três milhões (3.000.000) de membros fora as crianças e frequentadores.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Dízimo é um mandamento para o Cristão?

A denominação religiosa que mais tem explorado esse assunto em detrimento de outras é a Congregação Cristã do Brasil. Eles geralmente iniciam seu ‘evangelismo’ com outros crentes dizendo que estão na graça e não precisam pagar o dízimo. Os grupos de cristãos ‘caseiros’, cujo líder é Frank Viola, de igual maneira colocam as igrejas institucionalizadas em condenação por causa do dízimo. Os batistas fundamentalistas do CPR (Centro de Pesquisas Religiosas) são ferrenhamente contra o uso de dízimos. Uma autora classifica em sua critica: ‘os pastores malaquianos’... O conhecido pregador John MacArthur também é contra o uso do dízimo como manutenção da igreja.

Recomendo este artigo do Olhar Reformado, como uma discussão esclarecedora desse assunto.

Por outro lado, existe a exploração criminosa de Malaquias 3.10 e também a que beira ao financiamento espiritual, nada de diferente das Indulgências. Com mensagens fora de contexto, pregam que ‘o demônio devorador não é expelido nem em nome de Jesus, somente com o dízimo!’...?

Quero ventilar esse assunto. Meu objetivo é discutir se o dízimo seria um recurso legítimo com base no Novo Testamento ainda que os dados do Velho Testamento sejam examinados para chegar a uma conclusão. Vou interagir com algo que o irmão, Pr Marcelo Lemos postou no Olhar Reformado. Em vários pontos concordo com ele, mas pelo menos em um, teremos uma leve diferença.

As passagens bíblicas do VT que tratam do dízimo nos ensinam que o dízimo era um recurso eclesiástico-celebrativo-filantrópico. Classifico dessa maneira pelos seguintes motivos: 

1) encontramos o dízimo sustentando o sacerdócio e os levitas, 2) notamos que o dízimo era usufruído pelo ofertante diante do Senhor e 3) por último, era usado para cuidar dos órfãos e das viúvas, ou seja, os necessitados (Veja: Dt 14.22-29; 26.12-15; Lv 27.30-33; Nm18.21; Ml 3.10-12). 

Tenho a impressão que os dízimos eram entregues três vezes ao ano. Não tenho como provar isso definitivamente. Porém, essa conclusão é extraída de Ex 23.14-19. Na passagem em mira, percebemos que por três vezes ao ano, todo Israelita deveria apresentar-se diante do Senhor, e ‘não poderia estar de mãos vazias’! Além disso, nesses eventos apresentavam-se as primícias. Mas, não posso afirmar por causa de Dt 26.12, onde existe um recurso entregue no terceiro ano. (Todos sabem que os dízimos no VT eram de recursos agrícolas, etc (Lv 27. 30-33). Mas algumas vezes em dinheiro.

Diante do exposto no acima, não posso concordar plenamente com o irmão Marcelo quando classificou que o dízimo era um imposto para a manutenção da máquina estatal. Era isso também. (Bom lembrarmos que além disso, Israel herdou essa prática de Abraão, que poderia ter outros motivos, como um ato voluntário.)

Os 'antidizimistas' indicam que, visto que a lei foi abolida, o dízimo não deve ser usado na era da graça. Em especial o fato de a igreja ser hoje o sacerdócio universal, todos os cristãos são sacerdotes, e tendo em vista Hb 7.4-14, eles insistem que o dízimo é ilegítimo, inviável e contraditório. Para alguns na Congregação Cristã é uma heresia que condena para o inferno!

Começo respondendo da seguinte maneira: O dízimo tal como ofertado no VT foi abolido. No entanto, o NT fez uso do princípio do Dízimo, para o legítimo sustento eclesiástico.

