segunda-feira, 10 de junho de 2013

Evangelização Reformada na Prática – Parte 1

Começarei com esse texto uma série de estudos que desenvolverão o tema da Evangelização. Pretendo trabalhar com assuntos práticos, em como aplicar a Teologia Reformada da Evangelização em métodos evangelísticos, e usá-los de fato! Peço a sua compreensão para um uso que creio ser correto: 'Missões' e Evangelização são palavras sinônimas, na perspectiva bíblica, e assim eu usarei.

1. O OBJETIVO DA IGREJA

Em um primeiro momento, precisamos deixar claro que evangelização é uma obrigação de todos os cristãos. O texto base dessa afirmação é I Pedro 2.9. A passagem diz que o que a Igreja é; raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, ela o é para um fim especifico:“proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”

Tudo o que a Igreja é, ela o é para evangelização. Nesse ponto, a Igreja só glorifica a Deus corretamente se ela for uma igreja evangelizadora. Fora desse foco, a Igreja vira clube, ‘roda de amigos’, lugar de religiosos, menos A Igreja de Jesus Cristo.

2. OBJETIVO NÃO COMPARTILHADO

O problema de muitas igrejas é que essa consciência não é primeiramente compartilhada pelos líderes. Depois, não compartilhada pelos membros, ou vice versa. Compartilhar não é apenas passar para frente algo que você recebeu, subentende que você ‘partilhou’ daquilo também – “compartilhar”.

Existem pessoas fãs de missões, falam de missões, divulgam missões, mas não mais que isso. Não se envolvem de maneira prática e integral. Talvez financiem, talvez orem, mas nunca fazem missões. A evangelização é algo que sabem que existe e que é necessária, mas este saber resulta em nada. Alguns até sabem que é uma ordem, mas preferem viver em desobediência (I Co 9.16,17)

O Cristão, que não evangeliza pode roubar e trair a cônjuge a qualquer hora, visto que é infiel em uma parte, poderá ser infiel em outras. Isso é duro, e é para ser mesmo. Se após dizer ‘todo poder foi me dado, ide portanto’, Jesus continua sendo desobedecido pelo cristão e pastor local, que diferença fará desobedecer o ‘não roubarás ou não adulterarás’?

Nem vem achar que ficar atrás de blogs, falando e participando de encontros de missões, fará você ser um evangelista. Na época dos apóstolos nunca o envio de uma carta substituía a comunicação pessoal na evangelização. Era isso TAMBÉM... [a não ser que perseguição o impeça]. Se o pastor deixar de evangelizar em seus sermões, em suas visitas, nas programações de evangelismo, em seus textos, etc. ele continua sendo um pastor incompleto.

Portanto, compartilhe o objetivo (a visão, a filosofia ministerial, qualquer que seja o termo!). Veja AQUI como impregnar em uma igreja a visão missionária.

3. MÉTODOS E ESTRATÉGIAS COERENTES COM A BÍBLIA

É difícil encontrar um método evangelístico que se encaixe perfeitamente no sistema Reformado. Em um ou outro ponto haverá um entrave com o sistema, visto que o método está, por várias vezes, comprometido com a ‘teologia’ do que o inventou. Mas creio que todo método que pregue o Evangelho (At 20.27) pode ser usado por um Reformado. E é possível adaptar todo o método ao sistema Reformado de maneira satisfatória.

O método deve incluir: A Soberania de Deus, o estado do Homem e seu destino diante da Pessoa e Obra de Cristo, a saber: céu ou inferno. Podemos garantir que a 1) evangelização pessoal, 2) o programa de discipulados, 3) a pregação tradicional e 4) os grupos pequenos, são ambientes que proporcionam seguramente, sob o poder do Espírito, a inclusão daquilo que é essencial na evangelização.

Desses métodos e estratégias, o mais difícil é a evangelização pessoal. Não tentarei ‘produzir’ uma conversa fictícia evangelística, visto que essas talvez nunca acontecerão em seu caso. Por isso, tenha sempre em mente algumas coisas:

  • Conduza qualquer conversa a uma reflexão diante de Deus. Por exemplo: quando seu amigo te falar das diversões imorais, pergunte a ele "o que ele acha do que Deus acha dessas diversões imorais!?" Pronto!!! Você iniciou uma evangelização Reformada. Daí para frente é só entrar nos outros pontos essenciais da evangelização – Homem e Cristo, visto que já mostrou a Soberania de Deus, entrando em detalhe diante de alguma lei divina.
  • Memorize três textos Bíblicos: Não existe necessidade de você usar um exemplar da Bíblia. Também não é proibido! Diga um texto a respeito do assunto, e desenvolva o tema: Deus – Homem - Cristo. Evite palavras que identifiquem o autor humano. Por exemplo: ‘Paulo disse’. Diga a 'Palavra de Deus diz', 'Deus diz em Sua Palavra', 'Está escrito na Bíblia', etc.
  • Você deve forçar, por meio de argumentação Bíblica, que ele tome uma decisão. Nenhuma evangelização deve deixar o claro aspecto de que o evangelizado está diante de um confronto, em que ele continuará ou não sendo inimigo de Deus (II Co 5.20). Quando eu disse tomar uma decisão, não é por um sim ou por um passo. Mas uma decisão de se submeter ao Deus Soberano mediante Cristo. Sabemos que essa decisão só será tomada positiva e corretamente, se o Espírito assim o quiser (I Co 12.3). Mas como diz um professor do IBEL – “a administração do Reino é com o Espírito, o marketing é nosso!”


domingo, 9 de junho de 2013

Leandro Quadros e a parábola do Rico e Lázaro - Parte 2

Primeira Parte AQUI.

