sábado, 21 de setembro de 2013

A última profecia das Testemunhas de Jeová

Não existe religião que tenha predito tantos acontecimentos apocalípticos para datas especificas do que as Testemunhas de Jeová. Na verdade não a comunidade em si, mas seus líderes. 

Temos provas que o número de datas e/ou períodos gira em torno de 12 datas: 1874, 1878,1881,1914,1915,1918,1920,1925,1942, 1975, geração de 1914, século XX.

Quando confrontamos as Testemunhas de Jeová com essas falsas profecias, não raro elas tentam justificar com argumentos do tipo: “Nós não somos profetas inspirados, cometemos erros. Assim como os apóstolos, tivemos expectativas erradas.” Esse tipo de resposta, é usado por seus líderes em seus livros quando tratam do assunto, por isso repetida pelas Testemunhas de Jeová individualmente. As Testemunhas de Jeová são totalmente dependentes do Corpo Governante.

O que a comunidade TJ deixa de refletir é: A) Não foram elas que disseram, foram seus Líderes que fizeram cálculos e passaram para elas pregarem como a verdade de Deus. B) Não existem FALSOS profetas inspirados. Essa é a diferença! Além disso, os apóstolos jamais marcaram datas para o fim do mundo. Deus julgará, porém, esses propagadores de mentiras tanto quanto os seus idealizadores.

Apesar de tantos erros, a Liderança TJ não aprendeu a lição.

MAIS UMA PROFECIA? SERIA A ÚLTIMA?

Pois bem, irei explicar de maneira concisa o que é e como essa profecia se desenvolveu. Segundo a crença da Liderança TJ apenas 144.000 pessoas irão morar no céu e reinar com Cristo. Esses são chamados de “cristãos ungidos”. Interpretação baseada em Ap 7 e 14. Os demais salvos, milhões, ou bilhões, serão os mansos que herdarão a Terra Paradisíaca (Mt 5.5).

Esses 144 mil começaram a ser escolhidos após o derramamento do Espírito Santo em pentecostes, em Atos 2. Quando o apóstolo João morreu, começou o período de apostasia, a igreja passou a crer em ensinos falsos e houve uma interrupção do fluxo da chamada celestial, acontecendo talvez alguns casos. A retomada dessa chamada deu-se quando um grupo de estudantes da Bíblia começaram a aceitar as verdades da Bíblia livre dos ensinos das religiões, especialmente a trindade e a imortalidade da alma. Porém, de maneira específica, entre os anos de 1914 a 1919, Jesus veio ao Templo, os cristãos nominais, e escolheu os Estudantes da Bíblia, liderado por C. T. Russel.

Deus então, segundo eles, começou a restaurar a verdade, e chamar os restantes dos 144 mil que até então não tinham recebido o novo nascimento, o nascimento espiritual para ir para o céu. Desde 1918, esses ‘nascidos de novo’ não permanecem mortos, ressuscitam espiritualmente na hora da morte, e vão para o céu.

Presumindo que a chamada para concluir o número de 144 mil não seria tão extensa, visto que muitos desses 144 mil já teriam sido escolhidos no primeiro século, a Liderança TJ afirmou que a data desta chamada terminou em 1881, depois mudou para 1921. Depois mudou para 1931. Por último, mudou para 1935.

Essas mudanças, eram na verdade, para escaparem de mais uma falsa profecia que estavam para enfrentar. A liderança TJ sempre creu no seguinte:

A maioria dos membros do restante ungido são bem idosos, e o número dos que são genuinamente ungidos tem diminuído com o passar dos anos... alguns desses escolhidos de Cristo ainda estarão na terra quando começar a grande tribulação
(A Sentinela, 15/01/2000, p. 13[grifo meu]).

Levando em consideração que tais ungidos são supostamente escolhidos após o batismo e participação da ‘santa ceia’, portanto na média de 15 anos. Era obvio que se em 1935 a chamada celestial findou, o restante dos 144 mil já teria cerca 80 anos, o fim estava próximo mesmo, levando em consideração a expectativa média de vida. No ano de 2000 o tal grupo ungido era de 8.661 http://indicetj.com/relatorios.htm

Inteligentemente, a liderança TJ abandonou a data de 1935 em 2007:

“... especialmente depois de 1966, acreditava-se que a chamada celestial havia terminado em 1935. Isso pareceu confirmar-se pelo fato de que quase todos os que foram batizados depois de 1935 professavam ter esperança terrestre. Achava-se que toda chamada celestial depois desse ano seria para substituir algum cristão ungido que se tornara infiel... Por outro lado, com o passar dos anos, alguns cristãos que se batizaram depois de 1935 receberam do espírito santo o testemunho de que têm a esperança celestial. (Romanos 8:16, 17)  Sendo assim, parece que não podemos especificar uma data para o fim da chamada de cristãos para a esperança celestial.”