Quero antes de mostrar isso, descartar alguns textos que os defensores do dízimo usam no NT para defender a prática como Neotestamnetária:

1) Mt 23.23 – Não podemos dizer que esse uso é determinante, pois Jesus quando curou um leproso ordenou o cumprimento da lei. Isso os anti-dizimistas dispensacionalistas podem, com alguma razão apresentar como resposta (No caso em apreço, isso pode ser relevante, mas a teologia dispensacionalista é um erro grosseiro). Assim Mateus 23:23 pode ser proeminente para uma percepção completa, mas ele por si só, garante o que estava em vigência na época. Dízimos agrícolas e agropecuários!

2) Hb 7. 4-14 – Esse caso é estranho. Certa vez li um conhecido pastor usando esse texto por causa da palavra ‘aqui’. Como se referindo ao momento que vivemos, ou que o pastor estava escrevendo. Mas isso não pode ser a intenção do autor de Hebreus. O que ele dizia era uma referência ao sacerdócio Levítico, presente na época e passageiro, contraposto com o sacerdócio de Cristo, eterno, com base em Melquisedeque.

Fielmente ao contexto dessas passagens, o que existe é mais uma inferência doutrinária do que uma conclusão do texto.


A AUTORIZAÇÃO NEOTESTAMENTÁRIA DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO DÍZIMO

Acho que a podemos fazer o uso do dízimo com a perspectiva de manutenção financeira da obra de Deus. Jamais dizendo que o crente é mais abençoado por ser dizimista ou que será amaldiçoado por não ser dizimista! A teologia Reformada não pode conceber a doutrina da prosperidade em suas próprias raízes, muito menos achar que um crente será amaldiçoado pelas obras da lei, pois “Cristo nos resgatou da maldição da lei [...]” (Gl 3.13). (Caso alguém tenha dúvida é só ler o livro do Rev. Augustus Nicodemos sobre batalha espiritual.)

Tem muito pastor presbiteriano (ou não) que conhece muito bem Ml 3.10 e dizer se o dízimo deve ser do bruto ou do liquido, mas nem sequer ensina a Bíblia para o povo, ou mesmo os Símbolos de Fé da Igreja Presbiteriana. Daí o justo apelido ‘pastores malaquianos’...

Estabelecido isso, o que entendo como base no NT para o uso do dízimo é 1 Co 9.1-14. Isso não é uma exigência, mas uma autorização legítima para estabelecer a manutenção da obra, usando o princípio do dízimo. Veja:

“[...] Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Porventura, falo isto como homem ou não diz também a lei? [...]” 

Para nosso propósito inicial, veja que Paulo invoca a lei de Moisés para estabelecer o sustento pastoral! Automaticamente acho que os antidizimistas estão com um sério opositor nesse caso... O apóstolo Paulo!!!

Mas ainda não chegamos no ponto central do que pretendo passar. O que ficará estabelecido agora é uma afirmação clara do uso da lei, da manutenção de Israel, ofertas, primícias e dízimos, onde Paulo faz uma transposição de aplicação para Igreja na era da Graça. Essa transposição de aplicação está patente na passagem “[...] acaso, é com bois que Deus se preocupa? Ou é seguramente, por nós que ele diz? [...] Se nós vos semeamos coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? [...]”

Agora vejamos a prova:

Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho [...]

É com esse ponto de vista que acho que quando igrejas fazem sua manutenção tendo base o dízimo deveria pensar. Tendo em vista que não apenas o sustento pastoral está em jogo aqui, mas a diaconia e as confraternizações da igreja, tem no dízimo sua fonte de recursos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Dialogando com um adepto da Congregação Cristã no Brasil - Final

Tem uma informação sobre esse assunto no fim da postagem, que interessa aos Presbiterianos.

(Francisco) – Eu respondi sim. Mas é que você fica só na letra. Nós na congregação falamos muito no espírito, na revelação. Mas já que citou I Coríntios, o que me diz do véu?


(Lutero) – De fato o uso do véu é uma prática cristã. Não existe real motivo para achar que vocês estariam errados ter esse costume. Parece ser uma leitura direta de I Coríntios 11. Embora não exaustiva quanto se pinta, mas uma boa correspondência.

(Francisco) – Então, por que as igrejas não obedecem esse mandamento ? São desobedientes.

