segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eleição do SC da IPB – o que revelará? Um recado aos delegados

Essa é a minha última postagem a respeito da IPB antes da reunião do Supremo Concílio. Estamos orando por isso... alguns já me perguntaram, por diversos meios, por qual motivo eu critico a IPB em meu blog, já que sou presbiteriano. O motivo é honestidade comigo mesmo, consciência. Tenho feito duras criticas, e recebido também, a outras religiões por causa de seus ensinos. Por qual motivo seria ‘conivente’ com os erros do meu arraial? Além disso, o clamor é correspondente com o sentimento atual de tantos que estão em silêncio.

Jamais apresentei uma critica contra minha fé presbiteriana – eu a a defendo como expressão exata da fé cristã – a IPB possui, indisputavelmente, o melhor sistema doutrinário bíblico. Geralmente minhas críticas estão mais na face que a IPB tem demonstrado; no abandono da identidade reformada, na indiferença para com os reais desafios presbiterianos, no esgoto político e interesseiro que muitos ratos sugam a IPB, na presença de assassinos da tradição reformada sejam eles comunidades, pentecostais e liberais  - esses últimos, indignos mesmo de serem chamados cristãos).

Também, no passado tivemos um livro escrito por um pastor presbiteriano muito conhecido por sua disposição evangelística, que inspira a todos nós, o Rev. Arival Casimiro Dias. O livro, não sei se ainda é editado, é o “Resistindo a Secularização – Reflexões sobre a luta contra a secularização da Igreja Presbiteriana do Brasil”. Quando leio esse livro, vejo que os muitos problemas continuam, outros foram resolvidos, outros surgiram. Não sei se o referido pastor sustentaria ainda suas criticas em nossos dias, mas fazer uma comparação ao que foi escrito em 2002 será interessante.