Leandro Quadros: "Se o Senhor tivesse o propósito de falar acerca do mundo dos mortos teríamos de aceitar que:[A] Verso 23: o inferno está tão próximo do paraíso que de lá os ímpios podem enxergar os justos, inclusive conversar com eles; Verso 24: um espírito bebe água, possui dentes e língua. Na verdade, isto mais parece um corpo humano do que um “espírito” (não poderia ser um corpo espiritual, pois a ressurreição ainda não ocorreu – cf. Verso 31); Versos 24 e 27:[B] Abraão é o intercessor entre Deus e os homens, ao invés do Senhor Jesus (ler 1 Timóteo 2:5);
[C]Verso 25: Lázaro foi salvo por ser pobre, ou seja, pelas suas obras (ver Efésios 2:8 e 9); Há na história contada por Jesus outros aspectos que nos levam a crer que a mesma não era literal: [D](1) por que a presença de Deus não foi notada no Céu, sendo que Ele está lá? [E](2) Se o “seio de Abraão” é o lugar para onde vão os salvos por ocasião da morte, para onde foram aqueles que morreram antes de Abraão sendo que ele morreu uns dois mil anos antes de Jesus ter vindo? (antes de Abraão morrer, muitos já não existiam…).Sendo assim, é impossível crer na existência de um inferno com base na parábola do Rico e Lázaro.

O esforço de Leandro Quadros não é aceitar o texto conforme ele foi redigido, mas atacar o texto. Obviamente, que qualquer tipo de racionalização preconcebida não se encaixaria em um relato que não tem por objetivo ser exaustivo em todos os detalhes. Essa parábola, ou história, tem um objetivo básico a ser alcançado e leva em conta uma realidade: existe algo no homem que sobrevive após a morte! Os questionamentos do ‘Titã do Tito’ não faz justiça ao que ele mesmo disse defender, que parábola é para ensinar uma ‘lição de moral’. O que mais sinto na argumentação do Leandro é que ele que quer dar uma lição de moral em Jesus! Dá para ouvir o Leandro dizer: ‘Mas Jesus, não dava para contar outra parábola!? Essa não se encaixa no que eu creio!!!’

Respondendo suas objeções, conforme classifiquei acima:

A) Estamos falando de um mundo não físico, e suas descrições são análogas ao nosso modo de observar as coisas. Pedir que a parábola seja literal, ao trazer-nos expressões por nós conhecidas, é agir com uma ignorância sem tamanho. Só falta ele rejeitar Apocalipse também pois lá fala de cordeiro, leão, águia, etc. O Leandro não foi coerente com a natureza literária de uma passagem que fala de coisas espirituais em linguagem físicas.

B) ‘Abraão intercedeu’, por quem??? Qual papel faz Abraão para ser ele um intercessor, ali na parábola, ‘entre Deus e o homem??? Nossa, Leandro Quadros você deve ter uma tradução N V I – Nunca Vi Isso !!!

C) ‘Lázaro foi salvo por ser pobre’. Só se você não ler a parábola toda. Abraão não diz ao Rico que seus parentes deveriam ser pobres para escapar do inferno, e sim ouvir ‘A Palavra de Deus’= Moisés e os Profetas!

(Parece que o Leandro se esqueceu dessa interpretação, e mais adiante diz que 'a principal lição da parábola é para que as pessoas aceitem a mensagem bíblica e sejam salvas...')

D) ‘A presença de Deus não é notada no céu...’ Ops, já vem o espírito ariano! As Testemunhas de Jeová também dizem que nas visões celestiais de Daniel, Ezequiel e de Estevão, o Espírito Santo também não aparece, logo, conclui eles, ele não é uma pessoa divina! Leandro Quadro usa o argumento do silêncio, e esse tipo de argumento pode ser silenciosamente ignorado... ele toma por certo que a ausência da informação é uma prova para o que ele quer.

C) ‘Para onde foram os fieis que morreram’ antes de Abraão? Para junto de Deus (Ec 12.7; Hb 12.23). Parece que o apologista Adventista está falando de ‘céu’ dentro de limites e espaço. Um erro materialista, racionalista e diga-se de passagem, para quem é um consultor bíblico, um erro infantil.

Leandro Quadros: "Cristo apenas usou uma crença popular da época a fim de ensinar aos seus ouvintes que uma pessoa não irá para o Céu por ser rica, pois os fariseus achavam que aqueles que eram prósperos eram abençoados por Deus e os pobres, amaldiçoados (leia João 9:1-3)."

Talvez esse seja uma dos maiores absurdos que já li do Leandro Quadros. Neste ponto, as Testemunhas de Jeová respeitam mais a Jesus do que os Adventistas. Para as Testemunhas é apenas uma ilustração simbólica como se segue: 1. Lázaro, o povo judeu desfavorecido; 2. O Rico, os líderes religiosos; 3. a morte, a mudança de circunstância; 4. o paraíso, a condição dos cristãos; 5. o ‘hades’, a reprovação divina; 6. Abraão, Jeová [?].


Já o adventista vai mais longe do que alegorizar tudo, afirma que Jesus usou uma crença popular (que para os adventista é diabólica!), para ensinar uma ‘verdade’! Se você Adventista, não se incomoda com essa interpretação, em dizer que Jesus usou ‘uma mentira’, tome cuidado, seu lugar poderá ser junto com aquele Rico.

Continua...


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Debate: Justificativas para o Ateísmo e para o Teísmo (Parte 5)

                                          (quem ver, entenda... hehe)
Parte 4
MODERADOR
Ateu, como são pontos amplos, concedo-lhe a oportunidade de escolher, caso queira, ponto a ponto para responder, em cada turno. Entretanto, todos deverão ser abordados. Fixo ainda o argumento central de Lucio Antônio de Oliveira : "mostrar que o ateísmo está calcado em pressuposições teístas (na ética, na metafísica, na epistemologia), e que ele tem de abdicar-se delas. Porém, ao fazê-lo, sua cosmovisão ruirá.". Aguardamos sua(s) resposta(s).

