terça-feira, 4 de junho de 2013

A Lei de Deus é eterna

Jesus disse que a lei de Deus se cumprirá, com absoluta certeza. Ele não veio revogar nada da lei de Deus, veio sim cumprir. Tanto na prática, como um servo de Deus, bem como profeticamente e tipicamente (Mt 5.17,18). Por isso, mesmo as partes que eram passageiras por sua natureza, são eternas em sua essência, pois elas se materializaram naquilo que prefiguraram, ou anunciavam. Isso está claro.

A lei de Deus garante o evangelho, pediu o evangelho e anuncia o evangelho. A lei torna o evangelho necessário, faz isso de maneira profética, simbólica e condenatória (Rm 7.1-25).

O problema rebatido nas cartas apostólicas é a heresia de olhar para a lei, que em Cristo foi cumprida, como um meio de reconciliação com Deus, ou mesmo como obras de caráter salvífico, (algumas vezes como identificação judaica em oposição ao cristianismo). Isso é aplicado ao que é moral, cerimonial, cívico, etc. na lei. Por outro lado, abandonar a lei na vida cristã, seria negar o padrão de vida que todo justificado afirma ter (Rm 8.3,4).

Acontece que algumas leis foram cumpridas por Cristo, não no sentido profético, mas cerimonial, e como estilo de vida. Estas últimas seriam cumpridas por ele, e não mais deveriam ser reproduzidas na prática cristã. Porém, em Atos encontramos cristãos fazendo o que não mais precisavam (At 21.17-26). Qualquer período de transição é crítico. Assim, as práticas da Igreja de Atos, devem ser examinadas à luz dessa realidade transitória.

Não existe preocupação alguma dos escritores apostólicos em dividir a lei em moral e cerimonial. Entre 10 mandamentos e demais prescrições. A lei moral pode ser encontrada resumidamente nos 10 mandamentos. Isso não significa que estejam apenas ali. (Até hoje não encontrei no Velho Testamento nenhuma punição ou ‘classificação negativa’, como das que são comuns no VT,  se um casal de noivos tivessem relações sexuais antes do casamento. Nós chamamos de fornicação, pecado sexual tendo a reprovação divinal. O Velho Testamento só obrigava, sob a decisão do pai da moça, o casamento (Dt 22.28,29). O Novo Testamento é que o nivela com o adultério (Hb 13.4).)

Creio, portanto, que os dez mandamentos reúnem, satisfatoriamente, mas não exaustivamente, a lei moral de Deus. Jesus, quando indagado sobre os mandamentos, respondeu citando as palavras de Dt 6.4,5 e Lv 19.18 (veja também Mt 19.18). O NT não se preocupa com a divisão. Os leitores tinham em mira tal questão de maneira livre. Aliás, nem mesmo o VT tinha essa preocupação. A maior prova disso é o Salmo 119. Ali o autor usa palavras como lei, preceito, decreto, estatuto, palavra, testemunho, caminho, mandamento, como sinônimo de toda vontade de Deus dada a Israel.

Não sei se alguém se arriscaria a dizer que ali ele está falando apenas dos 10 mandamentos!!! Os dez mandamentos não proíbem a poligamia.

Aliás, para os cristãos, o sétimo mandamento HOJE, proíbe a poligamia.

Jesus, misturou a lei moral com a civil em um só fôlego, asseverando que ambas era de Deus:
·        
“Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a atua mãe,
e: quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.”

Na minha leitura da Bíblia, encontro leis diversas, mas que fazem parte de um compêndio, de um único autor: Deus. Tendo todas elas duração eterna, orientações de vida, litúrgicas e tudo mais.

O que acontece é que o NT abre as cortinas do palco da glória de Deus. Coloca todas as coisas sob outra perspectiva, mais exata e plena. A Igreja agora possui eventos diferentes e infinitivamente superiores ao que serviu de contexto para a aplicação da lei de Deus – A Pessoa e obra de Cristo!!! A mesma lei moral de Deus, eterna e abrangente, agora entrelaça com realidades prefiguradas, bem como novas revelações, formatam a norteiam a nossa leitura da lei.

