quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Aos arminianos: Deus e o mal - na doutrina Reformada

Em um mundo mal, nosso grande questionamento deveria ser como existem ainda coisas boas. Descobriríamos que Deus é a fonte de todo bem (Tg 1. 16-18). Porém, esse assunto não gera polêmica. Todos os defensores da depravação total não militam por essa faceta da graça de Deus, que ainda preserva a bondade em certo grau na humanidade.

No meio do debate da existência do mal, ainda existe o histerismo de vários arminianos em acusar a doutrina reformada de fazer Deus autor do pecado, em um mesmo impacto que ateus acusam a Bíblia e o Deus cristão, arminianos tem levantado argumentos dos mais variados possíveis, até mesmo em um bojo que me lembra o teísmo aberto. É bom ser dito que muitos argumentos arminianos usados hoje, não seriam vistos em hipótese alguma em Jacó Armínio, como atesta a imagem (existem outras), postada pelo querido irmão Clóvis do excelente Blog Cinco Solas, em sua página no facebook.



Mas afinal, o que os reformados ‘dizem e querem dizer’, quando afirmam que Deus decretou tudo que acontece? Vamos primeiro nos concentrar no que os reformados dizem. Lembrando, que qualquer posição reformada deve ser atesta em documentos confessionais adotados por tais igrejas, e no máximo, autores representativos desse sistema. No nosso caso, invocaremos os Símbolos de Fé de Westminster, documentos oficiais da Igreja Presbiteriana do Brasil desde sua formação - como trabalho missionário, a presbitérios e sínodos organizados, e por fim em sua Constituição (Eu Creio – no Pai, no Filho e no Espírito Santo, pp.58-70).

Art. 1º. A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de igreja locais, que adota como única de fé e prática as Escrituras agradas do Velho e do Novo Testamentos e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve [...]” (Manual Presbiteriano - Constituição da Igreja).

1.      O QUE OS PADRÕES DE FÉ PRESBITERIANOS DIZEM?

“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade.” (Ef 1.11)

“Desde toda a eternidade, Deus, pelo mui sábio conselho de sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo o que acontece [...]” (CFW, cap. III, 1). 

Na concepção bíblica, Deus tem o domínio de tudo, mesmo depois da Queda, onde a humanidade entrou em colapso espiritual e geme (Rm 8.19-21). Nada lhe escapa de seu governo. Desde um nascimento de uma erva, o cair de um pássaro, até guerras das nações, bem como a regência dos astros, sem mencionar o domínio que ele tem dos anjos e dos demônios, isso é chamado de Providencia. A doutrina do decreto tem sua extensão na doutrina da providencia. Isso é evidente, nenhum leitor da doutrina do decreto deve fazer uma separação das ações divinas de sua decisão de fazê-la. A distinção não é separação [Wayne Grudem inclui em sua sistemática, a doutrina do decreto no capítulo da providencia. Veja o capítulo 16].

As ações de suas criaturas inteligentes recebem maior destaque e atenção nas Escrituras. O pecado do diabo, de Adão e Eva, até mesmo a morte de Cristo, foram desde toda eternidade, predeterminados que assim seriam. O holocausto, as ações do Estado Islã, crueldades animalescas, foram todos, ordenados por Deus, em um plano eterno, que incluem uma variedade e múltiplas formas de dispensações, nos atos livres das criaturas racionais, pensamentos, planejamentos humanos e diabólicos, por Deus ativadas, ou não, pressuposta, permitida, limitada, regida, ou dinamizada, tendo sua ação direta, ou não, nessas atitudes, mas tendo domínio sobre todas elas.

“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação [...]” (CFW, cap 5).

A Confissão de Fé ainda explica, como um alerta, a concepção de previsão:

“II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.”

A fé reformada não nega que todas as coisas são previstas por Deus, o que ela está negando aqui é o conceito de que Deus seria um expectador passivo dos fatos e dos atos, como que um observador de um filme, da qual ele não teria domínio, ou influencia. Também, está claro aqui, que para fé reformada, nada do que acontece, acontece como uma reação de Deus a fatos inesperados ou apenas previstos, antes, que seu domínio sobre qualquer possibilidade, permitisse, ou não, tudo e qualquer coisa que acontece, segundo o proposito de Sua vontade. Ele não está submisso a elas, nem está em uma batalha “dualista” com as forças do mal.

2.      DEUS É AUTOR DO PECADO?

Vários arminianos tem acusado a Fé Reformada de fazer Deus autor do pecado, e por fim, de toda crueldade humana. Essa é uma das maiores injustiças ditas por arminianos, e se os que dizem isso levam a sério a vida cristã, deveriam parar de falar isso. De fato, é verdade que alguns calvinistas tem chegado a esse ponto. Mas infelizmente, assim como o arminianismo tem sido mal representado por alguns arminianos, de igual forma, o calvinismo possuem sua safra de calvinistas ao seu próprio modo.

O pior desses talvez seja Vincent Cheung que insuflou ódio e zombaria em calvinistas da minha geração. Esse suposto autor calvinista, afirma que Deus é autor do pecado, e faz um grande balaio de gato filosófico para justificar isso. No livro Autor do Pecado, ele chega zombar do reformados que negam que Deus é autor do pecado:

“Quando cristãos reformados são questionados sobre se Deus é o “autor do pecado”, eles são muitos rápidos em dizer, “Não, Deus não é autor do pecado”, e então eles se torcem, se viram e se contorcem no chão, tentando dar ao homem algum poder de “auto-determinação”, algum tipo de liberdade que torne o homem culpado, e, todavia, ainda deixar Deus com a soberania total.” (p. 4, versão em PDF).

Mas o que a fé reformada de fato diz sobre isso? Considerando que os Símbolos de Westminster, representa o pensamento teológico da fé presbiteriana, pode dizer categoricamente que qualquer que diz ser presbiteriano e faz uma afirmação, no sentido de Deus ser autor do pecado, automaticamente, virtualmente, ele não pode ser presbiteriano – confessional. Perceba o que é confessado pela crença presbiteriana:

“I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas. Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.”