No Capítulo 1 o autor disse que o processo de secularização já havia iniciado, de ‘cima para baixo’. Em muitos seminários existiam professores que não tinham compromisso com a inerrância da Escritura. Podemos dizer que esse problema diminuiu bem desde então, Graças a Deus! Apesar de andarem como ratos, a peste está controlada na maioria dos seminários – mas não em todos. Esse processo deve continuar e ‘despedaçar os Agagues’ (I Sm 15.32,33).
No Capítulo 2 ressalta a “Vocação ou profissão?”. Infelizmente, isso não mudou. Ainda falta pastores, evangelistas, anjos, doutor (Como intitulados são pela CI, Art. 30), que sintam o cheiro do rebanho e saibam qual é os dilemas dos ímpios. O ditado em muitos casos ainda é aplicável a muitos pastores, pois estão em uma “Torre de Marfim”.
A meu ver algo se juntou ao processo de secularização da Vocação pastoral hoje na IPB - os programas de mestrados e doutoramentos que bem pouco tem servido a causa do Mestre em Sua seara, sendo que em muitos casos são anões ministeriais em busca de títulos...  Se o camarada consegue aplicar algo no suor do dia a dia no rebanho de Cristo, de fato ele é mestre mesmo. Esse processo de “academização” estragou o faro pastoral de muitos pastores. Já ouvi de vários presbíteros: “Queremos pastores que se doam, não acadêmico$.” Acho, apenas acho, que Jesus é contra essa vaidade... O livro Resistindo a Secularização  dizia que esse problema valoriza “títulos e diplomas em detrimento da consagração espiritual.” E desfigurou uma dura crítica que dificilmente pode-se rejeitar para os dias de hoje: “Não existe nada mais esquisito como um programa de doutoramento em ministério, cursado em dois anos. Sem maldade, o que significa ser doutor em ministério? E se o sujeito for doutor em ministério e não conseguir pastorear uma igreja local?”(p. 15). O que dizer do camarada que é doutor em evangelização e não evangeliza? Doutor em aconselhamento e não aconselha o rebanho e ímpios?
No Capítulo 3 falou-se da politicagem na Igreja. Parece que isso não fica tão escondido quanto deveria. Isso pode ser bom, se um indivíduo tem capacidade, mas a Igreja é um corpo vivo, holístico, a mesa precisa girar. Nesse capítulo, foi mostrado que uma das maneiras de evitar isso é barrar as reeleições da Mesa Executiva do SC. Ali foi dito: “A reeleição, a experiência prova, cria na pessoa reeleita o complexo de narciso...”(p.14).  O mostrou uma resolução sábia do Supremo Concílio: “SC-62-171- Quanto ao Doc. 146 – Comissões Permanentes – o SC resolve encaminhar à Comissão de Indicações sugestão no sentido de evitar tanto quanto possível a indicação de nomes para a reeleições a fim de assegurar-se a rotatividade na composição das mesmas [...]”(p. 15).
Capítulo 4 sobre Boçalidade Teológica. Nesse capítulo, foi chamado a atenção para falta de unidade teológica na IPB e em seus seminários e cursos. Isso parece também que melhorou um pouco, já que existe um esforço para padronizar os ensinos teológicos que estejam alinhados com a Confessionalidade da IPB. Por um lado revela que o perigo era iminente, mas estão agindo. Continuemos assim, se possível no primeiro ano nos seminários da IPB ensinar apenas os padrões Reformados e um documento assinado como compromisso legal que o tal seminarista continuará fiel a esses postulados, ou sair do ministério, devolvendo o dinheiro a igreja local que o manteve no seminário.
Capítulo 5 falou em poucas páginas a respeito da história da IPB, e um dos principais Elias que a IPB já teve – Boanerges Ribeiro. Esse pastor agiu com braço de ferro, é verdade. Mas a situação que enfrentou foi em um período muito duro. A lição geral ali é que quando a liderança nacional e local é apática, só tomam decisões olhando seus interesses, e não da IPB, a esperança é ofuscada.
Capítulos 6 e 7 mostrou o grande perigo de reformar a Constituição da Igreja. É impossível, como mostrou. Não existe hoje grandes rumores que podem ameaçar a CI da IPB, portanto, não é um perigo de fato hoje em dia, pelo menos em minha esfera de informações. Vamos cumpri-la antes de tudo. Ali mostrou que existe um número alto de Seminários na IPB. Isso precisava ser repensado, segundo o autor Dias. 
Capítulo 8 “Redescobrindo o Ministério dos Presbíteros”. O livro fez alerta, a ainda hoje é uma grande necessidade, que os presbíteros agarrem com força o seu chamado (At 20.28). Muitas coisas na IPB seriam diferentes se os tais realmente pastoreassem o rebanho se interessassem nos debates Nacionais de interesse da denominação. Aqui, a meu ver, a culpa é mais da IPB nacional e local, do que do presbíteros. A IPB não faz nada para ensinar teologicamente os presbíteros e diáconos. Aliás, nem a Editora da IPB distribui os Símbolos de Fé para os membros, vamos esperar mais o que? Nenhum programa de ensino existe de fato. No livro Resistindo a Secularização, (p. 44), mostra que houve em 1970 um interesse nessa direção. Compartilho da ideia do rev. Casimiro, que deve-se promover encontro regionais para esse fim(p.44). Mas infelizmente o que vemos hoje é o super, mega, aparelhamento acadêmico dos pastores, enquanto os demais oficiais são “deixados para trás”.
Capítulo 9 fala a respeito do exibicionismo que vivia-se dentro da Igreja, o que hoje diminuiu bem, louvado seja Deus!!! Mas especialmente na aplicação das disciplinas aos Ministros, isto, pelo jeito, não mudou desde 2002. Um ditado safado, bem digno das corrupções Brasília é dito ali livro, que o autor ouviu de um amigo: “Na igreja, para os amigos tudo, para os inimigos a lei.”(p. 47). Citarei um caso nessa postagem em “minhas observações”...
Capítulos 10 e 13 desfere seu golpe contra o pluralismo. 
Continua do mesmo jeitinho, mas com outros problemas... a IPB está sendo dilacerada. Dizem que “há paz”, mas não há! Por um lado as Comunidades Presbiterianas – que não tem compromisso algum com identidade da IPB, mas os pastores de tais gostam dos salários da mesma – proliferam no Brasil. Por outro, continuam os pentecostais querendo ‘avivar’ a IPB, ao invés de irem para as denominações pentecostais. Em número pequeno os liberais, mas sempre um rato sai do esgoto com seu liberalismo teológico. Por fim os que tem legitimidade, os Reformados. A paz do “pano quente” é o modelo de governo. 
O que foi escrito em 2002 pode ser escrito em 2014. A diferença é que hoje apareceu outro tipo de pluralismo e fingi-se que isso não está acontecendo...
[Capítulo 11 nesse capítulo algo é dito sobre a estrutura política e de ensino no Mackenzie e Jumper. Como não tenho em mãos informações a respeito, de interesse polítco de Andrew Jumper estar ou não no Mackenzie, não tenho o que dizer. Mas parece que a situação foi resolvida. Alguma queda de braço antiga que desconheço, sobre professores retornarem ao JMC para o ensino do sagrado ministério.]
Capítulo 12 lembrou da disciplina, nesse caso a todos os crentes. Esse é um problema local, as doutrinas bíblicas estão expostas e os processos na CI para que todo Conselho aplique sabiamente as disciplinas. O pecado destrói a Igreja. Esse é um problema espiritual e não administrativo. Os Conselhos Locais quando são omissos, fazem um grande serviço ao diabo, acabam tratando a Noiva de Cristo como prostitua de Satanás.
Capítulo 14 e 15 sobre missão e plantação de Igrejas. O sonho desse pastor, infelizmente, não foi realizado. A IPB, pelos dados oficiais da Tesouraria, tem investido bem em missões nacionais e no preparo teológico. Mas o que mais percebemos é falta de unidade nesse propósito. Igrejas ricas deveriam adotar trabalhos missionário e trabalhar na plantação de igrejas. Um esforço nacional deveria ser aplicado. Isso, continua, desde quando Resistindo fez esse apelo. Mas de uma coisa é certa, o pastor que escreveu isso, tem dado exemplo nessa área.
Capítulo 16, final. Destaca-se o PRESBITISMO, que um problema de visão. Ali adverte-nos a respeito disso. Um jogo de palavras para fazer um apelo aos presbíteros. Ele demonstra que os presbíteros podem mudar a história da IPB nas eleições do SC. E termina: “Presbíteros: vamos combater a doença PRESBITISMO! Abra os olhos e não negligencie o dom que lhe foi dado”(p.76)