CONCLUSÃO

Um cristão Reformado pode ler a Bíblia TODA, não apenas o Novo Testamento, ou de Atos para frente, como deveria ler os dispensacionalista. Não adianta John MacArthur criticar alguns dispensacionalistas por fazerem isso, quem é incoerente com o próprio sistema é MacArthur e não os dispensacionalistas! (O Evangelho Segundo Jesus, O Evangelho Segundo os Apóstolos – Ed. Fiel). E não apenas Êxodo 20.1-17; e o Novo Testamento como deveriam ler os Adventistas.

Sou adepto de uma visão hermenêutica que coloca Cristo no centro, não apenas como moderador, mas como Soberano, sendo o autor, a causa e o efeito da lei, na verdade de toda a Palavra, o fim e manutenção dela, sem prejuízo para sua missão humana e messiânica.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um tributo ao Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL) e aos Evangelistas

Este ano o Instituto Bíblico Eduardo Lane completou oitenta anos de existência (Um breve histórico leia: http://www.ibel.org.br/novo/index.php?oqf=historico). Quero escrever quais as impressões pessoais tive por estudar ali, e como o IBEL é sem duvida alguma, um instrumento nas mãos do Senhor no ensino de missionários para o trabalho nos campos da IPB.

  • Apesar de que, 'vez por outra', os evangelistas são tratados por alguns [ou vários!?] pastores na IPB como um estorvo – pois em tese oferecem ‘mão de obra mais barata’. Para essa situação, repito o que J. I. Packer disse diante de classificações negativas: “Palavras duras não quebram ossos, e vamos prosseguindo.”


O Estado de Minas Gerais recebeu e recebe forte influência do trabalho dos Evangelistas do IBEL, e não seria exagero dizer que os evangelistas tem participação no grande número de presbiterianos daquele estado. Obviamente, assim como em qualquer Seminário, existem os que saem de lá e só dão vergonha para a Instituição. Mas esses, já estavam dando problemas lá dentro...

Ressalto a respeito do IBEL:

1. Compromisso com a Fé Presbiteriana. No IBEL não se brinca com o lixo da teologia liberal. Lá é lixo mesmo... Além disso, as vertentes conhecidas como teologia da prosperidade, ou determinista, não passam de contos de fadas! No IBEL estudam-se os Símbolos de Fé e a Constituição da IPB, e o texto de Teologia é o Manual de Doutrina Cristã de Louis Berkof.

2. Exigência de leitura bíblica na grade curricular. Se o aluno não ler a Bíblia três vezes em seu curso, ele não será um aluno formado. Isso demonstra que a leitura da palavra de Deus é um compromisso levado a sério nesta Instituição.

3. Vida piedosa e aulas práticas. No IBEL os alunos se reúnem regularmente para orar, evangelizar. Existem programações para os jovens. Daquelas que os casados não tem paciência de participar, mas são todas de importância para os que estão ali ‘alojados’. O IBEL organiza para seus alunos trabalhos práticos semanais. Isso acentua não apenas o ensino mas a espiritualidade.

4. Profundidade teológica suficiente para conduzir uma Igreja/Congregação Presbiteriana. Na grade de ensino do IBEL existe quase todas as matérias de um Seminário. Filosofia e Hebraico não existem. O grego é opcional. E por falar em grego, o IBEL possui, pela sua editora, um livro de ensino do grego bíblico de autoria de um professor local. O que uma Igreja de Cristo necessita da parte de um líder, o aluno aprende ali.  A Biblioteca do IBEL é uma das maiores do Brasil com acervo teológico.

5. Professores que deixam marcas piedosas. O que mais me admirou no IBEL é que os professores são cristãos humildes. Existe lá mestres com, ou em, formação acadêmica. Ou mesmo os que não possuem tal título, demonstram uma vida cristã piedosa e humilde. Crentes que o mundo não é digno.  