“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17.”

Sobre isso Louis Berkhof diz:

“outras coisas que Deus inclui no Seu decreto e pelo qual tonou certas, mas que não decidiu efetuar pessoalmente, como os atos pecaminosos das Suas criaturas racionais. O decreto, no que se refere a estes atos, é geralmente denominado decreto permissivo. Este nome não implica que o futuro destes atos não é certo para Deus, mas simplesmente que Ele permite que aconteçam pela livre ação das Suas criaturas racionais. Deus não assume a responsabilidade por estes atos, sejam quais forem.” (Teologia Sistemática, p. 97).

O mesmo autor explica que nesse caso Deus determina ‘não impedir a autodeterminação pecaminosa finita e regula o resultado dessa autodeterminação pecaminosa’ (p. 99).

A. A. Hodge afirma: “Deve lembrar-se, contudo, que o propósito de Deus com respeito aos atos pecaminosos dos homens e anjos répobros, em nenhum aspecto causa o mal nem o aprova, mas apenas permite que o agente mau o realize, e então o administra para seus próprios sapientíssimos e santíssimos fins.” (A Confissão de Fé comentada, p. 98).

O pecado nasceu do livre-arbítrio do diabo, de Adão e Eva. Embora Deus o tenha definido, foram os tais agentes livres, sem influencias naturais internas, em seu exercício racional, decidiram desobedecer a Deus, e Este, impultou neles a maldição e corrupção, prometida em Sua sentença.

Sobre isso, a CFW diz:

 “I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória. Gen. 3:13; II Cor. 11:3; Rom. 11:32 e 5:20-21.” (Cap. 6).

“CAPÍTULO IX - DO LIVRE ARBITRIO:  I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder. Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6. III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.”

Como ficou o mundo desde então?

“28. Quais são as punições do pecado neste mundo? As punições do pecado neste mundo são: ou interiores, como cegueira do entendimento, sentimentos depravados, fortes ilusões, dureza de coração, remorso na consciência e afetos baixos; ou exteriores como a maldição de Deus sobre as criaturas por nossa causa e todos os outros males que caem sobre nós em nossos corpos, nossos bens, relações e empregos - juntamente com a morte. Ef. 4:18; Rom, 1:28; 11 Tess. 2:11; Rom. 2:5; Isa. 33:14; Rom. 1:26; Gen. 3:17; Deut. 28:15; Rom. 6:21, 23.” (Catecismo Maior de Westminster).

3.      HÁ BASE BÍBLICA DO DOMÍNIO SOBERANO DE DEUS SOBRE OS ATOS MAUS?

O que vimos até agora são afirmações teológicas e confessionais, mas será que a Bíblia revela esse domínio de Deus sobre os agentes maus? Vejamos:

E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele. Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. Gênesis 15:12-15

Deus apenas adivinhou isso? Vejamos: Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. Gênesis 45:7-8

O Rei não deixaria Israel ir. “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, nem ainda por uma mão forte.” Êxodo 3:19

É dito, porém que tal endurecimento veio do SENHOR e também alguns textos indicam que Faraó também foi agente nisso: E disse o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, atenta que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.Êxodo 4:21 Mas Faraó disse: Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel. Êxodo 5:2 Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó, e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Êxodo 7:3 Vendo, pois, Faraó que havia descanso,endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito. Êxodo 8:15 E Faraó enviou a ver, e eis que do gado de Israel não morrera nenhum; porém o coração de Faraó se agravou, e não deixou ir o povo. Êxodo 9:7 Depois disse o SENHOR a Moisés: Vai a Faraó, porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes meus sinais no meio deles, Êxodo 10:1 O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.Êxodo 10:20 E Moisés e Arão fizeram todas estas maravilhas diante de Faraó;mas o Senhor endureceu o coração de Faraó, que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra. Êxodo 11:10 E eu endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, e saberão os egípcios que eu sou o Senhor. E eles fizeram assim. Êxodo 14:4 Porque o Senhor endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse aos filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram com alta mão. Êxodo 14:8

Endureceu o coração dos egípciosE eis que endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles; e eu serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros, Êxodo 14:17

Deus entrega nas mãos para ser morto: Porém se lhe não armou cilada, mas Deus lho entregou nas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde fugirá. Êxodo 21:13

Ele pode destruir uma nação inteira por causa de alguns, como também pode não fazê-lo: Apartai-vos do meio desta congregação, e os consumirei num momento. Mas eles se prostraram sobre os seus rostos, e disseram: Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, pecará um só homem, e indignar-te-ás tu contra toda esta ongregação? Números 16:21-22

Ele é que capacita para obedecê-lo: Porém não vos tem dado o Senhor um coraçãopara entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje.Deuteronômio 29:4 Por que, ó Senhor, nos fazes errar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que não te temamos? Volta, por amor dos teus servos, às tribos da tua herança. Isaías 63:17 Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subirdas vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR. Ezequiel 37:12-14

Bem como exige que Lhe obedeçam: Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemosSalmos 119:4 Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Convertei-vos, e tornai-vos dos vossos ídolos; e desviai-vos vossos rostos de todas as vossas abominações; Ezequiel 14:6

Quando deixa-nos em nossas escolhas, também está nos julgando: E disse:Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade. Deuteronômio 32:20 Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos.Salmos 81:12

Ele faz o que tudo o que acontece, tudo o que acontece só acontece por que a Sua boa vontade foi feita: Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão. Deuteronômio 32:39

Deus provoca situações: Porquanto do Senhor vinha o endurecimento de seus corações, para saírem à guerra contra Israel, para que fossem totalmente destruídos e não achassem piedade alguma; mas para os destruir a todos como o Senhor tinha ordenado a Moisés. Josué 11:20 Estas, pois, são as nações que o SENHOR deixou ficar, para por elas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaã. Juízes 3:1 Estes, pois, ficaram, para por eles provar a Israel, para saber se dariam ouvido aos mandamentos do Senhor, que ele tinha ordenado a seus pais, pelo ministério de Moisés. Juízes 3:4 Enviou Deus um mau espírito entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes se houveram aleivosamente contra Abimeleque; Juízes 9:23