Então, vamos às minhas observações a respeito da nossa realidade atual:

1.      Não podemos mais por pano quente nos problemas. A IPB acabou aprendendo a conviver com diferenças em seu seio a resolver isso, o que revelou ser uma gangrena – a pluralidade na Igreja Presbiteriana. A política do “pano quente” para manter a aparência de que está tudo bem. Se essa política está agradando a todos, a unanimidade é falsa. Temos princípios internos simples, e diversidade não é identidade – conviver com quem nos bancos da Igreja pensa diferente, faz parte da tolerância reformada presbiteriana brasileira, mas Pastores que juram fidelidade aos postulados da IPB e depois abandonam é um grande mal. Eles destroem a identidade da IPB. Os tais são:

A)    As Comunidades Presbiterianas continuam crescendo, mesmo sob a decisão do SC. B) Pentecostais continuam ditando a marcha em muitos lugares com o discurso de “avivar a IPB”. C) Na região do RJ a problemática continua. O Bispo de uma seita já até pregou na Catedral. D) Adventistas cantando em cultos da IPB. E) Muitas Igrejas não enviam o dízimo ao Supremo Concílio, dificultando o trabalho missionário realizado pela APECOM, JMN, PMC e APMT – cadê a Executiva para colocar em ordem a CI?. F) Regiões que presbitérios desconsideram as decisões do SC e ordenam pastores sem identidade Reformada.

2.      O caso Rev. Marcos Amaral. Esse caso provará mesmo se o SC vai levar sério a disciplina eclesiástica ou se isso é apenas ‘repartição pública do alto da compadecida’. Não estou pensando na cabeça do rev. Amaral, se ele se retradar e pedir desculpas de tudo que disse. Mas o seu Sínodo não recebeu a denúncia de um presbitério. Um fato curioso é que na Bahia, existe uma igreja presbiteriana que restaurou a liturgia aos moldes Reformados de Genebra – mesmo que achemos que isso não é mais aplicável, eles não fizeram nada de mal. O SC da IPB rapidamente, sob o pulso forte de teólogos  que não tem interesse nisso, emitiu um  parecer a respeito impedindo aquilo e dizendo que tal atitude tirou a paz da IPB. Estranho que a CE desse Concílio, não viu o tormento que o rev. Amaral causou aos presbiterianos e ainda assim aprovou 100.000,00 R$ para a marcha da IPB para ONU em Copacabana. Hoje já virou lei municipal a “caminhada presbiteriana”. E ainda tenho que ler críticas à “marcha para Jesus” vindo de pastores reformados... 

3.  Escândalo Mackenzie. A notícia recente que o Instituto usou indevidamente sua identidade filantrópica, sem aplicar o ‘mínimo’ necessário para ter essa chancela, me deixou realmente indignado. Uma dívida de 240.000.000,00 R$ ao Estado é um ótimo exemplo que um Instituto PRESBITERIANO dá para o mundo. E nas redes sociais percebi que os presbiterianos da IPB estão cegos com o um calvinismo que presta apenas para criticar arminianos. Quando a grande Meca Acadêmica vira alvo de denúncia, você não vê a ferocidade calvinista que se vê contra o PT, contra neopentecostais, etc. Desejaria muito mesmo ver um artigo assim: “Copa sem culpa e Mackenzie sem vergonha”. Mas o velho ditado cai bem agora; ‘pimenta nos olhos dos outros é refresco.’