Obviamente, muitos que estudaram lá, poderiam reclamar de algumas coisas. Onde tem pessoas, existem falhas e erros. Por outro lado, o quanto os professores poderiam reclamar  desses alunos também... o saldo final é que o IBEL faz bem para todos que passam por lá.

OS EVANGELISTAS

O IBEL presta um serviço para IPB que não raro é esquecido. O entrave em busca de reconhecimento ministerial já é coisa do passado, e nem deve ser buscado. Recentemente uma decisão do Supremo pelo menos fez o que já deveria ser feito. Os Evangelistas podem ser Consagrados na presença do Presbitério. Veja:

Conforme descrito a seguir, aprova-se a seguinte regulamentação de evangelista: 1. A IPB através de suas igrejas, presbitérios e juntas poderá consagrar obreiro-evangelistas para a pregação do evangelho, plantação de igrejas, discipulado, orientação bíblico-doutinária e edificação do povo de Deus. 2. A apresentação de obreiro-evangelista se dará pelas igrejas, presbitérios e juntas após receber da igreja da qual ele é membro comungante as seguintes informações: I. O candidato ser membro professo da IPB a mais de três anos; II. "Por ser vocacionado como obreiro-evangelista, o mesmo deverá ter concluído curso teológico para formação de evangelistas e missionários em um dos Institutos Bíblicos da IPB, que tenha no mínimo 02 anos de formação, ficando a responsabilidade de envio dos candidatos a cargo das igrejas, para Institutos gerenciados por presbitérios, e quando este envio se der para um Instituto fora do âmbito presbiteriano, deverá ocorrer uma consulta à JET, para que a mesma se pronuncie sobre a idoneidade do Instituto"; 3. O obreiro-evangelista não integrará o quadro de obreiros do concílio que o consagrar. 4. No ato da apresentação do obreiro-evangelista, que deverá ocorrer todas as vezes que houver mudança de concílio, está deverá ser realizada mediante oração feita pelo presbitério, na ocasião o candidato à função de obreiro-evangelista deverá reafirmar a aceitação da Palavra de Deus como única regra de fé e prática, a aceitação integral dos símbolos de fé como expressão de fidelidade doutrinária, o acatamento da CI/IPB e de suas autoridades constituídas;” (Fonte: http://abcdaigrejapresbiterianadobrasil.blogspot.com.br/2011/03/missionarias-os-obreirasos-evangelistas.html#more)



I João 5.7


Por Marcelo Lemos

"Imagine que, durante uma pregação ou aula, você peça que a congregação leiaI João 5.7, onde você lê: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um!”. Nem bem você termina a leitura, e alguém levanta a mão: “Ei, pastor, não tem nada disso na minha Bíblia”. De fato, na maioria das traduções modernas a maior parte do conteúdo deste versículo foi completamente extirpada. Qual a razão disso!!

Há, ao menos, duas respostas a esta questão. Alguns afirmam que trata-se de uma conspiração diabólica, cuja intenção é minar as bases bíblicas para a Doutrina da Trindade; o outro lado afirma que suas razões baseiam-se em fatos científicos, que comprovariam que este versículo não consta na maioria dos manuscritos gregos. Não são as únicas explicações, são as mais comuns. Uma outra resposta, menos conhecida do grande publico, foi proposta por Edwards Freer Hills. Segundo o Dr. Hills, I João 5.7 não foi um “parentese” acrescentado, mas sim, suprimido pela Igreja Grega quando da disputa contra os sabelianos (modalistas). Isso explicaria a razão dos textos gregos suprimirem tais palavras, enquanto que nas versões latinas o texto é melhor atestado.

Explicando o “parentese joanino”, ou, A evidencia contraria...