ATEU
Respondendo as questões:
1)” GOSTARIA que as coisas não acabassem aqui”
Vocês religiosos... eu tenho certeza que acaba aqui!

2). “Sim, se o ateísmo for verdadeiro, não há sentido em fazer coisa alguma.”
Vira e fala que não tem sentido fazer algo se não existir deus mostra que [você] não tem pensamento próprio. Está apenas sendo induzido por alguém. [acha que,] só porque você não consegue ter motivação que os outros não vão ter. E não é por não acreditar em um ser superior que não deve de fazer algo pra ajudar os demais! Humanidade não tem nada a ver com religião ou crença. Uma pessoa faz algo não por temer a deus e sim por Humanidade. Bem, o ditado 'não faça com o outro o que nao quer que faça com você' [é] simples. Uma criança de 5 anos entende isso. Exemplo: você não gosta que puxem seu cabelo, então por isso não vai puxar de outra pessoa. Simples.

“é simples. O todo não faz sentido, logo as partes também não”
Pode [está, no original, escrito: 'possa' ao invés do termo que usamos para substituir: 'pode' --'] ser que, para você é um ingrediente principal, mas na verdade não é!!!(vc foi condicionado para considerar como principal)

3) Cara, usei o misticismo pra generalizar o pensamento que coloca deus ou uma divindade “que não tem nada a ver com o teísmo” (ô se não tem....kkkkk) . “É verdade que temos na 'história' do pensamento quem tenha usado Deus para preencher lacunas. Mas isso não pode ser cotado como proposta da cosmovisão teísta em si."
Ate hoje ainda é usada.

4) "Podemos saber de todo tipo de verdade pelo método empírico?"
R: há outros métodos que usam a razão, a lógica ou a simples experimentação (como exemplos as ervas que os índios sabem que curam certos tipos de doenças).
“mas seria necessário definir o que você quer dizer com ser o empirismo a ‘principal’ forma de conhecimento.”
R: a resposta acima confirma ??
Em outras palavras: existem categorias de conhecimento que fogem à alçada do empirismo?
R: eu desconheço!
você é cientificista?
R:é a primeira vez que vejo esse termo... dei uma pesquisada e pelo que achei “ para designar a escola de pensamento que aceita apenas a ciência empiricamente verificável” é isso mesmo? (so posso afirma ou não quando entender o termo!)

5) “avanço da ciência para explicar a realidade nos leva ao ateísmo”
Então você afirma que quanto mais a ciência avança mais se mostra pro ateísmo??


LUCIO
Bom, pelo jeito teremos de nos deter com mais detalhes às questões, pois não estão sendo compreendidas por nosso adversário, e o nosso objetivo é mostrar tanto à ele quanto aos expectadores a irracionalidade do ateísmo.
Comecemos com o ponto 1. “eu tenho certeza que acaba aqui!”
Você tem certa? Isso é puro self-selling! E daí se você tem certeza? Bom, NÃO ESTAMOS LIDANDO COM CONVICÇÕES SUBJETIVAS. Então, insistir nesse argumento é perder tempo. Entretanto, nossa proposta é desmentir cada vírgula caluniosa do oponente. Portanto, não podemos deixar batido.
Essa é uma típica acusação feita pelo pseudo-intelectualismo característico do neo-ateísmo, que acusa uma cosmovisão sem a conhecer primeiro. Basta lermos o ‘Deus, um delírio’ de Richard Dawkins e adverti-lo que muitas de suas críticas passam longe de se referir ao que cremos. Parece que sua corja seguiu a linha... É como criticar o ateísmo tomando por base eminentes pensadores como o Tiririca (imaginando que ele fosse ateu, não sabemos), e então declarar o ateísmo um problema mental... Isso é a técnica do espantalho (também usada no ponto 3, como mostraremos adiante).
O adversário nos acusou de abraçarmos a fé como ‘muleta’ para com a realidade. Na verdade, essa não é uma motivação de todo equivocada. Realmente, pensadores existencialistas, após observar que não existem Razões para o ateísmo, vêem o caminho aberto para a fé (uma decisão de crer, motivada, sim, na existência futura). Peço que se observem os passos: não haver motivos para o ateísmo e decisão de crer (mesmo que não haja provas para a existência de Deus, ‘ausência de evidência não é evidência de ausência’, de modo que tomam por bem decidir crer). Outros entendem haver motivos para os dois lados, e que o indivíduo deve suspender essas ‘antinomias’ e ‘disputas’, e dar um salto de fé com base no conflito existencial.
Essas posições são interessantes. Mas jamais foram defendidas por nós. Não estamos, em momento algum, justificando o teísmo com base na esperança futura. Portanto, esse ponto é completamente supérfluo.
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Logo temos o ponto 2. Pelo jeito, nosso adversário não conseguiu entender o ponto abordado (não sei se por não ter lido direito, ou por não conseguir entender). Portanto, teremos de nos demorar um pouco mais na exposição deste argumento. O adversário disse que devemos, ao invés de gastar nosso tempo com atos litúrgicos (religiosos em geral), usar o tempo em algo mais produtivo, como ajudar o próximo e a humanidade.
Então, apontamos que esse discurso está recheado de pressuposições teístas, ou, pelo menos, injustificadas na cosmovisão ateísta. Antes de voltarmos a este ponto, queremos salientar um ponto que deixamos escapar.
Ele define algo produtivo como: “Que produz; proveitoso. Quando você cria ou constrói algo que se orgulha, algo que para você vale a pena”. Mas, de acordo com essa definição, um religioso poderia muito bem considerar suas ações litúrgicas como proveitosas, que ‘valem a pena’ pra ele. Se é o sujeito que define o que é mais produtivo, então ninguém pode apontar pro outro o que é mais ou menos produtivo. Tudo se resume a uma justificação subjetiva.