Proibiu o casamento misto, mas colocou no coração de Sansão paixão por uma adoradora de ídolos: Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel. Juízes 14:2-4

Endureceu o coração de mais pessoas: Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria matar1 Samuel 2:25

Perdoa se quiser, mesmo com sacrifícios: Portanto, jurei à casa de Eli que nunca jamais será expiada a sua iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de alimentos. 1 Samuel 3:14

Usa seus servos e o diabo para punir, incitando desobediência: E a ira do SENHOR se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá. 2 Samuel 24:1 Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o Senhor se arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. E, vendo Davi ao anjo que feria o povo, falou ao Senhor, dizendo: Eis que eu sou o que pequei, e eu que iniquamente procedi; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai. 2 Samuel 24:16-17 Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel. 1 Crônicas 21:1 O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque esta revolta vinha do Senhor, para confirmar a palavra que o Senhor tinha falado pelo ministério de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.1 Reis 12:15 Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruirIsaías 54:16

Deus perturba nações, encerra inicia e encerra guerras, estabelece seus governantes:Porque nação contra nação e cidade contra cidade se despedaçavam; porque Deus os perturbara com toda a angústia2 Crônicas 15:6 Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?Amós 3:6 Vinde, contemplai as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. Salmos 46:8-10Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele. Daniel 4:17Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou.Daniel 5:26Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.
Romanos 13:1

Envia espírito do erro, do engano: E disse o Senhor: Quem persuadirá a Acabe rei de Israel, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? Um dizia desta maneira, e outro de outra. Então saiu um espírito e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o persuadirei. E o Senhor lhe disse: Com quê?E ele disse: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E disse o Senhor: Tu o persuadirás, e ainda prevalecerás; sai, e faze-o assim2 Crônicas 18:19-21E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade. 2 Tessalonicenses 2:11-12

Endurece para julgar: Porém Amazias não lhe deu ouvidos, porque isto vinha de Deus, para entregá-los na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos edomitas. 2 Crônicas 25:20 O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal. Provérbios 16:4

O diabo age até onde Deus quer: E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. Jó 1:12E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida. Jó 2:6

Os demônios estão sujeitos a Deus, para os fins que Ele deseja: 
E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. 2 Coríntios 12:7

Deus é irresistível, isso nos causa espanto: Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu, e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. Jeremias 20:7Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará. Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo. Por isso me perturbo perante ele, e quando isto considero, temo-me dele. Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou. Jó 23:13-16

A vontade do SENHOR é o resultado final do que planejamos: O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.Salmos 33:11 O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passosProvérbios 16:9 A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinaçãoProvérbios 16:33 Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do Senhor permaneceráProvérbios 19:21

Deus é ARBITRÁRIO, visto que ele é a Lei, e Nele está todos os “três poderes” de qualquer governo: Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei, ele nos salvará.Isaías 33:22

Deus faz tudo o que acontece..., por isso Ele é Deus: Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas. Isaías 45:6-7

Escolhe para o ofício profético e apostólico, sem consultar o escolhido: E o anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho. Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus.Juízes 13:3-5 Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profetaJeremias 1:5 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Lucas 1:13-17Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, Gálatas 1:15

Aquilo que nos parece natural, é Ele que faz: Fazendo ele soar a sua voz, logo há rumor de águas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra; faz osrelâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o ventoJeremias 10:13

Enviou os Babilônios para destruir Jerusalém, depois cobrou deles!!!: Por que morrerias tu e o teu povo, à espada, e à fome, e de peste, como o SENHOR disse contra a nação que não servir ao rei de babilônia? Jeremias 27:13 babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações enlouqueceram. Jeremias 51:7 Porque o rei de babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará as imagens, atentará para o fígado. « sua direita estará a adivinhação sobre Jerusalém, para ordenar aos capitães, para abrirem a boca, ordenando a matança, para levantarem a voz com júbilo, para pôrem os aríetes contra as portas, para levantarem trincheiras, para edificarem baluartes. Ezequiel 21:21,22 Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. Jeremias 25:12 E pagarei a babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a maldade que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o SENHOR. Jeremias 51:24

Quando executou julgamento, colocou fim temporário à sua adoração visível: Armou o seu arco como inimigo, firmou a sua destra como adversário, e matou tudo o que era formoso à vista; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.Tornou-se o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou a todos os seus palácios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judá a lamentação e a tristeza. E arrancou o seu tabernáculo com violência, como se fosse o de uma horta; destruiu o lugar da sua congregação; o Senhor, em Sião, pôs em esquecimento a festa solene e o sábado, e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote. Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu santuário; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palácios; deram gritos na casa do Senhor, como em dia de festa solene. Lamentações 2:4-7

A situação não é pior por causa de sua misericórdia: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;Lamentações 3:22

Ele é Deus livrando ou não os seus servos, e merece nossa devoção: 
Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. Daniel 3:17-18

Animais e coisas insignificantes estão sob os cuidados de Deus, preservando-os ou eliminando-os: Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Mateus 10:29-30

Deus decide os sinais que irá converter ou julgar: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até ao céu, serás abatida até ao inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim te aprouveMateus 11:21-26

Para salvar os eleitos, abreviará os dias finais, demonstrando que a ‘perseverança’ dos santos, é luta árdua! E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias. Mateus 24:22

O bondoso Deus criou o inferno para o diabo e os demônios, mas lançará para lá os ímpios que rejeitaram a Cristo: Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Mateus 25:41

O pior pecado humano foi matar Jesus, que Deus decretou que os ímpios fizessem, e cobrará deles: Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.João 19:11A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes,  crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; Atos 2:23Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer. Atos 3:18 Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Atos 4:27-28O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Atos 5:30

Deus ordenou pregar em todas as nações e para toda criatura, mas quando quer impede isso: E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu. E, tendo passado por Mísia, desceram a Trôade. E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho. Atos 16:6-10

Deus não permitiu Agripa se converter: E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão! E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. Atos 26:28-29

Ele tem misericórdia de quem Ele quiser: Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Romanos 9:18

Determinou que só os eleitos vencerão: Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis. Apocalipse 17:14

 Um calvinista é pecador, incapaz demais para produzir um Deus tão contrário aos seus sentimentos antropocêntricos. 