O que está obvio nessa mudança é que estavam prevendo mais uma gafe, uma falsa profecia há muito propagada de que o restante ungido veria o fim do mundo. Depois de 2007, com tal mudança, o número restante subiu consideravelmente. Em 2006 8.758, 2007 9.105, 2008 9.986, 2009 10.857, 2010 11.202, 2011 11.824, 2012 12.604. Mais recentemente, esses restantes ungidos tornaram-se também a ‘geração’ de Mateus 24.34 que verá o fim do mundo. No entanto, não mais com um período fixo de existência. O que levanta a questão se na verdade no passado existiu ‘ungidos’! 

Parece que apenas essas vítimas, as Testemunhas de Jeová, são as que não percebem!

Até quando sucederá isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, e que só profetizam do engano do seu coração?” Jr 26.23



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Para onde vão as almas das pessoas que morreram?

"Para onde vão as almas das pessoas que morreram? Ao longo da História várias possibilidades têm sido levantadas.

Classicamente, o cristianismo  tem defendido que, após a morte, enquanto o corpo vai para a sepultura, o espírito vai para o chamado "Estado Intermediário". Esse local diz respeito a onde estão, por um lado, os que foram salvos em Cristo, no caso do céu, e por outro, os que foram condenados por seus pecados, no caso o inferno. Surgiram outras interpretações. Testemunhas de Jeová e Adventistas defendem o chamado "sono da alma", ou seja, que todas as almas, quer de ímpios quer de crentes ficam dormindo até o dia da ressurreição.

Os Católicos sustentam que as almas ficam num local de "purgação", podendo entrar no céu, depois que tiverem feito satisfação por seus pecados. E os Espíritas dizem que é possível até mesmo se comunicar com as almas dos mortos.

O "sono" da alma é defendido por muitos por causa de expressões usadas no Novo Testamento, como por exemplo, o fato de Jesus ter dito que Lázaro dormia, significando que estava morto (Jo 11.11,14; Ver Mt 9.24; At 7.60; 1Co 15.51; 1Ts 4.13-14). Apela-se também para aqueles textos do Antigo Testamento que descrevem a morte como um estado de inatividade (Ver Sl 6.5; 115.17; 146.4; Dn 12.2). Porém, esses textos descrevem o morto apenas do ponto de vista humano. Além do mais, o que está sendo enfatizado nestes textos é o destino do corpo das pessoas e não da alma.

Há suficiente ensino na Escritura, especialmente por causa do Novo Testamento, para que entendamos para onde a alma vai depois da morte. Jesus contou uma parábola (as parábolas são compostas de elementos reais) em que há explicações suficientes sobre o lugar das almas depois da morte (Lc 16.19-31). Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico para o inferno. Eles permaneceram num estado consciente, um está no lugar de punição e o outro no lugar de recompensa, e não há possibilidade de saírem de onde estão. Essa parábola elimina tanto a questão do sono da alma quanto do purgatório. Depois da morte as almas dos salvos vão para o paraíso, enquanto que as almas dos perdidos vão para o inferno. Só existem esses dois lugares e quem foi para um deles não pode mais sair. O Espiritismo também leva um golpe decisivo, pois os mortos não são autorizados a voltarem. E finalmente, Jesus deixa bem claro que o anúncio da salvação somente é possível através da Bíblia (Lc 16.31).