“Só porque você não consegue ter motivação que os outros não vão ter”
É, você não entendeu nada. Jamais apresentamos a questão como algo subjetivo (e esse é justamente o ponto em que se equivoca). Não estamos dando relatos de experiências de que não conseguimos, estamos dando um atestado, uma asseveração lógica e factual, de que, se Deus não existe, objetivamente não existe sentido, propósito e valores.
Para afirmarmos nossa primeira proposição, usemos da sapiência do dr. W. L. Craig: “Se cada pessoa deixa de existir quando morre, que sentido fundamental pode ser dado à sua vida? Realmente faz diferença se ela existiu ou não? Pode ser dito que sua vida foi importante porque influenciou outros ou afetou o curso da história. Mas isso mostra apenas um significado relativo da sua vida, não um sentido fundamental. Se todos os acontecimentos são, no final, sem sentido, que sentido há em influenciar qualquer um deles?” [Este texto é extraído do capítulo 2 do livro: ‘A veracidade da fé Cristã’. No momento, estamos sem um exemplar para dar referência completa]
“e não é por não acreditar em um ser superior que não deve de fazer algo pra ajudar os demais!”
Você usou a palavra correta. DEVE. Ela nos remete à noção de dever. Obrigação moral. Diante de nossos deveres, se não fizermos algo, teremos cometido um delito, um erro. Agora, para afirmarmos isso, devemos incluir uma crença de que existem coisas erradas e coisas certas. Quem define que algo é certo e algo é errado?
Ótimo, o imperativo categórico de Kant. Podemos explorá-lo. Será um prazer: “você não gosta que puxem seu cabelo, então por isso não vai puxar de outra pessoa. Simples”. Mas ainda subsiste a questão do porquê não podemos fazer com os outros o que não gostaríamos que fosse nos feito. E se, detentores de poder, quisermos fazer e, obviamente, não quisermos que façam conosco? Quem poderá nos dizer que é errado? Foi por aí que o Sr. Nietzsche caminhou na crítica ao pensamento ético kantiano.
Além disso, as palavras que o oponente usou para se expressar nos remetem a outro pensador ateísta: J. A. Ayer. O adversário usou o termo GOSTA. ‘você não gosta que puxem seu cabelo...’. Observem como a citação que faremos do dr. Geisler (expondo o emotivismo de Ayer e cia.) arremata a questão: “As declarações éticas são simplesmente emotivas. Sua relevância não é que declaram fatos ou mandamentos, mas, sim, que expressam o sentimento de quem fala. Por exemplo, a alegada declaração de mandamento ou "deve": "Você não deve furtar," realmente significa "Eu  não gosto  de furtar." Declarações tais como essa não são imperativas, mas, sim, meramente expressam os sentimentos de quem fala, e seu desejo de ver os outros sentirem da mesma maneira” [a citação está no capítulo 2 do livro ‘Ética Cristã’ de Norman Geisler. Também não o temos em mãos para uma referência completa]. Percebam que a ética proposta pelo ateísmo pode ser, no máximo emotivista, e isso torna a ética uma questão de gosto.
Aliás, é válido mencionar para todos os expectadores que eminentes filósofos ateístas concordam que, uma vez que Deus não existe, só nos resta o niilismo. Dentre eles temos Camus, Sartre, Russell e o próprio Nietzsche.
Já gastamos muito espaço para expor a fragilidade das afirmações e pretensões do nosso adversário. Se preciso, aprofundaremos a exposição. Por hora, vejamos como ele se dá com o que foi demonstrado, e que responda às nossas indagações.
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Ponto 3. Acusou o teísmo de misticismo. Mas, na sua definição de dicionário (diga-se de passagem, completamente fail), você se refere ao panteísmo. Portanto, nós não precisamos lidar com tal acusação.
Depois, o oponente usou uma definição para místico que na verdade pertence a mito. Portanto, as acusações de nosso oponente quanto ao teísmo ser místico comete pelo menos três notórios equívocos: primeiro, a generalização (ainda que nosso oponente não saiba, muitos teístas são místicos, em todos os sentidos válidos do termo, e não no sentido proposto pelo adversário. Mas, afirmar que, pelo fato de haver um grupo de teístas místicos, então todos são, é cometer falácia ‘que até uma criança de cinco anos’ pode perceber!); segundo: ele se confunde em suas próprias definições (numa ele fala de panteísmo, noutra fala de mitologia; ou seu discurso, em si, é contraditório) [Cabe perguntar ao adversário diretamente, para não haver evasivas: você notou que suas duas definições se contradizem?]; e, terceiro, nenhuma das acusações se enquadram no teísmo que estamos defendendo (nós mesmo não o abraçamos).