Tendo em vista que a maior parte das traduções bíblicas utilizadas pelas Igrejas herdeiras da Reforma terem se baseado no famoso Texto Receptus, que fora compilado pelo católico Erasmus, poucas pessoas identificavam qualquer problema em I João 5.7, apesar do próprio Erasmus só ter incluído as palavras em disputa hoje, após ter sido duramente criticado – em sua compilação original não havia as palavras hoje em disputa, o que ele justificou alegando não ter encontrado nenhum manuscrito que o contivesse. Devido as críticas, prometeu que se alguém lhe mostrasse pelo menos um manuscrito com aquelas palavras, as incluiria nas versões futuras; e assim aconteceu.

A primeira edição do Textus Receptus (1516), e também a segunda (1519), não continham o disputado “Comma Johanneum”. Ele seria incluído, porém, nas edições futuras, na quarta (1522), na quinta (1527), e na sexta (1535). O texto também não aparece em nenhuma versão do Texto Majoritário, nem na tradução alemã feita por Lutero (1522), que foi baseada na segunda edição do texto de Eramus, que fora publicado em 1519.

O texto porém faz parte de outras versões igualmente famosas, a começar pela Vulgata Latina, de Jeronimo (380-400 d.C.); nas edições posteriores do Textus Receptus editadas por Stephens (1546, 1550, e 1551), também no editado por Beza (1598), por Elzevir (1624 e 1633), e no editado por Scrivener (1894). Todas as versões bíblicas traduzidas a partir destes textos, incluem o “Parentese Joanino”, o que inclui a famosíssima Kinga James Version, utilizada quase universalmente por todas as Igrejas herdeiras da Reforma, e outras traduções igualmente dignas, como a João Ferreira de Almeida (português), e a Reina-Valera (espanhol), dentre outras.

A favor do “Parentese Joanino”.

Seus próprios defensores admitem haver muito pouco de evidencia textual para sustentá-lo. Os manuscritos que trazem o “Parentese” são entre quatro ou oito, dependendo da metodologia, haja vista que dentre eles, há manuscritos que trazem o parêntese anotado na margem, e não no corpo da carta. São evidencias muito fracas.

A tese já citada do Dr. Hills nos parece a mais interessante numa empreitada pela defesa do “Parentese”, e, além disso, nos mostra o quanto ainda não conhecemos sobre os primórdios da Igreja – o que certamente nos freia o impulso de simplesmente ir cortando isso ou aquilo do texto sagrado. No entanto, a tese de Hills não soluciona a falta de evidencia textual. Mas, trata-se de campo a ser investigado. Honestamente, não sei dizer se alguém já comprovou ou refutou a referida tese.

Com evidencia textual tão fraca, o melhor argumento dos defensores do “Parentese” apela para a evidencia interna da Carta de João. Alegam, e acertamente, que a exclusão do “Parentese” cria um certa incongruência na gramatica do texto. Isso, até onde vejo, é verdade. É, alias, o argumento que me faz ter cautela, e continuar usando o 'parêntese' sem nenhuma dor na consciência, até que explicação plausível para este problema gramatical chegue ao meu conhecimento.

Algumas considerações finais.

Como vimos, até mesmo os maiores defensores da autenticidade do parêntese Joanino, admitem que o versículo possui pouca sustentação, no entanto, se apegam a argumentos razoáveis na defesa de sua autenticidade, especialmente a coerência gramatical interna. Nos parece certo que as provasexternas – ou seja, manuscritos - mais contundentes apontam contra a autenticidade da mesma. Eu gostaria, então, de concluir este pequeno artigo compartilhando da opinião de A.A. Hodge, grande teólogo reformado:

“a) Entre os homens ilustrados e piedosos há diferença de opiniões quanto à preponderancia das evidencias; as mais abalizadas inclinam-se contra a genuinidade da cláusula.

b) A doutrina ensinada nessa passagem é tão bíblica, e é tão íntima a conexão gramatical e lógica da cláusula com o contexto, que, para edificação, e no estado atual do nosso conhecimento, devemos retê-la, mas não devemos citá-la para estabelecer doutrina.

c) A rejeição dessa passagem de modo algum diminui a força irresistível das provas fornecidas pelas Escrituras a favor da doutrina ortodoxa sobre a Trindade” (HODGE. A.A.Esboços de Teologia Sistemática; pg. 238).