Há muitos outros textos que demonstram o estado consciente dos crentes após a morte. Jesus disse ao ladrão que se converteu na cruz: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43). Embora os Testemunhas de Jeová tenham até mesmo mudado a tradução desta frase (para: em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso), todo o sentido da frase de Jesus depende do "hoje", pois o ladrão pediu que Jesus lembrasse dele no futuro, e Jesus disse que não seria preciso esperar. Outro texto claro, nesse sentido, é o da cena da transfiguração, em que Moisés e Elias foram vistos conversando com Jesus (Mt 17.1-8). Eles não estavam dormindo. Paulo também dizia que o cristão, após a morte estaria imediatamente na presença do Senhor (Fp 1.21-23). Ele disse que ao deixar o corpo, o crente passa a habitar com o Senhor (2Co 5.6-8). E ele sabia do que estava falando, pois esteve pessoalmente no paraíso (2Co 12.4). Há mais dois textos da Escritura que demonstram claramente que as almas dos salvos estão no céu e num estado de consciência diante de Deus. Em Apocalipse 6.9-11, e Apocalipse 7.14-15, João viu as almas dos crentes mortos no céu. Elas estão lá conscientes, descansando e esperando o último dia. Não faz sentido pensar que estivessem dormindo na sepultura.

As almas dos que já morreram estão no céu ou no inferno, e estão lá conscientes. Um dado interessante quanto a isso, é que elas estão nesses dois lugares temporariamente. O estado em que estão as almas depois da morte, seja o céu ou o inferno, é chamado de intermediário porque não corresponde ao local definitivo onde, tanto os salvos quanto os condenados, habitarão eternamente. As almas dos salvos no céu e as almas dos condenados no inferno aguardam pelo último dia, o dia da ressurreição. Naquele dia, de acordo com a Bíblia, todos ressuscitarão (Dn 12.2; Ver 1Co 15.52; 1Ts 4.16). Após a ressurreição os perdidos que estavam no inferno irão para o lago de fogo (Ap 20.15), e os salvos que estavam no céu para o novo céu e a nova terra (Ap 21.1). O motivo é simples: Deus não criou o ser humano para viver sem corpo. Atualmente, tanto no céu como no inferno, as almas estão despidas de seus corpos, o futuro lhes assegura que um dia se reunirão a seus corpos.

Para o crente, a doutrina bíblica do Estado Intermediário é uma grande benção. Ela nos assegura que o crente não precisará ficar dormindo, esperando pelo consolo. Ele não precisará esperar o dia em que o Senhor voltar no seu reino para desfrutar das recompensas, pois já estará naquele mesmo dia no paraíso com o Senhor. Para o perdido, por outro lado, a doutrina do Estado Intermediário é a certeza de que seus pecados não passarão impunes. É a certeza de que a justiça pode parecer demorada, mas não falhará. As pessoas que não querem compromisso com Deus imaginam que o túmulo seja o fim de tudo, mas terão uma surpresa terrível quando perceberem que estavam enganadas. A doutrina do Estado Intermediário demonstra que a salvação é possível apenas nessa vida. Isso demonstra a importância central do evangelho, a necessidade de conhecê-lo plenamente e proclamá-lo urgentemente."

Por Rev. Leandro Lima
- Sobre o autor: Rev. Leandro Antônio de Lima é pastor da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP, e membro do conselho editorial do Jornal Brasil Presbiteriano.

domingo, 15 de setembro de 2013

'Jeová' - é mesmo o nome de Deus?