“ô se não tem....kkkkk”
O que é isso? Persuasões psicológicas são picaretagens intelectuais que não funcionarão conosco! Mas, já que se valeu da técnica da ridicularizarão, gostaria que demonstrasse que o teísmo, em todas as suas vertentes, é mitológico.
“Ate hoje ainda é usada” [referindo-se à falácia do ‘Deus das Lacunas’]. E daí? Até hoje tem ateu dizendo que existe valores morais objetivos sem que Deus exista... [um pouco de provocação não machuca ninguém... :D ]. Não nos interessa se existem pessoas que usam desse subterfúgio. A não ser que usemos, é perda de tempo fazer tal observação. O que estamos afirmando aqui é, portanto, que não é uma característica essencial do teísmo ser mitológico, fazendo as acusações do oponente serem completamente non-sense. [Notamos que estamos descendo ao nível do oponente e apenas fazendo alegações. Mas, no decorrer do debate, estaremos demonstrando isso. Além disso, é obrigação do oponente arcar com suas afirmações, e, por enquanto, estamos apenas aplicando ceticismo à suas afirmações].
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Ponto 4. Bom, epistemologicamente, também vemos que nosso adversário está em confusão. Primeiro, ele admite que existem outras formas de se obter conhecimento além da empírica (“há outros métodos que usam a razão, a lógica ou a simples experimentação” – e aqui comete a gafe de definir experimentação como algo diferente de um método empírico...).  Logo, quando perguntamos se existem categorias de conhecimento que fogem à alçada do empirismo, ele disse que desconhece! Mas, como então admitiu a obtenção de conhecimento pela razão e pela lógica? Evidentemente, ele se contradiz.
Para evitar confusão, gostaríamos que o oponente definisse razão.
E, não, as respostas não deixaram claro como é que o empirismo se torna a principal forma de conhecimento. Se admite-se que ele é apenas uma das formas, e que se restringe, naturalmente, a questões que descobrimos pelas vias sensoriais, só poderemos chamá-lo de principal condutor de conhecimento se considerarmos os objetos de sua alçada como os principais. Nos parece algo muito subjetivo usar o termo ‘principal’. Gostaríamos de uma mais rica exposição, para, então, aplicarmos nossa argumentação epistemológica contra o naturalismo e a favor do teísmo (a título de cosmovisão).
Quanto ao ‘cientificismo’, se conhecesse o termo nos pouparia tempo (espaço). Portanto, detenha-se nas outras questões, pois estamos explorando os aspectos que determinam se você coaduna com esta linha de pensamento e abandone essa questão. Teremos a resposta pelas outras.
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Por fim, ponto 5. Moderador (e demais expectadores), temos aqui de declarar que, ou somos completamente incompetentes em nos comunicarmos, ou nosso oponente não sabe ler e interpretar (pode, também, ter lido com pressa), ou, ainda, que ele está usando de desonestidade intelectual. Ele tirou nossas palavras do contexto, dando-lhe outro sentido.
Observem o que dissemos: “Ainda gostaríamos de ver como é que o avanço da ciência para explicar a realidade nos leva ao ateísmo.” [uma referência ao discurso inicial do oponente]. Observem o que o oponente apresentou (cortando o ‘ainda gostaríamos de ver como é que...’): “’avanço da ciência para explicar a realidade nos leva ao ateísmo’ então você afirma que quanto mais a ciência avança mais se mostra pro ateísmo??”. Evidentemente não foi isso que dissemos [aqui, corrigimos nossa fala, que apresentava o verbo na primeira pessoa do singular]!
Bom, sendo generosos ao supor que houve um equívoco hermenêutico, reforçaremos o desafio (que poderá ser acatado para o ponto 2, a segunda rodada, do adversário).  No discurso de apresentação, nosso adversário propôs o seguinte: “vou apontar argumentos positivos, mostrando que a medida que as ciências avançam, mais resposta se tem ( e menos misticismo), mostrando que o "misticismo" é apenas falta de resposta lógica, racional, bom senso...” É disso que inferimos ser sua base para crer no ateísmo. Portanto, o avanço da ciência coaduna (se não prova) o ateísmo, SEGUNDO afirma o oponente [não vá citar minha frase pelas metades, de modo que ganhe outro sentido!]. Não conseguimos perceber isso, e gostaríamos que fosse exposto. Sem mais.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Lei de Deus é eterna

Jesus disse que a lei de Deus se cumprirá, com absoluta certeza. Ele não veio revogar nada da lei de Deus, veio sim cumprir. Tanto na prática, como um servo de Deus, bem como profeticamente e tipicamente (Mt 5.17,18). Por isso, mesmo as partes que eram passageiras por sua natureza, são eternas em sua essência, pois elas se materializaram naquilo que prefiguraram, ou anunciavam. Isso está claro.

A lei de Deus garante o evangelho, pediu o evangelho e anuncia o evangelho. A lei torna o evangelho necessário, faz isso de maneira profética, simbólica e condenatória (Rm 7.1-25).

O problema rebatido nas cartas apostólicas é a heresia de olhar para a lei, que em Cristo foi cumprida, como um meio de reconciliação com Deus, ou mesmo como obras de caráter salvífico, (algumas vezes como identificação judaica em oposição ao cristianismo). Isso é aplicado ao que é moral, cerimonial, cívico, etc. na lei. Por outro lado, abandonar a lei na vida cristã, seria negar o padrão de vida que todo justificado afirma ter (Rm 8.3,4).

Acontece que algumas leis foram cumpridas por Cristo, não no sentido profético, mas cerimonial, e como estilo de vida. Estas últimas seriam cumpridas por ele, e não mais deveriam ser reproduzidas na prática cristã. Porém, em Atos encontramos cristãos fazendo o que não mais precisavam (At 21.17-26). Qualquer período de transição é crítico. Assim, as práticas da Igreja de Atos, devem ser examinadas à luz dessa realidade transitória.

Não existe preocupação alguma dos escritores apostólicos em dividir a lei em moral e cerimonial. Entre 10 mandamentos e demais prescrições. A lei moral pode ser encontrada resumidamente nos 10 mandamentos. Isso não significa que estejam apenas ali. (Até hoje não encontrei no Velho Testamento nenhuma punição ou ‘classificação negativa’, como das que são comuns no VT,  se um casal de noivos tivessem relações sexuais antes do casamento. Nós chamamos de fornicação, pecado sexual tendo a reprovação divinal. O Velho Testamento só obrigava, sob a decisão do pai da moça, o casamento (Dt 22.28,29). O Novo Testamento é que o nivela com o adultério (Hb 13.4).)