Esse aí, é O Deus da Bíblia. Aquele que Jesus disse que é o único Bom!


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A PROIBIÇÃO DE ALIMENTOS IMPUROS DO ANTIGO TESTAMENTO E NOVO TESTAMENTO



INTRODUÇÃO

Ao lermos a Bíblia, especialmente na sua primeira parte, o Velho Testamento, encontramos muitas estipulações a respeito de dietas alimentares. Deus indicou uma lista de alimentos (Lv 11; Dt 14.3-20, etc) que o seu povo, os israelitas, deveriam abster-se. Devemos lembrar que antes mesmo da lei ser dada a Israel, Deus nos dias de Noé já havia feito separação entre animais ‘impuros e puros’ (Gn 7.2).

Por quais motivos encontramos Deus proibindo certos tipos de alimentos, do mundo animal, ao seu povo? A principal explicação dada é que tais animais poderiam ter um potencial de doenças, bactérias, etc. Outra razão apresentada é que alguns desses comiam presas com sangue, e eram carniceiros, ambas as coisas proibidas por Deus (Gn 9.4; Lv 5.2)1. Essas razões, porém, não podem ser verificadas na Bíblia. Deus não disse por quais motivos ele considerou aquelas animais imundos. A razão não foi claramente revelada. Essa resposta não temos (Dt 29.29). Só temos a determinação de Deus, de que tais eram impuros:

Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra;Para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer.” Levítico 11:46,47


I.                   COMO COMPREENDER A LEI DE DEUS  A RESPEITO DO ASSUNTO?

Na perspectiva protestante, corretamente interpretando a Bíblia, cremos que a Lei de Deus tem três facetas:

III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento. Heb.10:1; Gal. 4:1-3; Col. 2:17; Exo. 12:14; I Cor.5:7; II Cor. 6:17; Col. 2:14, 16-17; Ef. 2:15-16.

IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.Exo. 21, e 22:1-29; Gen. 49:10; Mat. 5:38-39.

V. A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.I João 2:3-4, 7; Rom. 3:31; Tiago, 2:8, 10, 11; Rom-. 3:19- Mat. 5:18-19.”2

Portanto, a Lei de Deus é moral, cerimonial e civil. E um exame bíblico mais ponderado, pode nos indicar quais leis do VT são de cada uma dessas classes.


II.                AS PROIBIÇÕES CONTINUAM AOS CRISTÃOS?

Com a vinda de Cristo, como mencionado na citação acima, algumas leis foram modificadas, outras foram expandidas, e ainda outras, cumpridas (= abolidas). Mas não são os cristãos que devem dizer quais continuam ou não. Foi Deus que ao inspirar os autores do Novo Testamento deu os indicativos diretos e indiretos de quais conclusões devemos adotar. Leiamos alguns textos do Novo Testamento, para deixarmos o próprio Deus falar. Observe as partes que destaquei em negrito:

1. “Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum.” (Atos 10. 10-15).

No caso acima, Deus revelou a Pedro que os gentios (os não judeus) não eram mais para serem excluídos da mensagem. Para isso, Deus usou a questão de alimentos puros e impuros nessa visão a Pedro. Caso não fosse próprio, Deus certamente não usaria um ato pecaminoso para ilustrar a graça aos gentios.

2. “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu. Não seja, pois, vituperado o vosso bem. Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros. Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.” (Romanos 14).

O famoso comentarista bíblico, Matthew Henry, explica a respeito de um versículo dessa passagem: 
“Paulo está bem convencido de que a distinção cerimonial de carnes entre puras e impuras não está mais vigente, mas que cada criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado. Nisto o cristãos forte está limpo ...”3

3. “Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.”(I Tim. 4.3-5).

Por fim, um texto bíblico que bem conclusivo para o debate, especialmente a respeito de acusações que alguns seguidores das leis dietéticas do Velho Testamento constantemente lançam sobre os cristãos. A passagem é muito clara, e deixa os cristãos livres de acusações:

4. “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” (Colossenses 2:16,17).

Sobre esse texto, a Bíblia de Estudo NVI comenta:

“As leis cerimoniais do AT são apresentadas aqui como sombras (cf. Hb 8.5; 10.1) por retratarem simbolicamente a vinda de Cristo; por isso, qualquer insistência na observância dessas cerimônias deixa de reconhecer o fato de que já foram cumpridas em Cristo.”4

Talvez alguém possa perguntar: “Se os alimentos impuros eram cerimoniais, e como tal, foi abolido em Cristo, como não comer alimentos impuros representava a vinda de Cristo?”

Minha resposta: Com base na visão dada a Pedro (Atos 10), a distinção visava demonstrar a rejeição dos gentios fora de Israel, não sendo antigamente incluídos na aliança. É o que temos revelado na Escritura:

“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” (Efésios 2:13-16).


NOTAS
1.Bíblia de Estudo Genebra, Edição Revista e Ampliada, p. 160.
2. Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XIX.
3. Bíblia de Estudo Matthew Henry, p. 1844.

4. p. 2044.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Evangelização Confessional – Parte 2

Para uma evangelização confessional, isto é, bíblica, você precisa acima de tudo ter duas atitudes em relação aos símbolos de fé presbiterianos - Primeiro conhecê-los e forma abrangente. Ler constantemente, na só a Confissão de Fé de Westminster, mas especialmente seus Catecismos. Segundo, ter fervor, convicção, entusiasmo, a respeito de suas posições bíblicas confessionais. O mundo tem convicção de seu relativismo, os neopentecostais de suas heresias, judeus foram trucidados e muçulmanos morrem e matam pela fé. Porém, muitos Reformados, parecem adotar uma atitude ‘complacente’ e apática em relação á sua fé, que não dá para entender por que são, muitos desses, pastores, presbiterianos. Não há fervor na alma. Se achar que não há fervor na vida Confessional, então duas coisas você não sabe mesmo: A vida dos puritanos, e duas perguntas e repostas do Catecismo Maior – a 104 e 105.