Espero que Deus mude a IPB nesses, e em outros aspectos. Como já publiquei aqui no Blog – especialmente na distribuição dos Símbolos de Fé aos Presbiterianos e Preparo teológico de qualidade para os Presbíteros, Diáconos e Sociedades – não Congressos para ricos em Águas de Lindóia. Aliás, um plano nacional de treinamento evangelístico e plantio de igreja deveria estar a cargo de quem tem experiência no assunto, não de 'palestrantes' que apenas sabem encher papel de verborréias.



Problemas sempre existirão. Defeitos na Igreja é algo real - Apocalipse 2 e 3 prova-nos isso. Mas o grande problema é não lutarmos, pelo menos lutarmos, para resolvê-los. Não termos coragem de tratá-los com seriedade, amor, verdade e legalidade. Acredito que qualquer homem de Deus, mesmo os que podem ser alvos de criticas –afinal, muitos leais também podem ser vítimas das tramas do inimigo do Reino que lança-nos "joio" - , perceberá que é por amor ao Noivo da Igreja que postei isso.  No fundo, todos estão cientes dessas coisas, sabem que não podemos ficar assim... 

A maneira que está, não deve continuar!

Continuemos com as orientações de Neemias 4.9: “Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite.”

6 comentários:

  1. Luciano, eu tenho pensado muito sobre os problemas que você abordou acima. Um dos maiores problemas hoje na IPB creio que seja a falta de identidade reformada. O ''louvor'' cantada nas igrejas presbiterianas hoje é o mesmo tipo de ''louvor'' adolescentizado cantado em muitas igrejas pentecostais e ''renovadas''. Coisa rara no meio presbiteriano hoje é encontrar alguém, principalmente entre os jovens, que saiba o que é calvinismo, doutrinas da graça
    e teologia reformada.
    Existe hoje uma linha de presbiterianos que se dizem reformados ''contextualizados''. O método direto de evangelismo praticado pelos presbiterianos do passado tem sido substituido pelos novos métodos antropocêntricos e ''amigáveis''. Outro problema é o esquerdismo e a teologia da libertação, que tem ainda uma certa infuencia entre alguns ditos reformados. Não entendo como um cristão reformado pode se identificar com uma teologia tão antropocêntrica como a teologia da libertação. Para mim, a teologia da libertação é tão abominável quanto a teologia da prosperidade. Mas alguns presbiterianos se deixam enganar por essas ideologias.
    Louvo a Deus por ainda termos presbiterianos firmes como você e o rev. Ageu Magalhães e muitos outros que defendem nossa identidade reformada. Deus continue te iluminando, meu irmão.

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  2. "Um fato curioso é que na Bahia, existe uma igreja presbiteriana que restaurou a liturgia aos moldes Reformados de Genebra..." Interessante, fale-nos mais sobre isso irmão e por que essa ordem de culto não ser mais aplicável hoje!?

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  3. "Um fato curioso é que na Bahia, existe uma igreja presbiteriana que restaurou a liturgia aos moldes Reformados de Genebra – mesmo que achemos que isso não é mais aplicável, eles não fizeram nada de mal."

    Prezado irmão, particularmente nunca estudei a fundo o debate que classificam hoje como 'neopuritano'. Citei o fato dentro do contexto de repreensão a eles e favorecimento do projeto de Amaral.

    Sobre isso, poderá ler: http://www.iphr.org.br/2010/07/ao-supremo-concilio-da-igreja-presbiteriana-do-brasil/

    Sendo uma decisão do SC, não estou desconsiderando isso. Apenas invocando o tema para a reflexão.

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  4. engraçado Luciano, que ate os proprios crentes da ipb nâo comentam nada só teve quatro postagem, como dizem alguns irmãos meus que nasceram na ipb, estamos igual brasilia, estamos iguais os deputados , senadores, ninguem viu nada, e te digo mais Luciano estamos muito longe dum avivamento.........

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  5. Irmão Odair, essa postagem, e a do Mackenzie, recebe muitas visitas. Mas não comentam exatamente porquê 'corta a carne'. E perceba que eu disse isso na postagem: " E nas redes sociais percebi que os presbiterianos da IPB estão cegos com o um calvinismo que presta apenas para criticar arminianos. Quando a grande Meca Acadêmica vira alvo de denúncia, você não vê a ferocidade calvinista que se vê contra o PT, contra neopentecostais, etc."

    No facebook o Rev Ageu - um dos últimos dos conhecidos que ainda temos alguma esperança - fez um apelo de chorar...

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