Creio, portanto, que os dez mandamentos reúnem, satisfatoriamente, mas não exaustivamente, a lei moral de Deus. Jesus, quando indagado sobre os mandamentos, respondeu citando as palavras de Dt 6.4,5 e Lv 19.18 (veja também Mt 19.18). O NT não se preocupa com a divisão. Os leitores tinham em mira tal questão de maneira livre. Aliás, nem mesmo o VT tinha essa preocupação. A maior prova disso é o Salmo 119. Ali o autor usa palavras como lei, preceito, decreto, estatuto, palavra, testemunho, caminho, mandamento, como sinônimo de toda vontade de Deus dada a Israel.

Não sei se alguém se arriscaria a dizer que ali ele está falando apenas dos 10 mandamentos!!! Os dez mandamentos não proíbem a poligamia.

Aliás, para os cristãos, o sétimo mandamento HOJE, proíbe a poligamia.

Jesus, misturou a lei moral com a civil em um só fôlego, asseverando que ambas era de Deus:
·        
“Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a atua mãe,
e: quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.”

Na minha leitura da Bíblia, encontro leis diversas, mas que fazem parte de um compêndio, de um único autor: Deus. Tendo todas elas duração eterna, orientações de vida, litúrgicas e tudo mais.

O que acontece é que o NT abre as cortinas do palco da glória de Deus. Coloca todas as coisas sob outra perspectiva, mais exata e plena. A Igreja agora possui eventos diferentes e infinitivamente superiores ao que serviu de contexto para a aplicação da lei de Deus – A Pessoa e obra de Cristo!!! A mesma lei moral de Deus, eterna e abrangente, agora entrelaça com realidades prefiguradas, bem como novas revelações, formatam a norteiam a nossa leitura da lei.

CONCLUSÃO

Um cristão Reformado pode ler a Bíblia TODA, não apenas o Novo Testamento, ou de Atos para frente, como deveria ler os dispensacionalista. Não adianta John MacArthur criticar alguns dispensacionalistas por fazerem isso, quem é incoerente com o próprio sistema é MacArthur e não os dispensacionalistas! (O Evangelho Segundo Jesus, O Evangelho Segundo os Apóstolos – Ed. Fiel). E não apenas Êxodo 20.1-17; e o Novo Testamento como deveriam ler os Adventistas.

Sou adepto de uma visão hermenêutica que coloca Cristo no centro, não apenas como moderador, mas como Soberano, sendo o autor, a causa e o efeito da lei, na verdade de toda a Palavra, o fim e manutenção dela, sem prejuízo para sua missão humana e messiânica.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um tributo ao Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL) e aos Evangelistas

Este ano o Instituto Bíblico Eduardo Lane completou oitenta anos de existência (Um breve histórico leia: http://www.ibel.org.br/novo/index.php?oqf=historico). Quero escrever quais as impressões pessoais tive por estudar ali, e como o IBEL é sem duvida alguma, um instrumento nas mãos do Senhor no ensino de missionários para o trabalho nos campos da IPB.

  • Apesar de que, 'vez por outra', os evangelistas são tratados por alguns [ou vários!?] pastores na IPB como um estorvo – pois em tese oferecem ‘mão de obra mais barata’. Para essa situação, repito o que J. I. Packer disse diante de classificações negativas: “Palavras duras não quebram ossos, e vamos prosseguindo.”


O Estado de Minas Gerais recebeu e recebe forte influência do trabalho dos Evangelistas do IBEL, e não seria exagero dizer que os evangelistas tem participação no grande número de presbiterianos daquele estado. Obviamente, assim como em qualquer Seminário, existem os que saem de lá e só dão vergonha para a Instituição. Mas esses, já estavam dando problemas lá dentro...

Ressalto a respeito do IBEL:

1. Compromisso com a Fé Presbiteriana. No IBEL não se brinca com o lixo da teologia liberal. Lá é lixo mesmo... Além disso, as vertentes conhecidas como teologia da prosperidade, ou determinista, não passam de contos de fadas! No IBEL estudam-se os Símbolos de Fé e a Constituição da IPB, e o texto de Teologia é o Manual de Doutrina Cristã de Louis Berkof.

2. Exigência de leitura bíblica na grade curricular. Se o aluno não ler a Bíblia três vezes em seu curso, ele não será um aluno formado. Isso demonstra que a leitura da palavra de Deus é um compromisso levado a sério nesta Instituição.

3. Vida piedosa e aulas práticas. No IBEL os alunos se reúnem regularmente para orar, evangelizar. Existem programações para os jovens. Daquelas que os casados não tem paciência de participar, mas são todas de importância para os que estão ali ‘alojados’. O IBEL organiza para seus alunos trabalhos práticos semanais. Isso acentua não apenas o ensino mas a espiritualidade.

4. Profundidade teológica suficiente para conduzir uma Igreja/Congregação Presbiteriana. Na grade de ensino do IBEL existe quase todas as matérias de um Seminário. Filosofia e Hebraico não existem. O grego é opcional. E por falar em grego, o IBEL possui, pela sua editora, um livro de ensino do grego bíblico de autoria de um professor local. O que uma Igreja de Cristo necessita da parte de um líder, o aluno aprende ali.  A Biblioteca do IBEL é uma das maiores do Brasil com acervo teológico.

5. Professores que deixam marcas piedosas. O que mais me admirou no IBEL é que os professores são cristãos humildes. Existe lá mestres com, ou em, formação acadêmica. Ou mesmo os que não possuem tal título, demonstram uma vida cristã piedosa e humilde. Crentes que o mundo não é digno.  

Obviamente, muitos que estudaram lá, poderiam reclamar de algumas coisas. Onde tem pessoas, existem falhas e erros. Por outro lado, o quanto os professores poderiam reclamar  desses alunos também... o saldo final é que o IBEL faz bem para todos que passam por lá.

