“Calvinismo é do diabo”, “o
deus calvinista é um monstro”- expressões assim, ácidas, são vistas em todos os
lugares. Isso parece mais ser uma reação por parte daqueles que também se
sentem incomodados com a frieza com que o calvinismo é apresentado por vários
calvinistas, especialmente quando esses também classificam assim – “Arminianismo
é humanista”, “o deus arminiano não é soberano”.
Geralmente os que assim dizem,
de ambos os lados, desconsideram (propositalmente?) o que Deus tem feito na
Igreja e pelo Cristianismo através dos séculos por meio de ambos os grupos.
Quem duvidaria da santidade dos Puritanos e dos Wesleyanos? Somente
alienados...
Quem duvidaria do esforço missionário histórico dos calvinistas e
arminianos? No Brasil temos a tradução de um grande missionário Reformado, João
Ferreira de Almeida. Alguém se aventura em duvidar da paixão dele pela Palavra?
Quem hoje está em todos os rincões desse Brasil, não são os Pentecostais –
pregando o Deus Trino e a salvação pela graça, bem como uma vida de santidade e
oração? Um povo assim não teria um Deus Soberano? Somente alienados...
Por isso, tenho pena, algumas
vezes nojo, de tanta agressividade – vinda de meus irmãos calvinistas, e dos irmãos
arminianos.
Apresentei uma lista de vários
textos bíblicos AQUI, para mostrar que o calvinismo não erra na avaliação da
totalidade da Providência. É a Bíblia que nos apresenta em muitos lugares
informações que não nos agradam muito a respeito de decisões Soberanas de Deus.
Os textos são claros em sua maioria, pode não concordar com o calvinismo, mas acho que não discordará, sendo crente, dessas passagens bíblicas, ou pelo menos de algumas!
Mas como pertenço ao arraial
Calvinista, vai aqui meu recado a esses. A única maneira de sermos calvinistas
equilibrados é mantermos de verdade o peso bíblico da Soberania e da
Responsabilidade Humana:
“Muitas
vezes se tem dito que, enquanto o calvinismo se ditingue pela enfase que dá à
soberania divina, o arminianismo se distingue éla enfase que dá à
responsabilidade humana. Não é fácil inventar pior caricatura do calvinismo do
que esta! Decerto tem havido calvinistas à moda deles mesmos, que dão pouco
valor à responsabilidade humana, mas o motivo disto jaz na incoerência deles.” R. B.
Kuipe (Evagelização Teocêntrica, p. 45).
“Precisamos crer, contudo, que
os dois lados desse conjunto de pensamentos aparentemente contraditórios, são
verdadeiros, pois a Bíblia ensina ambos.” Antony Hoekema (Salvos Pela Graça, p.
15).
“[...] crer em ambas as
doutrinas com todas as nossas forças, e mantendo ambas constantemente diante de
nós, para orientação e governo de nossas vidas.” J. I Packer (A Evangelização e
a Soberania de Deus, p. 31).
J. C. Ryle talvez seja um bom
exemplo de pregador e pastor, com profundidade bíblica que manteve com vigor
essas duas verdades. Seu clamor para que seus ouvintes aceitassem a Cristo era
de quebrantar. Mas seu Deus era Soberano! Ele tratava disso com prudência e
cuidado. Abaixaria a cabeça para qualquer arminiano que vivesse uma vida como a
de Ryle, e se esse me provasse que a crença na eleição produz necessariamente
um vida sem santidade!
“Que
nunca nos esqueçamos de que sem luta não haverá santidade, enquanto estivermos
vivos e nem haverá coroa de glória,
depois que falecermos!” J. C. Ryle (Santidade, p. 105).
Os postulados de Westminster
deixaram claros essas coisas que destaquei aqui. Perceba:
“I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo
muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e
inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do
pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou
contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.Isa. 45:6-7;
Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João
19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34. [...]
A
doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial
prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade revelada em
sua palavra e prestando obediência a ela, possam, pela evidência da
sua vocação eficaz, certificar-se da sua eterna eleição. Assim, a todos os que
sinceramente obedecem ao Evangelho esta doutrina fornece motivo de louvor,
reverência e admiração de Deus, bem como de humildade diligência e abundante
consolação. Rom. 9:20 e 11:23; Deut. 29:29; II Pedro 1:10; Ef. 1:6; Luc.
10:20; Rom. 5:33, e 11:5-6, 10.”(CFW 3).
“159. Como a Palavra de Deus
deve ser pregada por aqueles que para isto são chamados? Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra
devem pregar a sã doutrina, diligentemente, em tempo e fora de tempo,
claramente, não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do
Espírito e de poder; fielmente, tornando conhecido todo o conselho de Deus;
sabiamente, adaptando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso para
com Deus e para com as almas de seu povo; sinceramente, tendo por alvo a glória
de Deus e procurando converter, edificar e salvar as almas.
Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.
Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.
160. Que se exige dos que
ouvem a Palavra pregada?
Exige-se dos que ouvem a Palavra pregada que atendam a ela com diligência, preparação e oração; que comparem com as Escrituras aquilo que ouvem; que recebam a verdade com fé, amor, mansidão e prontidão de espírito, como a Palavra de Deus; que meditem nela e conversem a seu respeito uns com os outros; que a escondam nos seus corações e produzam os devidos frutos em suas vidas.
Dt 6:6,7;Sl 84:1,2,4;119:11,18; Lc 8:18; I Pe 2:1,2; Ef 6:17,18; At 17:11; Hb 2:1;4:12; Tg 1:21.”
Exige-se dos que ouvem a Palavra pregada que atendam a ela com diligência, preparação e oração; que comparem com as Escrituras aquilo que ouvem; que recebam a verdade com fé, amor, mansidão e prontidão de espírito, como a Palavra de Deus; que meditem nela e conversem a seu respeito uns com os outros; que a escondam nos seus corações e produzam os devidos frutos em suas vidas.
Dt 6:6,7;Sl 84:1,2,4;119:11,18; Lc 8:18; I Pe 2:1,2; Ef 6:17,18; At 17:11; Hb 2:1;4:12; Tg 1:21.”
Quando leio essas instruções
nos documentos Reformados, percebo que nós ainda não vivemos a piedade
da Fé Reformada, mas nos colocamos como “mestres da predestinação”.
Infelizmente muitos tem
confundido fama academicista, que alguns granjearam, com a verdadeira seiva Reformada.
Que Deus nos ajude o
calvinismo brasileiro a viver uma vida santa, para que quem sabe um dia, alguns
queriam saber por qual motivo somos piedosos, um pouco semelhantes aos Puritanos Calvinistas, e extremamente preocupados com a Evangelização do mundial.
Então possamos responder: “Por que Deus é Soberano sobre nossas ações e planos!”