Em outras palavras, não vejo quem rejeita o “Parentese Joanino” como membro de uma conspiração diabólica contra a Doutrina da Trindade. Acredito que se o texto foi originalmente interpolado, se deu para a defesa da mesma, e caso tenha sido originalmente extirpado, se deu pelo menos motivo, mas num contexto diferente. Garanto aos irmãos que posso, sem nenhum problema, esmagar todos os argumentos contra a Trindade usando uma versão bíblica que não contenha o 'Parêntese', risos.

Minha opção pessoal, para deixar claro, é pela manutenção do 'parêntese', não devido a evidencia textual, pois esta é contrariamente esmagadora, mas pela questão gramatical envolvida. Entretanto, admito que quem rejeita o texto, tem motivos tão bons quanto os meus, e talvez até maiores.


domingo, 2 de junho de 2013

Como o Rev. Marcos Amaral 'profana' a Caminhada Presbiteriana em Copacabana?

Os presbiterianos são orientados a não participarem da marcha para Jesus. As razões são éticas e teológicas. Reconheço as razões apresentadas como válidas.

Agora, meu recado aos meus irmãos/reverendos/blogueiros presbiterianos. O que dizer da nossa ‘caminhada’? Quero aqui apresentar razões teológicas e éticas, e ao mesmo tempo perguntar, se não seriam razões de não participar dessa caminhada:

1. O articulador principal desta caminha é o mais polêmico pastor presbiteriano da atualidade. Ninguém menos que Marcos Amaral! Prefere mundanos no controle da ética. Que até agora não pediu perdão, nem a ao Deputado, nem pediu desculpas públicas aos presbiterianos por fazer afirmações contra a pureza da consciência reformada e cristã.

2. O tema da passeata. A tônica desta passeata não é evangelistica. Coloquem como tema desta passeata, visto que está envolvendo a Igreja de Cristo, uma mensagem contra o pecado, em defesa da família cristã. A igreja não pode advertir as pessoas a terem fé na cidadania, isso pode ruir a qualquer hora. As pessoas tem que crer no Evangelho e abandonar o pecado!

Aliás, o reverendo Marcos Amaral já até disse que ‘a religião cristã não é religião de confrontação, que isso é do diabo!’ Obviamente o tema da passeata, não tem interesse confrontar o pecado. Embora os irmãos fieis que ali estarão, acharão que sim, e dentro de suas esfera individual, farão isso.

3. Os interesses de Marcos Amaral. Como já demonstrei, o Reverendo Amaral é um ‘emissário da ONU e da Globo’ entre os presbiterianos. Ele será a porta de entrada do liberalismo teológico, ‘que já presente entre nós’, na IPB. Ele tem um discurso pluralista, tolerante com pecado, que não reflete em nada os postulados de fé Cristãos e Reformados que ele prometeu ser fiel. ESSA PASSEATA SERVE AOS SEUS INTERESSES.

Por causa dessas polêmicas, Amaral pode, estrategicamente, sair de cena. Mas se a Globo der algum tipo de cobertura, (como já confirmou o site do evento) lá ele estará. Artistas e políticos, quem sabe espíritas e ativistas gays, receberão o convite de Amaral, afinal ele já disse: “Religiosos ou nãoestão convidados para esta passeata. Claro, é pela cidadania e não pelo Evangelho!

Os recursos da IPB caiu como um passarinho inocente nisto. Visto que o Reverendo Marcos Amaral conseguiu apoio para sua passeata, via Sínodo(s), e a Executiva do SC ficou de mãos atadas.

O dia que o Reverendo Marcos Amaral sair de cena desta caminhada, ou se ele publicamente mudar sua postura, em sintonia com a consciência dos presbiterianos brasileiros, as atividades filantrópicas desta passeata terá um pano de fundo realmente Reformado.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Debate: Justificativas para Ateísmo e para o Teísmo (Parte 4)

CONTINUAÇÃO* DO DEBATE DO LÚCIO COM UM 'ATEU'

(Bom, não temos tempo para esperar a mediação nos responder [...] sobre o procedimento. Por isso, responderemos a todas as objeções do oponente. Se estiver fora dos padrões, que se nos exija uma nova resposta.)