Jamais você verá os frutos de ser fiel aos símbolos de fé presbiterianos se você não conhecer e não ter paixão ardente por eles. Quando me deparo com alguns comentários negativos a respeito dos Símbolos da IPB, não raro identifico isso. O que está decepcionado em usar, não tem nenhum conhecimento a mais, nenhuma experiência de vida a respeito, nenhum plano devocional. Parece que o período no Seminário ou no Instituto esgotou sua paciência com os símbolos de fé, e algum afastamento parece ser um alivio. Outros não negam publicamente, mas negam na prática.

Ainda há os que talvez possuam os dois passos acima, estudam e tem fervor, mas não pensaram muito em usá-los no processo de evangelização e discipulado. Nessa postagem pretendo dar alguns apontamentos a respeito.

I. USANDO OS SÍMBOLOS COMO MATERIAL EVANGELÍSTICO

Talvez o que muitos nunca fizeram, é usar os Símbolos de fé já no processo de evangelização. Como fazer?

Quando produzir folhetos de evangelismo em sua igreja ou congregação, inclua algum trecho dos Símbolos de Fé. Uma parte da CFW ou dos catecismos que seja pertinente ao tema que você está abordando. Eu já inclui em um folheto a definição incomparável que a CFW dá de quem é Deus (presente também nos catecismos). Você talvez use aqueles folhetos das sociedades bíblicas, que são estreitos, com mensagens curtas. Então, faça-os apenas com duas perguntas, ou partes da CFW. Não tenha receio disso!! Imagine um folheto com a pergunta “Quem é Deus?” E antes de entregar para a pessoa, pergunte a ela qual seria a resposta dela. Você notará que as respostas são sempre aquelas, vazias e sem objetividade. É uma grande oportunidade de mostrar a resposta simples, bíblica e irrefutável do Catecismo Maior.

Recentemente escrevi um folheto que tem por tema “QUAL O OBJETIVO DE SUA VIDA?” Ao passo que a evangelização pragmática buscaria as respostas aos anseios do homem caído NO HOMEM, o Catecismo mostra que o foco está para cima, não em nós. A maior parte o folheto se desdobrou em torno do que é dito na primeira pergunta do CMW:

1. Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegar-se nele para sempre.  Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.”

O impacto disso é surpreendente, pois está honrando a Deus, dando testemunho não diluído de Sua Palavra. Faça o teste... ‘lance seu pão sobre as águas’. Quem sabe algumas pessoas saberão o sentido da “voz de grande estrondo” de Ez 3.12 por encontrar o objetivo da vida delas!

II. USANDO OS SÍMBOLOS DE FÉ COMO MANUAL DE DISCIPULADO

Eu costumo dizer que a evangelização bíblica envolve três momentos, ou passos. O primeiro é o anúncio/proclamação: quando você comunica o evangelho a uma pessoa. Depois vem o discipulado/ensino: quando você ensina o evangelho a uma pessoa. Por ultimo, vem a integração/inclusão: quando você a inclui na comunidade do evangelho, na igreja.  A Evangelização é plena.

No segundo passo, onde temos adotado o termo, ‘discipulado’, não é incomum um curso, alguns materiais de ensino do chamado “ABC” do evangelho. Isso é muito bom mesmo, e muitos materiais têm suprido essa necessidade e tem sido benção de Deus para a vida da igreja. Porém, você pode fazer um material de discipulado mesmo usando os Símbolos de Fé!

Eu organizei um, que expandi recentemente com artigos da Constituição da Igreja Presbiteriana, para ao mesmo tempo servir na classe de catecúmeno. Pensei em fazer assim, pois às vezes em trabalhos nascentes o discipulado já serviria para a recepção de membros. Como se fosse uma classe de catecúmeno pessoal, na casa do novo crente.

Como organizei esse material? Em cinco assuntos principais:

1. Bíblia - 2. Deus - 3. Salvação - 4. Vida Cristã e 5. Igreja

Selecionei o que especialmente o Catecismo Maior de Westminster diz a respeito desses temas e inclui alguns pontos da Confissão. Você pode fazer isso em seu discipulado [De uma certa forma, chamo-o de "Catecismo Médio"]

Se preferir, use o Breve Catecismo de Westminster no discipulado, não tenha medo, nem imagine que é profundo demais para as pessoas. Essa é nossa missão, ensinar todo o desígnio de Deus (At 20.27). Elas aprenderão, esteja certo disso. Jamais deixamos de entregar a Bíblia para alguém, pois nela tem o livro de Levítico, as profecias de Daniel, as visões de Ezequiel ou mesmo o difícil livro simbólico de Apocalipse. Esses são livros inspirados, superiores aos documentos de fé que neles estão baseados. Não fique preocupado se os Símbolos de Westminster pode causar confusão ou dificuldades. Eles causarão em todos que não estão de acordo com eles!!! Aí entra o papel do mestre, do discipulador, de ensinar com esmero (Rm 12.7).

III. TODOS OS MEMBROS DE SUA IGREJA TEM OS SÍMBOLOS DE FÉ?

Infelizmente, a maioria dos presbiterianos no Brasil não possuem os Símbolos doutrinários de sua fé. Isso tem contribuído para a formação de Igrejas Presbiterianas que são mais comunidades evangélicas do que em Igreja Reformadas. Precisamos trabalhar contra isso, com todo ardor e força que temos. Isso virou uma questão de sobrevivência. Aos reformados que estão preocupados com o crescimento das comunidades presbiterianas, eu tenho esse certeza. Já que nossos medalhões reformados estão calados diante das comunidades presbiterianas, só resta-nos a luta pela pulverização dos símbolos nas igrejas e congregações, em uma nova geração de crentes.