     Conforme já explicamos, o alfabeto hebraico não dispunha de símbolos vocálicos. Porém, por volta do 4o. século DC, um grupo de peritos judeus chamados massoretas, acrescentaram - não letras - mas pontos vocálicos aos caracteres hebraicos, de modo a padronizar a pronúncia. Para facilitar o entendimento do leitor, faremos uma analogia com a frase 'ontem fez sol'. Se lermos a sentença sem as vogais, temos:
ntm  fz  sl
     Repare o leitor que a expressão, grafada dessa maneira, lança incerteza quanto à correta pronúncia das palavras. O termo 'sl', por exemplo, dá margem a múltiplas interpretações - alguém poderia tomá-lo como significando 'sal', 'sol' ou 'sul'. A menos que a pessoa estivesse previamente familiarizada com o contexto ou com a pronúncia original, não teria como reconstituir a sentença com precisão. Por outro lado, se tivéssemos de deduzir aleatoriamente que vogais estariam faltando em sentenças como a acima, nossa tentativa de reconstrução do texto original - com grande probabilidade - resultaria em uma deturpação de seu sentido. A mesma dificuldade haveria com relação à pronúncia do nome divino para as pessoas que não pertencessem à comunidade judaica dos tempos pré-cristãos. Esta condição permaneceu durante séculos - enquanto cópias do Antigo Testamento eram feitas - e estendeu-se até a primitiva era cristã. Ilustrando agora o que os massoretas fizeram nos séculos seguintes, apliquemos, na nossa frase de exemplo, as vogais na forma de 'pontos':
ontem  fez  sol
     Agora a pronúncia está clara. Todavia, a analogia que propusemos é limitada, visto que informamos de antemão ao leitor qual era a expressão original. Bem diferente era a situação dos massoretas do 4o. século - no caso deles, somos levados a perguntar: tendo eles introduzido seus sinais vocálicos em uma época em que a pronúncia do nomejá era obscuracomo escolheram os pontos vocálicos? Se eles próprios não conheciam o som original - e, mesmo que o conhecessem, teriam escrúpulos quanto a representá-lo graficamente -, quais vogais introduziriam, afinal? A obra Theological Wordbook of the Old Testament [Dicionário Teológico do Velho Testamento], 1980, Vol. 1, p. 13, elucida o mistério:
"Para evitar o risco de tomar o nome de Deus... em vão, judeus devotos começaram a substituir o nome próprio pela palavra ['adonay']. Embora os massoretas deixassem as quatro consoantes originais no texto, acrescentaram as vogais 'e'...  e  'a' para lembrar o leitor de pronunciar 'adonay', sem considerar as consoantes." (negrito acrescentado)
     Vemos, assim, que os massoretas tinham de tomar uma decisão: reproduzir o tetragrama hebraico em forma pura ou simplesmente transcrever, em seu lugar, o vocábulo adonay (kyrios em grego) - consagrado há séculos e bem conhecido do público ao qual o texto se destinava. Na primeira hipótese, teriam um sentimento de fidelidade ao texto hebraico primitivo, porém a inteligibilidade da cópia  sofreria; na segunda hipótese, priorizava-se a compreensão da palavra, aceitando-se como preço o desvio do texto original. Os massoretas preferiram adotar, para este impasse, uma solução intermediária, a saber, a criação de uma palavra híbrida - resultado da intercalação das consoantes de um nome, cuja pronúncia havia se perdido séculos antes, com as vogais de um substitutivo amplamente consagrado pela tradição judaica. As consoantes eram oriundas do tetragrama hebraico e os sinais vocálicos, da expressão ED - ON - A(correspondente a adonay ou 'Senhor') e Elohim ('Deus'), as quais,diferentemente do nome divino, foram traduzidas para o grego. O resultado final foi: 
                                         