Qualquer um pode perceber que foi completamente sem sentido as observações sobre escatologia. Certamente o cristão, bem como qualquer ateu, GOSTARIA que as coisas não acabassem aqui, e que tivessem um futuro próspero no pós-túmulo. Mas isso nunca foi apresentado como a única motivação para nos tornarmos cristãos. Da forma que foi declarado, dava a entender isso. Como não defendemos tal argumento em prol da veracidade do cristianismo, é irrelevante lidar com o assunto.

A=“Se só porque tem final que não há motivos pra fazer alguma coisa, então ninguém vai fazer nada.”

L=Em forma silógica ficaria assim:

Se algo não tiver motivações racionais porque acaba, então ninguém fará nada.
Alguém faz alguma coisa.
Logo, existem motivações racionais.

Isso se chama falácia da afirmação do consequente. As pessoas podem agir como se houvesse algum sentido no que faz; como se houvesse algum propósito, mesmo que isso tudo seja inconsistente com sua cosmovisão. Aliás, elas podem (como presumimos que seja o caso do oponente) nunca ter pensado na questão, e se quer percebido que estão agindo sob pressupostos injustificados em sua cosmovisão. Sim, se o ateísmo for verdadeiro, não há sentido em fazer coisa alguma.

Pois bem, a relevância da ação, segundo o oponente discorre, está em fazer algo que se orgulha, um benefício a si ou a alguém. Portanto, a relevância da ação tem fundamentos SUBJETIVOS, e não objetivos. O valor é pessoal. Não se pode, com essa perspectiva, provar pra alguém que é egoísta ou com depressão-suicida, que ele está errado. Somente que não estaríamos satisfeitos com essa perspectiva. Também não poderíamos incentivar outras pessoas a fazer algo produtivo (como o oponente nos incentivou), pois, fazê-lo é algo que produz satisfação pessoal, e só.

Bom, respondendo à questão do porquê não fazer nada visto que tudo termina, é simples. O todo não faz sentido, logo as partes também não. Ilustraremos: imagine que você está fazendo um bolo para comer, e descobre que um dos elementos essenciais para sua confecção está estragado. Não importa se mexeu direitinho os ovos, se deixou o tempo certo no forno, etc., tudo aquilo foi uma completa perda de tempo. Um non-sense. No máximo, você pôde brincar durante a produção, de que aquilo tinha algum objetivo. Mas se alguém quiser abandonar o ato, ou sequer começar (sob as mesmas condições), você não poderia culpá-lo, nem incentivá-lo a mudar de idéia.


Como prova cabal de que o oponente está mais perdido que cego em tiroteio, ele usou uma definição de dicionário (sem citar qual) para definir misticismo, após declarar que o teísmo (principalmente o teísmo cristão, a qual nos atemos) se enquadra nesta perspectiva filosófica. O grande problema é que ‘misticismo’, na história do pensamento, tem vários significados. O que foi colado pelo oponente está relacionado a uma forma de panteísmo (“Místico é todo aquele que concebe a não-separatividade entre o Universo e os seres” ou “perceber todas as coisas como sendo parte de uma infinita e essencial Unidade de tudo o que existe”) que não tem nada a ver com o teísmo. Está mais relacionado à experiência mística do monismo panteísta oriental, ou ao neo-platonismo.

Agora, o mais interessante é ver que a definição de místico que o adversário apresentou, e a resposta à segunda questão não tem nada a ver. “"O místico procura a presença do Ser Supremo e Real" usa o ser "sagrado" como forma de respostas que não tem (exemplo um avião é um pássaro gigante dos deuses ou um deus (pros indios que nunca viram o "homem branco").”. Aqui ele confunde as bolas entre mito (no sentido pré-socrático, pelo menos) e místico, pois define-o como que colocando ‘Deus nas lacunas’. Primeiro, não tem nada a ver com sua definição de místico. Segundo, não tem nada a ver com a proposta teísta. É verdade que temos na história do pensamento quem tenha usado Deus para preencher lacunas. Mas isso não pode ser cotado como proposta da cosmovisão teísta em si.