Mas se você quer ser um presbiteriano autêntico, se você quer ser um ministro honrado, de palavra, ou um obreiro que seja de confiança, comece a estimular a aquisição dos símbolos de fé por parte de todos os membros de sua igreja ou congregação. Se puder, que a igreja compre e distribua a todos os membros. Se não puder, que pelo menos aos que não tem muitas condições. MAS QUE TODOS TENHAM. Crianças e adultos. [Obs: A Editora Cultura Cristã tem feito promoções significativas para os símbolos de fé e, diga-se de passagem, os livros que contém os Símbolos já possuem os textos bíblicos transcritos. Eu sempre defendi a idéia que deveriam ser impressos em formatos de revista de escola dominical, com letras legíveis, e que fossem vendido a preço de custo. Mas já que não é possível, fico grato a Deus pelas promoções realizadas pela editora, mostrando essa sensibilidade].

Como isso pode contribuir na evangelização? A medida que a pessoa for sendo integrada na igreja local, ela notará que tais documentos de fé são levados a sério. Que a importância deles é indispensável. Irá concluir a evangelização dele à medida que ele notar a cultura doutrinária no contexto de sua nova família da fé. Os crentes começarão a crescer em conhecimento doutrinário, sendo também capazes de dar orientação bíblica aos novos. Isso tudo é o processo de evangelização, até o momento em que ele for batizado e começar gerar para Cristo outros membros. E com essa impressão doutrinária prosseguirá em conduzir outros aos caminhos do Senhor.

Creio nessas coisas, e tenho praticado.

Deus nos fortaleça em Cristo


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

FALÁCIAS ARGUMENTATIVAS DOS ANTITRINITÁRIOS

Por Bruno dos Santos Queiroz

 A doutrina da Trindade está baseada em três pressupostos bíblicos: (1) Unidade: "Há absolutamente um só Deus e Deus é absolutamente um só" (Deuteronomio 6.4; 1 Timóteo 2.5; Marcos12.32; 2 Samuel 7.22; Romanos3.30; Tiago 3.19). (2) Deidade: o Pai é Deus absoluto, o Filho é Deus absoluto e o Espírito Santo é Deus absoluto (1Coríntios8.6; Filipenses 2.11; Isaías9.6; João1.1; Hebreus1.8; Colossenses2.9; Judas.4; 2Coríntios3.17-18; Romanos8.9) e (3) Distinção: O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas (Subsistências) distintas (João8.17-18; Atos7.55; João 14.26; Mateus12.31-32. Mtateus 3.16,17; Mateus 28.19).1 Apesar da clara base bíblica da fórmula trinitária alguns argumentos têm sido levantados contra ela, os quais pretendo refutar abaixo:

1. ARGUMENTO DO SILÊNCIO:
       Defende que para uma doutrina ser bíblica ela precisa aparecer de maneira explícita nas Escrituras. Assim é comum vermos antitrinitários perguntando: “Onde a palavra ‘trindade’ aparece na Bíblia? ’’, ou ainda “só acredito na Trindade se você me mostrar o verso que diz ‘o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só’”. Evidentemente, como a Bíblia não é um tratado de Teologia Sistemática, não se deve esperar encontrar nela a palavra Trindade, mas sim seu conceito e textos sobre as quais está embasada.

2: ARGUMENTO DA ADULTERAÇÃO
       Argumenta que se um texto apoia a Trindade, ele foi adulterado. Ainda que não haja argumentos sólidos e consistentes, e até mesmo fortes evidências contrárias, atribuem adulterações a textos como Mateus28.19 e Isaías 9.6. No entanto as credências desses textos estão acima de qualquer contestação séria. Geralmente, os antitrinitários preferem o duvidoso Textus Criticus do que o tradicional Texto Majoritário, comumente cometendo uma falácia cronológica, como se a veracidade de um manuscrito fosse determinada por sua antiguidade2.

3: ARGUMENTO DA POSSIBILIDADE DE TRADUÇÃO
Textos como Tito 2.13 e Romanos 9.6 podem ser traduzidos tanto se referindo a divindade do Filho, quanto do Pai. Na realidade as duas possibilidades de tradução não só não contrariam a Trindade, como a apoiam. É importante ressaltar que uma possibilidade de tradução que ignora o contexto pode levar ao erro, a exemplo de traduções equivocadas de João 1.1 “um deus” e Hebreus 1.6 “prestar homenagem”, quando o contexto favorece mais a tradução “Deus” e “adorar”.

4: EXIBICIONISMO CRONOLÓGICO
       Afirma que a Trindade é falsa porque foi desenvolvida e sistematizada após o término da escrita bíblica. No entanto, embora tenha sido sistematicamente formulada tempo depois do término da escrita bíblica, a Trindade sempre esteve presente nas Escrituras. Desde o início do Cristianismo tinha-se a noção de que o próprio Cristo, enquanto Logos, era Deus absoluto (Jo1.1), em Paulo ele preexiste na forma de Deus (Fp2.6), em hebreus, Ele é o Senhor que no princípio fundou a Terra (Hb1.10). Nas cartas paulinas os Três são vistos como constituindo um só, “Jeová é o Espírito” (2Co3.17), e o Espírito de Deus é o Espírito de Cristo (Rm8.9). A Trindade foi espiritualmente revelada nas Escrituras, mas precisava-se de tempo e distância para chegar-se a uma formulação dos conteúdos revelados. A Trindade está presente espiritualmente, desde os primeiros tempos da Igreja, e seria pura questão de palavras insistir que a Trindade só foi descoberta tempo depois.

5: PARALELISMO INDEVIDO DE PASSAGENS
Deve-se tomar muito cuidado com o método comparativo e o paralelismo textual. Nem sempre uma expressão ou construção textual de uma passagem tem o mesmo sentido da de outra. Não é porquê “deus” se refere a Moisés e juízes num sentido que deverá ter o mesmo sentido para Cristo3. Nem que “espírito” por poder se referir a um aspecto antropológico humano ou a um elemento impessoal, que terá o mesmo sentido ao se referir ao Espírito Santo. Palavras em contextos diferentes tem significados diferentes.