(Lutero) – Acontece que se tem notado que a cultura local, da cidade de Corinto, estava diretamente ligada a essa prática. Assim, de alguma maneira, o apóstolo teria orientado essa prática. Naquela localidade, geralmente prostitutas de templo ou mulheres imorais não usavam véu. Nessa linha, alguns estudiosos indicam o contexto do ensino apostólico.

(Francisco) – Está vendo Lutero como a letra mata? Temos que cumprir esse mandamento, desse jeito, para sermos Igreja de Cristo.

(Lutero) –  Observe que dentro do contexto de I Cor. 11, o apóstolo pressupõe uma reflexão local. Veja os versículos 13 e 16.

(Francisco) – Negativo Lutero. A mulher que ora sem véu desonra sua cabeça. Assim como não deve ter cabelo cortado, nem o homem ter cobertura com véu ou com cabelo comprido. É vergonhoso e Deus não aceita orações sob essas condições.

(Lutero) – Irmão Francisco, sendo a observação cultural a correta, isto era vergonhoso para eles naquela cultura! Lembre-se que Deus permitiu o nazireu usar cabelo cumprido, mesmo sendo homem, e no fim do voto ele rapava a cabeça, se fosse mulher teria a cabeça rapada. Note isso em Números 6.2,5,18.

(Francisco) – Mas essa lei era no Velho Testamento, agora estamos numa nova doutrina.

(Lutero) – Certo Francisco, mas isso ilustra que certas informações devem ser vistas dentro de seu contexto cultural e doutrinário, além do mais, o que ficou demonstrado foi o modo de Deus tratar os homens dentro de uma história especifica.

Mas eu preciso ir, tenho que visitar uma pessoa que se afastou da igreja...

(Francisco) – Mas ele pecou de morte? Na Congregação não há perdão para quem comete adultério ou fornicação, esse é o pecado de morte!

(Lutero) – Eu conheço a blasfêmia contra o Espírito Santo como pecado de morte. Por mais reprovável que seja os pecados sexuais, existe perdão.

(Francisco) – Então quer dizer que eu posso fazer e aprontar o que quiser, depois voltar para a igreja e está tudo certo!? Isso na Congregação não acontece.

(Lutero) – Não sei se com isso você revela o que está no seu coração... Mas o apelo de Cristo Jesus será sempre: NÃO FAÇA ISSO! (Ap 2.21,22; II Co 12.21).

(Francisco) – Lutero, você é meu amigo, vamos à minha igreja buscar a Palavra e Deus, vai falar com você? A CCB é a graça de Deus.

(Lutero) – Não irmão Francisco, eu não vou à sua igreja buscar Palavra, pois eu já estou com ela na minha mão! Com a Bíblia não preciso de revelações extras. Até mais.



A oração do Francisco – Senhor, mostre ao Lutero que a Congregação é Tua graça na terra. Ele está enganado e não entende que a Congregação é único caminho para o Céu. Te peço isso em nome do Senhor Jesus Cristo.

A oração do LuteroPai Soberano, ajude o Francisco a ver e sentir que, somente em Teu Filho Jesus está a salvação eterna, somente Teu Filho é a manifestação de Sua bendita Graça. Liberte o Francisco da religiosidade estéril e sectária. Produza nele, ó Pai, amor pela Sua Palavra. Em nome de Jesus Cristo.



Conclusão

Quase o irmão Lutero perde a paciência!

Esse caso fictício demonstra com certo grau de precisão como pensam os membros da CCB. Minha esperança é que com esse ‘diálogo’, você possa se defender diante das  acusações dos adeptos dessa religião. Ainda que para muitos ela não é uma seita*, existe um perigo patente no bojo teológico deles.
Nos últimos anos a liderança da CCB tem diminuído o ataque a outras igrejas evangélicas, o que pode ser bom. Mas ainda o exclusivismo é a marca deles, a ponto de dizerem que a salvação está somente com os membros da CCB, por causa do seu batismo, entre outras coisas.