      
     Como o leitor daqueles tempos lia a palavra acima? Segundo a obra há pouco mencionada, ao deparar-se com a expressão criada pelos massoretas, ele pronunciava, em sua língua, 'Senhor', já que a pronúncia literal não faria sentido algum. Em outros palavras, estamos diante de um circunlóquio, ou seja, uma expressão pronunciável que substitui uma outra impronunciável. É importante que guardemos este conceito, pois voltaremos a tratar dele mais adiante.
     O livro ajuda ao Entendimento da Bíblia - publicado pelas Testemunhas de Jeová -, pp. 884,885 (em inglês), diz:
"Por combinar os sinais vocálicos de 'Adonay' e 'Elohim' com as quatro consoantes do tetragrama, as pronúncias 'Yehowah' e 'Yehowih' foram formadas. A primeira destas proveu a base para a forma latinizada 'Jeova(h)'. O primeiro registro de uso dessa forma data do século 13 DC. Raimundus Martini, um monge espanhol da Ordem Dominicana, a usou..." (negrito acrescentado)
     Perceba o leitor que o primeiro uso do nome hoje adotado pelas Testemunhas de Jeová não começou com a igreja cristã primitiva. Formou-se mais de um milênio após o surgimento dela, por intermédio de um monge católico. Como trata-se de uma palavra híbrida - a aglutinação das consoantes 'Y-H-V-H' (oriundas do tetragrama) com as vogais 'e-o-a' (retiradas do termo 'Senhor' em hebraico) -, concluímos que apenas a porção consonantal da tradução do nome original poderia estar sendo pronunciada hoje pelas Testemunhas de Jeová, pois a  porção vocálica pertence a um substitutivo. Querendo ou não, isto significa que, pelo menos em parte, aquele substitutivo - 'Senhor' - ainda é usado por elas. Em outras palavras, o vocábulo 'Jeová', em si mesmo, é um circunlóquio, oriundo da combinação de duas palavras de sentidos e pronúncias diferentes. Equivaleria a combinar as consoantes do nome 'B-a-a-l' (deidade dos antigos caldeus) com as vogais da palavra 'S-e-n-h-o-r'. O resultado seria 'Belo', uma palavra com pronúncia e sentido totalmente distintos das anteriores. Com efeito, a intenção dos massoretas do 4o. século não era a de remeter o leitor à pronúncia original - até porque isso seria impossível àquela altura -, mas tão-somente o de induzi-lo a pronunciar "Senhor" diante do tetragrama, como já era o costume secular. A preservação das consoantes hebraicas visava, basicamente, a manter a fidelidade ao Antigo Testamento. Diante do exposto, não podemos concluir senão que os editores da TNM insistem hoje - em nome da reverência a Deus - no uso do amálgama YHVH/adonay, um código cuja pronúncia literal não fazia qualquer sentido para os judeus do 1o. século, tendo sido introduzida por um monge da Ordem Dominicana, no século 13. 
     Em confirmação a esta conclusão, vejamos como algumas respeitadas obras seculares definem o nome 'Jeová':
  • "Leitura falsa do hebraico, Jahweh." - Dicionário Colegial Webster
  • "Forma errônea do nome do Deus de Israel" - Enciclopédia Americana
  • "A pronúncia Jehovah é um erro resultante entre cristãos por combinar as consoantes de IHVH com as vogais de Adonay." - Enciclopédia Britânica
  • "Palavra mal pronunciada do hebreu IHVH, nome de Deus. Esta forma é gramaticalmente impossível. A forma Jehovah é uma impossibilidade filológica." - Enciclopédia Judaica
  • "Erro de pronúncia do tetragrama, ou palavra de quatro letras do nome de Deus...  a palavra Jehovah, portanto, é erroneamente lida; para esta não há garantia e não faz sentido em hebraico." - A Enciclopédia Judaica Universal
  • "É uma forma artificial" - Dicionário dos Intérpretes da Bíblia
  • "Jeová, nome do Deus do povo hebreu, conforme erroneamente transliterado do texto massorético hebraico... Os tradutores do hebraico, não percebendo o que os escribas tinham feito, leram a palavra do modo como foi escrita, considerando os sinais vocálicos como intrínsecos ao nome de seu Deus, ao invés de um mero lembrete para não pronunciá-lo." - Enciclopédia Encarta (1999)
     Existem, até hoje, controvérsias quanto à correta pronúncia de , havendo algumas alternativas como Javé, Iavé etc., todas elas gramaticalmente possíveis. Todavia, a forma correta - qualquer que seja ela - não pode seraquela eleita pela Sociedade Torre de Vigia, já que, como vimos, tal termo provém de um erro grosseiro de leitura, o qual tornou-se tradicional. Segundo alguns peritos em línguas mortas, há evidências fortes em favor da formaIahweh - amplamente utilizada, por exemplo, na Bíblia de Jerusalém (1973). No entanto, a Sociedade Torre de Vigia justifica a adoção da forma 'Jeová' por ser ela "há muito aceita" (TNM, p. 6). De fato, no apêndice 1A da TNM, a comissão tradutora reconhece que sua tradução "continua a usar a forma Jeová, por causa da familiaridade das pessoas com ela já por