OS EVANGELISTAS

O IBEL presta um serviço para IPB que não raro é esquecido. O entrave em busca de reconhecimento ministerial já é coisa do passado, e nem deve ser buscado. Recentemente uma decisão do Supremo pelo menos fez o que já deveria ser feito. Os Evangelistas podem ser Consagrados na presença do Presbitério. Veja:

Conforme descrito a seguir, aprova-se a seguinte regulamentação de evangelista: 1. A IPB através de suas igrejas, presbitérios e juntas poderá consagrar obreiro-evangelistas para a pregação do evangelho, plantação de igrejas, discipulado, orientação bíblico-doutinária e edificação do povo de Deus. 2. A apresentação de obreiro-evangelista se dará pelas igrejas, presbitérios e juntas após receber da igreja da qual ele é membro comungante as seguintes informações: I. O candidato ser membro professo da IPB a mais de três anos; II. "Por ser vocacionado como obreiro-evangelista, o mesmo deverá ter concluído curso teológico para formação de evangelistas e missionários em um dos Institutos Bíblicos da IPB, que tenha no mínimo 02 anos de formação, ficando a responsabilidade de envio dos candidatos a cargo das igrejas, para Institutos gerenciados por presbitérios, e quando este envio se der para um Instituto fora do âmbito presbiteriano, deverá ocorrer uma consulta à JET, para que a mesma se pronuncie sobre a idoneidade do Instituto"; 3. O obreiro-evangelista não integrará o quadro de obreiros do concílio que o consagrar. 4. No ato da apresentação do obreiro-evangelista, que deverá ocorrer todas as vezes que houver mudança de concílio, está deverá ser realizada mediante oração feita pelo presbitério, na ocasião o candidato à função de obreiro-evangelista deverá reafirmar a aceitação da Palavra de Deus como única regra de fé e prática, a aceitação integral dos símbolos de fé como expressão de fidelidade doutrinária, o acatamento da CI/IPB e de suas autoridades constituídas;” (Fonte: http://abcdaigrejapresbiterianadobrasil.blogspot.com.br/2011/03/missionarias-os-obreirasos-evangelistas.html#more)



I João 5.7


Por Marcelo Lemos

"Imagine que, durante uma pregação ou aula, você peça que a congregação leiaI João 5.7, onde você lê: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um!”. Nem bem você termina a leitura, e alguém levanta a mão: “Ei, pastor, não tem nada disso na minha Bíblia”. De fato, na maioria das traduções modernas a maior parte do conteúdo deste versículo foi completamente extirpada. Qual a razão disso!!

Há, ao menos, duas respostas a esta questão. Alguns afirmam que trata-se de uma conspiração diabólica, cuja intenção é minar as bases bíblicas para a Doutrina da Trindade; o outro lado afirma que suas razões baseiam-se em fatos científicos, que comprovariam que este versículo não consta na maioria dos manuscritos gregos. Não são as únicas explicações, são as mais comuns. Uma outra resposta, menos conhecida do grande publico, foi proposta por Edwards Freer Hills. Segundo o Dr. Hills, I João 5.7 não foi um “parentese” acrescentado, mas sim, suprimido pela Igreja Grega quando da disputa contra os sabelianos (modalistas). Isso explicaria a razão dos textos gregos suprimirem tais palavras, enquanto que nas versões latinas o texto é melhor atestado.

Explicando o “parentese joanino”, ou, A evidencia contraria...

Tendo em vista que a maior parte das traduções bíblicas utilizadas pelas Igrejas herdeiras da Reforma terem se baseado no famoso Texto Receptus, que fora compilado pelo católico Erasmus, poucas pessoas identificavam qualquer problema em I João 5.7, apesar do próprio Erasmus só ter incluído as palavras em disputa hoje, após ter sido duramente criticado – em sua compilação original não havia as palavras hoje em disputa, o que ele justificou alegando não ter encontrado nenhum manuscrito que o contivesse. Devido as críticas, prometeu que se alguém lhe mostrasse pelo menos um manuscrito com aquelas palavras, as incluiria nas versões futuras; e assim aconteceu.

A primeira edição do Textus Receptus (1516), e também a segunda (1519), não continham o disputado “Comma Johanneum”. Ele seria incluído, porém, nas edições futuras, na quarta (1522), na quinta (1527), e na sexta (1535). O texto também não aparece em nenhuma versão do Texto Majoritário, nem na tradução alemã feita por Lutero (1522), que foi baseada na segunda edição do texto de Eramus, que fora publicado em 1519.

O texto porém faz parte de outras versões igualmente famosas, a começar pela Vulgata Latina, de Jeronimo (380-400 d.C.); nas edições posteriores do Textus Receptus editadas por Stephens (1546, 1550, e 1551), também no editado por Beza (1598), por Elzevir (1624 e 1633), e no editado por Scrivener (1894). Todas as versões bíblicas traduzidas a partir destes textos, incluem o “Parentese Joanino”, o que inclui a famosíssima Kinga James Version, utilizada quase universalmente por todas as Igrejas herdeiras da Reforma, e outras traduções igualmente dignas, como a João Ferreira de Almeida (português), e a Reina-Valera (espanhol), dentre outras.

A favor do “Parentese Joanino”.

Seus próprios defensores admitem haver muito pouco de evidencia textual para sustentá-lo. Os manuscritos que trazem o “Parentese” são entre quatro ou oito, dependendo da metodologia, haja vista que dentre eles, há manuscritos que trazem o parêntese anotado na margem, e não no corpo da carta. São evidencias muito fracas.