Precisamos fazer justiça também, que o Nosso Gracioso Deus está salvando muitas pessoas de uma vida de pecado, idolatria e espiritismo por meio deles. Felizmente ainda vemos no credo oficial da CCB os ideais do Protestantismo, e graças a esses vestígios da verdade, algo está sendo genuinamente realizado entre eles. Precisamos também nos resguardar de disseminarmos tal atitude exclusivista. Como humanos podemos cair nesse laço.

Que nosso trabalho seja o de  II Co 10.5.

_______

* Para os Presbiterianos: Existe um documento do SC, que inclui a congregação cristã como igreja cristã evangélica, não sendo necessário o batismo. Alguns pastores já duvidaram dessa minha informação, outros ao depararem com ela, acharam que não era sobre a CCB que tal documento refere-se, pois está escrito com iniciais minúsculas, como comecei aqui. Pois bem, até que se resolva isso, qualquer membro da CCB que decida tornar-se da IPB, que não queira receber o batismo, não há razão autorizada para que o Conselho insista nisso. O documento diz assim: "SC-54-137 - Quanto às consultas dos Presbitérios de Niterói, de Sorocaba e da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo sobre como devem ser recebidos na IPB membros de igrejas pentecostais, congregação cristã ou Assembléia de Deus, bem como pessoas que professam a fé em igrejas reconhecidamente evangélicas mas que não pertencem à Confederação Evangélica do Brasil e também não concedem carta de transferência para outras denominações, o SC resolve responder que essas pessoas sejam recebidas por pública profissão de fé, independente de novo batismo." (negrito e itálico meu)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dialogando com um adepto da Congregação Cristã no Brasil – Parte 3

...

(Francisco) – Depois eu te mostro o ministério de Cooperador na Bíblia. Eu estava me esquecendo de um assunto muito importante, o batismo em nome do Senhor Jesus. Em Atos 2.38 ordena que Batismo deve ser feito em nome do Senhor Jesus para sermos salvos.

(Lutero) –  Você muda muito de assunto... Irmão Francisco, nenhuma ‘forma’ ou ‘fórmula’ de batismo salva. Salvação está na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado pelos pecadores (João 3.16,36). Além do mais, a CCB não pratica o batismo em nome do Senhor Jesus, apenas. Numa invenção histórica*, a CCB acrescenta o batismo triúno de Mateus 28.19 junto ao batismo em nome de Jesus! Em toda história da igreja cristã encontramos o batismo em nome do Senhor Jesus Cristo, em especial em seus primeiros anos, depois encontramos unânimes o batismo triúno, mas NUNCA as duas ‘fórmulas’ juntas. A CCB faz isso sem nenhuma base bíblica ou mesmo histórica.

[*Obs: Para uma informação sobre onde esse batismo em um nome quadruplo pode ter iniciado veja aqui.]

(Francisco) – Mas ambos são citados Lutero. Então a Congregação obedece, e batiza assim: “Em nome Jesus Cristo te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”!. Essa foi a revelação que Deus deu ao fundador da Congregação, o italiano Louis Francescon, ex-presbiteriano.

(Lutero) – Ao ler a história da CCB, o atual batismo da CCB não pode ser creditado a Louis Francescon. Nada disso é citado por ele no ‘Histórico’. Hoje os membros da CCB desconectam suas conclusões dos fatos históricos.

(Francisco) – Como assim Lutero?

(Lutero) – A Igreja Presbiteriana é uma das denominações protestantes que batiza por aspersão. O questionamento de Louis Francescon foi a ‘forma’, ou seja, de que modo deveria ser efetuado o batismo, por imersão ou por aspersão. Na verdade, a mesma discussão que históricamente tem os batistas com os demais cristãos. Nada de um batismo em nome de uma ‘quaternidade’, se é possível usar um termo assim para esse batismo da CCB.

(Francisco) – Eu vou verificar isso, mas sei que o batismo verdadeiro é o em nome do Senhor Jesus.

(Lutero) – O que discuti aqui não foi indagar ou reclamar o batismo ‘em nome do Senhor’. Mas sim, o ‘quadruplo’ nome usado no batismo da CCB e a ‘salvação batismal’ ensinado pela CCB.