6: INVALIDAÇÃO PRESSUPOSICIONALISTA
       Relembrando, existem três pressupostos básicos na fórmula trinitária: (i) Unidade; (ii) Divindade e (iii) Distinção. A falácia 6 argumenta que uma pressuposição da Trindade invalida a outra. Assim pensa-se que o primeiro pressuposto (unidade), contraria os outros dois. Assim é comum vermos antitrinitários citando textos que falam que “há um só Deus”, no entanto isso não é argumento contra a Trindade, mas sim a favor. Além do mais o pressuposto primeiro não invalida os outros dois, pois estes se referem à hipóstase, e aquele à essência.

7: CONFUSÃO CONCEITUAL
       Alguns confundem a Trindade com o modalismo, e assim querem refutar a Trindade mostrando que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são a mesma pessoa, enquanto é justamente isso que a Trindade ensina. Outros confundem também com tríade, e assim alegam que a Trindade é um politeísmo disfarçado, ou “três deuses” ou ainda com tripartidismo, e assim acham que a Trindade ensina que existem três seres divinos em um só Deus, ou ainda que Jesus é parte de uma Trindade, ou que para a Trindade Deus é uma unidade composta, que Jesus é uma pessoa separada de Jeová, ou mesmo que a Trindade ensina um Deus com divisões e separações.

8: ALEGAÇÃO DE PAGANIZAÇÃO
      Ensina que a Trindade é pagã por usar termos filosóficos ou por haver conceitos semelhantes em culturas pagãs. O erro desse argumento é esquecer-se da Revelação Geral de Deus, da origem comum das culturas e geralmente se baseia numa confusão conceitual dos pressupostos da Trindade ou em um uso equivocado do método histórico-comparativo.

9: ARGUMENTO ANTIFILOSÓFICO
       Afirma que a Trindade é falsa por usar termos filosóficos gregos em sua formulação. Esquecem-se da Revelação Geral de Deus e ignoram que a Trindade é derivada primariamente das Escrituras e não da filosofia. A realidade é que por influência da filosofia grega pagã, argumentos neoplatônicos foram usados para defender tanto a trindade como o unitarismo, nas discussões de Atanásio e Ário, por exemplo. Ário, um antitrinitário fez uso da filosofia platônica da ideia de Monas. Vários elementos da filosofia grega invadiram o Cristianismo, e foram usados tanto para defender doutrinas bíblicas como antibíblicas. Existe uma falsa ideia, entre aqueles que querem 'purificar' o Cristianismo do paganismo, segundo a qual tudo o que possui influência da filosofia grega é heresia. É verdade que não podemos menosprezar a Bíblia (nossa única regra de fé) em favor de filosofias humanas, nem ignorar que muitas heresias têm sua origem no pensamento greco-romano. No entanto, será um equívoco de nossa parte achar que a filosofia grega não trouxe nenhuma contribuição positiva para a epistemologia cristã, embora não como fundamento base para derivar uma doutrina. O próprio apóstolo Paulo não ignorou a literatura grega (At17.28). Segundo Gordon Clark: "Não importa o quanto um estudante principiante gostaria de evitar a filosofia, mais cedo ou mais tarde ele enfrentará essas dificuldades ou resignará a teologia em desespero."4

10: ARGUMENTO ANTICATÓLICO
       Há por parte de alguns, um ódio contra tudo que possa remeter às palavras, “pagã” e “católico”, de modo que qualquer dogma que supostamente tenha alguma ligação com essas palavras são atacadas com todas as forças. Embora seja verdade que a Igreja Romana seja a mãe de muitas heresias, alguns só negam a Trindade por amor ao judaísmo e ódio ao catolicismo, e não por apreço à verdade. É comum vermos pessoas levantando fatos históricos como a inquisição para invalidar a Trindade. Ignoram que quem revelou a doutrina da Trindade foi Deus e não a Igreja Romana.

11: CONFUSÃO ENTRE ECONOMIA E ONTOLOGIA
       Por economicamente o Pai ser maior que o Filho e o Filho maior que o Espírito, acreditam que isso também seja válido ontologicamente. Boa parte das críticas levantadas contra a Trindade erra justamente neste ponto, apresentado a hierarquia funcional como argumento contra a igualdade essencial das Pessoas da Trindade. Esse equívoco se vê por aqueles que insistem em provar que o Pai é maior que o Filho e o Espírito menor que o Filho e que assim a Trindade é invalidada. É comum insistirem, a partir daí, que um sabe mais que o outro, que há diferença de poderes entre Eles, etc.. Tais argumentos acabam por confundir função com essência e por isso conduzem a essas conclusões desastrosas. Uma compreensão clara da hierarquia funcional entre as hipóstases da divindade e da igualdade essencial entre elas eliminaria muito dos argumentos falaciosos levantados contra a Trindade.

1http://brunosunkey.blogspot.com.br/search/label/Trindade
2http://aprendiz.witnesstoday.org/ARTIGO_TEXTUS_RECEPTUS.htm
3http://www.ia-cs.com/2014/07/testemunhas-de-jeova-jesus-e-deus-assim.html

4http://www.monergismo.com/textos/trindade/A_Trindade_Gordon_Clark.pdf

sábado, 12 de dezembro de 2015

IPB: Evangelização Confessional x Pragmatismo das Comunidades – Parte 1

É com profunda dor e decepção escrever essa breve introdução dessa série de postagens, especialmente com alguns que caíram pelos caminhos da dura pressão de resultados. Que acabaram cedendo ao que é a pior ameaça contra a herança litúrgica e reformada histórica, que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem sofrido na última década. Creio que isso é pior que a pressão pentecostal sofrida na década de 90. Sem dúvida alguma, a IPB deixa de ser IPB onde uma Comunidade Presbiteriana é plantada. Esse é um câncer, um sistema corrosivo, destruidor para as igrejas presbiterianas.