Declara ser o empirismo a principal forma de se obter conhecimento. Para não haver confusão, quero que responda à seguinte questão: podemos saber de todo tipo de verdade pelo método empírico? Em outras palavras: existem categorias de conhecimento que fogem à alçada do empirismo?

Não querendo ser enfadonho, mas seria necessário definir o que você quer dizer com ser o empirismo a ‘principal’ forma de conhecimento. Uma prolepse para poupar tempo: se responder que há outras categorias que fogem ao escopo empírico, mas que esse é o principal, precisamos saber o porquê da definição de ‘principal’. E ainda: você é cientificista?


Essa questão inicial não foi abordada (pode ficar para o próximo tema do oponente): “Ainda gostaríamos de ver como é que o avanço da ciência para explicar a realidade nos leva ao ateísmo. Esteja à vontade para expor sua argumentação.”


Como justificado previamente ao moderador, estamos seguindo a seguinte metodologia: mostrar que o ateísmo está calcado em pressuposições teístas (na ética, na metafísica, na epistemologia), e que ele tem de abdicar-se delas. Porém, ao fazê-lo, sua cosmovisão ruirá. Também aproveitamos, como bônus de argumentação, observar a técnica do espantalho usada pelo oponente.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Rev. Jedeias Duarte: perigos na plantação de igrejas

“Novas igrejas não devem resultar de inovações. Inovações para se plantar novas igrejas têm trazido prejuízo à fé cristã presbiteriana. Cremos que determinadas contextualizações são necessárias. Entretanto, quando uma nova igreja surge com o espírito de ser uma nova opção, ela não é um projeto de plantio de igrejas: é um projeto proselitista, de cunho divisionista e personalista, muitas vezes utilizando pressupostos teológicos liberais de contextualização.”

Olhando bem para o que o Dr. Jedeias adverte, temos um perigo sempre presente no trabalho de evangelização; 
a tentação de procurar o gosto do freguês!


Fonte: Revista PROPOSTA, p. 25


Leandro Quadros e parábola do Rico e Lázaro – Parte 1

Na ânsia de negar a doutrina do tormento eterno, o apologista Leandro Quadros desfere seu golpe contra um relato bíblico (AQUI). Quero tratar de suas explicações que procura de uma maneira desesperada ‘explodir’ o texto. Em itálico o que Quadros escreveu, e em negrito os meus comentários:
Leandro Quadros: “Em uma parábola, pode-se dar nomes aos personagens. Não há uma regra literária que proíba ou mesmo condene o uso de nomes próprios em uma parábola, sendo que o objetivo desta é apenas ensinar uma lição moral e não servir de doutrina.”
Primeiro, o 'conceito literário' de Leandro Quadros é imposto e não derivado. Qual é a maneira comum de Jesus Cristo ao apresentar parábolas? Ele usava nomes? Por isso, a argumentação de muitos cristãos que não é apenas uma ‘parábola’, pois em nenhuma outra aparece nomes! Segundo, sendo uma parábola, ou não, não muda o fato de que a realidade ali pressuposta é a existência contínua após a morte. O apologista adventista parece que apresenta um argumento contra o entendimento não pretendido por ele, simplesmente dizendo que é uma ‘lição de moral’ e com isso negando a realidade de uma doutrina. “Sim!!!” É uma lição de moral, e o que muda? Moral não é Doutrina? Se existe uma lição moral, ela está baseada em que? Verdades ou mentiras? Terceiro, TODAS as parábolas de Jesus são realistas, se não reais. Não importa, elas refletem realidades, mesmo que em algumas exista o elemento hiperbólico e metafórico.
Leandro Quadros: O fato de Jesus ter dado nome aos personagens não indica que ambos existiram e que o relato seja literal. “Sendo uma alegoria, os personagens não podem ser reais, por isso cremos, que nem o rico nem lázaro existiram. Se a declaração fosse real, nela haveria idéias pagãs, conceitos de tradição talmúdica e metáforas judaicas” . – Pedro Apolinário, Leia e Compreenda Melhor a Bíblia, [Instituto Adventista de Ensino, agosto de 1985. 2a Edição Ampliada], pág. 219.