[Para um estudo histórico e equilibrado sobre o assunto do batismo em nome de Jesus, acesse essa página aqui.]

(Francisco) – Eu não me preocupo muito com essas coisas, busco mais a revelação, aquilo que Deus me mostra, do que ficar muito na letra.

(Lutero) – Olha Francisco, os Mórmons dizem a mesma coisa e milhões estão lá afirmando que receberam uma suposta ‘resposta divina’ que confirmou a eles que aquela igreja é ‘a verdadeira’.

(Francisco) – O diabo engana muitas pessoas Lutero.

(Lutero) – O que mais me preocupa em você Francisco, é que sua concepção da graça de Deus, está limitando-a na sua denominação.

(Francisco) – Nunca Lutero. Eu estou na graça e você é da lei, pois sua igreja tem que dar o dízimo e o dízimo é da lei, não da graça. A Congregação é o caminho para o Céu.

(Lutero) – Sim, o dízimo é da lei assim como a justiça, a misericórdia e a fé (Mateus 23.23).

(Francisco) – Mas o dízimo foi abolido, e quem está na lei está sob maldição.

(Lutero) – Acho que você precisa ver algo mais nesse assunto. O dízimo como era dado na antiga aliança, sem dúvida, foi abolido. Mas acontece que um princípio permanece com base naquele modo antigo de sustento para obra de Deus. E é esse princípio que precisamos ver o dízimo no Novo Testamento.

(Francisco) – Não adianta Lutero, o dízimo é do Velho Testamento e não existe esse mandamento no Novo. As igrejas usam uma lei que foi abolida para extorquir dinheiro das pessoas.

(Lutero) – Vejamos isso na Bíblia, irmão Francisco ... Novamente I Coríntios 9.6 ao 14. Observe o argumento do apóstolo para o sustento pastoral, é exatamente a lei de Moisés! Ele faz a transposição daquela antiga forma de ofertas/dízimos, de cereais e animais, e faz uma legitima aplicação a exatamente aquilo que você está criticando. Me parece que você tem um sério opositor. Embora ele não tenha feito uso desse direito ali, Paulo pressupõe sua legitimidade.

(Francisco) – Não admitimos isso na Congregação. Lei é Lei, Evangelho é Evangelho... é graça.

(Lutero) – Pois bem irmão Francisco, mas até agora você não teve uma reposta bíblica. Tem constantemente apelado para a autoridade que ‘a Congregação’ tem sobre suas opiniões. Lembra-me muito da autoridade Papal.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dialogando com um adepto da Congregação Cristã no Brasil - Parte 2


Recapitulando: uma conversa fictícia entre Lutero de uma igreja protestante e Francisco da CCB.

(Francisco) – Mas tem outro problema muito sério que sua igreja faz, algo totalmente errado. Os pastores recebem salários para exercerem a função. Na Congregação não. Os Anciãos têm seus próprios trabalhos, pois quem não trabalha não come, diz a Escritura. E o apóstolo Paulo vendeu tenda para não ser pesado aos irmãos. A Bíblia diz que os pastores são ladrões...


(Lutero) – Calma, irmão Francisco. Eu concordo que existem muitos pastores que são verdadeiros mercenários e empresários da fé, mas não posso negar o principio bíblico do sustento pastoral por causa de exageros, além de não poder também generalizar por causa da ala podre.

(Francisco) – Não existe isso na Palavra Lutero. ‘Sustento pastoral’, isso é invenção.

(Lutero) – Irmão Francisco, veja isso então... Em I Coríntios 9 Paulo diz que não tinha deixado de trabalhar. Mas outros apóstolos e lideres da igreja tinham deixado o emprego secular! (Vers.12). Ele afirmou no versículo 11 que podia colher ‘recursos materiais’ da igreja. Além de dizer que recebeu salários de outras igrejas...

(Francisco) – Onde está isso?

(Lutero) - Em II Coríntios 11.8

(Francisco) - O que é despojar?

(Lutero) – É saquear.