séculos" (p. 1501). Dito de outra forma, o emprego da palavra, bem como sua introdução naTNM, foram alicerçados na 'tradição' - uma prática já qualificada pela Sociedade como uma das 'contaminações' que 'infestam' outras traduções da Bíblia. Deveras, as tradições têm muita força. Para ilustrar, seria bem pouco provável, após todos estes anos, que o movimento religioso "Testemunhas de Jeová" subitamente alterasse seu nome para "Testemunhas de Iavé", caso estudos mais recentes apontassem com boa margem de confiança para esta forma, ao invés daquela preferida e consagrada entre seus membros desde os anos 30. A tradição continua a ter um relevante papel na cultura cristã atual, assim como tinha para os cristãos do primeiro século. 
     Confrontados com estes fatos, os editores da TNM enfatizam o aspecto da intenção, colocando a questão técnica da pronúncia em um plano secundário ("O Nome Divino que Durará para Sempre", 1984, p.7). Neste caso, vêm à tona algumas indagações: não é o uso do tetragrama pelos cristãos na atualidade, em si mesmo, uma questão técnica? Por outro lado, manifesta aquele que usa a forma 'Jeová' sentimentos melhores ou mais nobresdo que aquele que usa as formas 'El-Shadday', 'Senhor' ou simplesmente 'Deus'? Não têm ambos a mesmaintenção? Não têm em mente o mesmo ser, ou seja, o Deus Todo-Poderoso? Um segundo argumento de que a Sociedade Torre de Vigia lança mão é o de que 'Senhor' e 'Deus' não passam de títulos - há muitos 'senhores' ou deuses' (livro "Ajuda ao Entendimento da Bíblia" , p. 847). Todavia, esta é uma sutileza idiomática, pois, segundo o perito alemão Gesenius, na língua hebraica, a palavra 'adonay' - vertida em português como 'Senhor' - é aplicada exclusivamente a Deus. Em outras palavras, os judeus haviam criado uma forma alternativa, porém não comum, para o tetragrama. Ainda hoje, eles manifestam enorme reverência para com ela, reservando-a para ocasiões especiais - no cotidiano, preferem referir-se a Deus pela expressão "O Nome" ("ha'Shem"). Os termos para 'senhor' no sentido comum são adhoni ou adhon. Na própria Bíblia há exemplos do uso destes termos em sentido geral (o relato em I Samuel 1: 15, 26 é um deles), contrastando nitidamente com as passagens dirigidas a Deus. Eis aí a chave do problema - três palavras diferentes, mas uma só tradução. Para contornar o obstáculo lingüístico, muitos tradutores vertem o nome em versalete - 'SENHOR' -, indicando um termo específico na língua original. Quanto à forma hebraica plural 'Elohim', traduzida 'Deus' (embora, ao pé da letra, signifique 'deuses'), há um problema semelhante, pois ela não ocorre em qualquer outra língua semítica, nem mesmo no aramaico. Ademais, no primeiro capítulo de Gênesis, Deus é identificado apenas por este termo. Embora 'Elohim' raramente seja aplicado a deidades pagãs no Antigo Testamento, a forma como isso é feito difere significativamente - o vocábulo é seguido de verbo no plural, ao passo que, quando aplicado a Deus, o verbo ocorre no singular. Trata-se, pois, de uma construção bem peculiar, imperceptível em outras línguas. Diante destes aspectos, não é de estranhar que os tradutores modernos não se sentissem perturbados pelo uso dos termos correspondentes, 'Senhor' e 'Deus' - ambos consagrados pelos primitivos cristãos. No entanto, a comissão tradutora da TNM condena, de forma veemente, esta prática:
"A maior indignidade que tradutores modernos causam a Autor divino das Escrituras Sagradas é a ocultação desse seu peculiar nome pessoal... Por usarmos o nome 'Jeová', apegamo-nos de perto aos textos da língua original e não seguimos a prática de substituir o nome divino... por títulos tais como 'Senhor', 'o Senhor', 'Adonai' ou 'Deus'. (TNM, p. 1501)
     São razoáveis as palavras acima? Foram os tradutores realmente 'indignos' ao traduzirem o nome divino por 'Deus' ou 'Senhor'?  'Apegou-se', de fato, aos textos da língua original a comissão tradutora da TNM por traduzir uma forma híbrida do tetragrama para uma forma popularmente aceita em uma língua gentia? Agiu ela de modo mais louvável do que os antigos copistas das Escrituras Sagradas, bem como outras comissões tradutoras de inúmeras versões da Bíblia? Um exame minucioso das evidências arqueológicas poderá lançar uma luz sobre o assunto.
     Antes de prosseguirmos, é importante enfatizarmos nosso objetivo: aferir o uso ou não do tetragrama pelos escritores do Novo Testamento. Onde procuraremos a resposta? Em nossas preferências teológicas? Em nossas convicções pessoais? Em nossa própria interpretação da Bíblia? Não, mas no inteiro conjunto de evidências arqueológicas de que dispomos. Cremos que, se o tetragrama estava presente no texto cristão, não é correto retirá-lo, mas, se não estavanão é correto inseri-lo."