A obra adventista usada por Leandro age irresponsavelmente e de modo inverso. Até hoje eu aprendi o seguinte: se existe semelhanças de conceitos entre uma ideia pagã e a Bíblia, então, existem elementos de verdades naquela ideia pagã [exemplo disso é o ‘Deus desconhecido’ de Atos 17]. A Palavra de Deus é A Verdade Absoluta (Jo 17.17). Para o Pedro Apolinário, Adventista, o relato deve ser negado como literal ou representativo de uma doutrina, pois tal parábola é semelhante a ensinos talmúdicos e pagãos!!! Imagine então o que deveríamos dizer das semelhanças entre os relatos pagãos do dilúvio, e outros, vindo de Babilônia! Vamos rejeitá-los? Só Adventista para engolir isso...

Leandro Quadros: “Jesus contou esta história após uma seqüência de parábolas; por que este único relato não o seria? Com base nas melhores regras de interpretação do texto, se no mesmo bloco de assunto ( – Lucas 15 a 17:10 – perícope) há uma séria de parábolas, é claro que a do rico e Lázaro também o é!”

Bem, agora apareceu um pouco mais de juízo no argumento de Leandro Quadros. Embora, como eu já disse, não faz diferença esta parábola ser ou não ser real.

Para uma correta concepção sobre a interpretação de parábolas, o Dr. Paulo Anglada assevera: “... é importante verificar se outras passagens bíblicas ensinam a verdade que o intérprete pensa que a parábola ilustra. Como regra, parábolas não devem ser usadas como base doutrinaria, mas como ilustrações de verdades ensinadas em outras passagens bíblicas.” (Hermenêutica Reformada, p. 213). Sendo essa uma proposta mais sadia, podemos inferir que entendimento Protestante desta passagem está em perfeita harmonia com um grande número de passagens bíblicas (veja uma lista AQUI). Incluindo também no próprio livro de Lucas no capítulo 23 versículo 43.
...

Depois de citar vários autores evangélicos e protestantes que defendem que o relato é mesmo uma parábola, Leandro Quadros assegura que estão bem assessorados! O que ele não disse é que para muitos que entendem ser uma parábola, não muda o seguinte fato: Jesus ensinou algo que tem relação direta ao tormento eterno!

Veja em qual direção esta questão, parábola ou história, caminha corretamente: “A História ensina a existência pessoal autoconsciente depois da morte, mas não é apropriado construir uma teologia da vida após a morte apenas com base nesta história.” (Comentário Cultural do Novo Testamento, p. 176). Antony Hoekema, na mesma direção afirma: “... a parábola seria totalmente sem sentido se, de fato, não houve um diferença entre o destino do justo e do ímpio após a morte.” (A Bíblia e o Futuro, p. 120).


Leandro Quadros:“Analisando a parábola. É oportuno deter-nos em alguns aspectos da narração de Jesus a fim de que compreendamos se a mesma era literal ou seria apenas uma ilustração. O objetivo de Cristo certamente não era dar um estudo sobre a morte, pois Ele acreditava ser esta um “sono” (cf. João 11:11-14).”

A expressão ‘sono’, usada por Jesus em outra ocasião, não é usada no assunto texto bíblico em questão. E a interpretação de sono como o estado da morte é bem conhecida: “... em razão de o crente, ao falecer, perder a consciência em relação ao mundo cheio de fadiga e sofrimento, para acordar em um reino de paz e felicidade.” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, p. 369).

O que percebemos, é que a mira do Leandro está fora de foco, fora da verdade!

Continua...