A tese já citada do Dr. Hills nos parece a mais interessante numa empreitada pela defesa do “Parentese”, e, além disso, nos mostra o quanto ainda não conhecemos sobre os primórdios da Igreja – o que certamente nos freia o impulso de simplesmente ir cortando isso ou aquilo do texto sagrado. No entanto, a tese de Hills não soluciona a falta de evidencia textual. Mas, trata-se de campo a ser investigado. Honestamente, não sei dizer se alguém já comprovou ou refutou a referida tese.

Com evidencia textual tão fraca, o melhor argumento dos defensores do “Parentese” apela para a evidencia interna da Carta de João. Alegam, e acertamente, que a exclusão do “Parentese” cria um certa incongruência na gramatica do texto. Isso, até onde vejo, é verdade. É, alias, o argumento que me faz ter cautela, e continuar usando o 'parêntese' sem nenhuma dor na consciência, até que explicação plausível para este problema gramatical chegue ao meu conhecimento.

Algumas considerações finais.

Como vimos, até mesmo os maiores defensores da autenticidade do parêntese Joanino, admitem que o versículo possui pouca sustentação, no entanto, se apegam a argumentos razoáveis na defesa de sua autenticidade, especialmente a coerência gramatical interna. Nos parece certo que as provasexternas – ou seja, manuscritos - mais contundentes apontam contra a autenticidade da mesma. Eu gostaria, então, de concluir este pequeno artigo compartilhando da opinião de A.A. Hodge, grande teólogo reformado:

“a) Entre os homens ilustrados e piedosos há diferença de opiniões quanto à preponderancia das evidencias; as mais abalizadas inclinam-se contra a genuinidade da cláusula.

b) A doutrina ensinada nessa passagem é tão bíblica, e é tão íntima a conexão gramatical e lógica da cláusula com o contexto, que, para edificação, e no estado atual do nosso conhecimento, devemos retê-la, mas não devemos citá-la para estabelecer doutrina.

c) A rejeição dessa passagem de modo algum diminui a força irresistível das provas fornecidas pelas Escrituras a favor da doutrina ortodoxa sobre a Trindade” (HODGE. A.A.Esboços de Teologia Sistemática; pg. 238).

Em outras palavras, não vejo quem rejeita o “Parentese Joanino” como membro de uma conspiração diabólica contra a Doutrina da Trindade. Acredito que se o texto foi originalmente interpolado, se deu para a defesa da mesma, e caso tenha sido originalmente extirpado, se deu pelo menos motivo, mas num contexto diferente. Garanto aos irmãos que posso, sem nenhum problema, esmagar todos os argumentos contra a Trindade usando uma versão bíblica que não contenha o 'Parêntese', risos.

Minha opção pessoal, para deixar claro, é pela manutenção do 'parêntese', não devido a evidencia textual, pois esta é contrariamente esmagadora, mas pela questão gramatical envolvida. Entretanto, admito que quem rejeita o texto, tem motivos tão bons quanto os meus, e talvez até maiores.


domingo, 2 de junho de 2013

Como o Rev. Marcos Amaral 'profana' a Caminhada Presbiteriana em Copacabana?

Os presbiterianos são orientados a não participarem da marcha para Jesus. As razões são éticas e teológicas. Reconheço as razões apresentadas como válidas.

Agora, meu recado aos meus irmãos/reverendos/blogueiros presbiterianos. O que dizer da nossa ‘caminhada’? Quero aqui apresentar razões teológicas e éticas, e ao mesmo tempo perguntar, se não seriam razões de não participar dessa caminhada:

1. O articulador principal desta caminha é o mais polêmico pastor presbiteriano da atualidade. Ninguém menos que Marcos Amaral! Prefere mundanos no controle da ética. Que até agora não pediu perdão, nem a ao Deputado, nem pediu desculpas públicas aos presbiterianos por fazer afirmações contra a pureza da consciência reformada e cristã.

2. O tema da passeata. A tônica desta passeata não é evangelistica. Coloquem como tema desta passeata, visto que está envolvendo a Igreja de Cristo, uma mensagem contra o pecado, em defesa da família cristã. A igreja não pode advertir as pessoas a terem fé na cidadania, isso pode ruir a qualquer hora. As pessoas tem que crer no Evangelho e abandonar o pecado!

Aliás, o reverendo Marcos Amaral já até disse que ‘a religião cristã não é religião de confrontação, que isso é do diabo!’ Obviamente o tema da passeata, não tem interesse confrontar o pecado. Embora os irmãos fieis que ali estarão, acharão que sim, e dentro de suas esfera individual, farão isso.

3. Os interesses de Marcos Amaral. Como já demonstrei, o Reverendo Amaral é um ‘emissário da ONU e da Globo’ entre os presbiterianos. Ele será a porta de entrada do liberalismo teológico, ‘que já presente entre nós’, na IPB. Ele tem um discurso pluralista, tolerante com pecado, que não reflete em nada os postulados de fé Cristãos e Reformados que ele prometeu ser fiel. ESSA PASSEATA SERVE AOS SEUS INTERESSES.

Por causa dessas polêmicas, Amaral pode, estrategicamente, sair de cena. Mas se a Globo der algum tipo de cobertura, (como já confirmou o site do evento) lá ele estará. Artistas e políticos, quem sabe espíritas e ativistas gays, receberão o convite de Amaral, afinal ele já disse: “Religiosos ou nãoestão convidados para esta passeata. Claro, é pela cidadania e não pelo Evangelho!

Os recursos da IPB caiu como um passarinho inocente nisto. Visto que o Reverendo Marcos Amaral conseguiu apoio para sua passeata, via Sínodo(s), e a Executiva do SC ficou de mãos atadas.

O dia que o Reverendo Marcos Amaral sair de cena desta caminhada, ou se ele publicamente mudar sua postura, em sintonia com a consciência dos presbiterianos brasileiros, as atividades filantrópicas desta passeata terá um pano de fundo realmente Reformado.