“John Owen destacou três áreas nas quais a
apostasia normalmente começa: doutrina,
estilo de vida e adoração.
Owen relacionou a apostasia doutrinária com a
falta de experiência cristã. Ele disse que quando alguém não tem uma
experiência de necessidade pessoal, nenhum senso da justiça de Deus, nenhum
vislumbre da glória de Deus, nenhuma submissão à soberania de Deus e nenhum
temor à Palavra, então a apostasia estará logo ali na próxima esquina.
Owen ressaltou que um estilo de vida sem
santidade é mais capaz de levar a apostasia do que o abandono das doutrinas
cristãs. Ele enxergava tanto o legalismo quanto a falta de normas como
eventuais caminhos para a apostasia.
Owen também argumentou que se
negligenciarmos, não obedecermos ou acrescentarmos regras além do necessário à
adoração, a apostasia não tarda a chegar.
Pastores devem estar atentos a essas três
zonas de perigo: doutrina, estilo de vida e adoração. E devem chamar a atenção
do rebanho para isso.
A) As causas da apostasia
Owen prossegue e lista as causas particulares
da apostasia, para que os pastores e suas congregações possam ver e orar.
1.
Inimizades profundas e não tratadas contra as coisas espirituais
nas mentes de muitos
2.
Orgulho e vaidade daqueles que se recusam a aceitar a autoridade
da Escritura
3.
Preguiça e negligência
4.
Falta de certeza e confiança
5.
Falso senso de segurança devido à negligenciar os avisos do
Espírito sobre apostasia
6.
O amor pelo mundo e suas paixões passageiras (Demas, em 2 Timóteo
4.10)
7.
Primeiro “apóstata”, Satanás leva muitos a apostasia e força
outros a apostatarem por meio de perseguições
8.
Pessoas em cargos altos da igreja levando vidas perversas
(Jeremias 23.15; 1 Samuel 2.12-17)
9.
Pecados culturais que influenciam as pessoas
10. Divisões na
igreja
B) A diferença entre um tropeço (Pedro) e uma queda (Judas)
Pastores devem discernir com sabedoria um
tropeço de um cristão da queda de um apóstata. Todo cristão se desvia da
doutrina, cai em pecado ou falha na adoração de vez em quando. Isso não faz
dele um apóstata. John Owen definiu a apostasia como “rebelião e desobediência
contínuas e persistentes contra Deus e sua Palavra” ou “renúncia pública final
e total de todos os princípios e doutrinas do Cristianismo”.
C) A abominação da apostasia
Hebreus 6 descreve o ato da apostasia como
“estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”.
Ao declararem que experimentaram Cristo e seu Evangelho e não acharam nenhuma
verdade ou bondade neles, os apostatas fazem exatamente o que fizeram os
judeus. De fato, Owen diz que a apostasia cristã é pior porque os judeus o
faziam em “ignorância”.
D) O julgamento de Deus sobre a apostasia
Além de relembrar os cristãos da congregação
de quão abominável é a apostasia aos olhos de Deus, eles também devem ser
alertados sobre os julgamentos temporais, espirituais e eternos que recaem
sobre os apóstatas. Deus usa descrições de como abomina e julga a apostasia
como um meio de sua graça para manter as pessoas longe da apostasia.
E) A necessidade da perseverança
As grandes promessas de Deus sobre a
perseverança dos santos são dadas àqueles que perseveram nos meios que Deus
provê. Os cristãos devem ser lembrados da incalculável necessidade e valor da
Igreja, da Palavra, dos sacramentos e da comunhão.
F) Como evitar a apostasia
John Owen desejava que os cristãos soubessem
que a apostasia poderia ser evitada com o cuidado com o coração (Provérbios
4.23). Mantenha o Evangelho no centro do seu coração; ame sua verdade e
experiencie seu poder. Mantenha o pecado longe de seu coração, especialmente os
pecados tão perigosos como do orgulho espiritual e de espírito de julgamento.
Conclusão
Quando a apostasia ocorre na congregação,
muitas vezes é tentador apenas ignorá-la e levantar a placa de “acontece, é a
vida”. Entretanto, isso não vai tratar as necessidades de cristãos e
não-cristãos que estão feridos e perplexos por conta de tais ocorridos. Isso
também acaba com a oportunidade de preparar a igreja para futuros
desapontamentos. Então eu encorajo pastores e líderes a focarem nesses nove
tópicos, tanto de forma pública como particular.”
Adaptado – Obs: na postagem, o autor, Dr.
David Murray, não apresenta as citações de J. Owen. O que deve ser um resumo
dos pensamentos do Puritano.