(Francisco) – Olha Lutero, Deus me revelou essa graça, pois Ele é nosso Pastor, e na sua igreja existe pastor, e pastor é só o Senhor Jesus. Na Bíblia tem Ancião, Presbíteros e Bispo, mas não tem ministério de Pastor, então eles ocupam o lugar do Senhor Jesus. Não são ovelhas, João 10.1 confirma isso.

(Lutero) – Com respeito a nomenclatura, eu acho que não estamos sintonizados. Todo Presbítero/Bispo/Ancião é Pastor e vice-versa. Em alguns sistemas de governos eclesiásticos usa-se o sistema episcopal, entretanto, tratando-os como Pastores.

(Francisco) – Mas estão errados! Pastor é um só, o Senhor Jesus.

(Lutero) – Francisco ... o uso do termo não faz diferença nesse caso. Veja, Jesus Cristo é também chamado de Bispo em I Pedro 2.25, entretanto a Bíblia chama homens de Bispos.

(Francisco) – Mas não tem na Bíblia ministério ‘de pastor’, isso é uma afronta ao Senhor Jesus.

(Lutero) – Não está causando problema demais num assunto tão trivial? Veja, na CCB existe um ministério de ‘Cooperador’ (de adultos e de jovens). Existe isso na Bíblia?


(Francisco) - Sim existe. O apostolo Paulo chamou alguns de Cooperadores.

(Lutero) – ‘Cooperador’ por cooperarem com ele irmão Francisco. Não existia apresentação e/ou ordenação para tal ‘ministério’. Está notando o problema da nomenclatura? Na CCB a realidade dos fatos é: Ancião = a um Bispo Anglicano ou Metodista, muito embora com um raio de ‘domínio’ menor. Cooperador = Presbíteros, porém sem muita autonomia local.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dialogando com um membro da Congregação Cristã do Brasil - parte 1



No dialogo fictício que se segue, temos o irmão Lutero e o irmão Francisco. Lutero é membro de uma igreja protestante histórica, já Francisco é membro da Congregação Cristã do Brasil (CCB).
Esse diálogo, embora fictício, reflete uma realidade incontestável. Veremos porque muitos cristãos hoje têm dificuldades em ver a CCB como uma igreja genuinamente cristã. A proposta aqui é que, embora o credo oficial da CCB não contenha heresias, a atitude observada entre seus membros e lideres não tem correspondido com seus pontos de fé, pontos que estão implícitos os ideais do Protestantismo Histórico. (Não compartilho da idéia que a CCB seja uma seita. Porém, não posso deixar de pensar que seja uma igreja com atitudes exclusivistas. Em vários membros e lideres, nota-se que a salvação está vinculadas ao batismo lá realizado.)

Boa leitura !