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Rev. Cleverson Gilvan: A Doutrina da Reconciliação - Parte 2

4. O AUTOR DA RECONCILIAÇÃO – DEUS, O PAI

Ao discutirmos a autoria da reconciliação devemos voltar os nossos olhos
especialmente para 2ª Coríntios 5.18-21. Lá, o apóstolo Paulo dá uma clara informação sobre o assunto em questão. Logo no início do verso 18 ele diz que “Tudo provém de Deus”, esta expressão, por si só, sugere que Deus é a fonte última da nova vida, o que é observado mais especificamente quando analisamos esta expressão em conexão com a mensagem do verso 17, que fala dos salvos como novas criaturas. Contudo, a identidade do Agente da reconciliação torna-se mais clara na sequência do verso 18, onde ele diz que “Deus ... nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo”. Ora, é clara e lógica a referência à primeira pessoa da Trindade, pois, ao destacar a Segunda Pessoa – Cristo, fica evidente que o termo Deus não poderia se referir a outro senão ao Pai.
A mesma idéia é reforçada no verso 19 quando ele diz que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Uma clara declaração da autoria da reconciliação. Ela, portanto, não é uma iniciativa do Filho, nem tampouco, do homem, mas do Pai e somente do Pai. Veja que Paulo diz que Deus é que estava reconciliando consigo o mundo.
Em todas as ocorrências do verbo reconciliar no Novo Testamento Deus é sempre o sujeito.

5. O AGENTE DA RECONCILIAÇÃO – CRISTO

Um segundo conceito importante diz respeito ao agente da reconciliação. A Confissão de Fé de Westminster diz:
O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.[17]
O texto da confissão deixa a sugestão de que há uma participação do Filho na obra de reconciliação. Esta participação está apresentada no texto de Paulo em 2ª Coríntios 5.18-19. Lá, Paulo diz que Deus nos reconciliou consigo por meio de Cristo. Isto é, pela instrumentalidade de Jesus.
Stott diz:
(...) se Deus é o autor, Cristo é o agente da reconciliação. Os versículos 18 e 19 do capítulo 5 de 2 Coríntios tornam essa verdade clara como o cristal. "Deus. . . nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo" e "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo". Ambas as afirmativas nos dizem que Deus tomou a iniciativa da reconciliação, e que ele o fez em Cristo e por meio dele.[18]
A mesma idéia é fortalecida na argumentação de Calvino, nas suas institutas quando ele diz:
Ora, se bem que nesta ruinosa situação do gênero humano já ninguém sentirá a Deus, seja como Pai, seja como autor da salvação, seja como de qualquer maneira propício, até que Cristo se interponha como agente mediador para apaziguá-lo em relação a nós, todavia uma coisa é sentirmos que Deus, como nosso Criador, nos sustenta com seu poder, nos governa em sua providência, nos provê em sua bondade e nos cumula de toda sorte de bênçãos; outra, porém, é abraçarmos a graça da reconciliação que nos é proposta em Cristo.[19] (grifo meu)
Deste modo, fica claro que há uma participação de Cristo no ministério da reconciliação.

6. OS EMBAIXADORES E O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO – OS SALVOS

2 Coríntios 5:19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra (logon) da reconciliação.
As Escrituras afirmam que aos filhos de Deus foi confiado o anúncio da reconciliação. Aqui devemos lembrar que embora a obra da reconciliação tenha sido consumada na cruz é necessário que os pecadores sejam convidados ao arrependimento.[20] Neste aspecto devemos lembrar que a pregação fiel do evangelho é um convite à reconciliação do homem com Deus.
Em 2ª Co. 5.18 o apóstolo Paulo diz que recebemos o ministério da reconciliação. Aqui devemos lembrar que a palavra usada para se referir a ministério é diakonian, que pode ser traduzida como ministério, ministração ou serviço, podendo referir-se aqueles que pelo mandato de Deus proclamam e promovem a religião entre os homens[21].
Segundo Calvino, a graça da reconciliação é aplicada em nós pelo ministério do evangelho e isto, de tal modo, que podemos compartilhá-lo.[22] Mais adiante, no mesmo comentário, falando sobre o ministério da reconciliação ele escreve:
Esta é uma das descrições mais notáveis do evangelho como uma mensagem entregue através de um embaixador com o fim de reconciliar os homens com Deus. É uma dignidade singular de ministros do evangelho sermos enviados por Deus com um mandato como mensageiros e, por assim dizer, com a garantia de sua boa vontade para conosco. (…) Aos ministros é dada a autoridade para nos declararem estas boas novas e fazer aumentar nossa segurança no amor paternal de Deus para conosco. É verdade que qualquer outra pessoa pode ser-nos testemunha da graça de Deus, mas Paulo ensina que este dever é imposto especialmente aos ministros.[23]
Assim, podemos dizer que o ministério da reconciliação é a declaração, divinamente autorizada, da obra de Cristo em favor do pecador.
Quando anunciamos o evangelho anunciamos o ministério da reconciliação. E, considerando que todos os crentes são comissionados por Deus para anunciar as virtudes de Jesus, vale reiterar o fato de que todos somos ministros da reconciliação. Veja o que diz Pedro: 1 Pedro 2:9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;.