Para acalmar alguns, a determinação de não usar o nome Comunidade foi desferido pelo Supremo Concílio da IPB. Devo, porém, dizer três coisas: 1. Foi apenas isso, o que de fato não mudou nada na prática. As comunidades continuam com suas mesmas características litúrgicas e eclesiológicas, quando não, humanistas. 2. Algumas demonstram que não estão nem um pouco submissas a essa decisão, continuam com o nome “comunidade”. 3. Muitos pastores de renome no Brasil não querem ‘mexer’ nisso, pois já estão envolvidos com os congressos promovidos pelas Comunidades.

Daqui a mais dez anos, talvez, não existirá mais IPBs em muitos lugares - sociedades internas, cultos solenes, hinos, símbolos de fé, farão parte da história de uma igreja morta, morta por um parasita que se tornou um monstro. A única coisa que se respeita da CI da IPB são as garantias de salários para os pastores. Se até lá o Senhor não voltar, estaremos cheirando o vômito do Senhor Jesus.

Apesar de dizer assim, Ele pode causar uma mudança (Mt 16.16-18).

I. QUAL É O GRANDE PROBLEMA?

As comunidades perderam na prática a compreensão da doutrina bíblica da depravação total (Rm 3.9-18). E passaram a buscar um estilo de igreja que agrade as pessoas. Isso causa um prejuízo incalculável na proclamação do evangelho. A advertência de Paul Washer é sábia:

 “[..] àqueles que estão constantemente buscando formas inovadoras de comunicar o evangelho para um nova plateia [seeker-sencitive], faria bem começar e terminar uma pesquisas nas Escrituras. Os que enviam milhares de questionários perguntando aos não convertidos o que mais desejam em um culto devem perceber que dez mil opiniões de homens carnais não carregam a autoridade de um “i” ou “til” da palavra de Deus. Devemos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordenou nas Escrituras e o que a atual cultura carnal deseja.” (O Poder do Evangelho e Sua Mensagem, p. 20).

Van Til, apesar de focar a questão da lógica, comenta algo bem interessante:

“O Deus do cristianismo é para ele [para o homem caído] logicamente irrelevante para a experiência humana.” (Apologética Cristã, p.138).

Em um resumo bem simples, mas real e verdadeiro, as Comunidades não estão erradas em querer plantar igrejas, mas o tipo de igreja que querem plantar, não é uma que agrada a Deus em primeiro lugar, mas que agrada a cultura e os gostos dos filhos da ira (Ef 2.1,2).

Em certo sentido, enquanto as igreja neopentecostais procuram agradar o misticismo brasileiro, usando elementos abolidos do Antigo Testamento, eles pelo menos estão buscando na Bíblia, com péssima exegese, a formatação de seus métodos, enquanto as Comunidades Presbiterianas estão indo direto à cultura popular caída (Veja AQUI). Ambos os seguimentos são iguais.

II. QUAL É O SEGUNDO GRANDE PROBLEMA?

Não posso deixar de dizer algo de máxima importância. Muitos dos presbiterianos conservadores estão apáticos e não estão envolvidos na evangelização árdua em suas igrejas. Não evangelizar é o mesmo de evangelizar errado. Ser inativo é ser tão reprovável quanto ser pragmático.  Criticar eles por fazerem errados, e não FAZER o certo é também cair em erro. Recentemente, um conhecido reformado em uma palestra sobre evangelização disse:

‘Vou falar de evangelização urbana, mas eu mesmo não evangelizo.’

O nosso doutor, foi ‘sinceramente hipócrita’. Ele não deveria dar a tal palestra nessa igreja. Aqui é onde estamos perdendo espaço para as Comunidades, que apesar de estarem erradas, não estão erradas na disposição.

Bom lembrarmos que não existe uma forma de evangelização, ela deve ser feita sempre e de diversas maneiras. Na pregação no culto solene, na visitação, no discipulado, nas reuniões, nas ruas, isso deve estar impregnado na vida do ministro, dos obreiros, dos líderes locais e de todos os crentes. Joel Beeke mostra que os puritanos eram evangelizadores por excelência, ao estilo da época (Espiritualidade Reformada, cap. 7º). A visitação de Richard Baxter demonstra um pastor evangelista (Manual Pastoral do Discipulado, Editora Cultura Cristã).  O conteúdo, sabemos, nunca foi formatado aos ditames do mundo caído.

A Bíblia adverte que temos essa obrigação e promessa (Mt 28.18-20; I Pe 2.9,10). E temos dois documentos na IPB que deixam em relevo que nossa missão envolve a evangelização, juntamente com outras ações nobres da Igreja:

“Catecismo Maior de Westminster - 159. Como a Palavra de Deus deve ser pregada por aqueles que para isto são chamados? Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina, diligentemente, em tempo e fora de tempo, claramente, não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; fielmente, tornando conhecido todo o conselho de Deus; sabiamente, adaptando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso para com Deus e para com as almas de seu povo; sinceramente, tendo por alvo a glória de Deus e procurando converter, edificar e salvar as almas. Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.”

“Constituição da IPB - “Art. 2º. A Igreja Presbiteriana do Brasil tem por fim prestar culto a Deus, em espírito e verdade, pregar o Evangelho, batizar os conversos, seus filhos e menores sob sua guarda e "ensinar os fiéis a guardar a doutrina e prática das Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, na sua pureza e integridade, bem como promover a aplicação dos princípios de fraternidade cristã e o crescimento de seus membros na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo".

“Art. 14. São deveres dos membros da igreja, conforme o ensino e o Espírito de nosso Senhor Jesus Cristo: a) viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; b) honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra; c) sustentar a igreja e as suas instituições, moral e financeiramente; d) obedecer às autoridades da igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras; e) participar dos trabalhos e reuniões da sua igreja, inclusive assembleias.”

Se é assim que se estabelece a Igreja Presbiteriana do Brasil, me parece que muitos estão se escondendo na crítica ao pragmatismo, o que de fato deve ser feito, mas estão parados. Outros nem na crítica a esse movimento cancerígeno, estão na Torre de Marfim, intocáveis, desde que sua fama e títulos sejam honrados.

O QUE FAZER NA PRÁTICA?


Na próxima postagem a respeito do tema, irei trazer mais informações a respeito da evangelização confessional, querendo Deus.