( Lutero) – Olá irmão Francisco ! Tudo bem?
(Francisco)- Sim estou bem. E você Lutero?
(Lutero) – Irmão Francisco, você nunca me chama de irmão nem me cumprimenta com uma saudação cristã. Você tem alguma coisa contra mim?
(Francisco)- Não Lutero, eu gosto muito de você, mas é que você não é meu irmão na fé.
(Lutero)- Mas como não Francisco? Nós confessamos o mesmo Senhor, confiamos no mesmo Deus que salva graciosamente por meio de Cristo.
(Francisco)- Mas Lutero, tem muito mais envolvido em crer no mesmo Senhor. Às vezes Deus não se agrada de algumas coisas que sua igreja prega ou faz. Então não temos como comungar a mesma fé. A nossa doutrina não é a mesma.
(Lutero) – Tudo bem Francisco. Eu não acho que minha denominação é perfeita. Mas você acha que tudo na CCB é perfeito?
(Francisco)- Lutero, os homens erram, mas a Congregação é perfeita, é a graça!
(Lutero)- Olha Francisco, estou com dois sentimentos opostos. Admiração e indignação. Acho interessante pensar que a CCB é perfeita, mas dizer que ela é a graça de Deus!? A graça de nosso Deus não pode estar vinculada nem limitada a uma denominação religiosa, por melhor que seja. Somente uma pessoa pode concentrar em si algo tão grande: o Senhor Jesus.
(Francisco)- Você pode não entender, mas veja: Vocês oram em pé e a Bíblia diz que quem ora em pé é hipócrita! Veja em Mateus 6.5.
(Lutero)- Irmão Francisco... me desculpe mas esse versículo não diz isso, e sim que ‘os que gostam de serem vistos pelos homens’. Ou seja, Jesus está reprovando o exibicionismo, note o versículo 2, estaria Jesus reprovando as boas obras? Outra coisa, em Mateus 23.5,6,7 o Senhor deixa bem claro isso. Seriam os Anciãos de sua igreja hipócritas por ocuparem os primeiros lugares na igreja?
(Francisco)- Um dia você vai entender Lutero. Temos que orar de joelhos. A Bíblia diz que todo joelho se dobrará diante do Senhor Jesus’. É falta de respeito orar em pé. Jesus, Paulo e outros oravam de joelhos no chão!
(Lutero)- Concordo, acho realmente certo, mas não se pode condenar uma prática diferente. Até mesmo Jesus falou de oração feita em pé que foi ouvida (Lucas 18.9-14).
(Francisco)- Não, não! Só o fariseu orou em pé, o outro não diz que orou, veja o versículo 13 ... ele só clamava.
(Lutero)- Negativo Francisco, no versículo 10, Jesus disse que ‘os dois subiram para orar’, foi e é uma oração.
(Francisco)- Lutero, você precisa buscar a Deus, pedir para Ele te revelar. Tem tantas outras coisas que você não sabe. Mas só Deus para te revelar.
(Lutero)- Ok irmão Francisco, se quiser pode me falar o que quiser, se for um ensinamento bíblico estarei disposto em apreciar.
(Francisco)- Olha Lutero, vamos ver Romanos 16.16 ... aqui temos um mandamento, o ósculo santo como saudação cristã. A sua igreja saúda com o ósculo santo? Aqui diz que as igrejas de Cristo saúdam com o ósculo.
(Lutero) – Não.
(Francisco) - Se ela não faz isso, então ela não é igreja de Cristo!
(Lutero) – Então as igrejas que tem essa prática, como os ‘adventistas movimento da reforma’, e outros, são igrejas de Cristo por esse motivo?
(Francisco) – Não... Não sei deles, mas a Congregação cumpre esse mandamento e a sua não.
(Lutero) – Irmão Francisco, não acha que essa era uma prática cristã herdada dos judeus assim como o lava-pés? Um costume cristão?
(Francisco) – É Lutero, meu amigo, você não entende mesmo, isso é mandamento! Lava-pés sim era costume, ósculo é mandamento.
(Lutero) – Bem, como você pode me provar que ósculo era mandamento e o lava-pés era costume quando o próprio Cristo colocou os dois em pé de igualdade? Lucas 7.44-46.
(Francisco) – Aqui está dizendo um ‘exemplo’, exemplo não é mandamento.
(Lutero) – Por favor Francisco !? Você está usando dois pesos e duas medidas. Leia João 13.14 e veja se sua resposta condiz com isso.
(Francisco) – Aqui Lutero o Senhor Jesus está só dando um exemplo, ademais, os apóstolos não ensinaram isso.
(Lutero) – Afirmou dois enganos Primeiro; Jesus disse: “Deveis fazer isso também.” Isso não é exemplo irmão Francisco. Segundo: O apostolo Paulo usou o ‘lava-pés’ como prática cristã identificadora (I Timóteo 5.10).
(Francisco) – Eu vou refletir um pouco nisso depois. Mas vocês praticam o lava-pés Lutero?
(Lutero) – Não irmão Francisco, a Bíblia foi escrita em uma cultura diferente da nossa. E alguns costumes aceitáveis e moralmente corretos foram relatados na Bíblia, bem como incorporados na prática cristã primitiva. Um aperto de mãos, um abraço, um convite e etc., estão mais próximos de nossa realidade. Mas enfatizo, NÂO É ERRADO saudar com um beijo ou praticar o lava pés ‘cerimonialmente’. Errado está em julgar outros por isso e se identificar como única igreja verdadeira por causa desses costumes.