 Autor: Rev. Cleverson Gilvan

[17] A Confissão de Fé de Westminster - http://www.teologia.org.br/estudos/confissao_westminster.pdf acessado em 15 de agosto de 2009
[18] STOTT, John R. W. A cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 1996. p. 87
[19] CALVINO, João. Institución de la Religión Cristiana. 3 ed. Paises Bajos: Fundación Editorial de Literatura Reformada, 1986. v.1 pág. 5
[20] STOTT, John R. W. A cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 1996. p. 88
[21] BÍBLIA ONLINE 2.0. Sociedade Bíblica do Brasil – Software – Strong – verbete diakonian.
[22] CALVINO, João. 2 Coríntios. Tradução de Valter Graciano Martins. 1. ed. São Paulo: Edições Paracletos, 1995. p. 120
[23] Idem, p.120

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Oração para aceitar a Profetisa Adventista

O Adventismo, uma seita cristã que insiste em ser reconhecida pelos protestantes* como Igreja Cristã, inclui o nome de uma fundadora da denominação  em seu sistema de Crenças. 
Nesse vídeo, um pastor adventista, que hoje é apresentador da TV NOVO TEMPO, após mostrar a vida de Ellen White, mostra como orar para reconhecer a profetisa da 'Igreja Remanescente'. 



*[para fazer seu proselitismo, visto que considera os protestantes  como 'filhos de Babilônia']

sábado, 7 de setembro de 2013

A condição dos ímpios entre a morte e a ressurreição

"O Novo Testamento diz bem pouco acerca da condição dos ímpios entre a morte e a ressurreição, uma vez que sua preocupação principal é com o futuro do povo de Deus. Conforme vimos, a parábola do homem rico e Lázaro retrata o homem rico sofrendo tormentos no Hades após a morte. Talvez, a passagem mais clara do Novo Testamento, que trata da condição do ímpio morto durante o estado intermediário, seja a de 2 Pedro 2.9: “O Senhor sabe como livrar os homens justos de provações e como reservar os injustos para o dia do juízo, enquanto continua sua punição” (NIV). Pedro vem expondo a severidade do julgamento divino sobre os anjos que pecaram, sobre o mundo antigo e sobre Sodoma e Gomorra. De acordo com o verso 4, Deus lança os anjos que pecaram no inferno (no grego, Tartarys), para serem guardados até o julgamento. No verso 9, Pedro está falando acerca dos homens injustos. A estes, diz ele, Deus sabe como guardar ou manter sob punição até o Dia do Juízo - literalmente, enquanto são punidos. A palavra grega utilizada aqui, kolazomenous, é a forma de particípio passivo presente no verbo kolazo, (=punir). O tempo presente do particípio transmite a idéia de que esta punição é contínua (note a tradução da NIV, citada acima). As palavras eis hemeran kriseos (=até o Dia do Juízo), nos revelam que o que é descrito aqui não é o castigo final dos ímpios, mas uma punição que precede o dia do juízo36. Além disso, não pode ser sustentado que a punição aqui mencionada seja administrada somente nesta vida atual, uma vez que as palavras “até o dia do juízo” estendem claramente a punição até aquele dia. Esta passagem, portanto, confirma o que aprendemos na parábola do homem rico e Lázaro, e nos revela que os ímpios sofrem punição contínua (cuja natureza não nos é mais amplamente descrita aqui) entre a sua morte e o Dia do Juízo. 

Anthony Hoekema
A Bíblia e o Futuro."

Visto em: Cinco Solas